domingo, 7 de Junho de 2009

Inato-Adquirido


Sendo as dicotomias ideias com dois pólos distintos aos quais não se consegue dar primazia a nenhuma delas, considero que a dicotomia Inato/Adquirido, apresenta-se como a principal e aquela que tem sido mais estudada e mais questionada de todas as dicotomias.
O que determina o nosso comportamento? Será o meio ou é a natureza? Somos biológica ou socialmente determinados?... Com base nestas e muitas outras perguntas, vários autores foram expondo as suas teorias com o objectivo de explicar o que influenciava o comportamento e as características do ser Humano. Uns apoiavam o pólo Inato e outros o Adquirido.
Vamos então começar pelo Inato, este indica que o comportamento humano e a personalidade são determinados geneticamente por hereditariedade dos progenitores. O comportamento é determinado por características que nascem com o ser humano (inatas). Portanto, segundo estes, o crescimento biológico do corpo e o desenvolvimento segue padrões definidos por programas genéticos. Vários foram os apoiantes deste pólo da dicotomia, como por exemplo Freud (pulsão de vida e pulsão de morte), Lorenz (comportamentos instintivos, apoia Freud), Gesell (diferenças entre os indivíduos devem-se a características inatas) e Changeux (homem como descodificação do genoma humano e também das funções do cérebro).
Na outra face da dicotomia encontra-se o pólo Adquirido que representa a educação e a influencia do meio ambiente. Estes dizem que os seres humanos são produto daquilo que aprendem e dos ambientes em que vivem, deste modo os autores que crêem no pólo adquirido tentam estabelecer ligações entre determinados comportamentos e determinados ambientes. Então, para estes, a nossa maneira de ser e de agir é influenciada pelo que aprendemos, pelas experiências vividas e pela nossa história pessoal. Os autores que apoiaram o pólo adquirido desta dicotomia foram: Watson (empirista, a influência da hereditariedade é irrelevante), Skinner (aprendizagem por condicionamento operante, importância de um reforço) e Bandura (aprendemos por observação/imitação de modelos).
Posteriormente surgiu Piaget que, com o auxílio de tecnologia mais sofisticada do que a existente no tempo dos outros autores acima referidos, pensou de forma diferente, procurou fazer uma síntese entre os dois pólos da dicotomia e concluiu que o sujeito tem um papel activo na construção do pensamento e do conhecimento. Nestes processos intervêm factores biológicos de maturação e factores relacionados com o meio, formando, então, a concepção interaccionista e construtivista contrariando assim o inatismo e o empirismo.
Como podemos ver, muitos são os autores que se debruçam nestes problemas, e resolveram alguns, porém a persistência de grandes dicotomias na evolução e confronto das “escolas” de pensamento da Psicologia é uma realidade.

1 comentário:

Anónimo disse...

optimo texto :)