domingo, 6 de abril de 2008

Violência na intimidade dos adolescentes

A adolescência é uma idade maravilhosa, onde começamos a despertar e a ter contacto com o mundo de uma forma mais racional, é a idade onde domina o pensamento sobre os mais diversos temas sobre os problemas do mundo, sobre a vida, sobre os nossos objectivos, sobre os nossos actos, é a idade onde a nossa capacidade de raciocínio, de mentalidade e de ser nós próprios se desenvolve. Dentro de nós, há uma necessidade de expor a nossa opinião, de ir até ao ultimo porquê das coisas, esclarecer tudo o que nos rodeia… A adolescência é uma fase que nos leva a crescer mais depressa e onde temos o primeiro contacto com o verdadeiro amor. É nesta fase que apesar de os amores serem mais fugazes, é uma fase em que damos muita importância ao amor. Quando encontramos a pessoa que julgamos que é a certa não pensamos em mais nada, simplesmente em fazer tudo para ficar com ela e, por vezes, somos submetidos ao papel de vítimas, pois alegando amor por essa pessoa, sujeitamo-nos às suas vontades. Vontades essas, que passam muitas vezes por agressões físicas, psicológicas e sexuais ás quais nos sujeitamos, devido á ilusão que temos acerca dessa pessoa, acreditando que nos mesmos a conseguimos mudar. Esta fase que deveria estar cheia de amor e carinho, proporcionando um grande sabor à vida, nem sempre é assim, muitas vezes, essa ideia reduz a nossa ideia de realidade e do correcto. Quando amamos uma pessoa, temos a ideia que esta é perfeita e única na nossa vida e não queremos ver a realidade, já que esta pode ser uma grande desilusão. Por isso, preferimos continuar a viver nessa ilusão e fugir ao sofrimento que iremos ter, se tentarmos ver o que essa pessoa é realmente.
Geralmente quando um dos companheiros devido à influência de drogas, álcool, ciúmes… revela atitudes severas que a vítima, neste caso o outro companheiro, suporta pensando que tudo é passageiro e que ela própria é culpada do sucedido. No entanto, por vezes, as agressões prosseguem e tornam-se cada vez mais insustentáveis. A vítima ainda acreditando que tudo vai mudar continua a sujeitar-se às agressões, pois, no fundo, ama o companheiro e não quer terminar a relação pois é muito difícil abandonar uma relação em que um jovem já investiu muito emocionalmente. Este tipo de violência no namoro não pode ser atribuído a um descontrolo por parte do(a) ofensor(a). Isto equivale a desculpabilizar os seus actos com base num suposto comportamento provocatório na vítima, pois este tipo de violência raramente consiste numa agressão isolada, mas antes num padrão, que vai evoluindo progressivamente. Este tipo de violência tem como objectivo a privação do outro cônjuge do exercício do seu poder. Muitas vezes o que acontece é que os agressores, ao sentirem-se ameaçados, recorrem ao uso da força para reinstalar o seu poder. Apesar das marcas físicas serem visivelmente marcadas, as marcas psicológicas apesar de não serem visíveis isolam-na num mundo de constante sofrimento e de incompreensão.
Mas afinal o que é o amor para essas pessoas? Como é possível maltratar a pessoa que se gosta? São inúmeras, as questões levantadas para tentar perceber estes actos de violência que muitas vezes são incompreendidos. Por isso, muitas das vítimas manifestam um sentimento de vergonha e incompreensão, de assumir o agressor, e muitas vezes receio da possível punição do companheiro.

3 comentários:

vania silva disse...

Há pessoas que dizem que quando amam se sujeitam a todo o tipo de comportamento por parte do companheiro. Mas será isso o amor? Não será mais uma obsessão? O medo de perder a pessoa com quem estamos leva várias pessoas a suportar agressões, sejam elas físicas ou psicológicas e essas pessoas até acham que merecem esse tipo de tratamento.
Quando uma pessoa Ana outra pensa que duas pessoas se “transformam” numa só, que os gostos e pensamentos têm de ser iguais… essas pessoas esquecem-se que continuam a ser elas próprias e que a sua alma é diferente da do companheiro, bem como as suas experiências. Sendo assim, como podem duas pessoas sentir o mesmo ao ouvirem uma música juntas pela primeira vez?? Talvez no futuro essas duas pessoas tenham sentimentos semelhantes ao ouvirem essa mesma música porque aí sim, terão uma experiência em comum.
Na minha opinião, o amor é, para além de respeitar o espaço do outro, preservar a nossa auto-estima! Quem se sujeita a agressões e ainda se culpabiliza por elas não ama… depende!

Anónimo disse...

Mas que questao tao complexa... Pois isto do amor tem muito do que se lhe diga. Mas da pouca experiencia de vida que tenho penso que um elemento base desta palavra tao subjectiva, é o respeito mutuo que tem que existir entre os parceiros e, neste caso essa estima entre ambos nao se verifica.Na minha opiniao, a rapariga só está a alimentar o comportamente do namorado perante a atitude que tomou em "abafar" a violencia que recebe.Mas tambem já sei que muitas pessoas estarao a pensar, "mas ela gosta dele".... realmente este sentimento poderá estar presente mas como referi no inicio o amor requer respeito!!! Eu estou para aqui a dizer o que penso, mas se fosse eu que estivesse a viver esta situaçao tambem nao sabia que rumo tomar, pois ficava dividida entre o sentimento e os maus tratos. Mas quando uma pessoa está do lado de fora é muito diferente quando está a viver nesta conjuntura desagradavel!!!

Ana Filipa Araújo Peixoto disse...

Aqui vai a bibliografia deste trabalho:
- PAPALIA, DIANE E.E SALLY WENDKOS E RUTH DUST FELDMAN, "O Mundo Da Criança", 8ªedição, Mc Graw Hill
- MACHADO, CARLA E RUI ABRUNHOSA GONÇALVES, "Violência e Vítimas de Crimes", Vol.2 - Crianças, Quarteto