domingo, 4 de maio de 2008

Interacções com o Mundo


A cognição social é um conjunto de processos que estão na base da maneira como encaramos os outros e a nós próprios. Procura conhecer os factores que influenciam e afectam a forma como interagimos com os outros.Estes processos permitem-nos ter uma capacidade limitada da informação relativa ao mundo social, recorremos a esquemas que representam o nosso conhecimento sobre nós, sobre os outros e sobre os nossos papéis no mundo social. É a partir desses esquemas, dessa forma específica de conhecimento que processamos a informação sobre o mundo social e que formamos opiniões sobre nós e sobre os outros.Os processos de cognição são as impressões, as expectativas, as atitudes e as representações sociais.
As impressões são um termo que usamos com muita frequência após conhecermos uma pessoa. No primeiro contacto que temos com alguém que não conhecemos, construímos uma imagem, uma ideia sobre essa pessoa a partir de algumas características, de alguns indícios que apreendemos no primeiro encontro. Seleccionamos alguns aspectos que consideramos mais significativos, naquele momento e naquela situação, o que nos leva a avaliar a pessoa. Procedemos a um processo de categorização, ou seja, reagrupamos os objectos, as pessoas, as situações em diferentes classes a partir do que consideramos serem as suas diferenças e semelhanças. É a partir dos indícios físicos, verbais, não-verbais e comportamentais, que formamos uma impressão global de uma pessoa, a quem atribuímos uma categoria socioeconómica e cultural, um determinado estatuto.
As expectativas são modos de categorizar as pessoas através dos indícios e de informações, prevendo o seu comportamento e as suas atitudes. As expectativas afectam o modo como os outros interagem connosco, influenciando, por sua vez, a nossa auto imagem e o nosso comportamento. Comportamo-nos em função das expectativas, tendo em conta o que os outros esperam de nós.
As atitudes são, portanto, tendências relativamente estáveis para uma pessoa se comportar de determinado modo face a uma situação, objecto, grupo ou pessoa. Elas não nascem connosco. Formam-se e aprendem-se no processo de socialização. É através das observações, identificação e imitação de modelos (pais, professores, figuras dos meios de comunicação social, etc.) que se aprendem, que se formam as atitudes. Esta aprendizagem ocorre ao longo da vida, mas tem particular predomínio na infância e adolescência. Tal não significa que depois destas idades as atitudes não possam mudar, certas experiências vividas ou acontecimentos extraordinários podem conduzir à alteração das atitudes.
As representações sociais são um conjunto de crenças e ideias que são aceites por uma dada sociedade ou grupos sociais. É um saber partilhado, produto das interacções sociais, e que funciona como um regulador do comportamento. São características de uma determinada época, sociedade e cultura. Fazem parte do processo de interacção social, permitindo aos membros de um grupo social comunicarem e compreenderem-se. As novas representações que apreendemos juntam-se às anteriores, que o sujeito já possui, formando um todo que orienta o comportamento.
E são estes processos que interligados nos permitem interagir, ser e estar em sociedade, vivendo com o outro, aprendendo a perceber e a ser compreendido.
Assim, podemos dizer que um factor favorável à nossa felicidade é sem dúvida a relação que estabelecemos com os outros! O nosso bem-estar interior está dependente das relações interpessoais. Nós não vivemos isolados. Vivemos em sociedade! Os processos que descrevi primeiramente explicam a forma como somos afectados envolvendo a maneira de nos relacionarmos com o Mundo à nossa volta. Mas…o que sabemos realmente de relações humanas? Quando falamos com o outro, conseguimos efectivamente entender e compreender o outro? A maneira como reagimos ao que os outros nos fazem ou dizem não vai condicionar o que pensamos e o que sentimos? De facto, depende de nós permitirmos que os outros controlem a nossa mente e a nossa própria vida. Assim, é necessário um trabalho contínuo e diário sobre o que " recebemos" e o que "enviamos" para os outros!


Bibliografia:

• MONTEIRO, Manuela e FERREIRA, Pedro. Ser Humano. 2ª Ed. Vol. 2. Porto Editora, 2006.



Adolescência

A adolescência é uma época da vida humana marcada por profundas transformações fisiológicas, psicológicas, pulsionais, afectivas, intelectuais e sociais vivenciadas num determinado contexto cultural.
Mais do que uma fase, a adolescência é um processo dinâmico de passagem entre a infância e a idade adulta.
Uma das dificuldades do conceito de adolescência advém da delimitação etária deste período, pois existem diferenças entre sexos, etnias, meios geográficos, condições socioeconómicas e culturais.
Além disso, no mesmo meio, encontramos grandes variabilidades de indivíduo para indivíduo: há puberdades muito precoces, outras são muito tardias. Por outro lado, uma mesma pessoa tem diferentes ritmos de maturação.
Se se pode afirmar que a adolescência começa com a puberdade, já não é tão fácil dizer quando termina. Então, é importante revelar que a adolescência se define pela negativa: o adolescente já não é criança e ainda não é adulto.
A puberdade muda o corpo, a mente e os afectos da criança. Os adolescentes entram numa nova fase existencial, banhados por novas pulsões, novas sensibilidades, novas capacidades cognitivas, novas dificuldades nos seus pontos de referência.
A adolescência é um espaço/tempo onde os jovens através de momentos de maturação diversificados fazem um trabalho de reintegração do seu passado e das suas ligações infantis, numa nova unidade. Esta reelaboração deverá dar capacidades para optar por valores, fazer a sua orientação sexual, escolher o caminho profissional, integrar-se socialmente. Este processo de crescimento faz-se também com retrocessos, este crescer faz-se sozinho, com o melhor amigo, com e contra os pais, com os outros adolescentes e com os outros adultos.
A ambivalência da adolescência relaciona-se com as transformações globais que ocorrem no indivíduo e que tornam este nível etário de difícil compreensão: pelos outros e pelos próprios. Coabitam, nesta fase, desejos ambivalentes de crescer e de regredir, de se sentir ainda criança e já adulto, de autonomia e de dependência, de ligação ao passado e de vontade de se projectar no futuro.
Para muitos autores, o mal-estar sentido pelos jovens, na sociedade actual, tem a ver com a indefinição do seu estatuto social.
No entanto, a adolescência não é obrigatoriamente uma fase perturbada, dado que grande parte dos problemas são ultrapassados.
Em suma, a adolescência começa com as transformações pubertárias e termina com a construção de uma autonomia e identidade, de elaboração de projectos de vida e inserção social.
Ao terminar a adolescência, o jovem tem o sentimento de individualidade e compreende o seu papel activo na orientação da sua vida aceitando compromissos: ele cumpriu determinadas tarefas como a afirmação da identidade pessoal, sexual e psicossocial bem como a interiorização de normas sociais e a aquisição de uma autonomia (a maioridade que contribui para datar o fim desta etapa da vida).

- Livro “Psicologia”, Manuela Monteiro e Milice Ribeiro dos Santos, Porto Editora.

Pensa! Age!

“«Pense», sim, mas não divague até outra pessoa pensar, resolver e agir. O homem que tem de ser convencido a agir antes de entrar em actividade não é um homem de acção... tem de agir conforme respira. Proceda como se fosse impossível falhar. Só as suas acções determinam e mostram o seu valor. Se ficar recostado e quieto a ver o mundo passar - o mundo passa mesmo. Não há nenhuma força do destino a planear a vida dos homens. O que nos sucede, de bom ou de mau, é quase sempre o resultado da nossa acção ou da falta dela. A acção é a base de qualquer realização.”

