domingo, 1 de junho de 2008

Porque mentimos?

Porque mentimos?
Todos os seres humanos saudáveis mentem, uns mais outros menos, mas todos mentimos. É já da natureza humana mentir, desde pequeninos mentimos. Claro que há vários tipos de mentira, varias formas de mentir e intensidades diferentes. Em todas as culturas se mente, todas as pessoas desde as mais novas às mais velhas, dos dotados de um QI elevadíssimo aos que o seu QI não é muito gracioso, de vários níveis sociais, etc.
Contudo numa cultura em que a mentira é incorrecta, é errado mentir, mas muita gente mente. Mas há vários tipos de mentira desde a chamada mentira piedosa, a mentira que pode levar uma punição maior, como a prisão. Podemos mentir por necessidade, piedade, amor, maldade, uns inúmeros motivos que poderiam ser plausíveis de uma mentira. Mas temos sempre consciência que esta errado.
Há mentiras “politicamente” correctas e outras não. Por exemplo, mentir para que uma pessoa não sofra tanto, ou porque é uma coisa sem importância é politicamente correcto, mas o mais certo a fazer seria contar a verdade, isto é, é aceite na sociedade onde está inserido (como na sociedade portuguesa) mas não correcto. Mas se mentir para ocultar um crime, isso já é punível, e com pena de prisão.
No entanto, a mentira também pode ser uma doença, como no caso das pessoas que padecem de mitomania, que inventam historia sobre elas, ou até sobre as pessoas mais próximas. Esta doença é muito complicada, pois torna-se muito difícil, a sociedade conviver com essa pessoa, têm sempre a desconfiança de que ela não esta a dizer e verdade, pois tem mais facilidade em mentir.
Posso concluir assim que todos nós temos uma tendência natural para mentir, uns mais que outros, mas conseguimos controlar as nossas mentiras, e evitar que elas prejudiquem a nossa interacção com o mundo e a nossa adaptação ao meio.

Bibliografia:
· http://pt.wikipedia.org/wiki/Mitomania;
· MONTEIRO, Manuela Matos e FEREIRRA, Pedro Tavares, Ser Humano, 2ªParte - Psicologia B 12ºAno, Porto Editora.

Damásio: razão e emoção



Quem é António Damásio e o que desenvolveu?

António Rosa Damásio nasceu na cidade de Lisboa, a 25 de Janeiro de 1944. Interessado pela Psicologia e pela Medicina, licenciou-se e fez o doutoramento em Neurologia, na universidade onde nasceu. A partir daqui, desenvolveu diversas pesquisas no Centro de Estudos Egas Moniz.
É precisamente o estudo do comportamento das pessoas com lesões cerebrais, que o levam a reflectir sobre esta questão, colocando inovadoras hipóteses acerca desta temática. Com estas descobertas, Damásio revela um amor incondicional pelo estudo da mente e entra no território das emoções, explicando-as cientificamente. Apresentando um grande rigor, demonstra ainda uma inesgotável persistência, uma lucidez inabalável e uma imaginação que lhe permite ir mais além. É, assim, autor de obras de renome como O Erro de Decartes (1994) e O Sentimento de Si (1999).
Foi António Damásio que desenvolveu o conceito de razão e emoção. Para ele, a razão é o nosso lado racional, é o que nos distingue, enquanto seres humanos, dos restantes animais. Ao contrário deles, não agimos habitualmente movidos pelos instintos, apesar de, como já vimos, por vezes nos guiarmos pelas emoções. É a capacidade de raciocínio que cada um de nós dispõe (falando-se de seres humanos mentalmente saudáveis) e que nos permite ser tão complexos, inventivos e com o dom da construção. Já a emoção é um estado momentâneo em que o nosso organismo é estimulado por um motivo específico (que pode ser objecto de resultados diferentes de pessoa para pessoa), estando presentes, juntamente com ela, reacções biológicas. Existem diferentes tipos de emoções, sendo que muitas delas podem ser aprendidas em sociedade: medo, vergonha, alegria, tristeza, cólera, entre outras. Por vezes, a intensidade das emoções leva-nos a agir de acordo com a aquilo que estamos a sentir, de acordo com a nossa interpretação dessas mesmas emoções, daí a agirmos erradamente e de “cabeça quente”. No entanto, elas são fundamentais para fazermos uma avaliação cognitiva de tudo o que nos rodeia.

Bibliografia:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-294X1997000200013

http://www.ipv.pt/millenium/ect2_mjf.htm

http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=1210&op=all

http://www.webboom.pt/autordestaque.asp?ent_id=1111241&area=01


Como investigava Bruner?


Bruner tentou perceber o modo como se desenvolvem as competências cognitivas nas crianças, interessando-se assim, pela maneira como se desdobra o processo de ensino/aprendizagem. Segundo ele, a aprendizagem deve ser: estruturada; sequencial; motivada, entre outros.
Para fazer este estudo e tirar estas conclusões, utilizou um método dito socrático.
Mas afinal o que e isto do método socrático?
Bem, o método socrático consiste em fazer perguntas, de modo a obter opiniões do interlocutor sendo que aparentemente as aceita; depois, por meio de um interrogatório hábil, desenvolve as opiniões originais da pessoa, testando os erros e os absurdos das opiniões superficiais e apurar as suas opiniões originais e correctas, bem como o conduz a confessar o seu erro ou a sua incapacidade para alcançar uma conclusão satisfatória. Seguidamente, continuando a sua argumentação e partindo da opinião primitiva do interlocutor faz crescer aquilo que ele designa por: arte de fazer nascer ideias.
Segundo Sócrates, “ele nada ensinava, apenas ajudava as pessoas a tirarem de si mesmas opiniões próprias e limpas de falsos valores, pois o verdadeiro conhecimento tem de vir de dentro, de acordo com a consciência.”
Deste modo, o processo de aprender é um processo interno, e tanto mais eficaz quanto maior for o interesse de aprender.
“Só o conhecimento que vem de dentro é capaz de revelar o verdadeiro saber”.
Concluindo, podemos dizer que Bruner não limita a descoberta a apenas ao encontro de coisas novas, mas preferencialmente, inclui nesta estratégia todas as formas de procura de conhecimentos pelo próprio aluno.

Saudade

O que nos leva a sentir a saudade?

Saudades….é sentir a falta de alguém? É sempre pensar com ternura e carinho naquilo que essa pessoa passou connosco ou aquilo que nos fazia. Confundir saudade com melancolia é um erro. É na melancolia que está a tristeza de momentos passados, pensar em situações passadas sem um sorriso na boca. É por isso que a saudade é boa de sentir, é graças a ela que sabemos que gostamos das pessoas, que nos fazem falta no nosso dia-a-dia, na conquista de sonhos e na superação de obstáculos. É nestas circunstâncias que sentimos a verdadeira saudade, não só porque a pessoa não esta ao nosso lado, pela ausência que nos causa na nossa vida, pelo vazio que fica em nós. Quando sentimos saudades ansiamos o momento em que vamos estar com essa pessoa, estar outra vez ao pé de nós, sentir a sua presença.
Normalmente quando sentimos a saudade é porque gostamos da pessoa em questão. Mas há vários tipos de “gostar”, isto é, sentimos saudades dos nossos colegas, mas sentimos ainda mais saudade da pessoa que amamos. Gostamos dos nossos colegas na mesma, mas a intensidade do amor é muito diferente. Pois apesar de os nossos amigos estarem presentes em alguns momentos da nossa vida, a pessoa com que amamos, está ou tenta estar sempre ao nosso lado, para nos ajudar a superar esses obstáculos que aparecem.
É tão difícil dizer o motivo porque temos saudade quanto explicar o que é o amor, pois para enumerar os motivos teria de saber explicar o que é o amor. Na minha opinião é impossível explicar o amor na sua essência, pois é um sentimento, podia dizer alterações físicas, mas não seria correcta a resposta. Também poderia dizer alegria, felicidade, mas às vezes até ganhar um jogo me traz felicidade, logo também não estaria correcta. Por isso deixo no ar, para quem quiseres e conseguir definir, o que é amor e quais são os motivos que levam a saudade?

Bibliografia:
· MONTEIRO, Manuela Matos e FEREIRRA, Pedro Tavares, Ser Humano, 2ªParte - Psicologia B 12ºAno, Porto Editora;

Teoria comportamental de Watson


Seria imperdoável iniciar o estudo desta teoria sem uma breve citação do psicólogo em causa, que nos elucida sobre a base da sua teoria:

“Dêem-me uma dúzia de crianças sadias, bem constituídas e a espécie do mundo que preciso para as educar, e eu garanto que, tomando qualquer uma delas ao acaso, prepará-la-ei para se tornar num especialista que eu seleccione: um médico, um comerciante, um advogado e sim, até um pedinte ou ladrão, independentemente dos seus talentos, inclinações, tendências, aptidões, assim como da profissão e da raça dos seus ancestrais”.

