domingo, 18 de maio de 2008

Eu marro, tu marras, ele marra...

Temos que admitir, estudar não é tarefa fácil. Temos que ter vontade, concentração, paciência, esforço, método, tempo… E o tempo é sempre uma grande confusão, principalmente para os estudantes. Saber gerir o tempo é chave para o sucesso. E como muitos dizem há tempos em que estudar é um verdadeiro prazer, mas isto só é possível sem o medo dos exames, a preocupação com as notas, o medo do fracasso, a sensação de culpa, a inquietação…
A ansiedade nestes jovens é tal que acaba por retirar todo o gozo, curiosidade e até o prazer de aprender. É que quando estão a ser avaliados, ou até em simples questões dentro da sala de aula, ficam tão stressados que só desejam que tudo acabe rapidamente sejam quais forem as consequências. Acabam, por isso, por responder sem pensar, sem terem lido correctamente as perguntas.
No entanto, para aqueles cuja arte de estudar se limita ao marranço puro, estudar nunca se pode tornar divertido: de facto, ler um parágrafo, olhar para o ar e tentar repeti-lo, falhar, voltar a lê-lo e voltar a repeti-lo, tantas vezes quantas as necessárias, não é tarefa fácil. Existem, de facto, pessoas com capacidades incríveis para o decoranço e que na maioria das vezes se saem muito bem nos pontos, falhando apenas uma ou outra vírgula. Mas não se deixem enganar por este método. Imaginem na véspera do teste: “após o primeiro minuto, a reacção é: “O queeeeeê? Isto tudo?”, mas, continuamos a folhear e “Eh, não me lembro de termos dado esta matéria!”, meia hora depois estamos a coçar a cabeça e a dizer “Desisto, não percebo nada desta porcaria, mas como temos mesmo que estudar acabámos por começar a empinar. O tempo passa, o dia começa a escurecer e a consciência começa a fazer o seu trabalho “Não vou ter tempo para decorar isto tudo. O melhor é saltar uns capítulos. Ora deixa cá ver… este não me cheira muito que vá sair… fora com ele! Este também não me diz nada! Ahh, já se foram dois à vida”. “
Chegámos ao teste e… “Ó desgraça! Ia tudo a correr tão bem e aparece-me esta pergunta tão difícil. Como é que eu lhe vou pegar? Ai, já gastei tanto tempo, isto parece chinês. Que raio de pergunta!!! Tenho que perceber isto… Dá-me ideia que deve ser…ah, meu deus, não vou lá, vou ter de arriscar…”
O pior é no dia da entrega do teste “Mãe, eu bem te tinha dito que não tinha grande memória!!!E o pior é que a prof pôs uns assuntos que eu não estava à espera…

SILVA, Eurico Marques da.“Eu Marro, Tu Marras, Ele Marra”. Ambar

O quadro que os outros pintam de nós...

Certamente já passaste por alguém e comentaste com o teu amigo/a “aquele/a ali parece que tem a mania! Sempre com o nariz empinado.” Ou então “Que arrogante que ele/a é”…
Quantos de nós passamos uma imagem negativa para o exterior? São muitos aqueles que se deixam impressionar por uma mera primeira impressão ou por um diz que disse. Francamente, penso que já somos todos bastante crescidinhos para conseguir perceber que as pessoas não são realmente aquilo que parecem/aparentam ser. Ou será que uma pessoa por ter um grupo restrito de amigos já é considerado arrogante? Ou alguém que até se gosta de vestir melhor/pior já é considerado demasiado importante/desleixado para a nossa “classe”? Ou até, se por vezes é envergonhado e nem fala ou cumprimenta todas as pessoas, já pensa que é o maior? Oh, por favor, deixem de lado os estereótipos e todas as ideias preconcebidas. Se têm dúvidas quanto à personalidade de alguém façam um favor à humanidade, e antes de começarem a “fazer croché” ou “tertúlia cor-de-rosa”, fundamentem as vossas teorias. Como? Não há nada mais simples, conheçam as pessoas. No entanto, se preferirem ficar pelas dúvidas e manter a vossa teoria da conspiração, sim porque falar mal dos outros, é sempre tão divertido e até temos tema de conversa… pelo menos façam-no sem que as pessoas em questão se apercebam.
Se pensarmos bem neste código que utilizamos para simplificar a nossa convivência em sociedade – estereótipos – acabámos por perceber que realmente tudo o que temos quase a certeza que é, começa a cair em descrédito a partir do momento em que passámos a ter outro tipo de elementos que nos permitam fazer uma avaliação mais profunda e completa acerca deste ou daquele indivíduo.
Assim sendo, deixo-vos um conselho: nunca se deixem levar por uma mera impressão, pois pode ser demasiado enganadora. Por vezes, poderemos mesmo estar a cometer a maior das injustiças e a pessoa em questão ser até totalmente contrária a tudo aquilo que pensávamos dela.

O Inconsciente

Segundo Freud, é o inconsciente que determina o nosso comportamento. Este manifesta-se no dia-a-dia de qualquer ser humano, mas, de que forma? Existem pois, várias formas do inconsciente se manifestar, entre as quais, os lapsos, os esquecimentos, as intuições e os sonhos!
A infância é uma fase da vida que vai condicionar aquilo que dita o inconsciente e até a nossa própria vida, uma vez que enquanto crianças a capacidade de interpretar e dar sentido ao que acontece é mínima. Isto pode ser explicado com base nas crenças, aquilo que nos é dito ainda em crianças pelos pais é aceite por nós como uma verdade absoluta. As crenças têm então uma força excepcional, somos manipulados, de forma natural, a interpretar a realidade de uma certa forma e até sem nos apercebermos de tal coisa, somos condicionados por essas mesmas crenças.
As recordações podem também explicar o porquê de sermos, muitas vezes, condicionados a não fazer algo, ou seja, o nosso inconsciente é um mecanismo protector que visa minimizar o nosso sofrimento e evitar então situações dolorosas. Por exemplo, muitas pessoas sofrem certos traumas, que podem ter origem quer na infância quer na fase adulta, esses traumas explicam o medo que sentem em certas situações (ex. ter medo da água porque caiu na piscina) e que podem manifestar-se através do inconsciente ao longo da vida.
Quem é que já não teve a sensação de já ter visto ou vivido determinada coisa? Este facto pode ser explicado recorrendo ao inconsciente. As situações em que temos este tipo de sensações advêm de memórias de experiências muito idênticas que tivemos no passado e que ficam guardadas na mente. Como essas memórias antigas não foram processadas de forma consciente não nos conseguimos lembrar do que aconteceu, mas a situação continua a parecer-nos bastante familiar.
Quanto aos sonhos as suas interpretações estão ligadas á história pessoal de cada pessoa e podem ou não conter uma mensagem importante do inconsciente.
Como já disse e como puderam ver o inconsciente está presente no nosso quotidiano, existem uma série de processos físicos que são inconscientes, por exemplo, não pensamos para respirar, não controlamos o bater do coração nem o piscar dos olhos, etc.
O inconsciente é mais um mistério da nossa mente…

Bibliografia: Revista Activa, n.º204 (Novembro 2007)

Afinal, quem somos nós?

O ser humano é alguém extremamente complexo, um ser muito inteligente, que pode desfrutar de inúmeras capacidades que o tornam único e inconfundível.
A nossa vida está repleta de coisas boas e más, acontecimentos que nos marcam ou pela positiva, ou pela negativa, situações mais ou menos importantes… enfim, a nossa vivência é marcada por diferentes experiências que vão tendo interpretações distintas por cada um de nós.
Ora, constantemente nos questionamos sobre a forma como funciona a nossa vida, aonde nos encontramos inseridos. Muitas vezes encaramos diversas situações que nos fazem parar para pensar: Porquê que as coisas têm de ser assim? – É o que muitas vezes perguntamos.
Aquilo que somos e o modo como nos comportamos resulta de factores sociais, genéticos, psicológicos, ambientais, psíquicos, físicos, ou seja, resulta da construção do nosso EU ao longo da vida. É desde o nascimento que o nosso processo de socialização se inicia. Vamos desenvolvendo relações precoces com os adultos, que nos fazem sentir presentes e seguros, na medida em que, nos oferecem sobrevivência e muita segurança. A partir daqui, vamos crescendo e adquirindo uma série de características que nos vão tornando mais autónomos, mais capazes de decidir sozinhos. Começamos a ter opiniões mais fundamentadas, a ter gostos, a ter a capacidade de encarar o mundo que nos rodeia com mais racionalidade. Normalmente somos influenciados nas nossas decisões e opiniões e até mesmo na nossa maneira de ser, de vestir e de nos comportarmos. O grupo de pares, grupo de amigos ou até aqueles modelos de referência que nós seleccionamos como sendo perfeitos são para nós entidades capazes de nos influenciar e fazer parte das nossas decisões e daquilo que somos.
A nossa construção pessoal não culmina na adolescência, antes continua pela fase adulta.
Com isto, aquilo que somos, o que sentimos, o modo como nos comportamos e como tomamos as nossas decisões pode ir mudando ao longo da vida. Somos seres humanos capazes de nos adaptar a diferentes situações, a situações imprevistas e adequa-las àquilo que são as nossas crenças e opiniões.