Alfred Montapert, in 'A Suprema Filosofia do Homem'

O conceito de esforço de realização relaciona-se com o empenho que colocamos nas coisas que queremos alcançar, no empenho que conseguimos manter relativamente à prossecução dos nossos desejos e objectivos. Este esforço está intimamente relacionado com o modo como os nossos desejos e propósitos se transformam em acções. Como todos nós sabemos o esforço e o empenho fazem-se com objectivos, motivações, aspirações, vontades e intenções, que são importantes no que somos e no que fazemos. Para tudo isto é preciso valorizar o envolvimento, o estar e o vivenciar, valorizar os passos que damos na procura dos nossos desejos, encontrar maneiras, coisas que nos motivem a agir. É no fundo a motivação, o empenho, a vontade e o desejo que move os indivíduos em direcção a um fim ou objectivo que, a dar sentido à sua acção, faz com que esta tenha significado para ele.
Contudo, a conclusão que podemos tirar deste excerto, é que não devemos esperar que algo nos motive ou que cause desejo, temos que saber procurar, descobrir, sermos nós próprios a tomar consciência do que queremos e seguir em frente, agindo, fazendo com que as nossas acções tenham sentido ou significado para nós e de certa forma para os outros, pois não vivemos isolados. Só assim, é que nos vamos construindo, tornando-nos seres autónomos. Claro que não podemos esquecer dos factores que mencionei, porque por exemplo a motivação, a vontade são factores imponentes na maneira como estabelecemos objectivos, como agimos numa determinada direcção pois é esta vontade, esta força que nos leva a agir.

Individuação


“Realizarmo-nos na nossa singularidade, enfrentarmos os medos e descobrirmos o que para nós é verdadeiro e essencial, exige um maior grau de consciência e a aceitação da responsabilidade como condição da existência.” Cláudia Freitas
Podemos definir individuação pelo processo de singularidade e autonomia que nos individualiza de todos os outros, o que nos torna únicos e irrepetíveis. Este processo permite a cada ser humano escapar à padronização da hereditariedade específica, ou seja, de todas as características comuns da espécie humana.
Contudo, a individuação não depende apenas das definições do património genético, mas também da nossa história social, isto é, das experiências pessoais vividas.
A individuação resulta do culminar entre a interacção da hereditariedade individual (conjunto de características herdadas por um individuo que o distingue de todos os membros que integram na sua espécie humana), com a socialização que ocorre em toda a vida (o meio, e o grupo social incute neste determinados valores, influencia-o a determinadas atitudes e comportamentos que de certa forma o tornam diferentes de todos os outros, no entanto cada individuo interpreta aquilo que aprende e interpreta esses valores de forma diferente, pois tudo o que nós interpretamos da realidade têm um significado para nós).
As pessoas distinguem-se pela estrutura das suas aptidões mentais porque, entre outros factores, os seus cérebros têm formas diferentes. Até mesmo a forma como sorrimos é diferente, uns acham piada a umas coisas, outros a outras, até a intensidade do sorriso variam consoante as pessoas e as situações. SOMOS SERES ÚNICOS. O processo de individuação contribui para a evolução humana, porque uma vez que existe variabilidade individual, existe um maior leque de possibilidades de surgirem ideias que mudem o presente, uma vez que várias cabeças pensam melhor que uma.



Bibliografia:
MONTEIRO, Manuela Matos, FERREIRA, P. T. (2007), Ser Humano, Psicologia B, Porto Editora.

Somos seres inacabados


O processo de desenvolvimento do cérebro é um processo que se desenvolve de uma forma lenta. Ao nascer o ser humano apresenta um cérebro imaturo, inacabado, isto apesar de parecer uma desvantagem torna-se numa capacidade, pois possibilita-o para a aprendizagem e torna-o tão complexo. O ser humano é um ser prematuro, no sentido em que não apresenta as suas capacidades, competências desenvolvidas, e isto explica o porquê de precisarmos dos outros durante tanto tempo, pois o período da infância é muito longo. Este inacabamento biológico designa-se por neotenia, atraso no desenvolvimento que faz com que o indivíduo se desenvolva mais devagar; a nossa prematuridade explica a ausência de uma programação biológica tão rígida como a que existe noutros animais. Inacabado, biologicamente desamparado, prematuro, está aberto a múltiplas potencialidades. A nossa natureza biológica torna mais flexível o processo de adaptação ao meio e o nosso estatuto só é atingido através da aprendizagem. Há uma grande diferença entre os seres vivos totalmente programados e outros animais que são parcialmente programados. No ser humano, essa programação é a menos significativa, por comparação com os outros seres vivos – o programa genético é aberto e é essa diferença que nos distingue como seres humanos. Os animais apresentam esquemas de comportamento especializados que os dotam de capacidades altamente eficazes de adaptação do meio, contudo estas especializações determinam limitações, uma vez que funcionam apenas nos nichos ecológicos onde os animais estão inseridos. Para além destas funções para que estão programados, estas capacidades de pouco servem quando as circunstâncias se alterem.
A nossa “imperfeição”, o nosso inacabamento permitem que nos adaptemos às mudanças, às situações imprevistas. Compensam as nossas limitações anatómicas com a invenção de soluções dando-nos a possibilidade de adaptação a circunstâncias novas e, por isso, desafiadoras.






Bibliografia:
http://inwikistorias.wikispaces.com/Paulo+Freire
http://www.autenticaeditora.com.br/noticias/item/64
MONTEIRO, Manuela Matos, FERREIRA, P. T. (2007), Ser Humano, Psicologia B, Porto Editora.