WATSON, J., Behaviorism, Norton, 1925, p. 85

A partir desta citação é visível a intenção de Jonh Watson, pai da Psicologia científica. De facto, este psicólogo pretendia transformar a Psicologia numa ciência aplicável não só aos animais, mas também aos seres humanos, pois considerava que todas as espécies tinham evoluído, por selecção natural, partindo de uma origem comum, à semelhança do que defendia Darwin. Segundo ele, não faria qualquer sentido a divisão entre a psicologia humana e a psicologia animal, dado que existia uma continuidade entre ambos. Assim, este ramo da neurociência cingir-se-ia ao mero estudo dos comportamentos observáveis (behaviorismo), directa ou indirectamente, constituindo-se uma ciência autónoma, objectiva e, sobretudo, experimental. Deste modo, podiam ser medidas as respostas, seguindo um determinado método experimental, obtendo-se um grau de objectividade superior ao método introspectivo, ou seja, através de várias experiências conseguiria adquirir um conhecimento mais alargado acerca do comportamento humano do que utilizando, por exemplo, o método da psicanálise de Freud. Cabia à Psicologia observar, quantificar, descrever o comportamento enquanto relação causa/efeito, mas nunca interpretá-lo.
De acordo com a teoria de Watson, estes comportamentos constituiriam então a resposta de um indivíduo a um determinado estímulo, sendo este último representado por um E (objectos exteriores) e a resposta por um R (reacções físicas). A um conjunto de estímulos designava-se por S (situação). Watson estabelece, portanto, relações múltiplas entre estímulo e resposta.
Por estímulo entende-se o conjunto de excitações que agem sobre um indivíduo de forma a ser provocada uma resposta. É claro que todo o estímulo tem um limiar e um limite, por exemplo: o nosso organismo não reage a ultra-sons, apenas a sons dentro da gama de frequências apropriadas ao ser humano. Podemos ainda subdividir os estímulos em duas sub-categorias: os estímulos provenientes do meio interno (movimentos dos músculos, secreções das glândulas, ou seja, as nossas alterações corporais) e estímulos provenientes do meio externo (raios luminosos, ondas sonoras, vento, etc.).
Quanto às respostas, podemos dizer que são tudo o que um indivíduo faz, desde o simples acto de estremecer devido a um barulho, à complexa construção de um arranha-céus. É o conjunto de reacções concretas e observáveis no indivíduo, que derivam da relação complexa entre diferentes estímulos provenientes do meio físico em que está inserido o sujeito, dando-se em função da situação. Seria possível então ao psicólogo, através do estímulo, prever o comportamento que lhe estaria associado.
Neste contexto, os comportamentos são nada mais, nada menos, que aprendizagens condicionadas pelo ambiente à sua volta. São respostas que podem ser explícitas (directamente observáveis) e/ou implícitas (não observáveis pelos outros).
Esclarecidos estes conceitos, empreende-se que a base do behaviorismo no qual Watson se apoiou, seja a de que um mesmo estímulo – ou estímulo semelhante – provoque sempre a mesma reacção, a mesma resposta nessa pessoa ou animal. A mesma causa conduz sempre ao mesmo efeito, pelo que não só seria possível prever os comportamentos, mas igualmente controlar a sua produção, condicioná-los. É a partir dos comportamentos mais simples e mais elementares – e, portanto, comuns tanto a ser humanos como a animais –, que se compreendem os comportamentos mais complexos, sendo possível tirar conclusões explícitas a partir do desenvolvimento de pesquisas em animais.
A hereditariedade é, assim, posta de lado, valorizando-se unicamente a influência do meio, do contexto social, ou seja, a educação. O indivíduo é passivo no processo de conhecimento e desenvolvimento. Ao estudar aquilo que é meramente observável, o estudo dos processos cognitivos torna-se deveras limitado. Ele chega mesmo a afirmar que “O homem não nasce, constrói-se”.
Em conclusão, a sua teoria baseia-se em quatro aspectos fundamentais, que funcionam como uma espécie de síntese e que passamos a citar:

Ø O comportamento é composto por respostas e pode ser analisado em cada detalhe da sua constituição, a partir dos estímulos que lhe são adjacentes;
Ø O comportamento é constituído por alterações do nosso corpo (secreções glandulares, etc.) cingindo-se a processos físico-químicos;
Ø Para todo e qualquer estímulo, existe sempre uma reposta, que será semelhante em indivíduos inserido no mesmo meio;
Ø É a partir de comportamentos mais simples que se conseguirá entender os mais complexos;

Assim, Watson afirma, em Psychology As The Behaviorist Views It: “Creio ser possível criar uma psicologia (…) jamais usando os termos da consciência, estados mentais, mente, conteúdo, verificável por introspecção, imagens e outros afins (…). A definição pode ser feita em termos de estímulo e resposta, formação de hábitos, integração de hábitos e outros”.



Fontes:
MONTEIRO, Manuela Matos e OUTROS, Ser Humano – 12ºano Psicologia B, Porto Editora, 2007.
http://www.notapositiva.com/trab_estudantes/trab_estudantes/psicologia/psicologia_trabalhos/teoria_desenv.htm http://wapedia.mobi/pt/Behaviorismo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Comportamento



Confiar nos sentidos?




Pois é esta é uma das imagens que demonstra que, de facto, não devemos confiar em tudo o que os sentidos nos mostram, pois estes podem-nos induzir em erro.
Como todos nós sabemos é através dos processos cognitivos como a percepção, aprendizagem e a memória que tomamos conta da realidade que nos rodeia.
Sendo a percepção o processo através do qual contactamos o mundo utilizando os sentidos, é o visual que mobilizamos ao observar as imagens, no entanto é errado afirmar que a percepção se resume apenas à utilização dos sentidos para visualizar o que nos rodeia. Ela vai muito para além disso, envolve também uma interpretação do que é recebido pelos órgãos sensoriais. Assim a percepção implica a atribuição de sentidos que remetem para as nossas experiências (a nossa já tão conhecida história pessoal).
Deste modo, quando observas-te a imagem apresentada associaste quase de imediato a uma situação real e comum de uma pessoa na piscina a desfrutar de um belo banho, contudo foi uma dedução um pouco falaciosa, na medida em que esta retrata apenas uma anamorfose, espécie de pintura que tenta dar a ideia de tridimensional, daí teres interpretado de outra forma. Quero com isto dizer que os nossos sentidos são passíveis de serem “enganados” e, portanto, temos de ter sempre bastante cuidado nas interpretações que fazemos.
Com este exemplo como tantos outros, será que devemos acreditar totalmente nos nossos sentidos?

Fontes:
http://images.google.pt/imgres?imgurl=http://www.naoestafacil.com/media/desenho13.jpg&imgrefurl=http://www.naoestafacil.com/index.php%3Ftitle%3Ddesenhador_de_passeios%26more%3D1%26c%3D1%26tb%3D1%26pb%3D1&h=425&w=658&sz=77&hl=pt-PT&start=34&um=1&tbnid=KiREVhKAyuW3FM:&tbnh=89&tbnw=138&prev=/images%3Fq%3Danamorfose%2Bde%2BJulian%2BBeever%2B%26start%3D20%26ndsp%3D20%26um%3D1%26hl%3Dpt-PT%26sa%3DN

MONTEIRO, Manuela Matos, FERREIRA, Pedro Tavares; “Ser Humano – 2.ª parte”, Psicologia B 12.º ano, Porto Editora

Doenças psicológicas

As doenças psicológicas não costumam ter uma manifestação física muito acentuada, isto é, não se vê a olho nu que essa pessoa tem uma doença psicológica. No entanto há excepções a regra, há doenças que podem ter evidências físicas muito acentuadas que no início pode parecer uma doença física, mas a pessoa sofre só de hipocondria. As pessoas que sofrem de hipocondria interpretam pequenas dores e desconfortos físicos como indícios de uma doença grave. Mas os doentes acreditam tão intensamente que estão doentes que chegam a ter mesmo os sintomas de alguma doença grave. O que pode provocar idas constantes ao médico e assim recebendo alguma atenção.
É também conhecida a pseudociese (gravidez psicologica) como uma doença psicologica com muita exteriorização física e só afecta as mulheres. É de origem psicologica mas também pode ter origem biológica. As mulheres que são afectadas por esta doença, antes de ela aparecer, estavam ansiosas e desejosas de ter um filho, mas ao não conseguirem origina-lo, surge a pseudociese. Também pode acontecer pelo motivo oposto, isto é, a mulher tem tanto medo de engravidar, que o seu organismo origina uma gravidez psicologica. As mulheres que padecem desta doença têm todos os sintomas de uma gravidez, e o mais evidente, a barriga cresce. Mas com uma a ida ao médico e os exames adquados pode descobrir-se que é uma doença pasicologica. Esta doença com a origem biologica pode ser causada: neoplasias uterinas, ovário policistico ou distúrbios ovarianos e hormonais como a prolactina.
Há mais doenças psicológicas que têm uma manifestação física como: a anorexia, doenças psicossomáticas, o Transtorno Bipolar e o Síndrome da Fadiga Crónica. Os que referi são sem dúvida, os que se manifestam mais intensamente e os mais conhecidos pelas pessoas comuns.

Bibliografia:
· http://mundoeducacao.uol.com.br/doencas/doencas-psicologicas.htm;
· http://meuartigo.brasilescola.com/doencas-saude/gravidez-psicologica.htm;
· http://www.brasilescola.com/doencas/doencas-psicologicas.htm.

Sonhos


Os Sonhos

“Os sonhos são uma pintura muda, em que a imaginação a portas fechadas, e às escuras, retrata a vida e a alma de cada um, com as cores das suas acções, dos seus propósitos e dos seus desejos”