“A perda de referências, o medo do anonimato e da solidão tornaram-se, para muitos de nós, uma camisa-de-forças que nos impede de construir uma identidade para além das aparências. Porém, hoje mais do que nunca, o que pode fazer a diferença não é a fama, o sucesso ou o look, são as nossas qualidades humanas e o que soubermos fazer com elas.”In Público
Ora, cada vez mais, nos vimos envolvidos numa sociedade orientada pelo conformismo, pelo consumismo e, também pelas aparências. Como indivíduos adultos somos detentores de capacidades que nos permitem ser autónomos, racionais e verdadeiros seres humanos, pelo que, muitas vezes não é isto que se verifica. Conformamo-nos com isto ou aquilo, não sendo de capazes de argumentar e criticar, de dar as nossas próprias opiniões, ou seja, não temos opinião e sentido próprio, aceitamos passivamente aquilo que nos é transmitido sem pensar sequer. Sendo assim, aonde está o ser humano verdadeiro, aquele que atribui sentido à sua vida e se vai construindo com base nos seus ideais e na sua racionalidade? É muito importante manifestarmos as nossas crenças, as nossas opiniões e não baixarmos os braços só porque alguém tem uma ideia diferente ou não pensa como nós. Além disto, somos cada vez mais consumistas, mais interessados nas aparências e no nosso lado exterior. Para muitos, aquilo que é verdadeiramente importante é o que vestimos, o que exteriorizamos, os sítios que frequentamos, os locais que visitamos, etc. Na verdade, o essencial é a nossa psicologia, o nosso EU psicológico, as nossas qualidades e até defeitos interiores. Isso sim, é importante para uma completa e verdadeira construção da nossa identidade. A nossa identidade constrói-se, não se descobre. Este é um processo muito difícil e que cabe a nós desvendá-lo.
Nascemos originais e, ao longo do tempo, somos sujeitos a transformarmo-nos em cópias. Talvez não estamos habituados a ver-nos como seres únicos e livres e os objectivos exteriores vão-se sobrepondo aos objectivos interiores. Temos de ser capazes de nos realizar na nossa singularidade, de enfrentar os medos e simples receios, de descobrir o que para nós é verdadeiro e essencial. Só assim nos vamos tornando seres mais conscientes e responsáveis, sentindo que realmente existimos!
A nossa identidade é algo essencial na nossa vida, tornando-nos seres construídos. Saber quem somos e o que andamos a fazer no mundo faz com que nos sintamos bem connosco e com que nos aceitemos verdadeiramente com defeitos e virtudes
Por isso, é importante usufruirmos daquilo que realmente temos de único e insubstituível. Não fiquemos à espera que a situação venha ter connosco, antes vamos nós enfrentá-la, sem medo e mostrando que realmente somos seres humanos muito complexos e singulares. Só assim mostraremos o nosso verdadeiro EU, a nossa identidade!

Bibliografia: MONTEIRO, Manuela Matos & FERREIRA, Pedro Tavares, 2007. Ser Humano – 2ª parte Psicologia B 12º ano. Porto Editora, Porto.

domingo, 11 de maio de 2008

Mais uma vez...a história pessoal

Ultimamente temos vindo a falar bastante sobre a influência da história pessoal nas nossas vidas… Nesse sentido, após uma breve pesquisa, encontrei um artigo interessante on-line, do qual transcrevo uma parte:

“O presidente da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Psicologia da Justiça (SPPPJ), Fernando Almeida, afirmou hoje que a probabilidade de depressão grave ou suicídio é quatro vezes maior em crianças abusadas sexualmente. (…)
O especialista citou diversos estudos do comportamento de ratos, macacos e seres humanos que demonstram que as perturbações anti-sociais da personalidade têm um elevado grau de associação com agressões violentas na infância e com a separação ou falta de afecto da mãe.”

Esta notícia tem uma enorme importância ao nível do peso da história pessoal na “balança” das nossas vidas: acontecimentos que nos marcaram ao longo da nossa existência podem ser determinantes para o nosso sucesso (ou fracasso) a nível pessoal. Estes estudos revelam também a importância da vinculação, como já estudamos: a ausência de figuras de vinculação “provoca” determinadas reacções por parte do sujeito, nomeadamente o desenvolvimento de comportamentos violentos. Mais uma vez somos “obrigados” a concordar com o facto de que somos “condicionados” pela nossa história pessoal…alguns acontecimentos marcam-nos de tal forma que se transformam em dolorosas “cicatrizes neurológicas” que nos afectam para sempre… Já alguma vez se questionaram sobre este assunto? É certo que alguns dos nossos comportamentos são claramente afectados pela nossa história pessoal…mas, será que os comportamentos que temos e muitas vezes não conseguimos compreender não serão também fruto deste conceito tão complexo?

Bibliografia:
http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=24475&op=all

MONTEIRO, Manuela matos e OUTROS, Ser Humano – 12ºano Psicologia B, Porto Editora, 2007.

http://www.psicologia.com.pt/media/ver_livro.php?id=72

Cada um vai construindo a sua identidade

Cada ser vai-se construindo todos os dias. Assim, todos nós vamos construindo a nossa identidade e actualizando-a até à morte.
Reconhecemo-nos assim e, somos igualmente reconhecidos como sendo únicos temos portanto uma identidade pessoal, uma identidade que só a nós pertence e que, é construída através das vivências de cada um.
A nossa identidade pessoal é como que um castelo que vamos construindo onde as areias que o constituem são nada mais nada menos que sentimentos, percepções, representações que temos de nós próprios.
Somos únicos e ao mesmo tempo diversos. A nossa identidade suporta esta dualidade. Somos únicos porque possuímos características que nos distinguem dos outros e diversos na medida em que, pertencemos a um tempo, a uma cultura sendo assim, partilhamos determinados traços de ser, pensar, estar e sentir.
A identidade afirma isso mesmo, por um lado a semelhança e, por outro a diferença temos características que nos distinguem dos outros mas também temos características comuns aos outros.
A identidade vai-se construindo ao longo do tempo, como já referi na relação que se estabelece com os progenitores, grupo de pares…
Nestas interacções a identidade de cada um vai-se formando sendo assim, a identidade é um processo contínuo. Esta constitui-se também, através da integração de todas as experiências que cada ser vai vivendo, daí a sua unicidade.
Somos dotados de uma identidade pessoal mas também de uma identidade social e cultural.
A nossa identidade social é a consciência social que temos de nós próprios, resultante da interacção que mantemos com o meio social onde estamos inseridos já a identidade cultural é o conjunto de valores que, o ser partilha com a comunidade a que pertence e que integra na sua identidade pessoal.
Assim, a identidade de uma pessoa é a junção de todas estas identidades.

O suicídio

O suicídio é uma das principais causas de morte no mundo. Apesar disso, ainda é tratado como um tabu e pouca gente tem coragem de o discutir abertamente.
Segundo estudos recentes, a cada 40 segundos alguém se suicida em algum lugar do mundo. Dados da Organização Mundial de Saúde evidenciam que cerca de 815 mil pessoas se mataram, no ano 2000, em todo o mundo
De facto, estes dados são preocupantes. Questiono: o que faz com que alguém decida acabar com a sua própria vida desta forma?
Ora, esta questão gira em torno de imensos motivos. Existem inúmeras causas possíveis, que podem ser desencadeadoras deste comportamento. A morte de alguém muito querido, um desgosto amoroso, algum tipo de instabilidade ou perturbação a nível fisiológico, psicológico ou até físico, o enveredar para caminhos difíceis de deixar (droga, toxicodependência, alcoolismo, etc.)… são algumas das causas possíveis.
O período pré-suicídio é, geralmente, de grande sofrimento – físico ou emocional – que vai ficando mais intenso à medida que o tempo passa, até que viver se torna algo pesado, insuportável e muito angustiante. As pessoas sentem que ninguém as compreende, que o mundo inteiro está contra elas, para estas a vida perde todo e qualquer sentido. Sentem a necessidade, talvez de, fechar os olhos e viajar para outra vida aonde se sintam mais felizes e realizadas. Será que a morte é o passaporte para essa nova vida? Talvez, na imaginação de algumas pessoas gira a ideia de que a morte nos traz paz, tranquilidade e até, que nos encaminha para outra vida melhor.
O suicídio não tem explicações objectivas. Agride, estarrece e silencia. É, em alguns casos, considerado um tabu, motivo de vergonha ou condenação, sinónimo de loucura.
Este é um tema extremamente complexo e um pouco incógnito. O suicídio é o termo à vida. E matar-nos a nós próprios é, na minha opinião, algo extremamente incongruente. Alguém que tem coragem de se matar a si próprio deve estar num estado extremo de loucura e pânico. Muitas vezes, as pessoas que se suicidam nem sequer têm razão para o fazer, na medida em que, estão de tal forma perturbadas que não encontram outro caminho. Penso que nenhuma razão, qualquer que esta seja, nos pode levar a um acto tão trágico e absurdo.
Nós, seres humanos, somos seres altamente únicos, detentores de algo inexplicável que nos distingue dos outros seres do universo. Somos capazes de imaginar para além daquilo que é o nosso quotidiano, daquilo que é a nossa rotina diária, somos capazes de sonhar e de imaginar mundos diferentes do nosso. Na verdade, somos seres em possibilidade, pois tudo é possível, estar alegres ou tristes. Somos seres afectivos, passionais, temperamentais, sonhadores, cruéis e criativos.
De facto, o suicídio não devia nem sequer entrar no raciocínio do ser humano. Qualquer que seja a razão ou o motivo não nos pode levar a este acto tão cruel e cobarde. Sim, porque a nossa racionalidade deve estar sempre presente na nossa vida. Temos a obrigação de tentar ultrapassar os problemas, colocar um muro em cima deles, esquecê-los, de forma a tornar a nossa vida mais saudável. A vida é demasiado efémera e, por isso, não devemos desperdiçá-la desta forma. Viver é algo precioso. Basta imaginar aqueles que falecem porque estão doentes ou até aqueles inocentes que são mortos por qualquer motivo… Estes não têm qualquer tipo de escolha. Agora pensemos, será que vale a pena acabar assim com a nossa própria vida?
O ser humano tem, ainda, inúmeras dificuldades em conseguir ultrapassar um problema, resolver uma questão, por mais simples que seja. Muitas vezes, optam pela solução mais simples (o suicídio, por exemplo) e nem sequer tentam arranjar uma resolução. Ora, esta característica não faz parte da caracterização geral do ser humano. Um ser humano não foge os problemas. Não projecta a sua vida à toa. Reflecte, raciocina e pondera tendo em conta a decisão mais acertada. Recorda o passado, para agir no presente, tendo em conta o futuro.
Por isso, o suicídio é um tema muito monstruoso. Para dizer a verdade, até sinto medo em falar nisto. É algo que me assusta e que não consigo ainda entender muito bem. Apenas tenho consciência de que viver é algo insubstituível, algo que deve ser usufruído e aproveitado da melhor forma possível. A vida é a maior riqueza que temos. A partir daí basta sonharmos e, ao mesmo tempo, sermos seres humanos verdadeiros e racionais e, claro emocionais!