Precisamos mesmo dos outros

Desde que nasce até que morre, o ser humano vive integrado no meio social, aliás só sobrevive, porque vive em interacção com os outros num mundo construído, modificado, que dá respostas às suas necessidades. Precisamos dos outros para o nosso bem-estar físico e psicológico, somos decididamente dependentes, precisamos que gostem de nós, precisamos da sua aprovação, precisamos de sermos aceites pelos grupos. A presença dos outros, a sua influência é uma constante no nosso pensamento e no nosso comportamento.
As relações precoces, relacionadas com o conceito de vinculação, têm um papel fundamental na construção das relações com os outros e na construção do eu psicológico. Como sabemos, o ser humano quando nasce é um ser imaturo, e esta imaturidade torna-o dependente, durante muito tempo, dos adultos. Esta imaturidade e as necessidades daí decorrentes implicam um tipo de relações que o distingue do dos outros animais. As relações precoces que são estabelecidas logo após o nascimento são muito importantes no desenvolvimento físico e mental do bebe, por isso o tipo e a qualidades das relações precoces vão influenciar o desenvolvimento do seu futuro. Como já falaram colegas minhas aqui neste blog, o recém-nascido apresenta um conjunto de competências comunicáveis (indispensáveis à sua sobrevivência) que estimulam aqueles que o rodeiam a satisfazerem as suas necessidades. O choro, o sorriso, as expressões faciais são exemplos de estratégias utilizados pelo bebe para obter os cuidados necessários à sua sobrevivência e ao seu bem-estar. Estabelece-se entre o bebé e aqueles que dele cuidam um processo designado por regulação mútua, que consiste na capacidade de comunicar os estados emocionais e responder de forma adequada. Uma das constatações que se tem feito é que o bebé não é um ser passivo que se limita a receber os cuidados dos adultos; o bebe é um ser activo que emite sinais daquilo que pretende, que responde, com agrado ou desagrado, ao tratamento disponibilizado. As estratégias usados pelo bebé servem para seduzir os progenitores e não só, impedindo que o abandonem. Uma interacção equilibrada exige que a mãe interprete e responda de forma apropriada aos sinais emitidos pelo bebe: se o bebé obtém os cuidados, a atenção que precisa ele reagirá com alegria, satisfação; se após várias tentativas de atrair a mãe, não conseguir, ele reagirá com frustração e ansiedade. A sensibilidade e a disponibilidade da mãe face às necessidades do bebé e o prazer mútuo nas interacções que se estabelecem proporcionam um sentimento interno de segurança que é gerador de confiança e que permite que o bebé veja o mundo de forma positiva. Se, pelo contrário, a mãe não responde às necessidades do seu filho de forma continuada, desencadeiam-se sentimentos de ansiedade que têm consequências negativas no desenvolvimento psíquico do bebé. As relações que o bebe estabelece com o mundo que o rodeia, designadamente com os progenitores, asseguram-lhe as condições para a sua sobrevivência e desenvolvimento. A vinculação é uma necessidade inata, biológica, é a necessidade de criar e manter relações de proximidade e de afectividade com os outros, de o bebé se apegar às outras pessoas para assegurar protecção e segurança (implica uma dependência face aos outros e garante a sua autonomia e sobrevivência). As primeiras fases de vida são decisivas ao desenvolvimento do bebé. Existem várias teorias que tentam explicar o processo de vinculação, já agora existe um livro sobre a Vinculação - Conceitos e Aplicações (Nicole Guedeney e Antoine Guedeney) que fala sobre a teoria da vinculação, elaborada por Bowlby e seus sucessores - apresenta uma compreensão nova da génese do laço fundamental que faz com que um bebé se vincule aos que o criam. O motor essencial desta construção é a satisfação da necessidade inata do bebé de proximidade (em relação às figuras que é suposto protegê-lo) e o sentimento de segurança procurado com essa proximidade.





Bibliografia:
MONTEIRO, Manuela Matos, FERREIRA, P. T. (2007), Ser Humano, Psicologia B, Porto Editora.
https://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/3696
http://nosnacomunicacao.com.sapo.pt/relacoesafectivasnavinculacao.htm
http://www.portalcursos.com/habilidadessociais/curso/Lecc-4.htm

Crianças Selvagens


Maria Isabel Quaresma dos Santos é o único caso português no campo das Crianças Selvagens. Nasceu a 6 de Julho de 1970 no distrito de Coimbra, na vila de Tábua. A sua mãe, Idalina Quaresma dos Santos, denotava alguma debilidade mental. A criança vivia com a mãe no Lugar Da Vacaria, uma pequena aldeia onde a pecuária e a agricultura constituem as principais actividades económicas. A pequena Isabel habitava um galinheiro onde supostamente a mãe a terá colocado apenas algum tempo após o seu nascimento. Foi aí que viveu durante oito anos da sua infância, tendo como única companhia as galinhas, durante o tempo em que a mãe trabalhava no campo. Alimentava-a de milho, couves cortadas e uma caneca de café.
A sua existência foi revelada ao público por um grupo de jornalistas que andavam a investigar o caso, em 1980. Quando a pequena Isabel foi encontrada, esta possuía algumas características físicas muito específicas. Entre elas, podemos destacar:
· Subdesenvolvimento ósseo;
· Grande debilidade;
· Cabeça demasiado pequena para a idade;
· Face com semelhanças flagrantes com os galináceos (perfil, posição labial, dentição formada como se fosse um bico);
· Olhos grandes (rasgados no sentido descendente);
· Posição dos braços muito idêntica às asas das galinhas;
· Calos nas palmas das mãos.
· Uma catarata no olho direito, certamente originada por uma picada de galinha.
Já a nível comportamental, Isabel demonstrava características semelhantes às das suas companheiras durante anos da sua infância:
· Atitudes extremamente agressivas, com tendência para destruir tudo o que estivesse ao seu alcance;
· O seu comportamento mais usual era mexer os braços como se fossem asas de galinha e guinchar;
· Comia os seus próprios cabelos;
· Defecava em qualquer parte e ingeria as próprias fezes.
Isabel acabou por ser internada no Colégio Ocupacional Luís Rodrigues, em Lisboa, que entretanto foi fechado pela Segurança Social. Actualmente encontra-se na Casa do Bom Samaritano e de acordo com uma notícia publicada pelo “Diário de Notícias” em 1998, Isabel não crescera muito, já conseguia andar sem ajuda em superfícies que não fossem demasiado irregulares, tinha muito mais controlo sobre as suas emoções e tinha já desenvolvido mais competências a nível social, conseguindo estar em grupo. Conseguiu ainda aprender a interpretar expressões faciais emocionais de outras pessoas, conseguindo ela própria produzir algumas. Comunica apenas com algumas palavras, respondendo a algumas frases simples. Nunca conseguiu recuperar totalmente do dano que lhe tinha sido feito.
O caso de Isabel e de muitas outras crianças selvagens (como Victor de Aveyron) fazem-nos duvidar da nossa condição humana. De facto, é difícil reconhecer a humanidade destas crianças, apesar de elas terem sido geneticamente determinadas a nascer com algumas características que são comuns a todos os indivíduos da espécie humana (olhos, boca, nariz, orelhas, etc.). Isto é a prova de que o ser humano é um ser prematuro (não nasce completamente formado), possui um programa genético aberto. Através destes casos, podemos realçar a importância das vinculações precoces e da socialização primária: é através do contacto com outros seres humanos que eu aprendo a ser humano.
Os modos como estas crianças se relacionam com os outros e com o mundo provoca em nós uma estranheza imensa. Apesar de, biologicamente, serem humanas, é-nos difícil relacionar a nossa experiência com a delas, compreender a forma como sentem, pensam e agem. Assim como nós não nos reconhecemos nelas, elas também não se reconhecem em nós. As suas capacidades, as suas características muito próprias, as marcas (sejam elas físicas ou mentais) provam-nos o quanto dependemos dos outros, do contacto físico e sociocultural com eles, para nos tornarmos os seres humanos que somos.

MONTEIRO, Manuela Matos, FERREIRA, P. T. (2007), Ser Humano, Psicologia B, Porto Editora.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Crian%C3%A7a_selvagem
http://www.feralchildren.com/en/showchild.php?ch=isabelq

domingo, 27 de abril de 2008

Alzheimer

Certamente já ouviste falar de uma ou outra pessoa conhecida que seja vítima da doença de Alzheimer… Ou então, quando alguém se esquece de algo, comenta-se em tom jocoso: “Deves estar a ficar com Alzheimer!!!”. Mas o que é ao certo? Até que ponto pode condicionar a nossa qualidade de vida?

Descoberta em 1909 por Alois Alzheimer (um neuropatologista alemão), esta é uma doença degenerativa e irreversível do cérebro, que se caracteriza pela perda gradual das capacidades cognitivas superiores dos indivíduos, manifestando-se, sobretudo, a nível da memória. Visto em necrópsia (procedimento médico que consiste em examinar um cadáver para determinar a causa e modo de morte), o cérebro de um doente de Alzheimer apresenta uma atrofia generalizada, com perda neuronal específica em certas áreas do hipocampo (estrutura localizada nos lobos temporais do cérebro humano, considerada a principal sede da memória) mas também em regiões parieto-occipitais (que se localiza na parte posterior da nossa cabeça, mais conhecida por proteger o cerebelo) e frontais.