Padre Vieira, no Sermão de São
Francisco Xavier Dormindo


A experiência subjectiva que aparece na consciência durante o sono e que, após o despertar, chamamos sonho é, apenas, o resultado final de uma actividade mental inconsciente durante este processo fisiológico que, por sua natureza ou intensidade, ameaça interferir o próprio sono.
Mas, o que são concretamente os sonhos? Porque é que surgem a meio do sono? Porque que às vezes os sonhos nos afectam tanto? Porque é que eles nos perturbam e inquietam? Porque é que as vezes temos a convicção de que sonhamos mas depois não sabemos com o quê? Porquê? Porquê? Muitos são os porquês, muito é o mistério que este assunto fomenta e muitos foram os autores que se debruçaram sobre estas questões, no entanto, aquele que formulou a explicação mais verosímil aos olhos da psicologia foi Sigmund Freud. Segundo este, os sonhos são uma representação simbólica de desejos e necessidades recalcadas que, de forma disfarçada ou não, são satisfeitas em pleno campo psíquico.
Intitulou sonho manifesto à experiência consciente, durante o sono, que a pessoa pode ou não recordar depois de acordar. Os seus vários elementos, observáveis e concretos - como árvores, morangos, pessoas, (…) – são designados por conteúdo manifesto. Os pensamentos, sentimentos e desejos inconscientes que ameaçam acordar a pessoa são os “elementos”, ocultos e abstractos, que constituem o conteúdo latente. As operações mentais inconscientes por meio dos quais o conteúdo latente do sonho se transforma em sonho manifesto designam-se por elaboração do sonho.
Importante será salientar que Freud considera os sonhos guardiães do sono devido ao facto de eles evitarem que o sujeito acorde para satisfazer o desejo ou necessidade, através deles o nosso inconsciente consegue enganar a nossa consciência e evitar o despertar, simulando – no sonho – situações em que tal acontece.
Para perceber os vários conteúdos dos sonhos é necessário estudar a sua linguagem, nomeadamente os seus símbolos, interpretar os seus elementos, concretos ou abstractos, observáveis ou ocultos. Tal processo é normalmente executado pelos psicólogos, contudo, na opinião de Freud a melhor compreensão é a executada pelo sujeito que sonha, isto porque os sonhos são influenciados pelos aspectos da vida emocional do sujeito, dos acontecimentos que lhe ocorreram nos últimos dias, nos acontecimentos que estão para ocorrer. E só ele está a ao corrente de tudo isto, de toda a sua história pessoal.
Afincadamente, tudo isto faz sentido, mesmo que à partida nos pareça estranho, no entanto, uma inquietação persiste. Se os nossos sonhos são a representação mental de desejos, quais serão os desejos que engendram todos aqueles sonhos que, após várias reflexões, não possuem sentido algum? Há pesadelos dificilmente explicáveis como realização de um desejo.
Tanto a questão, como esta afirmação colocaram a teoria de Freud em causa, mas o pai da psicanálise refutou esta crítica dando o exemplo de desejos sádicos e masoquistas que produzem grande ansiedade e perturbação mental afectando assim os sonhos, mas nem por isso deixam de ser desejos satisfeitos no campo psíquico.
Os sonhos são muito importantes e na minha opinião o mais relevante neles não é a função de proteger o sono, mas sim a função psíquica de carregar, de suavizar, de substituir a realidade que nos é hostil, por outra, totalmente diferente, onde um novo mundo se descortina perante a alma e onde todas as nossas acções parecem absurdas, justamente porque as mais censuráveis, na sociedade em que vivemos, gozam, enquanto dormimos, de uma espécie de liberdade condicional, quando se expandem no sonho. Todavia, para além das nossas acções nós também usufruímos de sermos livres, de sermos e termos tudo aquilo que sempre desejamos, de fazermos tudo aquilo que parece impossível na realidade que nos envolve. No fundo, nos só somos verdadeiramente livres quando sonhamos, só ai é que nada é proibido, em que nada é censurado, só ai é que não há limites, só aí é que não há regras e normas que nos reprimem!


Bibliografia:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sonho#Sonho_e_Freud
http://www.pregaapalavra.com.br/monografia/sonhos1.1.htm
http://www.pregaapalavra.com.br/monografia/sonhos1.2.htm
http://www.ufrgs.br/proin/versao_2/freud/index0%208.html
http://www.psicologia.com.pt/artigos/ver_artigo.php?codigo=A0165&area=d1&subarea
http://www.centrorefeducacional.com.br/freudpsi.htm
http://hgespuny.sites.uol.com.br/bluesquare/transsono.htm,autor:HERBERT GONÇALVES ESPUNY

domingo, 25 de maio de 2008

Pensar positivo melhora a qualidade de vida

Há momentos em que passamos por situações negativas, podem ser várias e a verdade é que em tais situações reagimos naturalmente mal a isso.
Existem vários mecanismos que desenvolvemos desde a nossa infância, como sermos ensinados a lutar contra aquilo que achamos incorrecto e por isso criamos afirmações como “não quero ficar sozinha”, “não quero ser gorda”, entre muitas outras. Acreditamos então que podemos evitar o que consideramos incorrecto com simples convicções e expressões que “gravamos” em nós mesmos, infelizmente não é assim, o positivo não vem até nós naturalmente!
Aquilo a que dedicamos a nossa atenção cresce e ganha forma na nossa vida, mantendo-se.
Temos a opção de pensar apenas em coisas que nos façam felizes, em coisas boas, que nos tragam satisfação e nos coloque um sorriso estampado no rosto! Muitas vezes esquecemo-nos desse aspecto e pensamos “como posso pensar unicamente em coisas boas se tudo me corre mal?”, bem, é difícil contornar a situação de modo a vencer este sentimento de derrota, o mais fácil é certamente entregarmo-nos à tristeza. No entanto, esta fórmula de vencer o que é negativo não está disponível em farmácias nem em hospitais, também não se encontra em livros de auto-ajuda ou nas escolas… De facto o que é preciso é existir uma grande força interior e assumirmos o controlo da nossa mente.
Tudo se torna mais fácil e divertido quando sentimos emoções positivas, desta forma, somos levados a agir e a pensar de forma diferente, o nosso pensamento torna-se criativo e nós tornamo-nos pessoas melhores!
Sejamos optimistas, é necessário apreciar e reconhecer o melhor de cada situação ou experiência. Quem sabe este não seja o primeiro passo para tornar este mundo um lugar muito melhor!
Um optimista é então " …uma pessoa que é capaz de se rir das suas desgraças, que encontra sempre alguma coisa de positivo, de engraçado, de divertido, em particular nas experiências menos positivas. É aquele que sonha e que corre o risco de que esse sonho se venha a realizar. É aquele que acredita que tem capacidades para gerir o seu destino, e que a vida não é uma coisa imposta mas algo que se constrói". Helena Marujo, do livro ‘Educar Para o Optimismo' (ed. Presença).

Bibliografia:
http://pt.shvoong.com/books/essays/480451-pensar-positivo-melhora-qualidade-da/

Ideal de beleza feminino



O ideal de beleza feminino é uma construção social que varia de época para época, e que vai sendo incutido durante o processo de socialização. Este ideal de beleza feminina não é imutável no tempo, este constrói-se ao longo do tempo, de acordo com o meio sociocultural em que se esta integrado e com os valores morais e éticos que se partilham com a comunidade a que se pertence. Por exemplo, o ideal de beleza na cultura islâmica passa pela “ocultação” do corpo da mulher, já na sociedade ocidental contemporânea, o ideal de beleza é bastante distinto.
O ideal de beleza feminino funciona como sendo um modelo de identificação para muitos jovens, sendo essencial possui-lo para determinadas actividades profissionais, como por exemplo modelo.
Actualmente, o ideal de beleza feminino está associado à magreza dos corpos das figuras femininas, sendo esta uma condição essencial para entrar no mundo da moda. Podemos verificar, quando vemos desfiles de moda, anúncios que promovem roupas, entre outros, que as figuras femininas utilizadas são extremamente e excessivamente magras.
Este facto foi alvo de muitas críticas, uma vez que o mundo da moda, é cada vez mais desejado por inúmeros jovens, e a imagem que essas figuras femininas passam, vai funcionar como um padrão de beleza a seguir, isto é, os jovens ao associarem a beleza a corpos magros, leva a que estes desenvolvam comportamentos que visam moldar os seus corpos à medida adequada. O domínio nos circuitos da moda de figuras femininas excessivamente magras poderão, assim, funcionar como padrões de beleza para personalidades menos estruturadas e fomentar comportamentos miméticos que resultem em situações como a anorexia e bulimia, assim concluímos que lá se vai a concepção de beleza concebida antigamente, em que a mulher se queria “gordinha”. Por isso, foram proibidos, em alguns países, a divulgação de cartazes com figuras femininas extremamente magras.
O ideal de beleza feminino, deve ter em conta o bem-estar interno e externo das pessoas e não o limitar a certas normas. O ideal de beleza funciona como um modelo a seguir por parte de muitos jovens, por essa razão, deve haver uma preocupação com a imagem que se passa, do que é realmente o ideal de beleza feminino.

Behaviorismo

O Manifesto Behaviorista foi lançado, como sabemos, por Jonh Watson, e veio introduzir um rumo diferente à história da Psicologia e a todos os estudos comportamentais que lhe estão associados. Este movimento teve um grande impacto, não só no comportamento, mas também nas várias teorias que se debruçam sobre a aprendizagem, personalidade e diversas formas de psicoterapia. Como vamos ver mais detalhadamente, Watson procurou então estudar o comportamento a partir das suas teorias, definindo o Behaviorismo como a nova Psicologia. Com esta inovação, ele debateu-se com vários problemas, como a existência (ou não) de instintos no Homem, chegando à conclusão que as respostas são socialmente condicionadas, e, portanto, todo o comportamento é fruto de um processo de aprendizagem.
Para além disto, a teoria Behaviorista estuda o problema do talento, tendência e traços mentais hereditários, que usualmente são considerados comportamentos instintivos, mas que os defensores desta teoria declaram como aprendidos, negando o papel da hereditariedade. Tem ainda uma visão radical acerca das emoções, determinando que são apenas respostas corporais a estímulos específicos.
Com o tempo, esta corrente foi adoptada por outros psicólogos, como Tolman e Hull, que acreditavam que o comportamento é sempre orientado para alcançar um determinado fim. Destaca-se também Skinner, um dos mais famosos nomes da psicologia contemporânea, que igualmente defende que o estudo do comportamento se deve basear na observação. O behaviorismo de Skinner é chamado de “abordagem do organismo vazio”, pois interessava-se pela relação funcional entre o estímulo e a resposta, tal como Watson.
O período seguinte (de 1913 a 1930), é designado por Behaviorismo Clássico, que mais uma vez, não segue os estudos da introspecção, sendo um período polémico. Mais tarde, surge o neo-behaviorismo, com Clark Hull, que transformou o clássico num sistema mais minucioso e experimental, baseado na teoria do comportamento adaptado de Pavlov, no qual também Watson se baseou, dado que estudou as suas teorias aquando do seu doutoramento. Elas foram, sem dúvida, a fonte de inspiração para a criação da corrente que temos vindo a definir até aqui.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Comportamento

http://wapedia.mobi/pt/Behaviorismo

http://www.redepsi.com.br/portal/modules/smartsection/print.php?itemid=318

Como nos tornamos humanos?