Bibliografia: Super Interessante – Edição 184 (Janeiro 2003)

Os bebés são capazes de...julgar!


“Investigadores norte-americanos revelam hoje na revista 'Nature' que o ser humano consegue julgar se o carácter dos outros é bom ou mau desde os seis meses de vida, altura em que começa a preferir quem age correctamente. Através da análise do comportamento de bebés com idades entre os seis e os 10 meses perante fantoches, a equipa liderada por Kiley Hamlin, do departamento de psicologia da Universidade de Yale, em New Haven, Connecticut, descobriu que os bebés com meio ano de vida já são capazes de julgar se os outros foram bons ou maus, mesmo que o acontecimento não os afecte directamente.”

Esta “descoberta” parece, no mínimo, estranha… No entanto, demonstra mais uma vez a capacidade que o ser humano tem de se adaptar ao meio, mesmo numa fase inicial da sua vida, que deriva de uma característica bem conhecida por nós, alunos de psicologia: a prematuridade. Além disso esta notícia remete-nos também para a plasticidade do nosso cérebro, para a flexibilidade do pensamento humano, que contribui de forma determinante para uma melhor adaptação dos bebés a este “novo mundo”. A capacidade do homem de julgar os outros começa, então, numa fase prematura da sua existência…então, será esta mais uma estratégia de adaptação do bebé? Como vemos, a adaptação à vida em contexto social do ser humano tem início muito mais cedo do que seria de esperar…

Bibliografia:
http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=60

MONTEIRO, Manuela matos e OUTROS, Ser Humano – 12ºano Psicologia B, Porto Editora, 2007.

Crescer é difícil...

“ Têm 14, 15 anos. Já não são crianças, ainda não são adultos. Há neles «um profano desejo de crescer». Libertos da redoma sagrada da infância, reféns de um ciclo lento, esperam. Que o ciclo se cumpra. Que a maioridade chegue, para se verem livres dos constrangimentos da adolescência. Para se verem livres. Mas crescer é para eles (como para os pais, a braços com novos desafios parentais) um processo longo. Um caminho feito de etapas e que se faz caminhando.”
In Notícias magazine, Fev 2008

Crescer é o processo mais difícil que o ser humano tem de passar. Não é apenas o corpo que muda, obriga-nos a constantes adaptações e ajustamentos, como o nosso interior acompanha essas mudanças.
A adolescência é uma das etapas mais temidas pelos pais, sendo esta talvez, a mais difícil de todas as idades. Mas como se poderá definir um adolescente se este já não é criança, mas ainda também não é adulto; se já não faz parte da «programação» dos mais novos, mas ainda não há lugar no mundo dos mais velhos; se já não se admitem atitudes infantis, mas já se pedem responsabilidades de gente crescida?!
Afinal onde se insere o adolescente e como se deve comportar?! A sensação de que não pertence a nenhum lado faz com que esta idade, as inseguranças e as irredutíveis certezas atormentem-no.
“ Ser do contra”, como se costuma dizer, é algo que define o adolescente. É uma forma de se afirmar perante os adultos. Para não fazer o jogo dos adultos, para questioná-los, frequentemente agindo por oposição a eles. Apesar de teoricamente sabermos que os confrontos são inevitáveis, saudáveis e até desejáveis, pois a vivência de conflitos correspondem, geralmente, a processos de desenvolvimento psicológico, tornando-nos mais capazes de responder de forma mais adaptada à situação que vivemos. O confronto é gerador de mudança, que é o fundamento da evolução e do desenvolvimento social. É uma das manifestações das interacções sociais.
Mas sendo a adolescência um período tão “problemático”, em que o sujeito vive um turbilhão de sentimentos contraditórios que acompanha a silenciosa revolução das hormonas, será a melhor altura para este escolher a área profissional que pretende, principalmente na passagem para o ensino secundário? Não será levado em erro, pelo excesso de emoções e sonhos, não sendo realista e optar pela decisão menos favorável para este? Não será demasiada responsabilidade para um adolescente, que dizem não ser adulto para certas coisas, mas depois exigem deste responsabilidade, consciência e bom-senso para escolher já o seu futuro?
Mas enfim, a adolescência também tem o seu lado positivo. A adolescência é também a maravilhosa idade de todas as experiências e de todas as paixões. Por isso, a devemos aproveitar ao máximo, porque apesar de ser difícil e complicada, é uma das melhores fases se soubermos lidar com as mudanças, e encará-la de forma positiva. É preciso compreende-la.

Fontes:
- in Noticias magazine, Fev. 2008
- in Noticias magazine, Abril 2008
- Monteiro, Manuela Matos e Ferreira, Pedro Tavares – Ser Humano, 12º ano 1ª parte

O mundo é de quem não sente?


“O mundo é de quem não sente. A condição essencial para se ser um homem prático é a ausência de sensibilidade. A qualidade principal na prática da vida é aquela qualidade que conduz à acção, isto é, a vontade. Ora há duas coisas que estorvam a acção - a sensibilidade e o pensamento analítico, que não é, afinal, mais que o pensamento com sensibilidade. Toda a acção é, por sua natureza, a projecção da personalidade sobre o mundo externo, e como o mundo externo é em grande e principal parte composto por entes humanos, segue que essa projecção da personalidade é essencialmente o atravessarmo-nos no caminho alheio, o estorvar, ferir e esmagar os outros, conforme o nosso modo de agir.”
Fernando Pessoa, in 'O Livro do Desassossego'

Será que o Mundo é de Quem não sente? Será que sentir e razão são coisas diferentes? Será que sim? Será que não?
Na minha opinião, mais concretamente, na opinião de Damásio as emoções e os sentimentos não são um obstáculo ao funcionamento da razão: estão envolvidos nos processos de decisão. A razão e a emoção são incapazes de trabalharem, funcionarem por si só, ou seja, a razão sem a emoção leva-nos para um campo de hipóteses inerentes à situação e consequentemente perder-nos-íamos nos cálculos das vantagens e desvantagens, pois estaríamos submetidos a uma análise rigorosa. Contudo se utilizarmos somente a emoção iríamos ser levados a fazer opções erradas já que estaríamos perturbados por emoções fortes. Assim sendo, é necessário, para agirmos correctamente, gerirmos as nossas emoções associando à nossa razão, com explicita Damásio, a emoção bem dirigida parece ser o sistema de apoio sem o qual o edifício da razão não pode funcionar eficazmente.
Por tudo isto, penso gerindo as minhas emoções. Não podemos dizer que para agirmos temos que nos guiar apenas pela razão, sem sentimentos, sem emoções, sem o campo do sentir, ao contrário, para tomarmos decisões, escolher caminhos, agir numa determinada direcção temos que utilizar estes dois mundos diferentes (RAZÃO-SENTIR) que no fundo se complementam.


O que é uma fobia?

Todas as pessoas conhecem alguém que tenha uma fobia, ou pelo menos, já leram ou ouviram em algum lugar. O medo é uma emoção que é muito normal no ser humano, é espontânea, de curta duração, modifica a nossa expressão corporal; é portanto uma emoção como tantas outras que possui o ser humano. Mas quando associada a fobias o medo toma proporções enormes, tornando-se descontrolado. As pessoas quando têm uma fobia e se deparam com o objecto em questão, começam a sentir um medo excessivo, ansiedade, angústia, e só desaparece quando esse objecto se afasta. Este medo parece ligado a aquilo que lhe causa a fobia, sentindo sempre medo quando aparece esse objecto.
Há vários tipos de fobias: fobias simples (ter medo excessivo de aranhas, cobras, cães, etc.); a fobia social (medo de falar perante uma grande plateia) e a agorafobia (ter medo e evitar locais de grandes dimensões). A mais perigosa para o ser humano é sem dúvida a agorafobia, pois começasse a evitar locais de grandes dimensões como hipermercados, progressivamente locais como transportes públicos, e por fim a pessoa não consegue sair mais de casa. As pessoas com fobias devem ir ao psicólogo para não agravar a sua situação, pois podem ser tratadas.
Estudos confirmam que a maior parte das fobias adquiridas foram por aprendizagem, isto é, as crianças observam, imitam e integram as acções dos adultos, dos seus modelos. Se os seus modelos tiverem algum tipo de fobia e a exprimirem com frequência, a criança tenderá para adquirir também uma fobia. Verificou-se que em famílias em que os modelos possuíam algum tipo de fobia, desenvolveram-se nas gerações seguintes fobias. Mas em famílias em que os modelos eram saudáveis, a aquisição de fobias era mais difícil. Por isso, constatou-se que há uma maior importância na hereditariedade por aprendizagem e não pela genética. A história pessoal tem uma grande importância quando se fala em fobias. Cada ser humano tem uma história pessoal única. Modelos de aprendizagem, episódios marcantes, representações sóciais, tudo isto é diferente em todas as pessoas, cada um tem um mundo criado por isso dentro da sua mente.
Existe muitas fobias, a tema de curiosidade descobri algumas fobias muito peculiares, como as que vou citar algumas: a fobia de tomar banho, de olhar para cima, a crianças, de palhaços, da cultura inglesa, de opiniões, de pessoas. Estão aqui algumas das muitas fobias que existem…será que conheces mais algumas? Ou conheces alguém com uma fobia?