Estes défices amnésicos agravam-se com a progressão da doença e são posteriormente acompanhados por défices visuo-espaciais e de linguagem. O início da doença pode muitas vezes dar-se com simples alterações de personalidade, que nada deixam a suspeitar da gravidade da situação.
Numa primeira fase, a perda de memória causa às suas vítimas um grande desconforto. Porém, numa fase já mais adiantada do problema, estes pacientes não se conseguem aperceber da sua doença, por falha da auto-crítica. Deste modo, podemos concluir que não se trata apenas de uma simples falha na memória, mas sim de uma progressiva incapacidade para o trabalho e convívio social, devido a dificuldades para reconhecer pessoas que lhe são próximas e até mesmo objectos. Um paciente com esta doença repete as mesmas perguntas inúmeras vezes, mostrando a sua incapacidade de fixar algo novo. Palavras são esquecidas, frases são trocadas, muitas permanecendo sem finalização.
Como já acima referi, não existe cura efectiva para esta doença. O tratamento existente tem como objectivo confortar o paciente e retardar o máximo possível a evolução da mesma. São dadas medicações que inibem a enzima responsável pela degradação da acetilcolina (que é um neurotransmissor) produzida e libertada por um núcleo na base do cérebro. A deficiência de acetilcolina é considerada como um epifenómeno (ou seja, como algo que deriva da sua causa primária) da doença de Alzheimer.
Em Portugal, são 60 mil as vítimas de Alzheimer. Se conheces alguém, sobretudo com mais de sessenta anos, que apresenta características tais como perda de memória, dificuldade em executar tarefas domésticas, problemas de linguagem, perda de tempo e desorientação, alterações de humor, comportamento e personalidade, perda de iniciativa e problemas relacionados com o pensamento abstracto, leva-a imediatamente a um médico para que seja sujeita a um exame completo. Uma vez que o único tratamento existente visa a retardação da doença, um doente de Alzheimer não tem tempo a perder!

Fontes:

http://www.medicosdeportugal.pt/action/2/cnt_id/349/

http://blog.uncovering.org/archives/2007/09/doenca_alzheimer.html

http://www.alzheimer.med.br/

http://www.alzheimerportugal.org/clientSite/

Razão e Emoção

Algures numa das imensas aulas da disciplina que deu origem a este blog, foi abordado um tema interessantíssimo dado pelo nome de marcador somático.
Durante bastante tempo, e ainda muito antes da existência de António Damásio, permaneceu a ideia de que uma boa tomada de decisão, teria que ser feita apenas e só com base na razão, deixando por consequência a parte emocional de fora, com a explicação de que a parte emocional iria prejudicar na hora de tomar a melhor opção.
Até que surge este senhor, António Damásio, que expõe uma ideia contrária relativamente à importância das emoções nas tomadas de decisão, remetendo-nos para o conceito de marcador somático.
Segundo Damásio, as emoções funcionam como um mecanismo automático que orienta sempre as nossas tomadas de decisão, mesmo aquelas que à partida nos parecem ser mais simples.
Afirmou que se fosse apenas a razão que comandasse as tomadas de decisão, a análise a que o nosso cérebro teria que proceder para conseguir fazer uma avaliação rigorosa às mais variadas possibilidades e às respectivas consequências iria ser muito difícil, levando a que fosse desperdiçado imenso tempo, e, por vezes, a escolha da opção deixaria de nos ser oportuna (na avaliação de um dia irmos à escola ou não, passaria uma semana e nós ainda estaríamos em casa a fazer os cálculos às vantagens e desvantagens de todas as opções possíveis).
A utilização da emoção no processo de decisão é vantajosa porque essa análise da situação torna-se muito mais simples e rápida.
E o que é que torna este processo mais rápido?
É um processo mais rápido devido ao facto de todas as nossas decisões estarem associadas a experiências vividas anteriormente no nosso passado, e que, o nosso cérebro utiliza no presente quando nos deparamos com situações semelhantes, diminuindo drasticamente o leque de opções, e eliminando assim todo aquele processo de análise a todas as possibilidades.

domingo, 20 de abril de 2008

Bibliografias...

Atenção à bibliografia, fontes de inspiração e outras...as referências bibliográficas são mesmo importantes, OBRIGATÓRIAS e só vos ficam bem. Guardem esta mensagem na memória a logo prazo. Podem enviar a bibliografia de que se esqueceram sob a forma de comentário aos vossos artigos já publicados. Continuação de um excelente fim de fim-de- semana. Animem-se! Apesar de amanhã terem teste de Psicologia, a semana só tem quatro dias...a chuva não dura sempre e o sol não tarda.

As emoções...outra vez

Todos os dias estamos sujeitos a desenvolver uma infinidade de emoções diferentes, conforme os acontecimentos e situações que vivemos.
Todas as emoções vêm acompanhadas por reacções fisiológicas, ou seja, o nosso corpo reage conforme as nossas emoções. Por isso, quando temos medo, quando estamos nervosos ou nos encontramos perante outras emoções há um aumento de adrenalina que faz com que o nosso coração dispare e o corpo entre em estado de alerta!
Choramos quando estamos tristes, sorrimos quando estamos felizes, coramos com vergonha, suamos, trememos, alteramos o tom de voz…bem, são inúmeras as formas como manifestamos aquilo que sentimos. E por esse mesmo motivo, as emoções têm um importante papel ao nível comunicacional. Vejamos o caso dos bebés, por serem seres de carácter prematuro, necessitam dos cuidados dos adultos e por isso ficam sujeitos a uma única forma de verem satisfeitas as suas necessidades, ou seja, através das manifestações emocionais (choro, riso e expressões faciais).
As emoções são uma forma de interagirmos com a sociedade, acontece muitas vezes sentirmo-nos contagiados pela emoção de outra pessoa o que nos leva a querer experimentar aquilo que ela está a sentir, por exemplo, ver rir pode fazer outras pessoas sentirem-se felizes.
Pelo despertar constante de variadas emoções é difícil imaginar a vida sem elas, uma vez que, na minha opinião, somos seres que vivem para as emoções, de modo a sentirmo-nos felizes e repletos de bem-estar.

Como, quando e porquê aprendemos?


Podemos definir aprendizagem como uma modificação relativamente estável do comportamento ou do conhecimento, que resulta do exercício, experiência, treino ou estudo. É, portanto, um processo que se manifesta em comportamentos. Mas mais que definir aprendizagem é importante que saibamos os factores que nos levam a aprender, quando o fazemos e o motivo pelo qual nos dispomos para tal.
Ora bem, existem vários processos de aprendizagem mas, na minha opinião, seria abusivo da minha parte estar a descrevê-los já que, para o senso comum isso chega a ser irrelevante e, por conseguinte não os descreverei.
Como é perceptível para todos nós, senso comum ou não, existem factores que nos ajudam a perceber como aprendemos e como exemplos desses factores temos a organização, o que quer dizer que se planearmos e organizarmos o nosso trabalho isso desenvolverá a nossa autonomia e ajudar a aprender; a motivação com que aprendemos, já que se aprende melhor e mais depressa se se estiver interessado por esse assunto ou tema; a quantidade de informação porque quando a informação é bastante vasta vemo-nos obrigados a seleccionar o mais importante uma vez que é-nos mais complicado integrar grandes quantidades de informação.
É importante referir que a aprendizagem é condicionada pelo nosso processo pessoal, pelo nosso “eu” e isto explica que a mesma informação tenha significados diferentes para pessoas diferentes.
Aprendemos porque somos seres biologicamente sociais e que, no decurso do nosso processo de socialização somos bombardeados com informações que temos que aprender; aprender a andar, aprender a escrever, aprender a aceitar a diferença, aprender…
Espero que depois de lerem esta pequena reflexão sobre a aprendizagem fiquem todos pessoas mais interessadas em aprender.

