terça-feira, 10 de março de 2009

Atracção interpessoal



A atracção interpessoal, preferência por determinado tipo de pessoas é produto de um enredado romance entre as cognições e os afectos.
À pergunta: “ a aparência física é decisiva no seu relacionamento com o outro”, a maior parte das pessoas, condizente com o politicamente correcto afirma que não, mas o certo é que a beleza exterior desempenha um papel muito importante no comportamento a ter com o outro.
Um dos motivos mais evidentes para isto é o facto de a beleza causar uma melhor impressão inicial e consequentemente um aumento da auto-estima, pois a companhia de uma pessoa fisicamente atraente favorece a posição social do indivíduo (temos que convir que apesar do belo não ser sinal de qualidade é sinal de “pinta”, principalmente quando se fala dos jovens) Da mesma forma, factores como a proximidade geográfica, as similaridades interpessoais, a complementaridade das personalidades, a reciprocidade, entre muitos outros nomeadamente, o respeito, a estima, a admiração explicam o que nos leva a preferir certas pessoas e outras não.
Estudos realizados em residências universitárias mostram que relativamente ao vizinho do andar de cima os companheiros de quarto têm duas vezes mais probabilidade de se tornarem amigos, uma vez que contactam mais frequentemente e a familiaridade conduz a uma maior afeição.
As pessoas gostam de sentir as suas ideias e escolhas valorizadas e validadas. Assim, é comum a preferência por pessoas com as quais temos pontos de afinidade (semelhanças interpessoais) e a tendência para “gostar de quem gosta de nós” (reciprocidade).
Todavia não é só a partir da igualdade que se cria a confiança e a preferência, mas também da diferença no sentido em que, as assimetrias das características individuais podem tornar o outro atraente.
É na junção de todos estes factores que o nosso comportamento para com os outros se regula e as preferências se formam, daí o Miguel ser um grande amigo da Maria e não da Joana.

O poder do amor



Aquilo que, ao longo do nosso tempo de vida, vamos sendo, é resultado de tudo o que partilhamos com aqueles com quem de forma significativa nos cruzamos. Do que deles recebemos e lhes damos. E daquilo que, a partir daí, vamos sendo capazes de guardar dentro de nós mesmos, assim o transformando em algo nosso. Só dessa forma podemos aperceber-nos de como, através deles, nos é dada a possibilidade de vislumbrar o amor.
Amar é muito mais do que a sensação de empolgamento quando uma empatia profunda com alguém nos faz sentir capazes de tudo.
Aprender a amar é como subir uma escada com curvas, que nos vai conduzindo a um encontro connosco mesmos e, simultaneamente, à percepção de uma força que, embora pareça vir de fora, nos vem de dentro – sendo, por isso, indestrutível.

Vive atrás de uma máscara?



Há um intervalo cada vez maior entre aquilo que somos e aquilo que mostramos ao mundo. Estamos a trair-nos ou simplesmente a sobreviver?
Todos nós, em maior ou menor grau, somos diferentes conforme a pessoa com quem estamos, mas até que ponto é que nos traímos na necessidade de nos protegermos dos outros? Escondemo-nos por medo, por defesa, por integração? Por que achamos que a outra pessoa não aguenta o peso da nossa personalidade, com todos os seus defeitos? É o medo da rejeição que está na base?
Podemos ver as máscaras em termos de rejeição, mas eu vejo-as mais como uma arma para melhorar a aceitação do outro. Eu preciso que me aceitem para me sentir bem.
Então, e se fosse ao contrário? Se disséssemos e fizéssemos tudo o que queríamos, se fôssemos permanentemente iguais a nós próprios, seríamos mais libertas? Ao contrário: as pessoas muito rígidas, que se comportam da mesma maneira com toda a gente, essas são as mais aflitas. É tão angustiante a avaliação que os outros possam fazer, que funcionam como se a opinião deles não lhes fosse necessária. E isso também é uma máscara. As que se gabam de ‘dizer tudo’ nunca dizem tudo. O que estão a dizer é que têm consciência de que são despropositadas muitas vezes. Porque depois, quando lhes é conveniente, que bem que elas escondem!
É normal querer agradar aos outros. O problema só acontece quando agradar aos outros implica sacrificar os nossos sentimentos mais profundos.

O que explica as relações de conflito e como podemos superá-las?



Ao lermos os jornais, ao ouvirmos conversas sobre relações de trabalho, relações afectivas ou outras, ao analisarmos algumas das nossas experiências pessoais, constatamos que o conflito está presente nas várias dimensões da vida social, no contexto das interacções sociais. Pode-se definir conflito como uma tensão que envolve pessoas ou grupos quando existem tendências ou interesses incompatíveis. O conflito ocorre em relações próximas e/ou interdependentes em que existe um estado de insatisfação entre as partes. A insatisfação pode ter várias origens: divergência de interesses, competição pelo poder, incompatibilidade de objectivos, partilha de recursos escassos, desacordo de pontos de vista…A situação de conflito pode assumir o carácter de conflito intrapessoal (conflito interno), conflito interpessoal (conflito entre pessoas) e conflito intergrupal (conflito entre grupos). Apesar de haver conflitos noutras estruturas sociais, vou deter a minha atenção no conflito intergrupal. Sempre que os interesses entre duas pessoas ou dois grupos forem divergentes podemos esperar que se desenhe um conflito traduzido em comportamentos e atitudes competitivas, que podem atingir formas elevadas de hostilidade e até agressão. Pelo contrário, quando os interesses objectivos de dois grupos forem convergentes e os recursos suficientes para que ambos os consigam atingir, é mais provável que se desenhe a cooperação entre eles, sendo os comportamentos então orientados para a colaboração. Torna-se importante referir que não basta o simples contacto entre grupos hostis para se ultrapassarem os preconceitos e o conflito. O contacto que envolva a cooperação, a entreajuda e a interdependência tem muito mais possibilidades de sucesso na superação de conflitos. Efectivamente, é necessária a cooperação, isto é, a acção conjunta que implique a colaboração dos envolvidos para se atingir um objectivo comum. De facto, só quando se definiram objectivos de carácter imperativo essencial para a vida dos dois grupos, em que estes tiveram de discutir, elaborar um plano, dividir as tarefas, é que a hostilidade desapareceu. Além disso, outros meios a que se recorre para se ultrapassarem conflitos são: a dominação, a submissão, a inacção, a mediação e a negociação. A dominação ocorre quando um grupo impõe unilateralmente a solução ao outro grupo. A submissão ocorre quando um grupo cede às exigências do outro grupo. A inacção ocorre quando os dois grupos, ou um deles, escolhem não agir, esperando que o passar do tempo resolva por si só o conflito. A mediação prevê o envolvimento de alguém que não está envolvido no conflito e que tem uma posição neutral. O mediador terá a distância para apreciar e ajudar a clarificar o conflito. O seu objectivo é promover a comunicação entre as partes em conflito. E por fim, a negociação que ocorre quando os grupos em conflito procuram construir um acordo no sentido de impedir o desenvolvimento da hostilidade para fases mais agudas. A negociação visa evitar a confrontação directa. A negociação implica cedências e exigências mútuas. Actualmente, dominam as soluções baseadas na cooperação, na mediação e na negociação.
A vivência e a ultrapassagem dos conflitos correspondem a processos de desenvolvimento pessoal e grupal. Depois de ultrapassados, favorecem respostas mais adaptadas. Sem omitir os aspectos negativos, actualmente considera-se o conflito como um factor de mudança e desenvolvimento social.