Bibliografia:
· http://cimcs.com.pt/fobia.html;
· http://www.serafimcarvalho.net/sm03.asp?idp=4;
· http://www.medicoassistente.com/modules/smartsection/item.php?itemid=177;
· MONTEIRO, Manuela Matos e FEREIRRA, Pedro Tavares, Ser Humano, 2ªParte - Psicologia B 12ºAno, Porto Editora.

Saber o que somos para existir de verdade

Como disse o Padre António Vieira “O saber é uma riqueza que nunca se esgota” e isto porque nunca aprendemos tudo o que há para aprender, existe sempre algo que desconhecemos, algo que não vimos, que não apreciamos, que não tivemos o prazer de desfrutar. A aprendizagem é uma condição inerente à capacidade humana já que todo o Homem aprende no decurso da sua vida, contudo fá-lo de diferentes maneiras e isto porque, como é perceptível, todos somos diferentes, temos vidas diferentes, experiências diferentes, histórias pessoais diferentes e, consequentemente, aprendizagens diferentes.
Para mim, em primeiro lugar, é necessário que cada um seja capaz de se auto-conhecer para assim poder aprender a conhecer o mundo mas sempre com o seu ponto de vista, dando-lhe a interpretação que acha mais apropriada para que possam existir diferentes opiniões e logo discussão e crítica que nos levam a saber aceitar e respeitar tudo o que é diferente de nós ou do que pensamos.
Por tudo isto é que acho que aprender sempre mais e mais faz de nós pessoas não só mais cultas mas também mais humanas, o conhecimento faz com que cada um ganhe uma dimensão maior, um interesse maior sobre o mundo e é por tal que se torna numa riqueza inesgotável que nos trará frutos, por vezes muito mais benéficos do que imaginamos. E fica também aqui uma pequena homenagem ao Padre António Vieira, um visionário que já no século XVIII conseguiu ser capaz de perceber a dimensão e a importância que a aprendizagem tem no ser humano.

Bibliografia:
Livro de pensamentos, António Marinho Teixeira de Mesquita

Eu sou eu...

A identidade "é um conceito do qual faz parte a ideia de distinção, de uma marca de diferença entre as pessoas, a começar pelo nome, seguido de todas as características físicas, do modo de agir e de pensar e da história pessoal".
Assim podemos definir identidade como sendo um conjunto de características próprias e exclusivas de uma determinada pessoa. Este conceito, está ligado às actividades da pessoa, à sua história de vida, ao seu futuro, sonhos, fantasias… características da personalidade relativas ao indivíduo. Ela permite que o indivíduo se apreenda como um sujeito único, tomando posse da sua realidade individual e, portanto, consciência de si mesmo.
Identificar os próprios gostos e preferências, conhecer habilidades e limites, reconhecer-se como um indivíduo único, no meio de tantos outros igualmente únicos. Esse processo de auto conhecimento, que tem início quando nascemos e só termina no final da vida, é influenciado pela cultura, pelas pessoas com as quais convivemos... A escola, tem assim, um papel fundamental na construção da identidade e da autonomia de cada aluno. Na creche é importante passar por todas estas etapas de construção de um ser individual e original. Todos os adultos que trabalham numa creche exercem um papel marcante nesse processo, pois eles desempenham um papel estimulador e facilitador nessa longa caminhada.
Praticamente todas as descobertas e brincadeiras feitas nos três primeiros anos de vida estão relacionadas com a construção da identidade e da autonomia. Os bebés querem saber o que é cada coisa e para isso usam todos os sentidos. O brincar é sempre um momento de descoberta. "Nessa fase do desenvolvimento, todos os objectos manipulados são, para a criança, uma extensão de si mesma." Nesta interacção, as crianças procuram entender o mundo que as rodeia.
Assim, identidade não é só o que a pessoa aparenta, ela agrupa várias concepções como a noção de permanência, de pontos que não mudam com o tempo. Algumas destas características inalteráveis são o nome da pessoa, parentescos, nacionalidade, impressão digital e outras coisas que permitem a distinção de uma unidade, um ser único. A identidade depende da diferenciação que fazemos entre o eu e o outro. Passamos a ser alguém quando descobrimos o outro porque, desta forma, adquirimos maneiras de comparação que permitem o destaque das características próprias de cada um.
Um ponto importante a ser considerado é que fazemos parte de diversas organizações e, portanto, a nossa acção é subdividida de acordo com as nossas interacções em sociedade com os outros. Somos o que fazemos naquele momento, em cada papel que desempenhamos, o de aluno, filho, amigo, irmão, e uma coisa não inclui necessariamente a outra. Cada actividade toma então, uma forma a partir de um personagem, que temos nas diversas situações das nossas vidas.
Quando te olhas ao espelho vês uma forma, um ser que objectivamente é diferente (diferente no sentido da configuração que temos, rosto, corpo…) de todos os outros devido ao património genético. Porém, embora reconhecível (fisicamente), não é conhecido na sua totalidade, pois só nós próprios nos podemos identificar no sentido subjectivo, “eu sou eu, diferente de todos os outros”.
Cada um é então o seu interior, é uma viagem de memórias criadas, e em processamento ao longo de cada dia, é um círculo de emoções e de sentimentos, é um ser que não sendo tudo é aquilo que faz, pensa, sente, sonha...
Cada um com a sua história de vida cheia de significados e mistérios… No fundo somos todos iguais, mas tão diferentes… A identidade é um guia no conhecimento de nós, é uma marca, uma pegada no caminho de quem tentar desvendar o que realmente cada um é, foi e será… E tu?! Já analisa-te com certeza o teu B.I mas nada te significa apenas que é um cartão, um alicerce que te identifica… No fundo… quem és tu?!

Bibliografia:

• MONTEIRO, Manuela e FERREIRA, Pedro. Ser Humano. 2ª Ed. Vol. 2. Porto Editora, 2006.
http://www.apagina.pt/arquivo/Artigo.asp?ID=589
• MONTEIRO, Manuela; SANTOS, Milice Ribeiro, Psicologia 12º ano, Porto
Editora, 2001

domingo, 4 de maio de 2008

Razão e emoção

António Damásio diz-nos que as emoções ajudam-nos a tomar as nossas decisões, o que à partida parece um pouco estranho! Mas Damásio explica esse facto dizendo que as emoções vêm ajudar a acelerar o processo de decisão, ou seja, se tivéssemos de analisar os prós e contras de todas as decisões, ser-nos-ia impossível, tomar decisões a curto prazo.
Assim emoção e razão estão na base das nossas decisões e essas mesmas decisões são viabilizadas rapidamente, pois por mais simples que seja a decisão que queiramos tomar, existe sempre uma emoção associada.
Para explicar melhor esta sua teoria Damásio remete-nos para a existência de um marcador somático, mecanismo que suporta as nossas decisões a partir de experiências emocionais anteriores. Estas experiências anteriores ficam gravadas nas áreas pré-frontais, responsáveis por funções como a memória, entre outras capacidades consideradas de nível superior devido à sua complexidade.
Perante a necessidade de tomar decisões, o córtex cerebral apoia-se nas emoções para decidir. De acordo com Damásio, sem emoção, ficaríamos impossibilitados de fazer as escolhas mais simples, tal como aconteceu com Gage. Os marcadores somáticos informam o córtex sobre as decisões a tomar.
Portanto numa situação em que é necessário decidir existe uma ligação entre o tipo de situação e o estado do corpo (estado somático). As manifestações corporais são associadas à situação vivida e orientam assim as nossas escolhas.

Bibliografia
MONTEIRO, Manuela Matos & FERREIRA, Pedro Tavares, 2007. Ser Humano – 2ª parte Psicologia B 12º ano. Porto Editora, Porto.

O poder do medo


“Uma das questões fulcrais da nossa vida é não ter medo do medo. Porque a existência é tão efémera e, sendo nós os únicos animais do mundo que têm a noção da finitude e do efémero, há que usufruir do percurso que vamos fazendo ao longo da nossa vida”
Luísa Gonçalves, In Público 2005

Na realidade, o medo é uma estratégia de sobrevivência, uma reacção totalmente normal fruto do nosso milenar processo de adaptação ao meio, que emerge quando nos confrontamos com situações desconhecidas ou face a objectos, pessoas e coisas que significam uma ameaça.
Provavelmente, o medo é uma das emoções menos desejadas pelo ser humano, no entanto, este faz parte de nós e sente-se no corpo, ao invés, não sobrevivíamos.
De facto, como refere Luísa Gonçalves, a vida é efémera e devemos usufruir dela ao máximo. E o medo acompanha-nos nesta curta existência, na tal efemeridade da vida. Ter medo do medo é, na opinião de Luísa Gonçalves uma das questões fulcrais da nossa existência. O medo é, muitas vezes, o muro que nos impede de fazer uma série de coisas. Claro que, pode ser positivo, na medida em que ajuda ao equilíbrio, no entanto, pode também ser negativo, porque nos faz mal.
Todos os seres humanos têm medo do medo que sentem. Na verdade, o pavor a algum bicho, a alguma animal, ou até a alguma situação da nossa vida provoca em nós uma sensação estranha e esquisita, o medo! Devemos aceitar que esta misteriosa emoção nos persegue ao longo da nossa vida, não podemos ter medo que ela surja! Porque o medo é algo que nos ajuda a viver com mais segurança, a sobreviver… Se, por exemplo, não tivéssemos medo de um cão perigoso que começa a correr atrás de nós ou até de alguma situação estranha que ocorresse na nossa vida, esta, de facto, não teria sentido. O medo faz parte da lógica da vida… Ajuda-nos a agir correctamente ou não em determinadas situações.
O medo é algo capaz de colocar as pessoas em estado de angústia total e gera uma grande tensão em nós. O nosso ritmo cardíaco acelera-se, aumenta a transpiração, os músculos contraem-se… Há, por isso, uma alteração do nosso estado normal.
Esta emoção é, na minha opinião, algo ainda difícil de definir. O medo é obscuro, é estranho, ao mesmo tempo que pertence à vida. Vivemos com ele diariamente e isto faz como que estejamos familiarizados com ele, embora muitas vezes ainda temos receio daquilo que daqui advém.
De facto, a vida é feita de coisas boas e outras menos boas, obstáculos que temos de ultrapassar, caminhos que devemos traçar e atravessar com sucesso e o medo está sempre presente! O medo impede-nos, muitas vezes, de ir em frente, de aceitar de imediato, de agir irracionalmente, etc. Torna-nos até pessoas mais ponderadas e racionais.
Por isso, não podemos pensar que ter medo é sermos “medricas” ou até menos corajosos. O medo está presente na nossa vida, ajuda-nos a vivê-la e a desfrutá-la com segurança. Porém, o medo excessivo pode ter consequências negativas, na medida em que nos impede de usufruir ao máximo das oportunidades que a vida nos proporciona.