O teu caminho já está traçado ?

Estava eu a ver um jornal e eis que a páginas tantas me deparo com uma expressão que por vários motivos me deixou a pensar – “o seu caminho já estava traçado”. Fiquei ponderando em tal afirmação, questionando-a; no fundo, pensando se seria ou não verdade construir uma opinião relativamente a tal assunto.
E, na minha opinião, todos nós temos as nossas estradas traçadas, mas somos nós quem as escolhemos; ou seja, cada indivíduo como ser humano livre e responsável que é, tem a possibilidade de construir o seu próprio destino.
Provavelmente agora questionam-se: “Como pode ser possível se já está tudo traçado?” Sim, como referi anteriormente, acredito que está tudo traçado, mas penso que todos temos sempre o direito e dever de colocar o último «ponto» no nosso destino. Por exemplo, imagina que vais perdido(a) numa estrada, e deparas-te com uma encruzilhada, tu só podes seguir um desses caminho e, com essa escolha, estás a construir o teu próprio destino; a consequência dessa opção pode ser boa ou má, mas qualquer que seja, tens que a levar até ao final do teu percurso, tal como na tua vida, quando te surgem alguns problemas ou te deparas com algumas situações em que tens várias possibilidades de escolha, és tu quem decides e acarretas as consequências dessa decisão.
Com as reacções/consequências da nossa escolha ou do nosso acto, surge o determinismo, já que todos temos sempre possibilidade de escolha, mas a reacção das opções anteriores vai estar sempre presente no momento de ponderação/decisão das escolhas seguintes. Logo, todos os acontecimentos passados que de alguma forma nos tenham marcado, vão constar sempre de forma explícita ou implícita nas decisões seguintes.
É frequente ouvirem-se expressões como “o meu destino é mesmo esse sofrer” - será então que esta afirmação está relacionada com o determinismo? Sim, esta afirmação está relacionada com o determinismo, mas as pessoas não devem pensar assim, até porque não há fatalismos, mas sim desafios, superação de obstáculos e de sofrimentos. E é nesta altura que está presente o livre arbítrio, aquando da tentativa de superação de desafios como, por exemplo, uma pessoa que nasce com dificuldades no campo de visão em muitos momentos da sua vida irá fazer desse desafio uma fonte de sofrimento. No entanto, irão haver outros momentos em que obtém forças para continuar e, assim, esse pensamento reverte-se para um pensamento mais positivo – “eu possuo uma necessidade especial, mas tenho todas as oportunidades para continuar e vencer”.
Em suma, todos nós temos possibilidade de escolha como seres livres e responsáveis que somos; através da nossa opção reverte uma consequência, consequência esta que irá estar sempre presente nas escolhas seguintes, conduzindo-nos por vezes a pensamentos errados ou, por outro lado, à superação dos “problemas”. Estes conjuntos de acções e reacções levam à construção do nosso destino/ das nossas estradas, demonstrando que, mesmo que algo nos esteja predestinado, a nossa acção mudará, nem que seja por breves instantes, o decorrer da nossa vida.

Sentimentos e Emoções

Os processos emocionais são diferentes dos processos cognitivos, mas estão interligados. Por isso, a nossa relação com o mundo não é só cognitiva é também emocional. Quando abordamos os processos emocionais surge o conceito de afecto, que é expresso através das emoções e os sentimentos. Por vezes confunde-se sentimentos com emoções, mas de certa forma são bem diferentes. Os sentimentos são duradouros e fáceis de esconder. Já as emoções espontâneas e têm uma parte corporal (mãos suadas, agitação, choro, riso, melancolia…). As emoções são necessárias para comunicar, para nos adaptarmos com sucesso a nossa sociedade e assim conseguir sobreviver. Há uma ligação com as relações precoces (relação – mãe/filho), em que o filho tem expressões corporais para garantir a sua sobrevivência. Também beneficiamos das emoções para reconhecer se uma emoção é má ou não, por associação, ou seja, se sentimos frio, isso é para nós uma emoção má. Ao contrário dos sentimentos, as emoções são muito difíceis de esconder, pois são corporais e espontâneas. Mas por vezes os sentimentos tomam conta das emoções, daí por vezes, a confusão destes dois conceitos.
Damásio estabeleceu uma relação entre a racionalidade e as emoções. Por isso as emoções não conseguem ser reproduzidas por uma máquina, pois esta não tem a competência de racionalidade. A emoção juntamente com a razão ajuda-nos a tomar a melhor decisão. Por vezes, há certas coisas que não nos apetece ou não queremos fazer, e não sabemos porque, é aqui que a razão esta ligada a emoção. É graças a esta conexão, destes dois conceitos que conseguimos resolver problemas, comunicar com os outros, adaptar-nos com sucesso e sobreviver na nossa sociedade. O ser humano possui memória emocional: sítios, pessoas, situações. E estas emoções estão localizadas no tempo, têm duração limitada e também têm intensidade diferente.
Por estas razões que supra citei, as emoções e os sentimentos são muitas vezes confundidos.


Bibliografia
Monteiro, Manuela e Pedro Tavares, Ser humano, Psicologia B, Porto Editora, 2ª parte

Memento. Um novo olhar sobre a vida

“Memento” é sem dúvida o filme mais confuso que vi até hoje.
História de um homem em perda — das suas recordações, da sua identidade coloca-nos a nós espectadores nessa experiência de "desertificação" de referências. Estamos condenados, como o protagonista, a rebobinar obsessivamente o filme da nossa memória. Sabemos o que aconteceu e não o que vai acontecer. Começa na última parte e vai retrocedendo até à primeira, o que é um desafio à atenção do espectador e, graças à excelente montagem, o resultado é empolgante e eficaz, além de ser muitíssimo original! E depois há a reviravolta final, completamente imprevisível, deixou-me de boca aberta e ainda mais confusa.
“Memento” torna-se, nesse sentido, num dos trabalhos mais estimulantes sobre a capacidade e o significado da memória de um ser humano e da rotina desse pensamento.
Com a visualização deste filme pude dar-me conta do quão importante é a nossa memória, o quão importante é lembrar-me do que fiz ontem ou o que disse à vinte minutos atrás. Este filme transportou-me para outra realidade, uma realidade marcada pela confusão e igualmente por um sentimento intenso de frustração. Apercebi-me que, a memória assume um papel de grande importância no meu dia-a-dia que até agora não me tinha dado conta. Não podemos viver de uma forma organizada se não tivermos o suporte essencial, a nossa memória.