Qual o papel e características da intimidade (amizade e amor)?


Qual o papel e características da intimidade (amizade e amor)?
As relações íntimas são um tipo particular de interacção social que apresenta características próprias. Se pensarmos nas relações que estabelecemos com os outros, reconhecemos que existem diferentes níveis de intimidade relativamente às diferentes pessoas com quem nos relacionamos. A possibilidade de se manterem relações de intimidade varia também de pessoa para pessoa, estando ligada à história pessoal, à personalidade e à experiência de cada um. De facto, a intimidade é uma experiência que implica uma forte vivência, um grande envolvimento e uma comunicação profunda. Essa comunicação pode se manifestar de diversas formas, nomeadamente, com interacções verbais e interacções não verbais. O contexto social condiciona, através das convenções sociais, as relações de intimidade e as suas expressões. Existem duas expressões da intimidade que, embora não sejam as únicas, são as mais significativas e as mais estudadas: a amizade e o amor.
A amizade é uma das manifestações de intimidade que envolve relações em que estão presentes, entre outros, elementos como confiança, lealdade, cooperação, carinho, apoio, franqueza... Essas características envolvem reciprocidade. Uma relação de amizade é uma relação pessoal, informal, voluntária, positiva e de longa duração que implica reciprocidade, que envolve atracção pessoal e que facilita os objectivos que os envolvidos querem atingir. As expectativas que estão subjacentes às relações de amizade são: defender o amigo quando está ausente; partilhar com ele os acontecimentos e as ocorrências relevantes; apoiá-lo emocionalmente sempre que precise; confiar no outro e ser verdadeiro e apoiar o outro de forma espontânea e voluntária, sempre que necessário. Assim como reconhecemos que as relações de amizade correspondem a um importante suporte psicológico, a sua ruptura é um facto de grande perturbação. As amizades variam segundo um conjunto de factores: idade, género, contexto social e características individuais.
Amar não é simplesmente gostar em maior quantidade, mas um estado psicológico qualitativamente diferente. Por exemplo, pelos menos os seus estádios mais iniciais, o amor inclui uma excitação psicológica, relativamente intensa, um interesse no outro indivíduo, fantasia sobre o outro, e oscilação de emoções relativamente rápidas. Similarmente, o amor, ao contrário do gostar, inclui elementos de paixão, proximidade, fascinação, exclusividade, desejo sexual e uma preocupação intensa. Os parceiros são idealizados; exageramos as suas qualidades e minimizamos as suas imperfeições. Quando se fala de amor, há que distinguir dois tipos de amor: o amor companheiro e o amor apaixonado. O amor companheiro é marcado por uma amizade muito íntima, ternura mútua, cuidado, respeito e atracção (envolve relações com os pais, familiares, amigos íntimos). O amor sexual ou apaixonado envolve atracção sexual, um desejo de amor mútuo e proximidade física, e o medo de que a relação acabe.
Segundo o psicólogo Robert Sternberg, o amor tem três dimensões, o chamado modelo triangular do amor: intimidade, paixão e compromisso. À intimidade correspondem sentimentos de visam a proximidade emocional, a união, a compreensão mútua e a partilha. A paixão envolve um intenso desejo sexual, uma vontade irreprimível de estar com o outro. Ao compromisso corresponde a intenção de um comprometimento em manter uma relação amorosa.

O que nos leva a preferir certas pessoas ?



Vivemos no interior de vários grupos sociais onde mantemos relações com os outros. Se pensarmos um pouco num dos grupos a que pertencemos, apercebemo-nos que as pessoas com quem interagimos não nos são indiferentes e não têm para nós a mesma importância, o mesmo valor afectivo. De facto, existem pessoas com quem estabelecemos relações preferenciais e que nos podem motivar algumas perguntas como por exemplo: por que razão é que me sinto atraído por determinada pessoa? Por que razão prefiro estar com ela? Por que razão gosto dela? A psicologia social procura compreender o que está na base destes processos que explicam a atracção interpessoal. Podemos definir atracção social como a avaliação cognitiva e afectiva que fazemos dos outros e que nos leva a procurar a sua companhia. Manifesta-se pela preferência que temos por determinadas pessoas que nos levam a gostar de estar com elas, a partilhar confortavelmente a sua presença. Ainda que o processo de atracção esteja marcada pelas emoções, afectos e sentimentos e relacionado com a história pessoal de cada um, há factores que, pela regularidade com que aparecem, explicam o que nos leva a sentirmo-nos atraídos por algumas pessoas. Os factores que interferem no processo de atracção pessoal são: proximidade, atracção física, semelhanças interpessoais, complementaridade e reciprocidade.

Como explicar os comportamentos agressivos?



Seria extraordinário (ou não) existir uma explicação lógica e totalmente conclusiva acerca dos comportamentos humanos. Contudo, tal não é o que acontece e, portanto, o necessário é esgotar todas as possíveis hipóteses de modo a chegar mais perto do assertivo.
Orientadas segundo dois eixos temos diferentes teorias acerca das causas da agressividade. Se ,por um lado, reina a concepção de que a agressividade é um mecanismo inato da acção do homem (componente biológica) por outro, considera-se que a mesma é resultado da aprendizagem social.
Sigmund Freud, Lorenz e Dollard são apologistas de que a agressividade tem algo de inato. O primeiro atribuí a orientação da agressividade a pulsões destrutivos (energia que tem que ser descarregada) e defende que a socialização é a forma de os reprimir, Lorenz considera que o principal papel da agressividade é a sobrevivência/adaptação do ser Humano enquanto Dollard, defendendo uma teoria (muito contestada) defende que entre a frustração e a agressividade existe algo de inato.
Por sua vez, Bandura valida os factores relacionados com o contexto social, a aprendizagem e a história pessoal como os potenciadores do comportamento agressivo uma fez que esta aprendizagem se faz a partir da imitação e observação dos comportamentos agressivos de modelos como pais, tios, professores (de ver a importância das figuras mais próximas no processo de socialização). É exemplo da variação da agressividade de cultura para cultura o facto das culturas mais individualistas serem mais agressivas que as colectivistas.
Certo é que não se pode falar de um mecanismo neuronal inato como causa da agressividade, mas o certo é que existe influência neurológica neste tipo de comportamento, nomeadamente a nível da amígdala e do neurotransmissor serotonina, o mensageiro químico cujo suprimento tende a ser baixo em pessoas propensas à violência.
Numa experiência, pesquisadores puseram um eléctrodo numa área de inibição da agressão do cérebro de um macaco prepotente. Com um botão que activava o eléctrodo, um macaco pequeno aprendeu a apertá-lo cada vez que o macaco tirano se tornava intimidador. O macaco agressivo rapidamente ficava apático.
A Temperatura assim como o álcool, relacionado com a componente biológica, social e psicologia do indivíduo também são responsáveis pelo desencadear de respostas mais agressivas às provocações.
Esperemos que a componente biológica nunca se sobreponha à cultural pois, caso isto aconteça, haverá muitas desresponsabilizações por parte de vários criminosos.