Bibliografia: Super Interessante – Edição 49 (Maio 2002)

Percepção

A percepção é um processo cognitivo que nos ajuda a perceber o que acontece quando percebemos alguma coisa (vemos, tocamos, ouvimos) e que nos faz levantar a questão “Percebemos directamente com os nossos sentidos ou percebemos as representações dos mesmos?”. É a esta pergunta que vou tentar responder!
Através da percepção o ser humano contacta com o mundo, ou seja, é graças à percepção que desde pequenos nos é possível saber as cores, as formas, as texturas, os aromas, saber distinguir o frio do calor.
Percebi que a percepção é baseada na interpretação que as pessoas fazem da realidade e não na realidade em si, por este motivo a percepção do mundo é diferente para cada um de nós. A percepção não se limita ao registo de uma informação sensorial, é muito mais que isso, pois implica a atribuição de sentido, sentido esse que vai de encontro com a experiência de cada um.
À medida que vamos adquirindo novas informações, a nossa percepção altera-se e é no cérebro que tudo se processo, pois a informação que chega dos órgãos sensoriais é por ele tratada. Podemos por isso afirmar que a percepção é um processo cognitivo complexo em que para além de estarem presentes na sua construção as estruturas fisiológicas, como é o caso dos órgãos sensoriais e também das estruturas nervosas, a estas estruturas estão aliadas as nossas experiências pessoais, que dão sentido e significado ao que percepcionamos.
Para terminar, apenas acrescento que “…cada pessoa aprende o mundo que o rodeia de uma forma única e especial – de facto, isto permite-nos dar um contributo próprio e especial ao mundo”. O que seria do mundo se os nossos olhos estivessem fechados?

Bibliografia

· MONTEIRO, Manuela Matos & FERREIRA, Pedro Tavares, 2007. Ser Humano – 2ª parte Psicologia B 12º ano. Porto Editora, Porto.

Emoção – uma forma de inteligência?


Um dia destes, enquanto folheava o livro de psicologia apercebi-me da existência de um conceito estranho: inteligência emocional (página 99). É estranho que, quando falamos em inteligência, estejamos ao mesmo tempo a falar em emoções, já que esta é normalmente associada aos conhecimentos – razão. Nesse sentido a dimensão da minha curiosidade aumentou ainda mais, pelo que descobri que a inteligência emocional é “um conjunto específico de aptidões utilizadas no processamento e conhecimento das informações relacionadas à emoção”. Mais do que isso, este tipo de inteligência é, ainda, considerado uma etapa na evolução do pensamento humano! Pode parecer estranho, mas a capacidade de percepcionar as emoções, usá-las, compreende-las, e controlá-las constitui uma forma de inteligência, já que nos permite lidar com as emoções… Uma pessoa com elevada inteligência emocional será, então, capaz de resolver facilmente vários problemas relacionados com as mais diversas componentes emocionais. Resta saber se surgirão testes (como os testes de Q.I.), que avaliem esta forma de inteligência tão “estranha”…
Bibliografia:
MONTEIRO, Manuela matos e OUTROS, Ser Humano – 12ºano Psicologia B, Porto Editora, 2007.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Intelig%C3%AAncia_emocional

Sonhos


Sonhar é um fenómeno tão natural da nossa mente que já estamos inteiramente familiarizados com ele. Quando adormecemos somos transportados para um mundo íntimo, só nosso, onde, por vezes, temos dificuldade em distingui-lo da realidade. O nosso cérebro consegue aceder a informações e imagens que julgávamos já estarem esquecidas, ou, ainda, criar situações novas reveladoras de uma imaginação que nós mesmos desconhecíamos. Já tem acontecido, por exemplo, ficarmos surpresos, durante algum tempo (e depois de despertos), com o que conseguimos criar durante o sono e a forma como esses sonhos fazem sentido na nossa vida.
Em Interpretação dos Sonhos, o austríaco Sigmund Freud tenta explicar esta temática, defendendo que, ao contrário do que aquilo que se pensou, os sonhos não são fenómenos bíblicos, mas algo que deriva do nosso interior. “Sonhar é uma linguagem simbólica, pela qual se manifesta o nosso inconsciente, é quase que um porão da mente onde habitam fantasmas psíquicos, como conflitos não resolvidos e desejos reprimidos, que acabam por influenciar os nossos comportamentos.”, afirma Eduardo Szklarz. É através dos sonhos que “digerimos”, em parte, os acontecimentos vividos durante o dia, constituindo uma espécie de feedback das nossas experiências.
O facto da capacidade de sonhar e o modo como ela se processa ser tão intrigante, tem suscitado o aparecimento de estudos, teses e experiências vindas de diversos ramos da ciência, da psicologia e da neurologia, comprovando-se, realmente, a teoria do “pai da psicanálise”, Freud. Em 1989, na Universidade de Rockfeller, pôde-se concluir, através da observação dos cérebros dos ratos, que os neurónios activados durante o dia, continuavam em funcionamento durante a noite, sendo explicada, então, por que razão temos tendência para sonhar com o que nos é mais significativo ou marcante e com aquilo em que pensamos mais frequentemente. É claro que, enquanto sonhamos, a nossa mente vai mais além e acaba por distorcer os factos, associando-os a outros cujos contextos são completamente opostos. Crê-se, portanto, que os sonhos são “a chave para o auto conhecimento humano”, permitindo-nos manter o equilíbrio psicológico e, de certa maneira, tomar consciência das nossas verdadeiras necessidades e ambições.
O acto de sonhar não é tão banal como pensamos, por isso é tão importante reflectir sobre ele e sobre as nossas acções, sobre o que nos faz sentir realizados e sobre o que nos atormenta. A mente é, sem dúvida, algo poderoso e extraordinário que o ser humano tem o privilégio de conseguir moldar. Usem-na em benefício de um bem comum!


Fonte:

http://super.abril.com.br/superarquivo/2001/conteudo_119579.shtml
http://super.abril.com.br/revista/240a/materia_especial_261563.shtml?pagina=1
http://www.pxpoa.blogger.com.br/sonho.jpg




Personalidade

Já ouvi muitas vezes pessoas a dizerem "...fulano tem personalidade... este não tem!..." Mas a definição de personalidade em si nunca parei para pensar, a não ser nestes instantes...
Pois é, existem coisas que, por vezes, nos põem a pensar…e a personalidade é uma delas, principalmente na fase da adolescência, que é uma etapa muito conturbada e cheia de dúvidas.
A personalidade é aquilo que o individuo realmente é, ou seja, é a sua singularidade que o distingue de qualquer outra pessoa. Já reparamos que não existe nenhum individuo com uma personalidade igual à nossa, mesmo quando dizemos que aquela pessoa é a nossa alma gémea, que somos iguais… As semelhanças entre os comportamentos dos indivíduos de uma sociedade não desmentem o facto de o individuo ser uma unidade distinta de todos os outros.
De facto, a conduta de um indivíduo deixa sempre transparecer um cunho pessoal que nos permite inferir que estamos na presença de um ser original e único. Por isso, podemos afirmar que uma personalidade é uma individualidade.
Apropriando-me de uma frase de Fernando Pessoa que dizia mais ou menos isto: “não acredito em nenhuma religião, todas elas são a verdade” e buscar um meio termo, cada personalidade pode ser adquirida através da hereditariedade, o próprio meio, pois é através do processo de socialização que o comportamento individual é moldado segundo padrões de cultura de uma dada sociedade, também através de experiências pessoais, pois o modo como as pessoas vivem as suas experiências, pode marcar positiva ou negativamente a personalidade. As experiências vividas na infância e na adolescência são particularmente marcantes, sendo a personalidade uma construção dinâmica e interactiva, onde o sujeito é o elemento activo da sua própria historia e projecto de vida.


http://pt.wikipedia.org/wiki/Personalidade
http://super.abril.uol.com.br/revista/248/materia_revista_270042.shtml?pagina=1
http://www.depression-guide.com/lang/pt/personality.htm

A nossa vida…as nossas decisões!

