segunda-feira, 7 de abril de 2008

Atracção: a química dos opostos

É extremamente curiosa a maneira como as pessoas ficam geralmente atraídas pelos ditos “opostos”. Nós sentimo-nos atraídos pelas pessoas que gostam das mesmas coisas que nós, que partilham as mesmas ideias que nós e que têm uma personalidade idêntica à nossa. Isto verifica-se muito nas relações que estabelecemos, sejam elas com amigos ou com namorados. No entanto, temos uma certa tendência para nos aproximarmos também daquelas pessoas que possuem certas características que nós apreciamos, pois assim sentimo-nos mais completos. É por este motivo que muita gente afirma que “os opostos atraem-se”.
Certamente toda a gente já afirmou que se sentia “atraído” por alguém. Mas, afinal, como podemos definir a atracção? Do ponto de vista psicológico, a atracção é a capacidade de avaliar os outros e procurar a sua companhia.
Provavelmente muitas pessoas confundem a atracção com o amor. No entanto, estes dois conceitos são distintos: o amor implica uma necessidade da presença do outro, enquanto a atracção pode ser apenas algo físico.
Porém, quando falamos em amor temos uma certa dificuldade em dizer o que é o amor e se amamos temos dificuldade em exprimir por palavras aquilo que sentimos…
E para vocês, que amam, como definem este sentimento magnífico mas estranho ao mesmo tempo?

4 comentários:

Laura Mota disse...

A resposta a essa questão é relativamente simples, já que consiste noutra pergunta: porque procuramos explicações para tudo? Actualmente preocupamo-nos demais em definir conceitos, possuímos uma sede de conhecimento excessiva!
É sempre bom que tenhamos vontade de encontrar fundamentos para o que nos rodeia (caso contrário, não existiria evolução…), mas porquê exagerar? Um sentimento é, um SENTIMENTO! Algo extremamente pessoal e que, também por isso, está de acordo com a NOSSA PRÓPRIA visão do mundo.
Se seguíssemos essa perspectiva tão radical de querermos compreender tudo, acabaríamos até por querer nascer com inscrições gravadas no corpo cujo conteúdo seria: o significado dos sentimentos e o nome das pessoas por quem iremos senti-los...
Os sentimentos foram feitos para, como a própria palavra refere, serem “sentidos”! Porquê complicar o que, na realidade, é tão simples? Não deveríamos aproveitá-los ao máximo, em vez de tentarmos compreendê-los? Se os sentimentos tivessem sido feitos para ser entendidos seriam, provavelmente, algo físico, em vez de estarem ocultos nas profundezas da nossa própria existência...

Andreia Lopes disse...

A "quimica dos opostos" .. interessante =P, nesta juventude então, atracção é um tema cativante, já que penso que o que mais vemos por aí é atracção e não amor e fazes uma boa distinção entre ambos!!
Colocas um desafio que sabemos com plicado e por isso também o meu comentário não visa responder a essa questão :') ..Contudo é certo que como estudamos, amor envolve paixão, intimidade e compromisso .. E quando falamos em intimidade digo que é no seu verdeiro sentido, não é simplesmente confiar, é "pôr as mãos no fogo", não é simplesmente acreditar, é nem sequer colocar em causa, e mais não é simplesmente partilhar as bases das nossas emoções e dia-a-dia é colocar agora eu uma questão .. EXISTE ALGUÉM COM QUEM TE ATREVAS A FALAR COMO CONTIGO MESMO?? ... É isso que há a criar.. Não se ama com tanta facilidade como vemos por aí, tantos "amo-tes" perdidos.. A palavra consagrada que é dada à toa em troca de quase nada!! Sem moralismos, é melhor parar eheh Mas que é melhor pensar duas vezes antes de se dizer amo-te é... Só uma coisa... Que os opostos se atraem, acho que ninguém nega.. tal como o fruto proibido e o mais apetecido... Psicologicamente falemos da complementaridade que vemos na pessoa por quem nos sentimos atraídos... Nossos "clones psicológicos" não iamos achar piada nenhuma francamente .. e como se diz quem desdenha quer comprar .. ahah...
Sem mais nada a acrescentar ..

psicob disse...

Laura:
O que entende por conhecimento excessivo? Qual a quantidade de conhecimento que considera correcta? Qual o critério que usa para decidir o que é ou não é excessivo?
Compreender os sentimentos é uma coisa, manipulá-los é outra.Compreender a varicela permite criar vacinas e armas biológicas. Compreender a varicela é um conhecimento excessivo?
Os sentimentos "foram feitos"? "Para"? Está a supor que "alguém" criou os sentimentos humanos? Com uma "intenção"?
Acha que conhecer é complicar? A realidade é complexa por si´mesma. Conhecê-la não a complica, pelo contrário, torma a sua complexidade mais clara, inteligível, revela, desoculta, esclarece.
Acha que compreender algo nos impede de o aproveitarmos ao máximo? Se souber mais de informática não aproveita mais o seu computador? Conhecer e viver não são incompatíveis, ou acha que quanto mais ignorantes formos mais partido tiramos da vida?
Finalmente, quanto ao "se os sentimentos tivessem sido feitos para serem estudados...seriam algo físico em vez de estarem ocultos...", convido-a a fazer a lista das realidades físicas que estão ocultas. Os átomos ou o ADN por exemplo. Não os devemos conhecer? Se pensarmos assim lá se vai a ciência e com ela a possibilidade de estarmos, por exemplo a comentar comentários num Blog ou a estudar microbiologia. Os sentimento não são "fantasmas" incognoscíveis, possuem um fundamento biológico e socio cultural que pode ser conhecido. Conhecê-los para quê? Pelo mesmo motivo que queremos conhecer a origem do universo, da vida, ou o que nos está a causar uma dor de cabeça. Em primeiro lugar pelo amor à verdade, depois...depois pode ser muita coisa mas será sempre secundário.

