sábado, 12 de abril de 2008

Pais? Ou simples progenitores?!

É bem conhecida por todos nós a importância que as gerações mais novas dão aos meios de comunicação social, principalmente à televisão. No entanto, é importante que em vez de nos perguntarmos porque é que uma criança não larga a televisão, nos perguntemos porque razão esta sente necessidade de ver televisão?! É que, muitas das vezes, são os próprios adultos (que, curiosamente, são os primeiros a criticar os comportamentos das crianças) que criam este hábito.
Podem existir vários motivos que contribuem para que as crianças se tornem “televiciadas”, entre eles: a existência de televisões em quase todas as divisões da casa, em todos os cafés que os pais frequentam e na casa de todos os amiguinhos; o facto de os próprios pais também verem televisão frequentemente; a realidade de que não têm companhia para brincar e, por isso, ficam a ver televisão; entre outros. Então, era no sentido de anular esta conduta errada que os pais deviam intervir, fazendo com que as crianças adoptassem outros comportamentos, tais como estudar ou fazer pesquisas na Internet para aprenderem coisas novas. Mas, será que os pais se preocupam realmente com isso? Não me parece, já que são eles que, ao promover o acesso constante da criança a televisões, impulsionam o seu desejo de ficar horas e horas a ver desenhos animados por exemplo. Além disso, qual é o papel dos pais na vida das crianças actualmente? Será que estes estão realmente presentes na vida dos seus filhos? A verdade é que a função dos progenitores na educação dos descendentes tem sido cada vez mais desvalorizada. Com o trabalho, as arrumações da casa, os compromissos e os “horários para tudo” os pais são praticamente obrigados a abdicar do seu direito de fazer parte da educação dos próprios filhos…
Resta-lhes, dessa forma, deixar que o seu papel seja desempenhado por outros, tais como os educadores de infância, os professores, os funcionários das escolas, os amiguinhos, etc. São estes que assumem actualmente a função de agentes de socialização (apesar de serem apenas isso, não se criando, na maior parte dos casos, laços de afectividade entre estes e as próprias crianças), já que os pais não conseguem estar minimamente presentes na vida dos seus próprios filhos. Dessa forma, a criança acaba por sentir, mais tarde ou mais cedo, a falta de atenção por parte dos pais, pelo que arranja uma forma de remediar a ausência permanente destes: ver televisão, arranjando algures em programas televisivos modelos que possa adoptar e imitar… É aqui que entram as séries como os “Morangos com açúcar”, que instituem na cabeça de crianças rotinas que não pertencem à sua realidade nem à sua faixa etária.
É caso para dizer que, ou os pais começam a perceber que estão a falhar na educação dos próprios filhos, ou a sociedade futura basear-se-á em valores e costumes totalmente desenquadrados. Mais, cabe-nos também a nós, futuros pais, reflectir sobre este assunto para que mais tarde não sermos capazes de repetir estes erros com os nossos próprios descendentes.

1 comentário:

Laura Mota disse...

Peço desculpa por não ter enviado a bibliografia. Envio agora as bases consultadas:

MONTEIRO, Manuela matos e OUTROS, Ser Humano – 12ºano Psicologia B, Porto Editora, 2007.

http://dn.sapo.pt/2006/01/05/media/criancas_e_jovens_veem_televisao_exc.html

http://www.acores.com/a/tv_no_quarto_das_criancas.html