O processo de tornar-se humano passa pela caracterização de factores como a cultura que é criada pelos seres humanos mas que, as mesmo tempo, nos torna humanos, é tudo o que resulta da actividade humana.
Segundo Edward B. Tylor, cultura é uma totalidade, um todo. Mais do que uma soma de crenças, artefactos, valores, regras e costumes, a cultura é uma totalidade onde se conjugam estes diversos elementos materiais e simbólicos: as crenças, as teorias, as construções e objectos, os valores, as leis e normas, as artes, os costumes.
A cultura é um elemento inescapável do ambiente de qualquer pessoa, pelo que, ao longo da vida, se traduz em múltiplas e variadas consequências na forma como cada um pensa, sente e se comporta. Para além de produtos da cultura, somos também os seus produtores.
A cultura varia no tempo e no espaço, varia com as épocas e momentos históricos, assim como varia de lugar para lugar, pelo que não há nunca uma única cultura, mas múltiplas culturas.
Outro dos factores é o padrão cultural. Existem diferentes padrões culturais devido à necessidade que os diferentes povos têm de se adaptar ao meio envolvente. A cultura de cada comunidade ou grupo social especifica, portanto, formas particulares e padronizadas de ser e de viver. Ao conjunto de comportamentos, práticas, crenças e valores comuns aos membros de uma determinada cultura dá-se o nome de padrão cultural.
Os padrões culturais desempenham um importante papel no enquadramento da construção de significados em muitos domínios da vida social.
Cada padrão cultural muda permanentemente, não só pela acção criadora, produtora de cultura, de cada um dos seus membros, mas também através do contacto com outras culturas, com elementos culturais até aí estranhos.
Seguidamente, temos a aculturação que diz respeito ao conjunto dos fenómenos resultantes do contacto contínuo entre grupos de indivíduos pertencentes a diferentes culturas, assim como as mudanças nos padrões culturais de ambos os grupos que decorrem desse contacto. É importante sublinhar que a aculturação é um fenómeno que leva a mudanças culturais, quer as culturas sejam maioritárias, quer sejam minoritárias. Tanto umas como outras têm permanentemente que reagir e adaptar-se àquilo que de novo as desafia.
Finalmente, temos a socialização que é o processo através do qual cada um de nós aprende e interioriza os padrões de comportamento, as normas, as práticas e os valores da comunidade em que se insere.
O conceito de socialização está dividido em dois tipos: a primária que é responsável pelas aprendizagens mais básicas da vida comum. Traduz-se na aprendizagem dos comportamentos considerados adequados e reconhecidos como formas de pensar, sentir, fazer e exprimir próprias de um determinado grupo social; e secundária que ocorre sempre que a pessoa tem de se adaptar e integrar em situações sociais específicas novas para o indivíduo. Ao longo de toda a vida das pessoas, diferentes acontecimentos, diferentes contextos, diferentes tipos de relações, implicam intensificações no processo contínuo de socialização, isto é, a adaptação dos novos contextos socioculturais e experiências de vida que neles surgem.


Livro de Psicologia B, 12º ano, Ser Humano, 1ªParte, Porto Editora

Alunos ansiosos

Consideras-te uma pessoa ansiosa? Sentes que os teus resultados escolares não correspondem aos teus conhecimentos? Qual é a razão que contribui para aumentar a tua ansiedade?
Meus amigos, posso-vos dizer que estamos todos no mesmo barco. Depois de um inquérito feito aos estudantes da nossa escola sobre a ansiedade, pudemos concluir que estamos todos sob uma forte onda de pressão. São testes para aqui, apresentações para ali, trabalhos para acolá… tudo o que um estudante adora para poder manter o seu nível de ansiedade em alta. No entanto, para além de o estudante já se sentir ansioso face a tanto trabalho para realizar ainda se vê a braços com algumas situações bastante interessantes. Ora é a mãezinha muito orgulhosa que diz “O meu filho vai ser um excelente médico” ou o paizinho que em frente do resto da família continua a fazer questão de dizer que o seu filhote é o melhor e que não pode de maneira alguma descer a média. Já na escola os alunos são confrontados com os discursos bastante apaziguadores dos professores e das gracinhas dos colegas.
Imaginem só:
Acabámos de entrar para a aula de matemática e o professor já vem com aquele ar insatisfeito e com os testes na mão. “Os testes estão muito maus, são os piores resultados de sempre”. A nossa barriga dá uma volta, as nossas mãos começam a suar, sentimos as nossas faces a arder e a nossa respiração torna-se ofegante. E lá ouvimos o nosso nome seguido do “excelente” resultado que tirámos. Quando o nosso professor, gentilmente, vendo a nossa cara de decepção nos diz: “Esperava muito mais de ti!” ou “Estou sempre à espera que dês o salto, mas não foi desta”, ou ainda “Tens de melhorar para o próximo teste se queres manter a média”, ficámos ainda mais desapontados e começámos logo a pensar no estratagema que iremos arranjar para contar aos nossos pais o fracasso. E ainda estamos a imaginar o ar de decepção dos nossos pais ou a lembrar o último sermão “se não tiras boas notas ficas sem o telemóvel”; “já sabes que é importante manteres ou até subires a tua média para entrares na faculdade, não sabes?”, quando, de repente, eis que surge a pergunta mais temida, o nosso coleguinha da frente, sempre muito intrometido e à espera de mais novidades, pergunta inocentemente: “que nota é que tiraste”. Algo parece atravessar-nos de uma ponta à outra, ao dizermos a nota, parece que vamos admitir o fracasso e mal a dizemos, zaragata total: “que nota é que ele tirou?”, “Eiii, foi mesmo má…”, “Olha eu não estudei e quase consegui a mesma nota, agora imagina se tivesse estudado tanto como ele…”. ..
Então, começámos logo a pensar que precisámos mesmo de tirar boa nota no teste seguinte. Em primeiro lugar, isso será importante para nós, pois irá marcar a diferença para conseguirmos uma boa média e entrarmos assim no curso que desejámos e também para não baixarmos a nossa auto-estima, em segundo para mostrarmos ao nosso professor que conseguimos manter a nossa nota e, por fim, para provarmos aos nossos colegas, que de facto falhámos, mas que “não é por morrer uma andorinha que se acaba a primavera!”.
Só que, ao pensarmos em tudo isto, acabámos por ficar cada vez mais nervosos e ansiosos, pelo que o teste volta a correr mal. A pressão acumulada é muita, a matéria é igualmente muita, só o tempo para a realização do teste é que é pouco. O nosso raciocínio falha, os enunciados não são lidos como deve ser, as respostas ficam sem sentido… enfim o cenário está montado para um resultado de terror.
E todas estas reacções porque nos sentimos pressionados a ter boas notas.

O luto é um período de tempo que necessitamos de viver

A MORTE é uma realidade que, mais tarde ou mais cedo, nos entra pela casa dentro sem anunciar a sua chegada.
Após um turbilhão de sentimentos que esta etapa acarreta, com a perda de alguém muito querido, torna-se necessário efectuar o luto, pois sentimos uma exigência física e espiritual de percorrer um caminho, ao longo do tempo, onde se processam dois elementos fundamentais: a libertação suave dos laços de vinculação que nos ligavam a quem perdemos e a retoma do espaço de alegria e felicidade da vida.
O modo como sentimos e vivenciamos a dor é influenciado por diversos factores, nomeadamente, o grau de afecto que tínhamos em relação à pessoa perdida; a nossa personalidade, particularmente a maior ou menor capacidade de gestão das emoções; o apoio humano (familiar, de amizade, técnico ou associativo) que dispomos; e o nível de aceitação social à nossa volta para a expressão das manifestações de luto.
Embora o luto seja um processo muito pessoal e dependa de um conjunto de factores intrínsecos e extrínsecos diversos, o seu desenvolvimento decorre seguindo um conjunto de fases padronizadas. Contudo, nem todas as pessoas têm que viver rigorosamente e do mesmo modo as características apontadas em cada fase.
Emocionalmente sentimos ansiedade, medo, tristeza, agressividade e culpa. Por vezes, ocorrem episódios depressivos, como o desalento, a tristeza, a irritabilidade, a introversão, o isolamento e as alterações de apetite, de sono e da libido. Assusta-nos a ideia de que estes comportamentos negativos e o sofrimento nos acompanharão até ao fim dos nossos dias. E como a intensidade é tão forte desesperamos imaginando-nos a enlouquecer.
Porém, com o passar do tempo, a perda é aceite emocionalmente, a dor vai-se extinguindo aos poucos. Passamos a identificar-nos de modo saudável com a pessoa perdida, ou seja, a sua memória deixa de ser obsessiva e de nos provocar desespero.
Esta experiência é vivida de forma diferente, nas diversas etapas do ciclo de vida, nomeadamente, quando se trata de crianças, adolescentes, adultos e idosos. Perante tal constatação é necessário estarmos atentos a um luto mal resolvido, pois pode-se revelar num distúrbio psicopatológico, onde a ajuda de um profissional especializado é fundamental.
Assim, como podemos verificar, apesar de no início deste processo, que por vezes pode ser longo, pensarmos que o mundo vai desabar, esta é uma visão de alguém que está em sofrimento, pois, em situações normais, o luto é uma fase que passa como todas as outras que temos ao longo da nossa vida, que conduzem a uma mudança, a uma transição para um novo período, a um enriquecimento e maturação pessoal.