O que explica as relações de conflito e como podemos superá-las?



As relações de conflito são inerentes à vida em sociedade, ou seja estão intimamente ligadas ao ambiente organizacional segundo o qual as relações se desenvolvem (relação entre sujeitos do mesmo grupo, relação entre grupos diferentes). Assim, não se pode afirmar que o conflito surge acidentalmente por qualquer casualidade pois, é produto de uma complexa rede relacional.
É a partir da divergência de atitudes, ideias, interesses, tendências incompatíveis, competição pelo poder que o clima de conflito surge.
Se encararmos as relações de conflito segundo uma perspectiva “transformista”, conseguiremos superá-las mais facilmente. Pensemos nas grandes descobertas da humanidade - todas foram alvo de choques de interesses e desacordos, razão pela qual hoje são grandes, pois todos foram os problemas, os inconvenientes, os erros levantados pelos opositores e por isso, a perfeição hoje é incontestável (falo por exemplo da teoria heliocêntrica de Galileu).
Muzaferd Sheri dividiu num campo de férias dois grupos de pessoas, as “águias” e as “serpentes”. Estes depois de passarem por uma primeira fase de cooperação foram sujeitos a jogos e actividade de competitividade. O que se verificou é que existia grande conflito entre as pessoas pertencentes a diferentes grupos.
Na experiência feita por Muzafer Sherif constata-se que o conflito é maior quando as pessoas vêem o que são (por exemplo “águias”) em comparação com o grupo contrário (as “serpentes”) porque reforçam a ideia do pensamento grupal.
Da mesma experiência, retira-se o papel importante que a cooperação tem na resolução dos conflitos, isto é, os dois grupos em análise só se entenderam quando tiveram que colaborar conjuntamente para atingir um objectivo comum.

De que modo os estereótipos, preconceitos e a discriminação condicionam a nossa relação com os outros?



Tanto os estereótipos como os preconceitos ou a discriminação são algemas do pensamento humano uma vez que a origem destes se baseia respectivamente em ideias resultantes de generalizações (processo com elevado grau de incongruência) relativamente a objectos sociais, atitudes derivadas da estereotipação injusta e manifestação de comportamentos negativos.
A categorização é um processo de absoluta preponderância para que a significação do mundo e a adaptação do ser humano contudo, quando este reagrupamento dos objectos sociais assenta em ideias negativas e preconceituosas, por exemplo achar que todos os indivíduos tatuados, musculados e de cabeça rapada encaixam na prateleira das pessoas violentas a nossa relação com os indivíduos portadores destas características será quase inexistente.
Apesar de diferentes, a existência destas crenças é transversal a todas as pessoas e portanto contribuí para uma “conformidade social” que leva as pessoas a aceitarem tudo o que tem a ver com o seu endogrupo (grupo a que pertencem e portanto sobre o qual têm uma atitude positiva) e menosprezar t udo o quando se distinga dele (exogrupo).
No filme “Colisão” são-nos referidas várias situações de vida em que os estereótipos, preconceitos e discriminação comprometem o relacionamento entre as pessoas, por exemplo Jean por ter uma atitude e um comportamento racista não trata da melhor forma a sua empregada doméstica uma vez que esta é de nacionalidade e "raça" diferente.
A falta de comunicação, subjacente às categorizações, atitudes e comportamentos negativos não permitem o conhecimento do outro e portanto, potencializam comportamentos como o do polícia branco que matou o negro a quem deu boleia por causa de uma conclusão precipitada.
Quando as representações sociais são fruto de visões distorcidas e estereotipadas, a nosso relacionamento com os outros é influenciado negativamente, podendo mesmo chegar a deixar de existir.

Esquizofrenia: a doença da mente dividida.






Das doenças do foro psiquiátrico que ouço falar, a esquizofrenia, talvez pela forma como se manifesta ou mesmo pela própria doença em si, foi sempre aquela que mereceu da minha parte maior curiosidade e estudo.
Mas afinal, o que é a esquizofrenia? A esquizofrenia (do grego “skhizein” (esquizo) que significa fender, rasgar, dividir e “phrên” (frenia) que significa pensamento) é uma doença do cérebro causada pela alteração da estrutura básica dos processos de pensamento, afectando essencialmente a capacidade cognitiva. Caracterizada por uma dissociação das funções psíquicas e pela perda de contacto com o mundo exterior, com um mundo que não o do esquizofrénico, os seus efeitos acabam por se reflectir também no comportamento e nas emoções do doente, que sofre um desvio de personalidade facilmente reconhecível.
Existem várias explicações relativamente às causas do aparecimento da esquizofrenia. Hoje sabe-se que a doença pode ter causas genéticas e que a probabilidade de um indivíduo vir a sofrer de esquizofrenia aumenta se houver um caso desta doença na família - "No caso de um dos pais sofrer de esquizofrenia, a prevalência da doença nos descendentes directos é de 12%. Na situação em que ambos os pais se encontram atingidos pela doença, esse valor sobe para 40%”. Apesar desta relação, cerca de 81% dos doentes com esquizofrenia não têm qualquer familiar em primeiro grau atingido pela doença e cerca de 91% não têm sequer um familiar afectado.
Por outro lado, também os factores cerebrais e biológicos podem estar relacionados com o eclodir da doença: alterações bioquímicas e estruturais do cérebro, como por exemplo, nalguns neurotransmissores (como a dopamina), são potenciais causas da esquizofrenia.
Além disso, existem algumas outras teorias que ajudam a explicar o aparecimento da doença. As teorias psicanalíticas, por exemplo, remetem para a fase oral do desenvolvimento psicológico em que a ausência de relações interpessoais saudáveis estaria na origem da esquizofrenia - “a ausência de gratificação verbal ou da relação inicial entre mãe e bebé conduz igualmente as personalidades “frias” ou desinteressadas (ou indiferentes) no estabelecimento das relações”.
Também os factores sociais podem propiciar a doença: muitas pessoas passaram por períodos de depressão, stress ou conflitos antes de se tornarem esquizofrénicos. Isto leva-nos a concluir que, juntamente com o facto de serem portadores de factores de vulnerabilidade pessoais, este ambiente desfavorável pode desencadear os mecanismos de disfunção mental, característica da esquizofrenia.
Convém sublinhar que nenhuma das causas referidas explica isoladamente o aparecimento da esquizofrenia.
Quanto aos sintomas que a doença pode manifestar variam de indivíduo para indivíduo, podendo ser divididos em duas categorias: os sintomas positivos e os sintomas negativos. Os sintomas positivos caracterizam-se pelos delírios como pensamentos irreais e delirantes - “ideias individuais do doente que não são partilhadas por um grande grupo”. Este tipo de sintomas costumam aparecer na fase aguda da doença e são as perturbações mentais mais graves e mais anormais: alucinações; percepções irreais, como ouvir, ver, saborear, cheirar ou sentir algo irreal, sendo mais frequentes as alucinações auditivas e visuais; pensamento e discurso desorganizado; alterações do comportamento, ansiedade e também impulsos agressivos. Os sintomas negativos acompanham a evolução da doença e reflectem-se na falta de motivação (vontade e iniciativa) e afectividade, ausência de emoções e deficiência quanto ao discurso, ao pensamento e às relações interpessoais, como resultados da perda das capacidades mentais. O isolamento social (o indivíduo desliga-se completamente do mundo, virando-se apenas para si mesmo, o que se assemelha em parte ao autismo), a apatia ou a indiferença emocional são também possíveis manifestações de sintomas negativos.
Quando na fase aguda, esta doença pode impedir o esquizofrénico de levar uma vida normal. A propósito disso, um dos maiores receios do esquizofrénico é o facto de se poder sentir rotulado em termos sociais como aquele indivíduo intrinsecamente perigoso e violento, quando estudos mostram que a incidência de comportamento violento nestes doentes e no resto da população é habitualmente idêntica. Além disso, e apesar de a cura ainda não existir, o tratamento é possível e pode ajudar em grande medida a tratar os sintomas e a permitir assim que os doentes possam viver as suas vidas de forma saudável e produtiva.