Emoções


A emoção está relacionada com uma espécie de “agitação” ou perturbação que se refere a um sentimento e a pensamentos distintos, estados psicológicos e biológicos e uma tendência para agir.
As emoções podem estimular um determinado pensamento e este, por sua vez, pode provocar uma determinada emoção. Este mecanismo explica o funcionamento combinado e inseparável entre a razão e as emoções.
São as nossas emoções que nos orientam diante dum impasse, e, quando estamos diante de uma decisão muito importante, é deixada a sua solução inteiramente ao cargo da parte racional. Em situações de perigo, na experiência da dor causada por uma perda, na ligação com um companheiro, na formação de uma família, constituem diferentes tipos de emoção que vivenciamos e que nos predispõe para uma acção imediata, cada uma sinaliza para uma direcção que, nos recorrentes desafios enfrentados pelo ser humano ao longo da vida, provou ser a mais acertada.
Todas as emoções são em síntese, impulsos legados pela evolução, para uma acção imediata, para planeamentos instantâneos que visam lidar com o dia-a-dia. Essa relação entre emoção e acção imediata é visível por exemplo na observação de animais e crianças, ao contrário dos adultos onde detectamos a força do pensamento racional, sobrepondo-se às emoções.
As emoções podem dividir-se em forma de atitudes que as distinguem: raiva, medo, amor, felicidade, tristeza (….).
Podemos então dizer que as emoções estão relacionadas com valores, ideias, princípios, experiências vividas. Reflectem significados e sentidos que atribuímos às pessoas, objectos acontecimentos.
As emoções têm um valor adaptativo, porque são sinalizadoras de determinados estados. O código de comunicação que as constitui pode ser menos preciso que o código linguístico, mas a comunicação é mais rápida e poderosa.

A importância da memória

A memória é um processo cognitivo que consiste na retenção e na evocação das informações, conhecimentos, acontecimentos, expectativas, conceitos, ideias, sentimentos… a memória é essencial para a nossa sobrevivência, sendo condição da adaptação ao meio e para aquisição de novas aprendizagens. É a memória que assegura a nossa identidade pessoal. Se perdêssemos a memória deixaríamos de ser aquilo que somos, aquilo que somos, que fomos e que seremos depende em grande parte da memória. É este património individual que nos torna únicos e nos assegura a nossa identidade pessoal. É a memória que nos permite representar o mundo.
O filme “Memento” pode confirmar a importância que a memória tem na nossa vida. Memento conta-nos a história de Leonard, que sofre de amnésia anterógrada (este tipo de memória segue-se de um trauma cerebral e é caracteriza-se pela incapacidade de lembrar novas informações, lembranças de experiências recentes desaparecem, mas a pessoa consegue recordar com clareza os eventos anteriores ao trauma) devido a uma pancada que levou na cabeça do criminoso que violou e matou a sua esposa. Este procura o assassino que arruinou a sua vida, para fazer justiça com as próprias mãos. Como não consegue lembrar de nada por mais de alguns minutos, pois este não tem qualquer tipo de memória recente, ou seja, qualquer coisa que faça, qualquer pessoa que conheça é imediatamente esquecida, Leonard faz anotações de tudo o que vê, ouve e até das coisas mais rotineiras, como fazer a barba. A sua memória é registada em fotos Polaroid e as mais cruciais são tatuadas em seu corpo, muitas vezes por ele mesmo. Durante esta desesperada busca, ele conhece o ambíguo Teddy, que diz ser policia, e a Natalie que promete ajudá-lo, porém, dá indicações que o está somente a usar para o seu próprio interesse.
Na mão esquerda de Leonard há uma tatuagem que diz "lembrar de Sammy Jankis". Sammy também sofre de amnésia anterógrada depois de um acidente. Mas na verdade, a história de Sammy é a história de Leonard, as memorias que este retém do passado, foram manipuladas por ele, criando uma realidade completamente oposta em relação ao que realmente aconteceu do passado. Isto acontece porque, a nossa memória não é uma reprodução fiel do passado, uma vez que, as recordações estão marcadas pela experiência, pelas emoções, pelos afectos, pelas representações sóciais. A memória reconstrói os dados que recebe ao longo do tempo dando relevo a uns, distorcendo ou omitindo outros. Há como que uma idealização do passado.
Neste filme o ritmo rápido das cenas em preto e branco (passado) e a cor (presente) até à junção final do preto e branco com a cor, torna "Memento" ainda mais intrigante e obriga-nos a exercitar a nossa memória. Mostram o passado de Leonard antes do incidente e também são peças essenciais para a montagem deste filme "quebra-cabeças". "Memento" exige concentração. Este filme mostra o quanto a memória é essencial à nossa sobrevivência, sem memória é impossível viver.

Bibliografia:
Livro de Psicologia de 12ºAno “Ser Humano”
Imagem: http://images.google.pt/images?hl=pt-PT&q=filme+memento&gbv=2

Amor ou ilusão?

“Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?”
Fernando Pessoa


Muitas pessoas nascem, crescem e morrem sem saberem o que é o amor…vivem na ilusão. Por isso, é que certas pessoas acham que essa simples palavra é tão fácil de sentir, quanto é de ser dita. Seria realmente uma ilusão o que não tem dificuldades, mesmo nas coisas mais maravilhosas da vida? Pois há paciência, não há orgulho, mas há alegria de se estar junto, mesmo nos momentos mais complicados.
“O amor é mais do que três palavras murmuradas antes de chegar a altura de ir para a cama. O amor alimenta-se de gestos da devoção que pomos nas coisas que fazemos pelo outro, todos os dias.” O amor não é algo palpável, para que se possa possuir. O amor é algo que se vive. Não é possível ter alguém, é possível sim, partilhar uma existência em comum.
Se me perguntassem o que é o amor para mim, não saberia responder, não saberia explicar. Por ser um sentimento tão complicados de definir, por isso, é que principalmente as mulheres têm necessidade de ouvir constantemente dizer que a amam, mas se este é tão difícil de saber o que é, imagine o quanto será difícil de o exprimir.
Define-se o amor como um sentimento pois, normalmente, pode durar por toda a vida, contudo o que está por detrás do amor e da sua vivacidade, é a emoção. Mas infelizmente esta é que não está duramente ligada ao amor e, quando esta acaba a relação não tem a base, o suporte que mantém a chama do amor viva.
Todos carecem de amor e querem reconhecer esse sentimento em si e nos outros, não importando idade ou sexo. O amor é vital para as nossas vidas como o ar que respiramos, e é notoriamente reconhecido que sem este o homem não sobrevive, pois o amor equilibra e traz a paz de espírito quando necessário. No entanto, se o amor é o sentimento que faz de nós um ser tão especial porque é que vivemos numa sociedade cada vez mais egoísta e egocêntrica, uma sociedade voltada para os seus próprios interesses e em que cada um de nós lamenta os grandes males do mundo de braços cruzados.

Fontes:
. MONTEIRO, Manuela Matos; FERREIRA, Pedro Tavares; “SER HUMANO”, 2º parte
. SPARKS, NICHOLAS; “ALQUIMIA DO AMOR”

Emoções à lupa

Sendo a emoção um tema tão complexo, foi analisado segundo várias perspectivas, sendo que os vários autores destas tentaram responder a várias perguntas, tais como: existem emoções universais? Terão as emoções um carácter positivo ou negativo? Serão controláveis?