Quando acordamos, podemos levantar-nos ou ficar na cama. Porém, se decidirmos que o melhor é nos levantarmos, temos que decidir se vamos ficar em casa ou vamos sair. Caso se escolha a segunda opção, existe também a necessidade de escolher o que vamos vestir. De seguida temos que pensar um pouco para decidir o sítio que preferimos visitar; mais tarde teremos de seleccionar o local onde iremos almoçar. De seguida, decidiremos se queremos voltar para casa ou visitar outro lugar, etc.
Como vemos, a nossa vida está repleta de decisões. Decisões que tomamos, por vezes, até instantaneamente! Tão rápido que nem nos lembramos da complexidade do processo que envolve a resolução de um problema.
Escolher o que queremos vestir, por exemplo, é uma decisão que tomamos de uma forma descontraída, sem nos preocuparmos em demasia com o assunto. Mas quando nos aparecem problemas sérios, que podem mudar a nossa vida por completo, mudamos instantaneamente de postura: queremos pensar bem antes de decidir. É o caso, por exemplo, de uma nova proposta de emprego, da possibilidade de mudar de escola, do curso que queremos frequentar na Universidade, etc.
Esta última questão interessa particularmente aos alunos que se encontram no 12ºano, como é o nosso caso. Mas porque é que esta decisão é tão difícil para nós? A verdade é que uma pequena escolha que faremos num futuro próximo terá uma enorme repercussão no nosso futuro. Seria extremamente frustrante trabalhar toda a vida em algo que não nos suscita qualquer interesse.
Uma decisão como esta exige, então, um processo de pensamento exaustivo, no qual interligamos conceitos – construindo um raciocínio lógico – para que sejamos capazes de identificar o problema, analisar as hipóteses de resolução possíveis e, por fim, optar pela que nos parece mais adequada. Estas três etapas fazem parte de qualquer resolução de problemas, no entanto podem não aparecer assim de forma tão distinta, havendo a possibilidade de serem confundidas.
Quando tomamos uma decisão temos que ter em conta os nossos conhecimentos prévios, os nossos gostos, a nossa história pessoal, entre outros. É daí que surge a necessidade emergente de fazermos as nossas próprias escolhas, como afirma Bandura:

“Nenhuma decisão é tomada sem emoção, e ninguém é motivado exclusivamente pelo desejo de maximizar os seus interesses. As pessoas não escolhem o que lhes é mais útil. Dado terem de viver consigo próprias, têm tendência a escolher acções que lhes ofereçam uma satisfação pessoal e o sentido do seu próprio valor, e recusam as que as desvalorizam.”
BANDURA, A., Sciencies Humaines, n.º148, 2004, pp. 112-113.

Bibliografia
MONTEIRO, Manuela matos e OUTROS, Ser Humano – 12ºano Psicologia B, Porto Editora, 2007.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Tomada_de_decis%C3%B5es

Crianças e Imaginação

A partir dos dois, três anos, a curiosidade das crianças aumenta mais, assim como a sua imaginação que se torna inquieta. Nesta idade, elas analisam tudo o que vêem de diferente e relacionam com elas próprias. É este o primeiro processo de identificação da realidade e é muito importante para o seu desenvolvimento intelectual.
No entanto, a sua percepção da realidade, é contudo, muito aproximada, não sabe ainda onde termina a realidade e onde começa a irrealidade. Por isso mesmo, gostam muito de todas as histórias de fantasia que lhes são contadas.
As crianças possuem um mundo particular, geralmente belo e cheio de coisas e personagens maravilhosas, no qual existe a possibilidade de viver aventuras sempre fascinantes. Estas, vivem nesse mundo fantástico que elas próprias criaram, através da sua imaginação, e sobrepõem à realidade, descrevendo com absoluta sinceridade.
Depois de criadas as suas próprias realidades, estas são muito complicadas de lhe “retirar”, pois para as crianças o que elas imaginaram é que esta correcto.
As invenções, a fantasia e a imaginação, são muito importantes para elas, já que representam apenas um intermediário entre elas e o mundo real.

Bibliografia
educacao.aaldeia.net/imaginacaodascriancas.htm
pt.shvoong.com/.../education/elementary-childhood-education/1751359-desenvolvimento-infantil-imaginação/ - 52k
pt.articledevise.com/article/about/MDI4/Como-A-Cultivar-Imaginacao/ - 9k -

Depressão

Numa das manhãs de Domingo dei por mim a ler um artigo sobre depressões e antidepressivos na revista “notícias magazine”, artigo esse que me interessou bastante, ao ponto de mencioná-lo e explorá-lo aqui no blog. Como todos nós sabemos não há doença que esteja mais em voga do que a depressão, ao par do stress, e isto devido ao facto desta ser a maior causa de doença no mundo. Nesta entrevista, com o psiquiatra Luiz Gamito, a questão que mais sobressaía era a eficácia dos antidepressivos, quando e como devem ser administrados. Ora bem, isto assemelha-se muito com tudo o que leccionamos em Psicologia já que depressão e mente estão intimamente ligadas, contudo é importante referir que uma pessoa com depressão tem algumas das suas funções vitais afectadas como dormir o tempo necessário, alimentar-se correctamente, etc., não é apenas a sua saúde mental que é afectada mas também outras instâncias do ser.
Na minha opinião a ideia que o psiquiatra Luiz Gamito deixa é que apesar dos antidepressivos serem importantes na resolução de alguns problemas do foro psicológico existem outros mecanismos igualmente importantes e, não me refiro apenas à psicoterapia mas também à força de vontade de cada um, à maneira como encaramos e tentamos solucionar os problemas. Por isso é que se pode afirmar que a depressão trata-se com muita coisa, é uma doença bem mais complexa do que se possa imaginar.


Bibliografia:
20 de Abril de 2008, Notícias Magazine

Interacções com o Mundo


A cognição social é um conjunto de processos que estão na base da maneira como encaramos os outros e a nós próprios. Procura conhecer os factores que influenciam e afectam a forma como interagimos com os outros.Estes processos permitem-nos ter uma capacidade limitada da informação relativa ao mundo social, recorremos a esquemas que representam o nosso conhecimento sobre nós, sobre os outros e sobre os nossos papéis no mundo social. É a partir desses esquemas, dessa forma específica de conhecimento que processamos a informação sobre o mundo social e que formamos opiniões sobre nós e sobre os outros.Os processos de cognição são as impressões, as expectativas, as atitudes e as representações sociais.
As impressões são um termo que usamos com muita frequência após conhecermos uma pessoa. No primeiro contacto que temos com alguém que não conhecemos, construímos uma imagem, uma ideia sobre essa pessoa a partir de algumas características, de alguns indícios que apreendemos no primeiro encontro. Seleccionamos alguns aspectos que consideramos mais significativos, naquele momento e naquela situação, o que nos leva a avaliar a pessoa. Procedemos a um processo de categorização, ou seja, reagrupamos os objectos, as pessoas, as situações em diferentes classes a partir do que consideramos serem as suas diferenças e semelhanças. É a partir dos indícios físicos, verbais, não-verbais e comportamentais, que formamos uma impressão global de uma pessoa, a quem atribuímos uma categoria socioeconómica e cultural, um determinado estatuto.
As expectativas são modos de categorizar as pessoas através dos indícios e de informações, prevendo o seu comportamento e as suas atitudes. As expectativas afectam o modo como os outros interagem connosco, influenciando, por sua vez, a nossa auto imagem e o nosso comportamento. Comportamo-nos em função das expectativas, tendo em conta o que os outros esperam de nós.
As atitudes são, portanto, tendências relativamente estáveis para uma pessoa se comportar de determinado modo face a uma situação, objecto, grupo ou pessoa. Elas não nascem connosco. Formam-se e aprendem-se no processo de socialização. É através das observações, identificação e imitação de modelos (pais, professores, figuras dos meios de comunicação social, etc.) que se aprendem, que se formam as atitudes. Esta aprendizagem ocorre ao longo da vida, mas tem particular predomínio na infância e adolescência. Tal não significa que depois destas idades as atitudes não possam mudar, certas experiências vividas ou acontecimentos extraordinários podem conduzir à alteração das atitudes.
As representações sociais são um conjunto de crenças e ideias que são aceites por uma dada sociedade ou grupos sociais. É um saber partilhado, produto das interacções sociais, e que funciona como um regulador do comportamento. São características de uma determinada época, sociedade e cultura. Fazem parte do processo de interacção social, permitindo aos membros de um grupo social comunicarem e compreenderem-se. As novas representações que apreendemos juntam-se às anteriores, que o sujeito já possui, formando um todo que orienta o comportamento.
E são estes processos que interligados nos permitem interagir, ser e estar em sociedade, vivendo com o outro, aprendendo a perceber e a ser compreendido.
Assim, podemos dizer que um factor favorável à nossa felicidade é sem dúvida a relação que estabelecemos com os outros! O nosso bem-estar interior está dependente das relações interpessoais. Nós não vivemos isolados. Vivemos em sociedade! Os processos que descrevi primeiramente explicam a forma como somos afectados envolvendo a maneira de nos relacionarmos com o Mundo à nossa volta. Mas…o que sabemos realmente de relações humanas? Quando falamos com o outro, conseguimos efectivamente entender e compreender o outro? A maneira como reagimos ao que os outros nos fazem ou dizem não vai condicionar o que pensamos e o que sentimos? De facto, depende de nós permitirmos que os outros controlem a nossa mente e a nossa própria vida. Assim, é necessário um trabalho contínuo e diário sobre o que " recebemos" e o que "enviamos" para os outros!


Bibliografia:

• MONTEIRO, Manuela e FERREIRA, Pedro. Ser Humano. 2ª Ed. Vol. 2. Porto Editora, 2006.