“Quero que as pessoas entendam que sou como os outros. Sou um indivíduo e deveria ser tratada como tal pela sociedade. Não deveriam fechar-me numa caixa com a etiqueta de esquizofrenia” (Jane, doente esquizofrénica).

sábado, 28 de fevereiro de 2009

O que é o amor ?

Todos sabemos o que é o amor, não sendo, no entanto, pelo menos para mim, possível defini-lo por palavras… Mas afinal o que será este sentimento (se o for) que nos torna parcialmente dependentes das pessoas que nos são mais próximas (e que amamos), ao ponto de, ao estarmos longe delas, nos tornemos altamente infelizes e angustiosos?

Robert Stenberg, psicólogo norte-americano, formulou uma teoria segundo a qual o amor englobaria três componentes distintas: a intimidade, a paixão e o compromisso. No que toca à intimidade, de carácter mais emocional, estamos perante uma relação de confiança mútua que inclui a protecção e a necessidade de estarmos perto do outro. É através da intimidade que duas pessoas compartilham as suas experiências pessoais e o que mais íntimo há de si. A paixão, que se baseia essencialmente na atracção sexual, envolve um sentimento irreprimível de estar com o outro. Por sua vez, o compromisso é a expectativa de que o relacionamento dure para sempre, numa intenção de comprometimento mútuo.


Na Psicologia, o amor é definido como sendo, não simplesmente o gostar em maior quantidade, mas sim um estado psicológico qualitativamente diferente. Isto porque, "ao contrário do gostar, o amor inclui elementos de paixão, proximidade, fascinação, exclusividade, desejo sexual e uma preocupação intensa."

Psicologismos à parte, o que será, entre nós, sabedores do senso-comum, o amor? Será uma mistura entre loucura e paixão que faz focar o nosso pensamento única e exclusivamente na pessoa que amamos? Ou será um sentimento de desejo incontrolável que nos torna incessantemente ansiosos por estar com o outro, numa troca recíproca de carinho, afecto, confidências, palavras e olhares? De facto, o amor pode ser uma conjugação de todos estes aspectos, em que nenhum é dispensável mas todos são imprescindíveis.

Numa tentativa de simplificar a definição de Amor, os psicólogos sociais recorreram à definição de seis diferentes formas de amar. São elas seis: o amor romântico (envolve paixão, unidade e atracção sexual mais usual na adolescência), o amor possessivo (determinado pelo ciúme, provocando emoções extremas), o cooperativo (que nasce geralmente de uma amizade anterior, sendo alimentado por hábitos e interesses comuns), o amor pragmático (característico de pessoas ensinadas a reprimir os seus sentimentos o mais possível, sendo estas relações desprovidas de qualquer manifestação de carinho), o lúdico (que se baseia na conquista e na procura de emoções passageiras) e o amor altruísta (praticado por pessoas dispostas a anular-se perante o outro, tendendo a "isolar-se num mundo onde, na sua imaginação, só cabem os dois ainda que o outro pense e actue exactamente ao contrário").

Há quem defenda que o amor é uma história construída ao longo da vida que, com o tempo, transpõe a mera atracção física, passando para uma preocupação com o bem-estar do outro para o seu próprio bem-estar. Manifesta-se numa influência mútua, no qual a (in) felicidade de um causa a (in) felicidade do outro. A paixão e o desejo tendem a não ser tão intensos, fortalecendo-se antes a cumplicidade, a intimidade e o companheirismo.

Durante a minha pesquisa, e na tentativa de explicar o que é ou em que se baseia o amor, descobri um estudo que revelou que os sentimentos amorosos podem levar à inibição da actividade de várias áreas do cérebro ligadas à capacidade e ao pensamento crítico, suprimindo a actividade neurológica relacionada com a avaliação social crítica dos outros, e também as emoções negativas. Este facto acaba, curiosamente, por fazer jus ao ditado popular que afirma que "o amor é cego." De facto, este estado leva a uma alteração da nossa capacidade cognitiva: tendemos a idealizar o parceiro, exagerando nas suas qualidades e rejeitando todo o tipo de indícios menos positivos que dele possam surgir. Ainda no mesmo estudo, outro aspecto que terá impressionado os investigadores foi o facto de, ao analisarem a actividade cerebral de 20 jovens mães ao verem as fotos dos seus filhos, de crianças que conheciam e de amigos adultos, terem verificado que, tal como nos padrões de actividade cerebral registados num estudo relativo aos efeitos do amor romântico, ocorre uma redução dos níveis de actividade nos sistemas necessários para fazer julgamentos negativos.

Apesar de todos estes dados, imprescindíveis para o conhecimento do amor, qualquer definição que nos seja apresentada nunca nos satisfaz completamente. Sentimos que existe sempre mais alguma coisa e é esse mesmo mistério que torna a definição do amor subjectiva e, por isso, controversa e não consensual. Até porque, se tal fosse possível, a magia envolta em torno desse elemento fundamental da vida de um indivíduo poderia desaparecer, perdendo assim parte de todo o seu significado…

"Alguns dos obstáculos a amar: a nossa agenda pessoal ou motivações, expectativas, necessidades e desejos. Temos que ter cuidado para que no amor não estejamos a procurar a nossa pessoa, uma réplica, um clone; ninguém pode ser exactamente como nós. O amor pode ajudar-nos a descobrir as nossas diferenças de modo que possamos enriquecer-nos por elas."

Martine Batchelor

FONTES:
http://www.portaldascuriosidades.com/forum/index.php?action=printpage;topic=60237.0

http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=60&id_news=130695

Manual de Psicologia, 12º ano

A inveja

A inveja, um dos sete pecados capitais, é o desejo por atributos, posses, status ou habilidades de outra pessoa. Pode também ser definida como “o deslocamento da energia do potencial de determinado indivíduo para a exacerbada preocupação com a satisfação e prazer de outra pessoa, geralmente íntima do sujeito em questão”. Todos nós sentimos naturalmente inveja (o que nos consola profundamente), seja duma forma mais ou menos positiva. Mas quantas vezes na nossa vida somos vítimas da inveja desenfreada de pessoas com quem somos obrigados a conviver?