Nesse sentido surgiram diferentes abordagens a esta questão, das quais estudamos quatro:
- a perspectiva evolutiva: segundo a qual Darwin afirmou que, além de existirem emoções universais, estas teriam uma relação com a evolução das espécies – sendo algumas delas universais, e manifestando-se de forma relativamente regular, seria mais fácil para os seres humanos reconhecerem os “sinais” ligados a determinadas emoções, preparando-se para as enfrentar. Por exemplo, se um ser humano reconhecesse os indícios de uma expressão de fúria noutro, poderia preparar-se para se defender ou para fugir, o que evitaria, provavelmente, a sua morte. Assim, Darwin concluiu que as emoções teriam, no contexto da espécie humana, um papel adaptativo fundamental, possibilitando a nossa sobrevivência.
- a perspectiva fisiológica: na qual William James defende que são as alterações fisiológicas que geram as emoções, e não o contrário como normalmente percepcionamos. A emoção seria, dessa forma, a consciência das modificações fisiológicas associadas a determinado acontecimento.
- a perspectiva cognitivista: que defende uma ligação entre os nossos conhecimentos e as nossas emoções. Estas não consistiriam na reacção a um determinado acontecimento, mas na reacção à percepção pessoal do mesmo, o que justifica que pessoas diferentes reajam ao mesmo acontecimento de forma diferente.
- a perspectiva culturalista: cuja essência reside no facto de as emoções serem comportamentos aprendidos no processo de socialização, e de, consequentemente, não existirem emoções universais. Sendo estas derivadas do processo de socialização, variariam no espaço e no tempo.

Analisando-as, conseguimos encontrar várias críticas, no entanto, pessoalmente, parece-me que todas se encaixam na perfeição, pois, apesar de não fazerem sentido separadas, juntas formam um conjunto com maior sentido: a perspectiva evolutiva e a culturalista, juntas, formariam uma perspectiva mais adequada já que algumas das nossas emoções são inatas como a primeira afirma, mas as restantes são aprendidas no contexto em que nos inserimos, o que está de acordo com a segunda. Relativamente à perspectiva fisiológica, esta tem também alguma lógica, mas não relativamente a todas as emoções. O medo, por exemplo, como é referido no livro de psicologia, não se enquadraria muito bem nesta perspectiva. É extremamente difícil para nós imaginarmos que só depois de começarmos a correr é que sentimos medo. Outras, como a tristeza ou a alegria por exemplo, já se enquadram melhor nesta perspectiva. Por último, a perspectiva cognitivista, parece-me ser a melhor de todas, porque explica a subjectividade das nossas emoções, e esta seria, na minha opinião, a única que não deveria ser alterada.
Concluíndo, penso que o melhor seria mesmo uma associação entre estas visões do mundo…
No entanto, gostaria também que publicassem as vossas opiniões relativamente a este assunto: quais são as perspectivas com as quais concordam? E as que discordam? Também acham que o melhor seria uma associação entre elas?


Bibliografia:
MONTEIRO, Manuela matos e OUTROS, Ser Humano – 12ºano Psicologia B, Porto Editora, 2007.

Marcador Somático


São as áreas pré-frontais do nosso cérebro que se encontram relacionadas com as emoções. Com efeito, as experiências emocionais que cada individuo vivência ficam então, como que, “marcadas” nesta zona cerebral. A isto, António Damásio denomina de marcador somático.
Assim, numa dada tomada de decisão, decorre uma ligação entre o estado corporal e o tipo de situação presenciada. Dava-se, então, uma orientação do comportamento, das opções, devido ao facto de as manifestações corporais se associarem à situação vivida simulando as consequências esperadas.
Serve, deste modo, o marcador somático para restringir/diminuir as opções possíveis, visto fazer uma análise lógica e de custo-beneficio.
Se “não existisse” marcador somático, as opções misturar-se-iam com as opções e o raciocínio demoraria uma infinidade de tempo a analisar estes pares opções/consequências. Mecanismo automático facilitador do quotidiano, o marcador somático suporta as nossas decisões.

Bibliografia:
- Manual 12ºano Psicolgia B – Ser Humano 2ª Parte
-http://marcadorsomatico.blogspot.com/2007/06/incio.html

Impressões

“Preocupe-se mais com sua consciência do que com a sua reputação. Porque a sua consciência é o que você é, e a sua reputação é o que os outros pensam de você. E o que os outros pensam, ê problema deles!”
Autor desconhecido
Provavelmente, muitos são os indivíduos que lêem esta citação e concordam com o seu autor. Em épocas passadas, também eu o faria, mas graças à psicologia e ao seu estudo, cheguei à conclusão que a primeira impressão que provocamos nos outros pode influenciar a nossa vida positiva ou negativamente. Aquilo que os outros pensam de nós é deveras importante. Para uma melhor compreensão do que digo, tenhamos com exemplo a procura de um emprego. A primeira impressão que os outros têm de nós pode ser decisiva no que toca ao ficar ou não com o cargo. Independentemente do currículo que apresentemos a primeira impressão pode levar a que o outro tenha uma imagem errada de nós e decida que não devemos ficar com o lugar. Assim, e da mesma forma, uma pessoa que não apresente um grande currículo e que mostre que não tem aptidão para o cargo pode ficar com o mesmo porque apenas provocou uma boa impressão no entrevistador. É certo que as primeiras impressões são na maioria das vezes enganadoras, mas estas, são também muitos persistentes e esta é a sua principal característica.
A formação das impressões é um processo que envolve diversos aspectos, assim, num primeiro contacto, construímos uma imagem do indivíduo através de alguns indícios que recolhemos. (É necessário ter em conta que um mesmo conjunto de indícios pode levar pode levar diferentes pessoas a avaliar de forma diferente um mesmo individuo, visto que cada um de nós interpreta de forma diferente estes mesmos indícios, de acordo com a sua história pessoal.) Organizamos a informação que recolhemos e integramos o indivíduo numa categoria. Ao inserir o indivíduo numa categoria vou automaticamente atribuir-lhe as características pertencentes a essa mesma categoria. Desta forma a primeira impressão que formamos acerca do outro vai condicionar o nosso comportamento para com ele e portanto o seu para connosco.
Assim, tendo em conta o exemplo da procura de emprego, podemos facilmente verificar que ao formarmos uma impressão do indivíduo vamos inclui-lo numa categoria, podemos considerar que as características dessa categoria não se adequa ao cargo em questão e desta forma decidir que aquela não é a pessoa indicada.
Atribuir importância ou simplesmente ignorar aquilo que os outros pensam de nós são comportamentos que não podemos delinar e generalizar. Diferentes situações vão exigir comportamentos diferentes da nossa parte e a chave é saber adequá-los.

Exercitar o cérebro!

É necessário exercitar o cérebro!

Uma maneira fácil de o fazer é lavar os dentes de vez em quando com a mão esquerda no caso de se ser destro. O simples gesto de trocar de mão para escovar os dentes, contrariando a rotina e obrigando à estimulação do cérebro, é um exercício de neuróbica, uma nova técnica para melhorar a concentração, treinando a criatividade e inteligência. Se nas crianças a técnica tem como vantagem melhorar a concentração, raciocínio lógico e pensamento criativo, nos mais idosos ajuda à longevidade do cérebro. Um bom exercício para o cérebro de uma pessoa idosa é aprender uma língua nova, por exemplo.
Cerca de 20 crianças e adolescentes, dos sete aos 16 anos, participaram recentemente, em Lisboa, no primeiro curso de neuróbica destinado a crianças e ao grande público, um evento organizado pelo Instituto da Inteligência.
Neste curso, os participantes aprendem a concentrar-se, a desenvolver os sentidos da visão, tacto e audição, fortalecendo ao mesmo tempo determinadas zonas do cérebro implicadas na memória, criatividade e inteligência.
A neuróbica é a designação criada pelo neurobiólogo Lawrence Katz –investigador do Instituto médico norte-americano Howard Hughes - para um conjunto de exercícios de estimulação cerebral.
O objectivo é conseguir estimular o crescimento celular de determinadas áreas do cérebro e desenvolver as capacidades cognitivas.


