domingo, 20 de abril de 2008

O teu caminho já está traçado ?

Estava eu a ver um jornal e eis que a páginas tantas me deparo com uma expressão que por vários motivos me deixou a pensar – “o seu caminho já estava traçado”. Fiquei ponderando em tal afirmação, questionando-a; no fundo, pensando se seria ou não verdade construir uma opinião relativamente a tal assunto.
E, na minha opinião, todos nós temos as nossas estradas traçadas, mas somos nós quem as escolhemos; ou seja, cada indivíduo como ser humano livre e responsável que é, tem a possibilidade de construir o seu próprio destino.
Provavelmente agora questionam-se: “Como pode ser possível se já está tudo traçado?” Sim, como referi anteriormente, acredito que está tudo traçado, mas penso que todos temos sempre o direito e dever de colocar o último «ponto» no nosso destino. Por exemplo, imagina que vais perdido(a) numa estrada, e deparas-te com uma encruzilhada, tu só podes seguir um desses caminho e, com essa escolha, estás a construir o teu próprio destino; a consequência dessa opção pode ser boa ou má, mas qualquer que seja, tens que a levar até ao final do teu percurso, tal como na tua vida, quando te surgem alguns problemas ou te deparas com algumas situações em que tens várias possibilidades de escolha, és tu quem decides e acarretas as consequências dessa decisão.
Com as reacções/consequências da nossa escolha ou do nosso acto, surge o determinismo, já que todos temos sempre possibilidade de escolha, mas a reacção das opções anteriores vai estar sempre presente no momento de ponderação/decisão das escolhas seguintes. Logo, todos os acontecimentos passados que de alguma forma nos tenham marcado, vão constar sempre de forma explícita ou implícita nas decisões seguintes.
É frequente ouvirem-se expressões como “o meu destino é mesmo esse sofrer” - será então que esta afirmação está relacionada com o determinismo? Sim, esta afirmação está relacionada com o determinismo, mas as pessoas não devem pensar assim, até porque não há fatalismos, mas sim desafios, superação de obstáculos e de sofrimentos. E é nesta altura que está presente o livre arbítrio, aquando da tentativa de superação de desafios como, por exemplo, uma pessoa que nasce com dificuldades no campo de visão em muitos momentos da sua vida irá fazer desse desafio uma fonte de sofrimento. No entanto, irão haver outros momentos em que obtém forças para continuar e, assim, esse pensamento reverte-se para um pensamento mais positivo – “eu possuo uma necessidade especial, mas tenho todas as oportunidades para continuar e vencer”.
Em suma, todos nós temos possibilidade de escolha como seres livres e responsáveis que somos; através da nossa opção reverte uma consequência, consequência esta que irá estar sempre presente nas escolhas seguintes, conduzindo-nos por vezes a pensamentos errados ou, por outro lado, à superação dos “problemas”. Estes conjuntos de acções e reacções levam à construção do nosso destino/ das nossas estradas, demonstrando que, mesmo que algo nos esteja predestinado, a nossa acção mudará, nem que seja por breves instantes, o decorrer da nossa vida.

1 comentário:

Andreia Lopes disse...

"Estes conjuntos de acções e reacções levam à construção do nosso destino" ... Pergunto: O destino constrói-se? Não quero dizer que não tenha entendido o que querias dizer, mas fiquei na ideia de que afinal o destino não era a "a ordem natural estabelecida do universo que geralmente é concebido como uma sucessão inevitável de acontecimentos provocados ou desconhecidos.". Na minha opinião e claro que é um tema bastante subjectivo, a nossa vida é aquilo que nós quisermos fazer dela !!
Como disseste e concordo plenamente, temos em certos momentos da nossa vida de tomar decisões e depois tomar a melhor conduta em função da opção seleccionada e isso sim aos poucos vai determinando o nosso futuro, o que chamam de "destino" deixa-me muito aquém... Se realmente o nosso rumo estivesse traçado, seríamos meros bonecos jogando às casinhas... A audácia de viver esta em sabermos que pode ser diferente que tudo pode mudar, saber que quem luta pode chegar a ... quem não luta corre o risco de ficar pelo caminho e aí sim, o futuro é o que nós quisermos dele!
É melhor atirarmo-nos à luta, em busca de dias melhores, do que permanecer estático como os pobres de espírito, que não lutaram, mas também não venceram. E o facto de nós determinarmos o nosso futuro, possibilita que agradeçamos por ter vivido, enquanto esse determinismo que abordas, é simplesmente haver passado pela vida.
Ouvi falar sobre este tema do livre arbítrio, bem como determinismo, ano passado, interessou-me.. Posso dizer que vou concordando com o teu ponto de vista... Não consigo é aceitar muito bem a ideia de coisas predestinadas .. O caso de alguém que nasceu com problemas no campo de visão é determinado mas biologicamente, geneticamente, não quero confundir as coisas mas uma coisa é eu poder optar por, outra é ser assim porque nasci assim, porque um acidente me colocou assim, algo físico, paupavel e em que a nossa vontade não está presente. Gostei bastante de ler o teu artigo e deixei aqui de uma forma simples o meu ponto de vista.