Pois bem, o facto é que a inveja existe e está presente em todas as esferas do relacionamento humano, manifestando-se em todas as vertentes do nosso quotidiano. Entre amigos, colegas ou até familiares, são frequentes as invejas motivadas por comparações desfavoráveis do status de uma pessoa em relação à outra. Aliada ao ciúme, à mágoa, à falta de auto-estima ou à falta de iniciativa em conseguir obter o que os vitoriosos obtêm, a inveja pode, contudo, ser positiva: quando tomamos alguém bem sucedido como referência para atingirmos o que ele conseguiu atingir, rumo ao sucesso. Neste caso, é necessária uma auto-estima que te torne confiante nas tuas capacidades. Por outro lado, o invejoso, sendo uma pessoa frágil, rende-se à sua própria insignificância provocando, antes disso, graves prejuízos na vida do invejado. A crítica é um exemplo, sendo das máscaras da inveja a mais subtil e, ao mesmo tempo, a mais evidente. Isto porque, sempre que caluniamos alguém (ou o criticamos destrutivamente) será porque nos sentimos inferiores a essa pessoa. Daí essa necessidade em falar mal da pessoa que tanto invejamos.

"Num certo dia uma cobra voraz desejava a todo custo abocanhar o inofensivo vagalume. Ao que o último lhe pergunta: "Serpente, tu que és tão poderosa porque me desejas aniquilar?". A serpente respondeu-lhe: "O teu brilho fascina-me e como eu não o posso ter, ninguém mais o terá. Por isso quero-te devorar."

Mas porque não viver bem com o sucesso dos outros? Habitualmente, a inveja é formada a partir do momento em que as qualidades do outro são comparadas, faltando uma avaliação do meu próprio potencial. Estes sentimentos de grande frustração e de inferioridade são gerados pelo facto de a pessoa não ser capaz de realizar acções minimamente úteis para si e para os outros, consolidando-se assim o complexo de inferioridade relativamente è pessoa invejada. A comparação que fazemos entre nós e o outro pode ser geral - quando comparamos as qualidades psicológicas, morais, sociais ou espirituais - ou específica - quando comparamos as posses materiais, como a casa, o carro, a roupa, o dinheiro ou o porte físico.

Psicólogos afirmam que talvez este processo venha da convivência no ambiente familiar, onde comparações são frequentes”. A sociedade partilha também responsabilidades neste processo: desde muito cedo somos comparados com aquela que é mais bonita ou com aquele que tira boas notas. Esse tipo de críticas comparativas geram um sentimento de humilhação que nos faz sentir incapazes de obter o que o outro tem. Na escola, na família ou na sociedade em geral a competição baseada na ideia de que o outro não pode ser melhor do que eu acaba por gerar insatisfação comigo próprio, fazendo crescer na sociedade um sentimento geral de desamor social.

A inveja não é mais do que um sentimento de inutilidade que gera uma revolta por não sermos como os outros são. Quantas vezes não reparamos o tom de desinteresse e incómodo por parte das pessoas quando falamos em algo positivo que nos aconteceu? E quantas vezes contamos uma tragédia que se passou com alguém que, pelo contrário, desperta o interesse de todos?

Cada um tem as suas potencialidades e peculiaridades que me podem tornar vitorioso. Como tal, é na auto-comparação que eu reconheço as minhas próprias capacidades. É esta procura de mim mesmo que permite a valorização pessoal.

Assim, quem sai mais prejudicado da inveja não são os outros, mas quem inveja. Ela é destrutiva, corrói a auto-estima, destrói o crescimento individual, destruindo a sua auto-aceitação porque não produz mudanças favoráveis ao desenvolvimento do invejoso, enquanto pessoa. Contaminado pelo ódio, o invejoso aproveita-se da projecção, tornando más as pessoas que são boas e, por não conseguir obter o que o invejado consegue, faz com que as qualidades do indivíduo invejado fiquem escondidas, por não as querer perceber perante os outros, numa tentativa de raiva e tristeza por tudo o que ele tem e conquista. Frustrado, e por negar os próprios sentimentos negativos que há dentro de si, o invejoso coloca todo o tipo de sentimentos maus naquele que é o objecto da sua inveja. Posto isto, e sendo o efeito mais devastador da inveja, ela é factor de bloqueio de qualquer potencial criativo.

"Só haveria algo positivo na inveja se pudéssemos reproduzir fielmente o modelo de vida de alguém realmente criativo." António Carlos (psicólogo)


FONTES:
http://antonioaraujo_1.tripod.com/psico1/portugues/inveja/inveja.html

http://www.redepsi.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=2040

http://www.psicologia.org.br/internacional/ap22.htm

http://www.portalangels.com/comportamento1.htm

Importância das relações de intimidade na adolescência

Uma relação de intimidade pressupõe, antes de tudo, a abertura para os outros, a sinceridade e a confiança. Esta experiência, baseada numa comunicação profunda entre os intervenientes, implica uma vivência e um envolvimento que não acontece com todas as pessoas com quem convivemos. Intensas e duradouras, as relações de intimidade são definidas por psicólogos e sociólogos como uma questão de comunicação emocional com os outros e comigo mesmo. Implica também um vínculo baseado na interacção com o outro que pode ser verbal – é através das conversas que eu partilho e exprimo os meus sentimentos e emoções – ou não verbal – a proximidade física, o tocar ou o acariciar são elementos importantes na manifestação da intimidade. Esta está, por sua vez, condicionada pelo contexto social: o padrão cultural influencia a forma como as relações íntimas se exprimem e se manifestam, de acordo com um lugar e um momento no tempo específicos. Criar intimidade é gerar um elo, um contacto. Esta relação comigo mesmo e com os outros, ou seja, esta ligação entre o interior e o exterior, propicia proximidade e cumplicidade, constituindo um atalho possível para o indivíduo compreender e conhecer-se a si mesmo e os outros.

É na adolescência que as relações íntimas desempenham um papel mais significativo: o desenvolvimento de amizades íntimas envolve vários aspectos como "o incremento da necessidade de intimidade, mudanças na capacidade para desenvolver relações de intimidade e mudanças na forma de expressar a sua individualidade e intimidade perante os outros". Sendo a adolescência o período fundamental de maturação psicológica, é durante esse processo que o adolescente molda a sua personalidade enquanto indivíduo. Todas as alterações ocorridas durante esta fase obrigam o adolescente a reencontrar a sua identidade tanto física como psicológica, bem como a avaliar o seu papel nas relações interpessoais e na sociedade. No entanto, e felizmente para nós, adolescentes, é a partir da adolescência que ficamos com uma maior capacidade em compreender qual o nosso lugar no mundo, o que nos permite, gradualmente, conquistar a nossa autonomia, a nossa intimidade e, por isso, o nosso espaço.