A Vida e a Morte
O que é a vida e a morte
Aquella infernal enimiga
A vida é o sorriso
E a morte da vida a guarida

A morte tem os desgostos
A vida tem os felises
A cova tem as tristezas
I a vida tem as raizes

A vida e a morte são
O sorriso lisongeiro
E o amor tem o navio
E o navio o marinheiro

Autora Florbela Espanca
Em 11-11-1903
Com 8 anos de Idade
(Florbela Espanca, «Esparsos», in «Poesia Completa»)

Bibliografia:
· Organização Apelo http://www.apelo.web.pt/
· Ariès, P (1977). O Homem perante a morte-II. Publicações Europa-América. Edição nº 106048/4647.
· Carvalho, C. D. R. (2006). Luto e religiosidade. http://www.psicologia.com.pt/artigos/textos/TL0059.pdf
· Nogueira, D. e Pereira L. (2006). Perspectivas da morte de acordo com a religiosidade: estudo comparativo. http://www.psicologia.com.pt/artigos/textos/TL0058.pdf

Teoria Cognitiva

Até à década de 20 a psicologia no que respeita ao desenvolvimento cognitivo, era dominada por duas teorias bastante diferentes entre si.
Uma, nomeadamente o gestaltismo, partia na defesa de que o cérebro continha estruturas inatas, determinando assim o modo como o sujeito interpreta o mundo e as suas aprendizagens. Oposta a esta surgia o behaviorismo que partia do princípio que só é possível o conhecimento através de estímulos alcançados no meio ambiente.
Contudo, surge uma teoria nova e bastante curiosa fundada por Piaget, teoria esta que se iria situar num ponto extremo entre as outras duas já existentes.
Para a construção desta teoria Jean Piaget baseou-se na observação cuidadosa dos seus filhos e também de muitas outras crianças, concluindo que na maioria dos casos as crianças não possuem a mesma forma de pensar dos adultos normais.
É uma teoria que se desenvolve por etapas, que Piaget designa por estádios de desenvolvimento e que pressupõe que os seres humanos passam por uma série de mudanças todas elas ordenadas e previsíveis ao longo da vida.
Segundo o autor, a teoria cognitiva é dividida em quatro etapas, ou estádios de desenvolvimento cognitivo no ser humano, sendo elas, sensoriomotor, pré-operatório, operações concretas e estádio das operações formais.
Primeiramente surge o estádio sensoriomotor, que tem uma duração desde o nascimento até aos dois anos de idade, nesta fase o sujeito não possui raciocínio lógico, usufruindo assim do controlo motor para actuar sobre os objectos que o cercam. É classificada como uma fase onde permanece principalmente a inteligência prática pois o indivíduo não desfruta de qualquer tipo de linguagem nem capacidade de elaborar representações mentais de objectos.
As principais características observáveis podem ser por exemplo, acções que ocorrem antes do pensamento e até a imitação.
Seguidamente a este temos o estádio pré-operatório, que ocorre na fase pré-escolar e pode ir dos 2 aos 6 anos de idade.
A principal conquista que o individuo faz é o aparecimento da função simbólica, ou seja, a sua capacidade de poder representar mentalmente objectos ou acontecimentos que ocorrem fora do presente e as suas principais características observáveis podem ser por exemplo a inteligência simbólica, na medida em que o sujeito pode interpretar uma faca, como sendo um telemóvel ou um avião, e também o pensamento intuitivo, em que o sujeito responde a uma determinada pergunta baseando-se na sua aparência, ou seja funciona como um pensamento apoiado apenas em dados sensoriais.
Na terceira fase, que corresponde ao estádio das operações concretas e que tem uma duração dos 7 aos 11 anos de idade, a criança começa a lidar com conceitos abstractos, desenvolvendo assim um pensamento lógico que o permite solucionar problemas concretos.
Finalmente e para termo de conclusão, deparamo-nos com o último estádio e que consequentemente é o ultimo da teoria.
Esta fase é desenvolvida a partir dos 12 anos de idade e caracteriza-se pelo aparecimento de uma nova forma de pensar, em que a criança adquire um raciocínio lógico e sistemático podendo assim partir para a resolução de problemas sem qualquer tipo de apoio em objectos ou situações concretas. O indivíduo pensa abstractamente, formula e também verifica hipóteses, ou seja, é possuidor do raciocínio hipotético dedutivo.

Bibliografia:
Manual da disciplina de psicologia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_cognitiva#Sens.C3.B3rio-motor
http://www.centrorefeducacional.com.br/piaget.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jean_Piaget#Teoria

domingo, 18 de maio de 2008

Motivação

“A motivação está na raiz do comportamento”. Muitas vezes damos por nós a perguntar porque actuamos desta ou daquela maneira, ou seja, o que nos impulsionou a fazer isto ou aquilo, o que orientou o nosso comportamento neste sentido e não noutro qualquer? A motivação aparece associada à resposta a estas perguntas, esta não desencadeia a necessidade, mas orienta o comportamento em direcção a um objectivo.
A “energia” que se encontra na origem das nossas actividades, dos nossos comportamentos, é a motivação associada às funções cognitivas e às relações entre o sujeito e o mundo. Não é possível falar em motivação sem referir que esta é personalizada em função de cada um de nós, da nossa história pessoal, do modo como pensamos os outros e o mundo, dos nossos projectos de vida. Muitas vezes a motivação pode vir de nós mesmos, ou seja é algo mais interno, mais pessoal, fazemos algo por prazer, porque é importante para nós, por outro lado, a motivação pode vir do exterior, ou seja fazemos algo porque isso vai agradar a alguém e esse alguém é importante para nós. A motivação intrínseca é bastante mais desejável para que o envolvimento numa actividade seja feito com sucesso e dedicação.
A motivação tem por tudo o que já referi um papel muito importante na aprendizagem: o desejo de aprender é um factor decisivo. Motivado, o sujeito tem uma atitude activa no processo de aprendizagem. Se uma pessoa estiver empenhada em atingir um determinado objectivo consegue-o mais depressa e melhor do que se tiver pouco investimento. A motivação pode ser a curto prazo: conseguir melhorar no próximo teste de geografia; ou, a longo prazo: profissionalizar-se em cabeleireiro… pode também falar-se em motivação para iniciar, continuar ou finalizar uma aprendizagem.

Bibliografia

· MONTEIRO, Manuela Matos & FERREIRA, Pedro Tavares, 2007. Ser Humano – 2ª parte Psicologia B 12º ano. Porto Editora, Porto.

A minha cultura é melhor que a tua?



















A minha cultura é a melhor que a tua???

Longe vão os dias em que cada país/grupo tinha a sua própria cultura quase como que uma identidade bastante vincada. Cada um com os seus próprios produtos, as suas próprias formas de divertimento, de estar em sociedade, sendo todas elas muito diferentes entre si.
Actualmente, com a proliferação das novas tecnologias da informação, do turismo e das migrações a troca de informações, conhecimentos, ideais, que é tão rápida, assistimos a uma crescente globalização da sociedade. Ou não são exemplo disso alguns dos produtos comercializados em praticamente todo o mundo, que para alguns são imprescindíveis, como a Coca-Cola, o seu fato de treino da Adidas, ou as sapatilhas da Nike, ou mesmo o nosso tão famoso MacDonalds??? Por outro lado, são ou não cada vez mais frequentes os casamentos entre pessoas que advém de culturas diferentes???
Este fenómeno da globalização é, nada mais, nada menos, que o resultado de uma intensa aculturação, ou seja, o resultado do contacto contínuo entre grupos de indivíduos de culturas diferentes, bem como as alterações que essa socialização traduz nos padrões culturais.
Com todas estas alterações vividas na nossa sociedade contemporânea, será que ainda podemos afirmar que cada cultura tem o seu próprio padrão cultural, sendo este em praticamente nada igual a outros?

Ilustração 1 – Carolina Soares é uma famosa cantora do Brasil, oriunda de pai negro e mãe branca, demonstra nos seus traços físicos essa mistura de raças, sendo de salientar a sua voz que apresenta um timbre forte, bem como o estilo musical mais voltado para o lado africano.
Carolina é um dos exemplos de que cada vez mais assistimos à globalização do mundo em que a convivência de pessoas com culturas diferentes é muito frequente.

Fontes:
MONTEIRO, Manuela Matos, FERREIRA, Pedro Tavares; “Ser Humano – 1.ª parte”, Psicologia B 12.º ano, Porto Editora
diariodeiguape.com/.../27/reveillon-em-iguape/
http://outrashistorias.files.wordpress.com/2007/05/coca-cola_logo5.jpg
http://medias.ados.fr/people/3/8/3847/Cassie/photos/12894-cassie-adidas.jpg
http://lacesnsoles.com/store2/images/categories/Nike.png
http://www.angloamericano.edu.br/jornaldoanglo/edicao05/imagens/foto-mcdonalds.jpg

Do amor ao ódio, do romance à tragédia

O número de crimes passionais tem aumentado de forma escandalosa e dramática, tornando-se cada vez mais alvo dos focos dos media, que trazem para os meios de divulgação, casos verídicos de uma realidade monstruosa, onde prevalece uma concepção errada do “Amor” e de tudo o que envolve este sentimento.
Os crimes passionais definem-se como sendo aqueles em que um individuo mata a pessoa que ama, resultando frequentemente num suicídio, pois o pensamento deste é que, se ela não é dele ele mata-a, mas também se mata a si próprio porque não suporta viver sem a pessoa amada.
Uma das questões que se coloca é qual a motivação do indivíduo, ou seja, o que o leva a agir de determinada forma. Regra geral, os motivos são os ciúmes, o sentimento de posse e controlo, a vários níveis, que o homem/mulher têm em relação à pessoa que amam.
Mas será isto amor? Quem ama mata?
Quem ama não mata. Se mata é porque tem problemas psíquicos, qualquer patologia, ou então encontra-se num estado depressivo muito grave. Contudo, existe um conjunto de indícios que podem prever comportamentos agressivos e possíveis distúrbios, aos quais devemos estar atentos, nomeadamente o controlo excessivo por parte do indivíduo, bem como a imposição de restrições.
De salientar que a violência doméstica pode também desencadear os crimes passionais. A violência doméstica caracteriza-se por três etapas, funcionando como um, ciclo, inicialmente a tensão começa a subir, de seguida há uma eclosão (ex.: espancamento), e por fim o individuo que maltrata o outro pede perdão e mostra arrependimento pelo sucedido, dizendo que não voltará a acontecer, sendo que este está realmente convicto de que vai mudar e não irá voltar a fazer sofrer a/o companheira/o.
Dá-se então a chamada fase “Lua de Mel”, que tem como características o bem estar e o bom relacionamento entre o casal, que na realidade está comprometido até surgir a próxima discussão, e ser despoletado novamente o ciclo de violência. Após sucessivos ciclos, alguns sujeitos atingem o seu limite e vêem como única solução a morte do cônjuge.
Estatisticamente o que se verifica é que existe uma maior percentagem de homens que matam a mulher e se suicidam de seguida, ao contrário das mulheres que geralmente põem termo única e exclusivamente à sua própria vida.
A sociedade também tem grande influência neste fenómeno, pois é fomentada a ideia que o homem tem um poder muitíssimo grande sobre a mulher, e que esta tem que ser submissa ao homem. Culturalmente, a defesa da honra do homem tem grande relevo, incutindo nestes a ideia de que quando traídos são capazes e podem fazer tudo.
No entanto, tal não se verifica apenas em Portugal, visto que nos vários continentes do mundo, esta é uma realidade crescente e avassaladora. O nosso acesso a esta realidade é feita através dos media, sendo estes uma entidade que não permite que este tipo de fenómenos se silencie.
Paralelamente, existem várias tentativas para colmatar este facto, nomeadamente a igualdade entre homens e mulheres.