Laura Mota disse...

Professora:
Receio que o meu ponto de vista não tenha ficado completamente esclarecido… Eu não queria dizer que os sentimentos não devem ser estudados, mas sim que não nos devemos preocupar mais em defini-los do que em vivê-los… Era nesse sentido que aparecia o “conhecimento excessivo”, que impede (de certa forma) que a realidade seja vivida em pleno. Se estivéssemos sempre preocupados em compreender o mundo à nossa volta não aproveitaríamos a nossa própria vida, porque o nosso pensamento estaria constantemente ocupado com questões como esta. Por exemplo: em vez de saborearmos um iogurte, preocupar-nos-íamos com a percepção de que existe por trás da sua formação um processo de fermentação efectuado por microrganismos que, por sua vez, possuem determinadas características… Será possível concordar com isto?! Eu nunca tive intenção de dizer que o conhecimento não é necessário, muito pelo contrário, o conhecimento é, na minha opinião, algo “imprescindível”. No entanto parece-me que se toda a gente se preocupar com a questão da origem dos sentimentos, não restará ninguém com capacidade para senti-los… :). Era nesta perspectiva que eu falava de “conhecimento excessivo”. Usando o seu exemplo, nem toda a gente se preocupa em compreender doenças, “isso é para os cientistas”…mas muita gente entende esta questão dos sentimentos como algo generalizado, sobre o qual qualquer pessoa (apenas porque sente) pode ter uma opinião. Na verdade os sentimentos, tal como nós os conhecemos têm demonstrado cada vez mais que não são um enigma fácil de resolver!
Quanto ao facto de os sentimentos terem sido feitos com algum propósito, suponho que isso iniciaria uma nova discussão que se distanciaria do tema central (os sentimentos). Mas é também uma questão a ser estudada :)… O que eu queria dizer na realidade é que eles “existem para…”, e sem querer acabei por criar uma nova linha de “discussão”.
Mais uma vez reforço a ideia de que conhecer não é “sempre” complicar, mas pode ser quando esse conhecimento ultrapassa certos limites. Passo a explicar: eu não disse que este tema não é uma área interessante a ser estudada, mas acho que muita gente se preocupa mais em perguntar porque sente algo do que em aproveitar o que sente! Só não queria que fosse retirado ao sentimento o valor pessoal que ele tem, para que este se tornasse nada mais, nada menos do que mais um assunto de conversa ou mais um tema a estudar… O carácter pessoal do sentimento é algo único, e era isso que eu tencionava valorizar.
Relativamente à questão “Acha que conhecer é complicar?” terei que discordar consigo: neste caso “conhecer” pode ser sinónimo de complicar. Porque é que em vez de falar sobre evoluções tecnológicas como o computador não falamos, por exemplo, nas drogas? Conhecer mais sobre elas apenas fez com que estas se tornassem objecto de cobiça e de desejo por parte de determinadas pessoas…acha que isso as fez aproveitar melhor a vida? Em quê? Porém não estou de forma alguma a afirmar que todos os conhecimentos nos prejudicam, apenas refiro que os conhecimentos podem ser bem usados ou mal usados… Isto significa também que discordo com a pergunta da ignorância, porque não acho de forma alguma, que a ignorância seja uma forma de tirarmos maior partido das nossas vidas.
Com a frase que menciona em último lugar eu queria afirmar que os sentimentos seriam algo físico, como o ADN… Acho que não me fiz entender, já que eu queria dizer que seriam como o sangue, ou como as células, que não estão “escondidos” e sempre estiveram no nosso corpo. Assim, apesar de estarem presentes, os sentimentos não estão “a descoberto” como qualquer uma das realidades que apontou. Podemos sentir algo sem que ninguém saiba que o sentimos…Mas não podemos esconder, por exemplo, que somos feitos de matéria pois isso já é um valor instituído! Espero que com isto tenha conseguido explicar que os sentimentos não são, na minha opinião algo que deva continuar obscuro. Só acho que quem sente não deve dar mais importância ao conhecimento do que sente do que ao sentimento em si!
Por isso, no fim, apesar de termos opiniões diferentes sobre o tema, eu não afirmei que não possuo o “amor à verdade” que refere no seu comentário, mas sim que o amor à vida e ao seu conteúdo lhe é superior…
Espero ter esclarecido todas as questões :).