Esta maior capacidade em expressar valores como a honestidade e a descoberta de si mesmo faz com que seja na adolescência que surjam as primeiras relações de amizade baseadas na intimidade. Junto de outros adolescentes como eu, encontramos experiências comuns para relatar. Por isso, escolho os amigos com os mesmos interesses, valores e atitudes que os meus, assegurando uma maior confiança nas minhas relações e permitindo-me gerar laços afectivos e sociais mais estáveis. Evidentemente que isto facilitará depois a minha adaptação e integração como adulto na sociedade.

É assim importante perceber a importância do desenvolvimento das relações de amizade íntima durante a adolescência: segundo estudos que encontrei durante a minha pesquisa sobre o tema, elas são importantes e determinantes na construção da identidade do adolescente e na definição das suas ideias, dos seus valores, objectivos, na construção dos sentimentos de pertença e auto-estima e na imagem que constrói de si próprio.

http://www.medipedia.pt/home/home.php?module=artigoEnc&id=706

http://www.scielo.oces.mctes.pt/pdf/aps/v24n4/v24n4a06.pdf

Manual de Psicologia 12º ano.

O Puzzle


Nunca sabemos o que o dia de amanhã nos irá trazer. Nunca podemos afirmar com certezas de que algo irá correr desta ou daquela forma, porque o “momento” está condicionado por uma série de factores incontroláveis e inesperados.Cada um dos nossos momentos vividos pode ser então compreendido como uma peça de um puzzle. Cada alegria, cada tristeza, cada aventura, cada loucura, cada desilusão, cada tentativa. Tudo isto, quando unido, forma uma única imagem, que neste caso é tudo aquilo que nos caracteriza, tudo aquilo que nós somos, tudo aquilo que nós vivemos.Por vezes as peças não encaixam, e tudo se torna um dilema. Ficámos desorientados, perdidos e buscámos a solução. Contudo o que acontece é que encontrar a peça correcta é tão difícil, que tendemos a desistir. A ironia de tudo isto é que na maioria dos casos a peça esta lá, mesmo que encoberta, ela está lá e tão perto de nós… Apenas necessitamos de olhar de uma perspectiva diferente, nada mais! Claro que para tal é necessária a ousadia, coragem, um pouco mais de atrevimento. Mais do que querer é preciso acreditar. Acreditar que somos capazes, sempre sendo nós próprios e não aquilo que querem que sejamos. Desistir? Não podemos. Não é por uma peça não encaixar que devemos desistir de todo o nosso puzzle. Seria um absurdo. A verdadeira alegria está na luta, na busca, na tentativa e no sofrimento envolvido e não na vitória propriamente dita. Ser feliz não é fácil, de maneira nenhuma, muito pelo contrário. Em certas alturas, é muito complicado manter-nos alegres pois parece que está tudo contra nós, parece que o mundo dá uma volta e tudo fica de pernas para o ar. Mas nada disto nos deve fazer desistir dos nossos objectivos, viver já é em si uma razão para sorrir. Temos de ser fortes e aceitar o desafio. Nunca estaremos sozinhos, existem muitos como nós lá fora, basta olhar com atenção. Partilharemos entre todos ideias, concelhos, sorrisos e alegrias como também tristezas e lágrimas, mas pelo menos vivemos!Daí que as minhas expectativas são simples, nunca desistir. A vida é toda ela cheia de desafios, e sei que não será nada fácil. Agora entrei numa nova etapa, digamos que uma nova aventura. Este novo ano trouxe novos desafios e não falo só a nível escolar. Idealizo um fim e trabalho no sentido do mesmo. Tendo a consciência de que as coisas poderão não correr exactamente como imagino, tentarei pelo menos manter-me de cabeça erguida, pronta para arranjar novas soluções que me possam ajudar.O puzzle começa a ficar cada vez mais preenchido, mas por enquanto ainda está muito incompleto, daí que ainda seja muito confuso encontrar as peças correctas. Partindo do princípio que a vida é feita para aproveitar e que o Homem tem a capacidade de viver infinitos momentos, os puzzles não tem medida exacta. Podem mesmo alcançar medidas impensáveis. Espero sinceramente que seja este o meu caso.Em suma, a alegria está no acto de viver e em aproveitar cada momento como se fosse o nosso último. Desistir não pode ser uma palavra presente no nosso dicionário, neste deveremos sim incluir palavras como coragem, ousadia, audácia, confiança. A firmeza de espírito e a força da alma serão importantíssimos ou mesmo imprescindíveis em todas as nossas etapas.

O Papel do Pai


O assunto que eu aqui venho tratar nem sempre preocupou os estudiosos da Psicologia. No entanto, num mundo onde a dinâmica social sofre constantes transformações, torna-se necessária a revisão do papel do pai na estrutura familiar. Estudar as repercussões da exclusão do pai no desenvolvimento da personalidade de uma criança ou a influência dos contextos culturais na prática da paternidade são alguns dos objectivos desta minha reflexão que toma como objecto de estudo “os novos pais”.
Estudos científicos mostram que o papel do pai começa desde cedo. A sua participação e o seu envolvimento devem ter início no momento mais precoce possível. Sabe-se, inclusive, que ao participarem no parto, os pais se sentem extremamente úteis. Mas nem sempre tal se verificou.
O modelo de pai que antes se reflectia no controlo e na autoridade no seio da família, reservava para a mãe as tarefas domésticas, incumbindo-a de tratar única e exclusivamente da educação dos filhos. Este modelo de família tradicional estava assim organizado segundo uma hierarquia em que a figura paternal se baseava essencialmente no poder económico, isentando-se por completo de possíveis manifestações afectivas para com os seus filhos.
No entanto, e devido às mudanças sociais que se fizeram sentir a partir da década de 60 (como a emancipação da mulher), estabeleceram-se novas relações entre homens e mulheres, levando ao aparecimento de novos padrões familiares. O homem tem assim assistido à ruptura progressiva da hierarquia doméstica, assim como ao questionamento constante da sua autoridade.
Apesar do papel materno prevalecer sobre o papel do pai, sabe-se que a importância da figura paternal é altamente notória no desenvolvimento cognitivo, emocional e social de uma criança. Por outro lado, a relação estabelecida com os filhos ajuda ao desenvolvimento pessoal do homem enquanto pai.
Vários são os especialistas que defendem que a quebra do vínculo afectivo com o pai pode gerar sentimentos de abandono e de rejeição por parte da criança que se poderão repercutir nas relações por ela desenvolvidas no futuro, comprometendo a formação de novos vínculos. Descobri Guy Coreant, psicólogo, que afirma que “o pai é o primeiro outro que a criança encontra fora do ventre da mãe”, sendo esta presença que lhe vai servir como suporte e apoio, possibilitando o seu desprendimento da mãe e a passagem do mundo da família para o mundo da sociedade. Também Raissa Cavalcante defende que a figura paterna é a que permite à criança entrar num horizonte de novas possibilidades.
Disto tudo, e não questionando de forma alguma o papel da figura materna no desenvolvimento psico-social de uma criança, podemos concluir que não é por isso que a figura paterna se torna dispensável. Assim, e porque “ser pai não é duplicar a função de mãe mas sim dar uma nova dimensão à vida da criança”, a construção de relações afectivas duradouras (e saudáveis), seja com o pai seja com a mãe, só traz vantagens para o desenvolvimento de uma criança: ao terem um papel mais activo no acompanhamento dos seus filhos, vão contribuir para a formação de expectativas relativamente a relações futuras que as crianças possam vir a desenvolver.






quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Representações Sociais




A cognição social é um processo cuja finalidade é compreender de que forma os nossos pensamentos (atitudes) são afectados pelo contexto social em que cada individuo está inserido e de que modo influenciam o seu comportamento. Os processos de cognição social permitem tornar o estranho em conhecido.
Dentro destes processos, incluem-se as impressões, expectativas, atitudes e representações sociais, sendo destas últimas que me pretendo debruçar ao longo deste ensaio.
Se formos ao dicionário verificamos que, o conceito de representação surge associado a uma imagem mental, a uma reconstrução do real que permite ao ser humano a capacidade de relembrar ou evocar um dado acontecimento, objecto ou pessoa, na sua ausência. Quando as representações são aceites e partilhadas por uma dada sociedade ou grupo de indivíduos estamos perante as designadas Representações Sociais, isto é, conjunto de explicações, de crenças e ideias, elaboradas a partir de modelos culturais e sociais que dão quadros de compreensão e interpretação do real. As representações sociais são características de uma determinada época e contexto histórico, por isso, a sua alteração ocorre muito lentamente. Um bom exemplo disto é a representação da mulher nas sociedades ocidentais. Contemporaneamente, para além de ser mãe de família, desenvolve uma actividade profissional em que procura como é evidente ser bem sucedida. Esta representação que, actualmente é tida como desejável, seria impensável no início do século XX, cuja representação social era da mulher que ficava em casa a cuidar dos filhos e das tarefas domésticas. Outro exemplo onde é evidente a mudança da representação é no ideal de mulher bonita. A imagem robusta, com ancas arredondadas, associada ao que se considerava um corpo bonito e esbelto, deu lugar a um ideal em que dominam os corpos magros e esguios.
As representações sociais, também consideradas em sentido mais amplo como pensamento social, são deveras imprescindíveis nas relações humanas, uma vez que, dão uma explicação, um sentido à realidade (função de saber). Alem disso, ao funcionarem como reguladoras e orientadoras do comportamento (função de orientação) permitem aos indivíduos comunicarem e compreenderem-se.
É também importante salientar a função de identidade das representações sociais, são elas que permitem construir uma identidade social do grupo, pois numa mesma sociedade existem diferentes grupos que possuem representações diferentes acerca de uma mesma realidade – as representações sociais não são homogéneas dentro de uma sociedade. São também uma forma dos indivíduos explicarem e fundamentarem as suas opiniões e comportamentos.
Na formação deste tipo de pensamento estão subjacentes dois processos que funcionam em parceria: a objectivação e a ancoragem.
Em primeiro lugar ocorre a objectivação, processo este que permite a formação de um todo coerente, através da selecção e da descontextualização do objecto, seguindo-se a fase da esquematização, que tem como objectivo construir um esquema ou melhor um “núcleo figurativo”onde constem organizadamente num padrão de relações, os principais elementos do objecto da representação. Este processo termina com a naturalização dos padrões relacionais que passam a ser percebidos claramente. Assim os elementos abstractos tidos inicialmente transformam-se em imagens concretas, que fazem parte da realidade.
A objectivação é, portanto um processo de simplificação, uma vez que se perde muita informação. No entanto, esta riqueza informativa que se perde durante o processo ganha-se em entendimento.
Posteriormente ocorre o processo de ancoragem. Através deste ocorre a assimilação das imagens criadas pela objectivação, sendo que estas se integram em categorias (daí que a representação social seja uma manifestação dos fenómenos da categorização) que o sujeito possui fruto das experiências anteriores.
A objectivação e a ancoragem funcionam como um todo no processo de formação das representações sociais.
Estas, quando ancoradas, funcionam como um filtro cognitivo, uma vez que as novas representações são interpretadas segundo os quadros de representação preexistentes. Assim, vão influenciar o comportamento dos indivíduos. Por exemplo, se determinado indivíduo tiver uma má representação dos estrangeiros, esta terá muita influência no comportamento, uma vez que, pode levar inclusivamente a reacções xenófobas. Por este motivo é que apesar de serem extremamente importantes, as representações sociais podem revelar-se muito perigosas.


domingo, 1 de fevereiro de 2009

Conformismo

Conformidade ou conformismo?
Na década de 50, Solomon Asch do Swarthmore College na Pensilvânia publicou uma série de artigos que realçavam o poder da conformidade na determinação de comportamentos individuais em grupos, algo que ficou conhecido como o «Paradigma de Asch». Asch mostrou que muitos tendem a mudar de opinião em relação a factos objectivos - nas suas experiências, as dimensões de uma linha desenhada num papel - para se conformarem às opiniões do grupo, mesmo quando este está obviamente errado.Nas experiências de Asch participavam um «sujeito ingénuo» e um grupo previamente instruído para responder erradamente às questões colocadas. Após várias experiências, Asch chegou à conclusão de que, se isoladamente interrogados, os «sujeitos ingénuos» responderam correctamente 99% das vezes. No entanto, quando em grupo e respondendo depois dos restantes, 37% dos ingénuos seguiram a opinião errada dos outros membros do grupo. Asch comentou a propósito que: «Este resultado levanta questões sobre o modo como somos educados e sobre os valores que guiam a nossa conduta».Desde então, vários investigadores têm sugerido que a conformidade ajuda as pessoas a ganhar aceitação social e a sentir confiança em que as suas percepções ou opiniões estão correctas. De facto, outras experiências têm indicado que levantar uma voz discordante causa ansiedade e confusão.Um artigo recente na Neuron, sugere um papel para o nosso «brain's reinforcement learning system» na determinação do comportamento de rebanho. No artigo «Reinforcement Learning Signal Predicts Social Conformity», Vasily Klucharev, um neurocientista social da Radboud University na Holanda, confirma estudos prévios que indicavam que determinadas zonas do cérebro, áreas que se pensa fazerem parte do nosso sistema de aprendizagem, se activam quando as pessoas fazem previsões erradas em jogos e despoletam uma alteração de estratégia. Klucharev e colegas mostraram que as mesmas áreas são activadas quando a escolha de um indivíduo não se conforma à opinião do grupo.

Palmira F. da Silva, no Blog "De Rerum Natura" (http:\\dererummundi.blogspot.com\)

Recomeçar

Novo ano lectivo. Novos alunos que continuam a ser, provavelmente, os melhores alunos do mundo. Novos trabalhos. Recomeçar. Estou à espera, com as melhores expectativas (efeito "Rosenthal", auto-realização das profecias, lembram-se?)

domingo, 1 de junho de 2008

Férias






















Eu sei que ainda falta um bocadinho (já faltou muito mais) para as férias mas....sonhar é bom e ajuda a trabalhar melhor.