Bibliografia:

MONTEIRO Manuela, SANTOS Milice Ribeiro, 1.ª parte, Psicologia A 12.º ano, Porto Editora

MONTEIRO Manuela Matos, FERREIRA Pedro Tavares, 1.ª parte, Psicologia B 12.º ano, Porto Editora

HETZER Hildegard, Psicologia pedagógica

BUHLER Charlotte, A psicologia na vida do nosso tempo

Reportagem da SIC, “Aqui e Agora”, dia 15-05-08

Identidade

A identidade é um conjunto de caracteres próprios e exclusivos de uma determinada pessoa.
Alguns elementos definem aspectos da nossa identidade, daquilo que somos e que nos distingue dos outros: o lugar onde nascemos e onde vivemos e a data do nosso nascimento situam-nos no espaço e no tempo; o nome dos nossos pais define a nossa pertença familiar indicando a nossa ascendência directa. Outros dados reportam-se ao nosso corpo: a nossa cara é única, inconfundível e a impressão digital distingue-nos de outros milhares de milhões de seres humanos.
A identidade depende da diferenciação que fazemos entre o “eu” e o “outro”. Passamos a ser alguém quando descobrimos o outro porque, desta forma, adquirimos termos de comparação que permitem o destaque das características próprias de cada um.
Já ouvimos falar muitas vezes da crise de identidade. Esta, de facto, acontece e, principalmente, na adolescência quando o sentido de identidade está sujeito a uma certa tensão.
Este conceito supera a compreensão do homem enquanto conjunto de valores, de habilidades, atitudes… pois compreende todos estes aspectos integrados e busca captar a singularidade do indivíduo, produzida no confronto com o outro.
A identidade pessoal é, portanto, o conjunto das percepções, sentimentos e representações que uma pessoa tem de si própria, que lhe permitem reconhecer e ser reconhecido socialmente. Este processo constrói-se ao longo do tempo, actualiza-se permanentemente até à morte.

Bibliografia:
http://www.geocities.com/ludivick/psisocial/linkC.html
http://www.coladaweb.com/psicologia/identidade.htm
http://www.infopedia.pt/$identidade-(psicologia)
Monteiro, Manuela Matos e Ferreira, Pedro Tavares – Ser Humano, 12º ano Psicologia B, 2ª parte

A construção da identidade na adolescência



A construção da identidade é um atributo imutável e acontece durante toda, ou grande parte, da vida dos seres humanos. Desde o seu nascimento o individuo inicia uma longa interacção com o meio em que está inserido, a partir do qual constituirá não só a sua identidade, como a sua inteligência, seus medos, sua personalidade, etc. Apesar de alguns traços serem comuns a todas as pessoas, independente do meio e da cultura em que estejamos inseridos, há determinadas características do desenvolvimento que diferem quando há diferentes culturas.
Esta construção pessoal é considerada a tarefa mais importante da adolescência, pois é uma fase em que os indivíduos começam a reafirmar os seus objectivos e ideias.
Cada um de nós constrói o seu “eu” através das interacções relacionais, reais e idealizadas e também através das experiências vividas e dos seus modelos. Se na infância os nossos modelos são os pais, na adolescência vão ser os jovens da mesma idade e os grupos de pares, este que vão influenciar de forma significativa a construção de identidade.
Para além disso, a família e os professores assumem um papel importante nesta construção, tal como os programas televisivos, uma vez que servem de referência para os adolescentes, pois estes seguem os seus, modelos.
No final da adolescência o jovem obtém uma identidade cumprida, isto é, ele será capaz de sentir uma sequência interior e um seguimento do que significa para as outras pessoas.


Bibliografia
http://www.scielo.br/pdf/epsic/v8n1/17240.pdf

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-294X2003000100012&script=sci_arttext

Livro de psicologia 12º ano/ 2ª parte

Sexualidade




Que penso sobre isto? Existe em todos nós uma capacidade que, ao longo da vida, vamos aprendendo a apreciar, a partilhar ou a viver individualmente: é a sexualidade. Cada um vive-a a seu modo, de forma única e irrepetível. Cada corpo, cada sensação, cada emoção, cada sentimento é diferente de pessoa para pessoa. Cada contacto é uma experiencia única e diferente.
Amor, desejo, prazer? Tudo num só nome: Sexualidade. Todo um mundo para descobrir, não há uma idade ou um momento certo para partilhar a nossa sexualidade. Não existem normas ou modelos para exprimir sentimentos. Cada um de nós terá o seu mundo, cada um descobrirá como e com quem o partilhar. Será nossa a decisão porque é nosso o corpo, é nossa a mente, são nossos os sentimentos. Por isso saberemos quando estamos preparados, quando realmente desejamos e queremos. Sem pressa, sem temor, sem falsos pudores, saboreando cada momento, cada descoberta. Sexualidade é um mundo novo a descobrir, um mundo mais intenso, onde o tempo pára, onde descobrimos novos sentimentos, não há idades, não há momentos certos e o nosso corpo dar-nos-á a resposta de quando for o momento certo. Também nos faz crescer, ter maior responsabilidade mas o mais importante é termos consciência do nosso acto.
O amor tem dimensões ínfimas para irmos descobrindo ao longo da vida. É por vezes terno, alegre, mas por vezes egoísta, amargo desencadeador de grande tristeza e sofrimento. Mas apesar disto, o amor preenche-nos, invade-nos, faz-nos sentir ao mesmo tempo plenos e vazios de emoções é feito de sexualidade, ternura, inteligência, generosidade, solidariedade, de tudo o que somos.
Somos donos dos nossos sentimentos, do nosso corpo, do nosso prazer, da nossa vida. É nosso direito é nossa liberdade. É nossa a decisão de respeitar-nos e respeitarmos os outros e sobretudo de sermos felizes.

Bibliografia
Imagem: http://tassobem5.no.sapo.pt/sexualidade.JPG
GONSALVES Graça, Prenda de Amor , 1º edição, editora Gostar

Maio 68

Maio’68: “É PROÍBIDO PROIBIR”

Quatro décadas depois da maior revolta espontânea da Europa, muitos de nós, jovens, nunca ouvimos sequer falar nesta “revolução”, muito menos a associamos à tão falada época do Sexo, Drogas & Rock’N’Roll, por tal motivo decidi escrever um artigo para alguns se inteirarem acerca deste assunto e outros reavivarem a memória, afinal já se passaram quarenta anos.
Maio de 1968 uniu, em França, mais concretamente em Paris e arredores, estudantes e muitos outros que se revoltaram contra a sociedade de consumo, contra o capitalismo, a favor da emancipação feminina, da homossexualidade, da universidade sem classes, entre muitos outros problemas, chegando a ocupar vários teatros e outros edifícios. Conseguiram que o país quase parasse, houve dias em que não havia comboios, autocarros, metro, os bancos e aeroportos fecharam portas.
E as perguntas levantam-se: Como foram aqueles jovens capazes de passar do desejo à acção? De tentarem acabar com o que estava mal? De não quererem mais proibições?
Ora muito bem, o que nos leva a agir é bem mais complexo do que imaginamos, nós só agimos porque existe um conjunto de processos que se passam na nossa mente e nos levam a passar do desejo à acção. Em primeiro lugar, para estes jovens se quererem manifestar teve que haver uma motivação, uma base que orientasse o seu comportamento, seguida de empenho, de vontade de querer ver as suas restrições extintas, acompanhada pela intenção, o propósito da acção que os jovens queriam levar a cabo, a sua finalidade. Por fim, podemos considerar que a maneira como os jovens tendiam a agir influenciou toda aquela acção, visto que era necessário que eles tivessem um carácter audaz, com espírito inovador e confiante.
E, tudo isto conjugado, faz com que tenhamos de nos empenhar, tal como os jovens se empenharam e investiram neles próprios, de uma forma intencional mas ao mesmo tempo dirigida e, deste modo, colocaram naquilo que fizeram também aquilo que eram.

Bibliografia:
Notícias Magazine, 4 de Maio de 2008;
Ser Humano, 2ª parte, Psicologia B

Eu marro, tu marras, ele marra...

Temos que admitir, estudar não é tarefa fácil. Temos que ter vontade, concentração, paciência, esforço, método, tempo… E o tempo é sempre uma grande confusão, principalmente para os estudantes. Saber gerir o tempo é chave para o sucesso. E como muitos dizem há tempos em que estudar é um verdadeiro prazer, mas isto só é possível sem o medo dos exames, a preocupação com as notas, o medo do fracasso, a sensação de culpa, a inquietação…
A ansiedade nestes jovens é tal que acaba por retirar todo o gozo, curiosidade e até o prazer de aprender. É que quando estão a ser avaliados, ou até em simples questões dentro da sala de aula, ficam tão stressados que só desejam que tudo acabe rapidamente sejam quais forem as consequências. Acabam, por isso, por responder sem pensar, sem terem lido correctamente as perguntas.
No entanto, para aqueles cuja arte de estudar se limita ao marranço puro, estudar nunca se pode tornar divertido: de facto, ler um parágrafo, olhar para o ar e tentar repeti-lo, falhar, voltar a lê-lo e voltar a repeti-lo, tantas vezes quantas as necessárias, não é tarefa fácil. Existem, de facto, pessoas com capacidades incríveis para o decoranço e que na maioria das vezes se saem muito bem nos pontos, falhando apenas uma ou outra vírgula. Mas não se deixem enganar por este método. Imaginem na véspera do teste: “após o primeiro minuto, a reacção é: “O queeeeeê? Isto tudo?”, mas, continuamos a folhear e “Eh, não me lembro de termos dado esta matéria!”, meia hora depois estamos a coçar a cabeça e a dizer “Desisto, não percebo nada desta porcaria, mas como temos mesmo que estudar acabámos por começar a empinar. O tempo passa, o dia começa a escurecer e a consciência começa a fazer o seu trabalho “Não vou ter tempo para decorar isto tudo. O melhor é saltar uns capítulos. Ora deixa cá ver… este não me cheira muito que vá sair… fora com ele! Este também não me diz nada! Ahh, já se foram dois à vida”. “
Chegámos ao teste e… “Ó desgraça! Ia tudo a correr tão bem e aparece-me esta pergunta tão difícil. Como é que eu lhe vou pegar? Ai, já gastei tanto tempo, isto parece chinês. Que raio de pergunta!!! Tenho que perceber isto… Dá-me ideia que deve ser…ah, meu deus, não vou lá, vou ter de arriscar…”
O pior é no dia da entrega do teste “Mãe, eu bem te tinha dito que não tinha grande memória!!!E o pior é que a prof pôs uns assuntos que eu não estava à espera…

SILVA, Eurico Marques da.“Eu Marro, Tu Marras, Ele Marra”. Ambar

O quadro que os outros pintam de nós...