Adolescência

A adolescência é uma época da vida humana marcada por profundas transformações fisiológicas, psicológicas, pulsionais, afectivas, intelectuais e sociais vivenciadas num determinado contexto cultural.
Mais do que uma fase, a adolescência é um processo dinâmico de passagem entre a infância e a idade adulta.
Uma das dificuldades do conceito de adolescência advém da delimitação etária deste período, pois existem diferenças entre sexos, etnias, meios geográficos, condições socioeconómicas e culturais.
Além disso, no mesmo meio, encontramos grandes variabilidades de indivíduo para indivíduo: há puberdades muito precoces, outras são muito tardias. Por outro lado, uma mesma pessoa tem diferentes ritmos de maturação.
Se se pode afirmar que a adolescência começa com a puberdade, já não é tão fácil dizer quando termina. Então, é importante revelar que a adolescência se define pela negativa: o adolescente já não é criança e ainda não é adulto.
A puberdade muda o corpo, a mente e os afectos da criança. Os adolescentes entram numa nova fase existencial, banhados por novas pulsões, novas sensibilidades, novas capacidades cognitivas, novas dificuldades nos seus pontos de referência.
A adolescência é um espaço/tempo onde os jovens através de momentos de maturação diversificados fazem um trabalho de reintegração do seu passado e das suas ligações infantis, numa nova unidade. Esta reelaboração deverá dar capacidades para optar por valores, fazer a sua orientação sexual, escolher o caminho profissional, integrar-se socialmente. Este processo de crescimento faz-se também com retrocessos, este crescer faz-se sozinho, com o melhor amigo, com e contra os pais, com os outros adolescentes e com os outros adultos.
A ambivalência da adolescência relaciona-se com as transformações globais que ocorrem no indivíduo e que tornam este nível etário de difícil compreensão: pelos outros e pelos próprios. Coabitam, nesta fase, desejos ambivalentes de crescer e de regredir, de se sentir ainda criança e já adulto, de autonomia e de dependência, de ligação ao passado e de vontade de se projectar no futuro.
Para muitos autores, o mal-estar sentido pelos jovens, na sociedade actual, tem a ver com a indefinição do seu estatuto social.
No entanto, a adolescência não é obrigatoriamente uma fase perturbada, dado que grande parte dos problemas são ultrapassados.
Em suma, a adolescência começa com as transformações pubertárias e termina com a construção de uma autonomia e identidade, de elaboração de projectos de vida e inserção social.
Ao terminar a adolescência, o jovem tem o sentimento de individualidade e compreende o seu papel activo na orientação da sua vida aceitando compromissos: ele cumpriu determinadas tarefas como a afirmação da identidade pessoal, sexual e psicossocial bem como a interiorização de normas sociais e a aquisição de uma autonomia (a maioridade que contribui para datar o fim desta etapa da vida).

- Livro “Psicologia”, Manuela Monteiro e Milice Ribeiro dos Santos, Porto Editora.

Pensa! Age!

“«Pense», sim, mas não divague até outra pessoa pensar, resolver e agir. O homem que tem de ser convencido a agir antes de entrar em actividade não é um homem de acção... tem de agir conforme respira. Proceda como se fosse impossível falhar. Só as suas acções determinam e mostram o seu valor. Se ficar recostado e quieto a ver o mundo passar - o mundo passa mesmo. Não há nenhuma força do destino a planear a vida dos homens. O que nos sucede, de bom ou de mau, é quase sempre o resultado da nossa acção ou da falta dela. A acção é a base de qualquer realização.”

Alfred Montapert, in 'A Suprema Filosofia do Homem'

O conceito de esforço de realização relaciona-se com o empenho que colocamos nas coisas que queremos alcançar, no empenho que conseguimos manter relativamente à prossecução dos nossos desejos e objectivos. Este esforço está intimamente relacionado com o modo como os nossos desejos e propósitos se transformam em acções. Como todos nós sabemos o esforço e o empenho fazem-se com objectivos, motivações, aspirações, vontades e intenções, que são importantes no que somos e no que fazemos. Para tudo isto é preciso valorizar o envolvimento, o estar e o vivenciar, valorizar os passos que damos na procura dos nossos desejos, encontrar maneiras, coisas que nos motivem a agir. É no fundo a motivação, o empenho, a vontade e o desejo que move os indivíduos em direcção a um fim ou objectivo que, a dar sentido à sua acção, faz com que esta tenha significado para ele.
Contudo, a conclusão que podemos tirar deste excerto, é que não devemos esperar que algo nos motive ou que cause desejo, temos que saber procurar, descobrir, sermos nós próprios a tomar consciência do que queremos e seguir em frente, agindo, fazendo com que as nossas acções tenham sentido ou significado para nós e de certa forma para os outros, pois não vivemos isolados. Só assim, é que nos vamos construindo, tornando-nos seres autónomos. Claro que não podemos esquecer dos factores que mencionei, porque por exemplo a motivação, a vontade são factores imponentes na maneira como estabelecemos objectivos, como agimos numa determinada direcção pois é esta vontade, esta força que nos leva a agir.

Individuação


“Realizarmo-nos na nossa singularidade, enfrentarmos os medos e descobrirmos o que para nós é verdadeiro e essencial, exige um maior grau de consciência e a aceitação da responsabilidade como condição da existência.” Cláudia Freitas
Podemos definir individuação pelo processo de singularidade e autonomia que nos individualiza de todos os outros, o que nos torna únicos e irrepetíveis. Este processo permite a cada ser humano escapar à padronização da hereditariedade específica, ou seja, de todas as características comuns da espécie humana.
Contudo, a individuação não depende apenas das definições do património genético, mas também da nossa história social, isto é, das experiências pessoais vividas.
A individuação resulta do culminar entre a interacção da hereditariedade individual (conjunto de características herdadas por um individuo que o distingue de todos os membros que integram na sua espécie humana), com a socialização que ocorre em toda a vida (o meio, e o grupo social incute neste determinados valores, influencia-o a determinadas atitudes e comportamentos que de certa forma o tornam diferentes de todos os outros, no entanto cada individuo interpreta aquilo que aprende e interpreta esses valores de forma diferente, pois tudo o que nós interpretamos da realidade têm um significado para nós).
As pessoas distinguem-se pela estrutura das suas aptidões mentais porque, entre outros factores, os seus cérebros têm formas diferentes. Até mesmo a forma como sorrimos é diferente, uns acham piada a umas coisas, outros a outras, até a intensidade do sorriso variam consoante as pessoas e as situações. SOMOS SERES ÚNICOS. O processo de individuação contribui para a evolução humana, porque uma vez que existe variabilidade individual, existe um maior leque de possibilidades de surgirem ideias que mudem o presente, uma vez que várias cabeças pensam melhor que uma.



Bibliografia:
MONTEIRO, Manuela Matos, FERREIRA, P. T. (2007), Ser Humano, Psicologia B, Porto Editora.

Somos seres inacabados


O processo de desenvolvimento do cérebro é um processo que se desenvolve de uma forma lenta. Ao nascer o ser humano apresenta um cérebro imaturo, inacabado, isto apesar de parecer uma desvantagem torna-se numa capacidade, pois possibilita-o para a aprendizagem e torna-o tão complexo. O ser humano é um ser prematuro, no sentido em que não apresenta as suas capacidades, competências desenvolvidas, e isto explica o porquê de precisarmos dos outros durante tanto tempo, pois o período da infância é muito longo. Este inacabamento biológico designa-se por neotenia, atraso no desenvolvimento que faz com que o indivíduo se desenvolva mais devagar; a nossa prematuridade explica a ausência de uma programação biológica tão rígida como a que existe noutros animais. Inacabado, biologicamente desamparado, prematuro, está aberto a múltiplas potencialidades. A nossa natureza biológica torna mais flexível o processo de adaptação ao meio e o nosso estatuto só é atingido através da aprendizagem. Há uma grande diferença entre os seres vivos totalmente programados e outros animais que são parcialmente programados. No ser humano, essa programação é a menos significativa, por comparação com os outros seres vivos – o programa genético é aberto e é essa diferença que nos distingue como seres humanos. Os animais apresentam esquemas de comportamento especializados que os dotam de capacidades altamente eficazes de adaptação do meio, contudo estas especializações determinam limitações, uma vez que funcionam apenas nos nichos ecológicos onde os animais estão inseridos. Para além destas funções para que estão programados, estas capacidades de pouco servem quando as circunstâncias se alterem.
A nossa “imperfeição”, o nosso inacabamento permitem que nos adaptemos às mudanças, às situações imprevistas. Compensam as nossas limitações anatómicas com a invenção de soluções dando-nos a possibilidade de adaptação a circunstâncias novas e, por isso, desafiadoras.






Bibliografia:
http://inwikistorias.wikispaces.com/Paulo+Freire
http://www.autenticaeditora.com.br/noticias/item/64
MONTEIRO, Manuela Matos, FERREIRA, P. T. (2007), Ser Humano, Psicologia B, Porto Editora.