The End...




Estamos a chegar ao fim de mais um ano lectivo. Foram publicadas neste espaço 128 mensagens e mais não sei quantos comentários. Que trabalheira! Por agora ficamos por aqui. Começa uma nova fase com novas tarefas...exames, avalições, estudar, estudar, estudar....Não posso deixar de agradecer a excelente participação dos meus alunos neste projecto. Eu sei que contava para a nota mas, mesmo assim, alguns de vocês fizeram mais do que aquilo que estavam obrigados a fazer. A qualidade nem sempre foi a melhor mas nada é perfeito. Amanhã, para o ano, para a próxima, será melhor e isso é que interessa. Agora é preciso estudar para os exames. Eu sei que é duro mas....logo a seguir estão de férias e, depois das férias...um mundo novo.

Acreditas em tudo o que vês?

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Certamente já ouviste falar e, inclusivamente, te deparaste com uma situação bizarra, em que aquilo que percepcionaste não correspondeu à realidade. Pois bem, se não conseguiste encontrar uma explicação para esses acontecimentos, neste artigo vais poder esclarecer-te em relação às diversas ilusões de óptica que desde há muito tempo fascinam o Homem.

O que é uma ilusão de óptica?

A expressão “ilusão de óptica” refere-se a acontecimentos específicos ou imagens, em que o sistema visual humano é “enganado”, conduzindo-nos a conclusões erradas. Faz-nos querer que o que vemos é o que está correcto, sem que, de facto, o seja. Assim, o nosso inconsciente confunde-se através de uma ou mais “leituras” da figura que visualiza, construindo imagens erradas para preencher espaços vazios. Existem diferentes tipos de ilusões de óptica como, por exemplo, as imagens impossíveis, escondidas ou ambíguas, sendo que elas podem surgir naturalmente (fisiológicas) ou ser criadas pelos seres humanos (cognitivas) – como é o caso de muitos pintores que criam nos seus quadros verdadeiras ilusões de óptica.
Este é, sem dúvida, um assunto que tem vindo a ser debatido entre os peritos que estudam a mente humana e que nos permite compreender o modo como o nosso cérebro funciona.

Porque é que elas ocorrem?

Como já vimos, as ilusões de óptica são caracterizadas por imagens “visualmente percebidas”, a nossa percepção do meio envolvente é, na sua maioria, auto-produzida. Sem nos apercebermos “corrigimos” mentalmente e de forma automática o conteúdo das nossas percepções. Os estímulos visuais são inconstantes e subjectivos o que nos permite, assim, ter consciência do tamanho de algum objecto ou ser vivo, apesar da sua distância. O mesmo se verifica quando a luz ou a ausência dela modificam as formas e as cores daquilo que estamos a observar. O nosso cérebro não se limita a ver, mas também a interpretar e a deduzir, daí o termo “visualmente percebido”. Contudo, este mecanismo nem sempre funciona. Muitas ilusões criam-se a partir dessa dedução. Ao contrário do que ocorre numa máquina fotográfica, é no cérebro que a informação que recebemos através dos olhos é tratada, sendo-lhe atribuído um sentido próprio. Efectivamente, não reproduzimos, na nossa mente, a realidade tal como ela é, em vez disso, construímos uma mera reprodução dela. Tudo o que vemos é, de certa forma, uma ilusão que em muito pouco se baseia na realidade. Os seres humanos interpretam o que vêem de acordo com as suas recordações, as suas memórias, o que torna este processo tão ambíguo. As imagens já memorizadas influenciam as que estamos a receber.
Com tudo isto facilmente se percebe a complexidade desta questão. Estudos revelaram que, inclusivamente, já se descobriram mais de 30 áreas diferentes no cérebro que se dedicam ao processamento da visão! O nosso sistema visual simplifica a realidade, de maneira a conseguirmos apreendê-la mais rápida e eficazmente e é precisamente essa simplificação imperfeita do real que origina as ilusões de óptica.

As ilusões de óptica mais conhecidas:

Agora que já consegues depreender com maior rigor aquilo que se passa no interior da tua cabeça, aqui estão alguns conhecidos exemplos de ilusões de óptica, acompanhadas da explicação do processo que ocorre em cada uma delas. Diverte-te e impressiona-te com os resultados obtidos!

1) Quantas extremidades tem o objecto?


Um “Blivet”, também conhecido como “Poiuyt”, é uma figura indecifrável, uma ilusão de óptica e um objecto impossível, em simultâneo. Apesar de nos parecer que tem três extremidades, a que se encontra no meio tem, na sua base, a forma de um rectângulo, desaparecendo misteriosamente.

2) Ilusão de “Orbison”


O primeiro homem a descrever esta ilusão foi William Orbison e, por isso, ela ficou conhecida pelo seu apelido, em 1939. Ao observar o losango central e o rectângulo que delineia as margens da imagem, parecem-nos (erradamente) que estes dois objectos estão distorcidos. Isto acontece graças ao fundo, que nos transmite uma ideia de perspectiva.

3) Qual das duas curvas é maior?


Esta ilusão foi descoberta ainda no século XIX, pelo psicólogo Joseph Jastrow e convence a maioria das pessoas de que a barra B é superior à barra A. Como elas se encontram sobrepostas e com recortes diagonais, parece-nos que seguem a estrutura de uma pirâmide, isto é, da mais comprida para a mais curta.

4) Serão realmente dois triângulos?


O conhecido triângulo de “Kanizsa” foi descrito na década de 50 por Gaetano Kanizsa. A ilusão de óptica aqui demonstrada é o facto de visualizarmos dois triângulos, sem que o triângulo branco exista na realidade.

5) O círculo é ou não perfeito?


À semelhança do que acontece na ilusão de “Orbison”, o círculo não parece ser perfeito, devido à trajectória das linhas que estão sobre ele.

6) As linhas horizontais estão tortas?


Conhecida como a “ilusão do café”, a imagem apresentada foi descoberta, por mero acaso, pelo Dr. Richard Gregory, enquanto estava sentado e observava a parede de um café. A forma como estavam dispostos os tijolos que, neste caso, são rectângulos, dava a sensação errada de que as linhas horizontais não eram paralelas.


7) Qual dos círculos centrais é maior?


Ao observarmos as duas imagens que se assemelham a uma flor, o nosso cérebro indica-nos, por influência dos círculos exteriores, que os que se encontram no centro têm tamanhos diferentes. Este efeito é conhecido como “a ilusão de Ebbighaus”.

É impressionante o que o nosso cérebro consegue recriar e o modo como essas percepções condicionam os nossos pensamentos e juízos. A partir de agora tem muito cuidado com o que afirmas e procura ver mais além do que aquilo que te é apresentado à primeira vista. Tal como reza o velho ditado: “As aparências iludem!”.

Fonte:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Ilus%C3%A3o_de_%C3%B3ptica
http://ruibrinquete.no.sapo.pt/curiosidades/ilusoes_de_optica.html

- MONTEIRO, Manuela Matos e OUTROS, Ser Humano – 12ºano Psicologia B, Porto Editora, 2007.