Certamente já passaste por alguém e comentaste com o teu amigo/a “aquele/a ali parece que tem a mania! Sempre com o nariz empinado.” Ou então “Que arrogante que ele/a é”…
Quantos de nós passamos uma imagem negativa para o exterior? São muitos aqueles que se deixam impressionar por uma mera primeira impressão ou por um diz que disse. Francamente, penso que já somos todos bastante crescidinhos para conseguir perceber que as pessoas não são realmente aquilo que parecem/aparentam ser. Ou será que uma pessoa por ter um grupo restrito de amigos já é considerado arrogante? Ou alguém que até se gosta de vestir melhor/pior já é considerado demasiado importante/desleixado para a nossa “classe”? Ou até, se por vezes é envergonhado e nem fala ou cumprimenta todas as pessoas, já pensa que é o maior? Oh, por favor, deixem de lado os estereótipos e todas as ideias preconcebidas. Se têm dúvidas quanto à personalidade de alguém façam um favor à humanidade, e antes de começarem a “fazer croché” ou “tertúlia cor-de-rosa”, fundamentem as vossas teorias. Como? Não há nada mais simples, conheçam as pessoas. No entanto, se preferirem ficar pelas dúvidas e manter a vossa teoria da conspiração, sim porque falar mal dos outros, é sempre tão divertido e até temos tema de conversa… pelo menos façam-no sem que as pessoas em questão se apercebam.
Se pensarmos bem neste código que utilizamos para simplificar a nossa convivência em sociedade – estereótipos – acabámos por perceber que realmente tudo o que temos quase a certeza que é, começa a cair em descrédito a partir do momento em que passámos a ter outro tipo de elementos que nos permitam fazer uma avaliação mais profunda e completa acerca deste ou daquele indivíduo.
Assim sendo, deixo-vos um conselho: nunca se deixem levar por uma mera impressão, pois pode ser demasiado enganadora. Por vezes, poderemos mesmo estar a cometer a maior das injustiças e a pessoa em questão ser até totalmente contrária a tudo aquilo que pensávamos dela.

O Inconsciente

Segundo Freud, é o inconsciente que determina o nosso comportamento. Este manifesta-se no dia-a-dia de qualquer ser humano, mas, de que forma? Existem pois, várias formas do inconsciente se manifestar, entre as quais, os lapsos, os esquecimentos, as intuições e os sonhos!
A infância é uma fase da vida que vai condicionar aquilo que dita o inconsciente e até a nossa própria vida, uma vez que enquanto crianças a capacidade de interpretar e dar sentido ao que acontece é mínima. Isto pode ser explicado com base nas crenças, aquilo que nos é dito ainda em crianças pelos pais é aceite por nós como uma verdade absoluta. As crenças têm então uma força excepcional, somos manipulados, de forma natural, a interpretar a realidade de uma certa forma e até sem nos apercebermos de tal coisa, somos condicionados por essas mesmas crenças.
As recordações podem também explicar o porquê de sermos, muitas vezes, condicionados a não fazer algo, ou seja, o nosso inconsciente é um mecanismo protector que visa minimizar o nosso sofrimento e evitar então situações dolorosas. Por exemplo, muitas pessoas sofrem certos traumas, que podem ter origem quer na infância quer na fase adulta, esses traumas explicam o medo que sentem em certas situações (ex. ter medo da água porque caiu na piscina) e que podem manifestar-se através do inconsciente ao longo da vida.
Quem é que já não teve a sensação de já ter visto ou vivido determinada coisa? Este facto pode ser explicado recorrendo ao inconsciente. As situações em que temos este tipo de sensações advêm de memórias de experiências muito idênticas que tivemos no passado e que ficam guardadas na mente. Como essas memórias antigas não foram processadas de forma consciente não nos conseguimos lembrar do que aconteceu, mas a situação continua a parecer-nos bastante familiar.
Quanto aos sonhos as suas interpretações estão ligadas á história pessoal de cada pessoa e podem ou não conter uma mensagem importante do inconsciente.
Como já disse e como puderam ver o inconsciente está presente no nosso quotidiano, existem uma série de processos físicos que são inconscientes, por exemplo, não pensamos para respirar, não controlamos o bater do coração nem o piscar dos olhos, etc.
O inconsciente é mais um mistério da nossa mente…

Bibliografia: Revista Activa, n.º204 (Novembro 2007)

Afinal, quem somos nós?

O ser humano é alguém extremamente complexo, um ser muito inteligente, que pode desfrutar de inúmeras capacidades que o tornam único e inconfundível.
A nossa vida está repleta de coisas boas e más, acontecimentos que nos marcam ou pela positiva, ou pela negativa, situações mais ou menos importantes… enfim, a nossa vivência é marcada por diferentes experiências que vão tendo interpretações distintas por cada um de nós.
Ora, constantemente nos questionamos sobre a forma como funciona a nossa vida, aonde nos encontramos inseridos. Muitas vezes encaramos diversas situações que nos fazem parar para pensar: Porquê que as coisas têm de ser assim? – É o que muitas vezes perguntamos.
Aquilo que somos e o modo como nos comportamos resulta de factores sociais, genéticos, psicológicos, ambientais, psíquicos, físicos, ou seja, resulta da construção do nosso EU ao longo da vida. É desde o nascimento que o nosso processo de socialização se inicia. Vamos desenvolvendo relações precoces com os adultos, que nos fazem sentir presentes e seguros, na medida em que, nos oferecem sobrevivência e muita segurança. A partir daqui, vamos crescendo e adquirindo uma série de características que nos vão tornando mais autónomos, mais capazes de decidir sozinhos. Começamos a ter opiniões mais fundamentadas, a ter gostos, a ter a capacidade de encarar o mundo que nos rodeia com mais racionalidade. Normalmente somos influenciados nas nossas decisões e opiniões e até mesmo na nossa maneira de ser, de vestir e de nos comportarmos. O grupo de pares, grupo de amigos ou até aqueles modelos de referência que nós seleccionamos como sendo perfeitos são para nós entidades capazes de nos influenciar e fazer parte das nossas decisões e daquilo que somos.
A nossa construção pessoal não culmina na adolescência, antes continua pela fase adulta.
Com isto, aquilo que somos, o que sentimos, o modo como nos comportamos e como tomamos as nossas decisões pode ir mudando ao longo da vida. Somos seres humanos capazes de nos adaptar a diferentes situações, a situações imprevistas e adequa-las àquilo que são as nossas crenças e opiniões.

“A perda de referências, o medo do anonimato e da solidão tornaram-se, para muitos de nós, uma camisa-de-forças que nos impede de construir uma identidade para além das aparências. Porém, hoje mais do que nunca, o que pode fazer a diferença não é a fama, o sucesso ou o look, são as nossas qualidades humanas e o que soubermos fazer com elas.”In Público
Ora, cada vez mais, nos vimos envolvidos numa sociedade orientada pelo conformismo, pelo consumismo e, também pelas aparências. Como indivíduos adultos somos detentores de capacidades que nos permitem ser autónomos, racionais e verdadeiros seres humanos, pelo que, muitas vezes não é isto que se verifica. Conformamo-nos com isto ou aquilo, não sendo de capazes de argumentar e criticar, de dar as nossas próprias opiniões, ou seja, não temos opinião e sentido próprio, aceitamos passivamente aquilo que nos é transmitido sem pensar sequer. Sendo assim, aonde está o ser humano verdadeiro, aquele que atribui sentido à sua vida e se vai construindo com base nos seus ideais e na sua racionalidade? É muito importante manifestarmos as nossas crenças, as nossas opiniões e não baixarmos os braços só porque alguém tem uma ideia diferente ou não pensa como nós. Além disto, somos cada vez mais consumistas, mais interessados nas aparências e no nosso lado exterior. Para muitos, aquilo que é verdadeiramente importante é o que vestimos, o que exteriorizamos, os sítios que frequentamos, os locais que visitamos, etc. Na verdade, o essencial é a nossa psicologia, o nosso EU psicológico, as nossas qualidades e até defeitos interiores. Isso sim, é importante para uma completa e verdadeira construção da nossa identidade. A nossa identidade constrói-se, não se descobre. Este é um processo muito difícil e que cabe a nós desvendá-lo.
Nascemos originais e, ao longo do tempo, somos sujeitos a transformarmo-nos em cópias. Talvez não estamos habituados a ver-nos como seres únicos e livres e os objectivos exteriores vão-se sobrepondo aos objectivos interiores. Temos de ser capazes de nos realizar na nossa singularidade, de enfrentar os medos e simples receios, de descobrir o que para nós é verdadeiro e essencial. Só assim nos vamos tornando seres mais conscientes e responsáveis, sentindo que realmente existimos!
A nossa identidade é algo essencial na nossa vida, tornando-nos seres construídos. Saber quem somos e o que andamos a fazer no mundo faz com que nos sintamos bem connosco e com que nos aceitemos verdadeiramente com defeitos e virtudes
Por isso, é importante usufruirmos daquilo que realmente temos de único e insubstituível. Não fiquemos à espera que a situação venha ter connosco, antes vamos nós enfrentá-la, sem medo e mostrando que realmente somos seres humanos muito complexos e singulares. Só assim mostraremos o nosso verdadeiro EU, a nossa identidade!