Precisamos mesmo dos outros

Desde que nasce até que morre, o ser humano vive integrado no meio social, aliás só sobrevive, porque vive em interacção com os outros num mundo construído, modificado, que dá respostas às suas necessidades. Precisamos dos outros para o nosso bem-estar físico e psicológico, somos decididamente dependentes, precisamos que gostem de nós, precisamos da sua aprovação, precisamos de sermos aceites pelos grupos. A presença dos outros, a sua influência é uma constante no nosso pensamento e no nosso comportamento.
As relações precoces, relacionadas com o conceito de vinculação, têm um papel fundamental na construção das relações com os outros e na construção do eu psicológico. Como sabemos, o ser humano quando nasce é um ser imaturo, e esta imaturidade torna-o dependente, durante muito tempo, dos adultos. Esta imaturidade e as necessidades daí decorrentes implicam um tipo de relações que o distingue do dos outros animais. As relações precoces que são estabelecidas logo após o nascimento são muito importantes no desenvolvimento físico e mental do bebe, por isso o tipo e a qualidades das relações precoces vão influenciar o desenvolvimento do seu futuro. Como já falaram colegas minhas aqui neste blog, o recém-nascido apresenta um conjunto de competências comunicáveis (indispensáveis à sua sobrevivência) que estimulam aqueles que o rodeiam a satisfazerem as suas necessidades. O choro, o sorriso, as expressões faciais são exemplos de estratégias utilizados pelo bebe para obter os cuidados necessários à sua sobrevivência e ao seu bem-estar. Estabelece-se entre o bebé e aqueles que dele cuidam um processo designado por regulação mútua, que consiste na capacidade de comunicar os estados emocionais e responder de forma adequada. Uma das constatações que se tem feito é que o bebé não é um ser passivo que se limita a receber os cuidados dos adultos; o bebe é um ser activo que emite sinais daquilo que pretende, que responde, com agrado ou desagrado, ao tratamento disponibilizado. As estratégias usados pelo bebé servem para seduzir os progenitores e não só, impedindo que o abandonem. Uma interacção equilibrada exige que a mãe interprete e responda de forma apropriada aos sinais emitidos pelo bebe: se o bebé obtém os cuidados, a atenção que precisa ele reagirá com alegria, satisfação; se após várias tentativas de atrair a mãe, não conseguir, ele reagirá com frustração e ansiedade. A sensibilidade e a disponibilidade da mãe face às necessidades do bebé e o prazer mútuo nas interacções que se estabelecem proporcionam um sentimento interno de segurança que é gerador de confiança e que permite que o bebé veja o mundo de forma positiva. Se, pelo contrário, a mãe não responde às necessidades do seu filho de forma continuada, desencadeiam-se sentimentos de ansiedade que têm consequências negativas no desenvolvimento psíquico do bebé. As relações que o bebe estabelece com o mundo que o rodeia, designadamente com os progenitores, asseguram-lhe as condições para a sua sobrevivência e desenvolvimento. A vinculação é uma necessidade inata, biológica, é a necessidade de criar e manter relações de proximidade e de afectividade com os outros, de o bebé se apegar às outras pessoas para assegurar protecção e segurança (implica uma dependência face aos outros e garante a sua autonomia e sobrevivência). As primeiras fases de vida são decisivas ao desenvolvimento do bebé. Existem várias teorias que tentam explicar o processo de vinculação, já agora existe um livro sobre a Vinculação - Conceitos e Aplicações (Nicole Guedeney e Antoine Guedeney) que fala sobre a teoria da vinculação, elaborada por Bowlby e seus sucessores - apresenta uma compreensão nova da génese do laço fundamental que faz com que um bebé se vincule aos que o criam. O motor essencial desta construção é a satisfação da necessidade inata do bebé de proximidade (em relação às figuras que é suposto protegê-lo) e o sentimento de segurança procurado com essa proximidade.





Bibliografia:
MONTEIRO, Manuela Matos, FERREIRA, P. T. (2007), Ser Humano, Psicologia B, Porto Editora.
https://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/3696
http://nosnacomunicacao.com.sapo.pt/relacoesafectivasnavinculacao.htm
http://www.portalcursos.com/habilidadessociais/curso/Lecc-4.htm

Crianças Selvagens


Maria Isabel Quaresma dos Santos é o único caso português no campo das Crianças Selvagens. Nasceu a 6 de Julho de 1970 no distrito de Coimbra, na vila de Tábua. A sua mãe, Idalina Quaresma dos Santos, denotava alguma debilidade mental. A criança vivia com a mãe no Lugar Da Vacaria, uma pequena aldeia onde a pecuária e a agricultura constituem as principais actividades económicas. A pequena Isabel habitava um galinheiro onde supostamente a mãe a terá colocado apenas algum tempo após o seu nascimento. Foi aí que viveu durante oito anos da sua infância, tendo como única companhia as galinhas, durante o tempo em que a mãe trabalhava no campo. Alimentava-a de milho, couves cortadas e uma caneca de café.
A sua existência foi revelada ao público por um grupo de jornalistas que andavam a investigar o caso, em 1980. Quando a pequena Isabel foi encontrada, esta possuía algumas características físicas muito específicas. Entre elas, podemos destacar:
· Subdesenvolvimento ósseo;
· Grande debilidade;
· Cabeça demasiado pequena para a idade;
· Face com semelhanças flagrantes com os galináceos (perfil, posição labial, dentição formada como se fosse um bico);
· Olhos grandes (rasgados no sentido descendente);
· Posição dos braços muito idêntica às asas das galinhas;
· Calos nas palmas das mãos.
· Uma catarata no olho direito, certamente originada por uma picada de galinha.
Já a nível comportamental, Isabel demonstrava características semelhantes às das suas companheiras durante anos da sua infância:
· Atitudes extremamente agressivas, com tendência para destruir tudo o que estivesse ao seu alcance;
· O seu comportamento mais usual era mexer os braços como se fossem asas de galinha e guinchar;
· Comia os seus próprios cabelos;
· Defecava em qualquer parte e ingeria as próprias fezes.
Isabel acabou por ser internada no Colégio Ocupacional Luís Rodrigues, em Lisboa, que entretanto foi fechado pela Segurança Social. Actualmente encontra-se na Casa do Bom Samaritano e de acordo com uma notícia publicada pelo “Diário de Notícias” em 1998, Isabel não crescera muito, já conseguia andar sem ajuda em superfícies que não fossem demasiado irregulares, tinha muito mais controlo sobre as suas emoções e tinha já desenvolvido mais competências a nível social, conseguindo estar em grupo. Conseguiu ainda aprender a interpretar expressões faciais emocionais de outras pessoas, conseguindo ela própria produzir algumas. Comunica apenas com algumas palavras, respondendo a algumas frases simples. Nunca conseguiu recuperar totalmente do dano que lhe tinha sido feito.
O caso de Isabel e de muitas outras crianças selvagens (como Victor de Aveyron) fazem-nos duvidar da nossa condição humana. De facto, é difícil reconhecer a humanidade destas crianças, apesar de elas terem sido geneticamente determinadas a nascer com algumas características que são comuns a todos os indivíduos da espécie humana (olhos, boca, nariz, orelhas, etc.). Isto é a prova de que o ser humano é um ser prematuro (não nasce completamente formado), possui um programa genético aberto. Através destes casos, podemos realçar a importância das vinculações precoces e da socialização primária: é através do contacto com outros seres humanos que eu aprendo a ser humano.
Os modos como estas crianças se relacionam com os outros e com o mundo provoca em nós uma estranheza imensa. Apesar de, biologicamente, serem humanas, é-nos difícil relacionar a nossa experiência com a delas, compreender a forma como sentem, pensam e agem. Assim como nós não nos reconhecemos nelas, elas também não se reconhecem em nós. As suas capacidades, as suas características muito próprias, as marcas (sejam elas físicas ou mentais) provam-nos o quanto dependemos dos outros, do contacto físico e sociocultural com eles, para nos tornarmos os seres humanos que somos.

MONTEIRO, Manuela Matos, FERREIRA, P. T. (2007), Ser Humano, Psicologia B, Porto Editora.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Crian%C3%A7a_selvagem
http://www.feralchildren.com/en/showchild.php?ch=isabelq

domingo, 27 de abril de 2008

Alzheimer

Certamente já ouviste falar de uma ou outra pessoa conhecida que seja vítima da doença de Alzheimer… Ou então, quando alguém se esquece de algo, comenta-se em tom jocoso: “Deves estar a ficar com Alzheimer!!!”. Mas o que é ao certo? Até que ponto pode condicionar a nossa qualidade de vida?

Descoberta em 1909 por Alois Alzheimer (um neuropatologista alemão), esta é uma doença degenerativa e irreversível do cérebro, que se caracteriza pela perda gradual das capacidades cognitivas superiores dos indivíduos, manifestando-se, sobretudo, a nível da memória. Visto em necrópsia (procedimento médico que consiste em examinar um cadáver para determinar a causa e modo de morte), o cérebro de um doente de Alzheimer apresenta uma atrofia generalizada, com perda neuronal específica em certas áreas do hipocampo (estrutura localizada nos lobos temporais do cérebro humano, considerada a principal sede da memória) mas também em regiões parieto-occipitais (que se localiza na parte posterior da nossa cabeça, mais conhecida por proteger o cerebelo) e frontais.

Estes défices amnésicos agravam-se com a progressão da doença e são posteriormente acompanhados por défices visuo-espaciais e de linguagem. O início da doença pode muitas vezes dar-se com simples alterações de personalidade, que nada deixam a suspeitar da gravidade da situação.
Numa primeira fase, a perda de memória causa às suas vítimas um grande desconforto. Porém, numa fase já mais adiantada do problema, estes pacientes não se conseguem aperceber da sua doença, por falha da auto-crítica. Deste modo, podemos concluir que não se trata apenas de uma simples falha na memória, mas sim de uma progressiva incapacidade para o trabalho e convívio social, devido a dificuldades para reconhecer pessoas que lhe são próximas e até mesmo objectos. Um paciente com esta doença repete as mesmas perguntas inúmeras vezes, mostrando a sua incapacidade de fixar algo novo. Palavras são esquecidas, frases são trocadas, muitas permanecendo sem finalização.
Como já acima referi, não existe cura efectiva para esta doença. O tratamento existente tem como objectivo confortar o paciente e retardar o máximo possível a evolução da mesma. São dadas medicações que inibem a enzima responsável pela degradação da acetilcolina (que é um neurotransmissor) produzida e libertada por um núcleo na base do cérebro. A deficiência de acetilcolina é considerada como um epifenómeno (ou seja, como algo que deriva da sua causa primária) da doença de Alzheimer.
Em Portugal, são 60 mil as vítimas de Alzheimer. Se conheces alguém, sobretudo com mais de sessenta anos, que apresenta características tais como perda de memória, dificuldade em executar tarefas domésticas, problemas de linguagem, perda de tempo e desorientação, alterações de humor, comportamento e personalidade, perda de iniciativa e problemas relacionados com o pensamento abstracto, leva-a imediatamente a um médico para que seja sujeita a um exame completo. Uma vez que o único tratamento existente visa a retardação da doença, um doente de Alzheimer não tem tempo a perder!

Fontes:

http://www.medicosdeportugal.pt/action/2/cnt_id/349/

http://blog.uncovering.org/archives/2007/09/doenca_alzheimer.html

http://www.alzheimer.med.br/

http://www.alzheimerportugal.org/clientSite/