Bibliografia: MONTEIRO, Manuela Matos & FERREIRA, Pedro Tavares, 2007. Ser Humano – 2ª parte Psicologia B 12º ano. Porto Editora, Porto.

domingo, 11 de maio de 2008

Mais uma vez...a história pessoal

Ultimamente temos vindo a falar bastante sobre a influência da história pessoal nas nossas vidas… Nesse sentido, após uma breve pesquisa, encontrei um artigo interessante on-line, do qual transcrevo uma parte:

“O presidente da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Psicologia da Justiça (SPPPJ), Fernando Almeida, afirmou hoje que a probabilidade de depressão grave ou suicídio é quatro vezes maior em crianças abusadas sexualmente. (…)
O especialista citou diversos estudos do comportamento de ratos, macacos e seres humanos que demonstram que as perturbações anti-sociais da personalidade têm um elevado grau de associação com agressões violentas na infância e com a separação ou falta de afecto da mãe.”

Esta notícia tem uma enorme importância ao nível do peso da história pessoal na “balança” das nossas vidas: acontecimentos que nos marcaram ao longo da nossa existência podem ser determinantes para o nosso sucesso (ou fracasso) a nível pessoal. Estes estudos revelam também a importância da vinculação, como já estudamos: a ausência de figuras de vinculação “provoca” determinadas reacções por parte do sujeito, nomeadamente o desenvolvimento de comportamentos violentos. Mais uma vez somos “obrigados” a concordar com o facto de que somos “condicionados” pela nossa história pessoal…alguns acontecimentos marcam-nos de tal forma que se transformam em dolorosas “cicatrizes neurológicas” que nos afectam para sempre… Já alguma vez se questionaram sobre este assunto? É certo que alguns dos nossos comportamentos são claramente afectados pela nossa história pessoal…mas, será que os comportamentos que temos e muitas vezes não conseguimos compreender não serão também fruto deste conceito tão complexo?

Bibliografia:
http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=24475&op=all

MONTEIRO, Manuela matos e OUTROS, Ser Humano – 12ºano Psicologia B, Porto Editora, 2007.

http://www.psicologia.com.pt/media/ver_livro.php?id=72

Cada um vai construindo a sua identidade

Cada ser vai-se construindo todos os dias. Assim, todos nós vamos construindo a nossa identidade e actualizando-a até à morte.
Reconhecemo-nos assim e, somos igualmente reconhecidos como sendo únicos temos portanto uma identidade pessoal, uma identidade que só a nós pertence e que, é construída através das vivências de cada um.
A nossa identidade pessoal é como que um castelo que vamos construindo onde as areias que o constituem são nada mais nada menos que sentimentos, percepções, representações que temos de nós próprios.
Somos únicos e ao mesmo tempo diversos. A nossa identidade suporta esta dualidade. Somos únicos porque possuímos características que nos distinguem dos outros e diversos na medida em que, pertencemos a um tempo, a uma cultura sendo assim, partilhamos determinados traços de ser, pensar, estar e sentir.
A identidade afirma isso mesmo, por um lado a semelhança e, por outro a diferença temos características que nos distinguem dos outros mas também temos características comuns aos outros.
A identidade vai-se construindo ao longo do tempo, como já referi na relação que se estabelece com os progenitores, grupo de pares…
Nestas interacções a identidade de cada um vai-se formando sendo assim, a identidade é um processo contínuo. Esta constitui-se também, através da integração de todas as experiências que cada ser vai vivendo, daí a sua unicidade.
Somos dotados de uma identidade pessoal mas também de uma identidade social e cultural.
A nossa identidade social é a consciência social que temos de nós próprios, resultante da interacção que mantemos com o meio social onde estamos inseridos já a identidade cultural é o conjunto de valores que, o ser partilha com a comunidade a que pertence e que integra na sua identidade pessoal.
Assim, a identidade de uma pessoa é a junção de todas estas identidades.

O suicídio

O suicídio é uma das principais causas de morte no mundo. Apesar disso, ainda é tratado como um tabu e pouca gente tem coragem de o discutir abertamente.
Segundo estudos recentes, a cada 40 segundos alguém se suicida em algum lugar do mundo. Dados da Organização Mundial de Saúde evidenciam que cerca de 815 mil pessoas se mataram, no ano 2000, em todo o mundo
De facto, estes dados são preocupantes. Questiono: o que faz com que alguém decida acabar com a sua própria vida desta forma?
Ora, esta questão gira em torno de imensos motivos. Existem inúmeras causas possíveis, que podem ser desencadeadoras deste comportamento. A morte de alguém muito querido, um desgosto amoroso, algum tipo de instabilidade ou perturbação a nível fisiológico, psicológico ou até físico, o enveredar para caminhos difíceis de deixar (droga, toxicodependência, alcoolismo, etc.)… são algumas das causas possíveis.
O período pré-suicídio é, geralmente, de grande sofrimento – físico ou emocional – que vai ficando mais intenso à medida que o tempo passa, até que viver se torna algo pesado, insuportável e muito angustiante. As pessoas sentem que ninguém as compreende, que o mundo inteiro está contra elas, para estas a vida perde todo e qualquer sentido. Sentem a necessidade, talvez de, fechar os olhos e viajar para outra vida aonde se sintam mais felizes e realizadas. Será que a morte é o passaporte para essa nova vida? Talvez, na imaginação de algumas pessoas gira a ideia de que a morte nos traz paz, tranquilidade e até, que nos encaminha para outra vida melhor.
O suicídio não tem explicações objectivas. Agride, estarrece e silencia. É, em alguns casos, considerado um tabu, motivo de vergonha ou condenação, sinónimo de loucura.
Este é um tema extremamente complexo e um pouco incógnito. O suicídio é o termo à vida. E matar-nos a nós próprios é, na minha opinião, algo extremamente incongruente. Alguém que tem coragem de se matar a si próprio deve estar num estado extremo de loucura e pânico. Muitas vezes, as pessoas que se suicidam nem sequer têm razão para o fazer, na medida em que, estão de tal forma perturbadas que não encontram outro caminho. Penso que nenhuma razão, qualquer que esta seja, nos pode levar a um acto tão trágico e absurdo.
Nós, seres humanos, somos seres altamente únicos, detentores de algo inexplicável que nos distingue dos outros seres do universo. Somos capazes de imaginar para além daquilo que é o nosso quotidiano, daquilo que é a nossa rotina diária, somos capazes de sonhar e de imaginar mundos diferentes do nosso. Na verdade, somos seres em possibilidade, pois tudo é possível, estar alegres ou tristes. Somos seres afectivos, passionais, temperamentais, sonhadores, cruéis e criativos.
De facto, o suicídio não devia nem sequer entrar no raciocínio do ser humano. Qualquer que seja a razão ou o motivo não nos pode levar a este acto tão cruel e cobarde. Sim, porque a nossa racionalidade deve estar sempre presente na nossa vida. Temos a obrigação de tentar ultrapassar os problemas, colocar um muro em cima deles, esquecê-los, de forma a tornar a nossa vida mais saudável. A vida é demasiado efémera e, por isso, não devemos desperdiçá-la desta forma. Viver é algo precioso. Basta imaginar aqueles que falecem porque estão doentes ou até aqueles inocentes que são mortos por qualquer motivo… Estes não têm qualquer tipo de escolha. Agora pensemos, será que vale a pena acabar assim com a nossa própria vida?
O ser humano tem, ainda, inúmeras dificuldades em conseguir ultrapassar um problema, resolver uma questão, por mais simples que seja. Muitas vezes, optam pela solução mais simples (o suicídio, por exemplo) e nem sequer tentam arranjar uma resolução. Ora, esta característica não faz parte da caracterização geral do ser humano. Um ser humano não foge os problemas. Não projecta a sua vida à toa. Reflecte, raciocina e pondera tendo em conta a decisão mais acertada. Recorda o passado, para agir no presente, tendo em conta o futuro.
Por isso, o suicídio é um tema muito monstruoso. Para dizer a verdade, até sinto medo em falar nisto. É algo que me assusta e que não consigo ainda entender muito bem. Apenas tenho consciência de que viver é algo insubstituível, algo que deve ser usufruído e aproveitado da melhor forma possível. A vida é a maior riqueza que temos. A partir daí basta sonharmos e, ao mesmo tempo, sermos seres humanos verdadeiros e racionais e, claro emocionais!


Bibliografia: Super Interessante – Edição 184 (Janeiro 2003)

Os bebés são capazes de...julgar!


“Investigadores norte-americanos revelam hoje na revista 'Nature' que o ser humano consegue julgar se o carácter dos outros é bom ou mau desde os seis meses de vida, altura em que começa a preferir quem age correctamente. Através da análise do comportamento de bebés com idades entre os seis e os 10 meses perante fantoches, a equipa liderada por Kiley Hamlin, do departamento de psicologia da Universidade de Yale, em New Haven, Connecticut, descobriu que os bebés com meio ano de vida já são capazes de julgar se os outros foram bons ou maus, mesmo que o acontecimento não os afecte directamente.”

Esta “descoberta” parece, no mínimo, estranha… No entanto, demonstra mais uma vez a capacidade que o ser humano tem de se adaptar ao meio, mesmo numa fase inicial da sua vida, que deriva de uma característica bem conhecida por nós, alunos de psicologia: a prematuridade. Além disso esta notícia remete-nos também para a plasticidade do nosso cérebro, para a flexibilidade do pensamento humano, que contribui de forma determinante para uma melhor adaptação dos bebés a este “novo mundo”. A capacidade do homem de julgar os outros começa, então, numa fase prematura da sua existência…então, será esta mais uma estratégia de adaptação do bebé? Como vemos, a adaptação à vida em contexto social do ser humano tem início muito mais cedo do que seria de esperar…

Bibliografia:
http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=60

MONTEIRO, Manuela matos e OUTROS, Ser Humano – 12ºano Psicologia B, Porto Editora, 2007.