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Emoções

“As emoções são um incrível dom que temos,
Para perceber aquilo que estamos a pensar...”
BOB DOYLE
Todos os dias, a todas as horas e a todos os minutos estamos sujeitos a desenvolver uma infinidade de emoções tendo em conta todos os acontecimentos e pessoas que fazem parte dos mesmos.
As emoções têm um papel fundamental no nosso dia-a-dia por isso, é importante saber lidar com elas.
Somos constantemente invadidos por emoções, elas são como que um turbilhão e nem sempre temos a capacidade de perceber o que se está a passar dentro de nós. Por isso, é importante conhecermo-nos e conhecermos igualmente as nossas emoções.
As emoções fazem-se sempre acompanhar por reacções fisiológicas. Quando sentimos medo, a adrenalina aumenta e o nosso coração passa a bater mais forte. Quando estamos felizes, o corpo produz endorfinas, daí a sermos invadidos por uma sensação maravilhosa de bem-estar.
Todas as emoções são de certa forma positivas ou negativas. Recebem esta designação por causa do tipo de sensação que despertam. As emoções positivas como o amor, alegria despertam experiências agradáveis já as negativas como a raiva, medo, tristeza, ansiedade despertam sensações desagradáveis e que, muitas vezes atrapalham a comunicação entre as pessoas se não forem bem compreendidas.
A vida humana é complexa e dinâmica e, por isso, é possível oscilar entre sensações positivas e negativas ao longo de um dia. A influência negativa das emoções pode ocorrer se não desenvolvermos a capacidade de compreendê-las e, consequentemente, controlá-las e dirigi-las para fins positivos.
Com a experiência vamos aprendendo a identificar as nossas próprias emoções, e perceber como elas influenciam a nossa vida e assim, vamo-nos conhecendo melhor.
Quando percebemos o que sentimos conseguimos perceber mais facilmente o que sentem os outros e, assim facilitar a comunicação e evitar conflitos.
Expressar o que sentimos é muito difícil é uma aprendizagem diária.
Sem emoções a vida não teria o mesmo sentido. É bom sentir na pele intensamente todo o tipo de emoções alegria, tristeza, raiva, medo, ansiedade…
É com todas estas emoções, que vamos crescendo e aprendendo a ser mais humanos.

Ansiedade

Susto faz “gelar” sangue nas veias dos assustadiços

Pesquisa cauciona ideia generalizada
Quem vive em alarme permanente tem maior tendência para a formação de coágulos

Apanhamos um susto e, quando descrevemos a situação dizemos que até o sangue gelou nas nossas veias. A expressão não anda longe da verdade, garantem agora cientistas da Universidade de Bona, Alemanha. Não é que o sangue gele, de facto, nessas circunstâncias, mas tem tendência a coagular. Um perigo, pois os coágulos que se desprendem das veias são os responsáveis mais directos dos enfartes do miocárdio e dos acidentes vasculares.
Quando apanhamos um susto ou somos confrontados com uma surpresa desagradável, a melhor forma de descrevermos a emoção é dizer que o sangue no gelou nas veias. Agora, tal expressão está avaliada por experiências científicas. Uma equipa de investigadores, que inclui especialistas em psicoterapia, hematologia e transfusão sanguínea, vem dizer que há alguma verdade no que sentimos.
Já antes, alguns estudos apontam para a influência do stress e da ansiedade na coagulação do sangue. Agora aqueles investigadores a Universidade de Bona garantem que encontraram uma relação entre os nossos, medos, sustos, ansiedades e ataques de pânico com a activação do sistema de coagulação do sangue. A coagulação é um processo que nos protege de hemorragias, espessando o sangue; mas o nosso equilíbrio depende também de outro processo, que dissolve a fibrina, presente no sangue coagulado.
A pesquisa envolveu a recolha de amostras de sangue tanto de pessoas sem problemas psicológicos como de outras com problemas de ansiedade e fobias. Quando comparadas essas amostras, foi constatado que, nas pessoas ansiosas, se acentuava a tendência para a coagulação. Ora, em casos extremos, a coagulação pode levar a que fique bloqueada uma artéria. O processo pode não ter efeitos imediatos, mas ser insidioso. Qualquer coagulo que se forme num vaso sanguíneo, se se desprender ou entupir uma veia ou uma artéria, torna-se mais tarde ou mais cedo, factor de desencadeante de um acidente vascular cerebral ou de um enfarte miocárdio. O que pode ser um grande susto para cada um de nós ou o maior e definitivo que pregamos aos outros.
Convêm ter calma
Não é preciso ficar ansioso mas prevenir
Os autores do estudo afirmam que as pessoas ansiosas não o devem ficar mais ao saberem que a sua coagulação pode ser mais intensa. Os valores medidos, dizem, não implicam riscos imediatos nem inevitáveis. Outros factores como a obesidade e o tabaco contam mais.
Situações do dia-a-dia devem ser enfrentadas
A coagulação em pessoas ansiosas e com ataques de pânico merecia mais atenção nos programas preventivos da doença cardíaca, dizem os autores do estudo. Tais pacientes têm três a quatro vezes mais hipóteses de morrer por doença cardíaca, segundo estatísticas.”

in JN, 31/04/2008

A ansiedade é uma emoção que sentimos perante determinadas situações ou pensamentos. Todos nós já passamos por situações em que a ansiedade nos domina causando em nós agitação e nervosismo. Podemos sentir ansiedade nos mais diversos contextos pessoais ou sociais e o facto de uma situação provocar ansiedade numa pessoa não significa que todos os indivíduos tenham essa mesma reacção. (Como seres diferentes que somos reagimos de forma diferente ainda que o estimulo seja o mesmo). Em muitos casos a ansiedade é confundida com o medo. O medo diz respeito a uma reposta do organismo relativamente a uma perigo real, enquanto que a ansiedade reporta-se a uma ameaça que pode ser desconhecida e indefinida. A ansiedade tal como todas as outras emoções apresentam um valor adaptativo (como iremos comprovar aquando do estudo dos processos emocionais) em dois sentidos na medida em que por um lado protegem-nos de situações que podem ser eventualmente perigosas e são essas reacções que nos avisam desses perigos e por outro são sinalizadoras de determinados estados, por exemplo entre um recém-nascido e os pais (questão que foi alvo de estudo aquando o tratamento das relações precoces).
Como já referi anteriormente a ansiedade é uma emoção normal nos seres humanos, mas pode tornar-se um problema quando os sintomas começam a ser em excesso e se manifesta durante um longo período de tempo, ou ainda se, a sua causa tem origem numa ameaça imaginária e obsessiva. Devemos desta forma estar atentos à forma e à intensidade em que a ansiedade se manifesta em nós e nos outros uma vez que esta emoção e sintomas podem ser desvalorizados pelo próprio. Os sintomas da ansiedade podem manifestar-se em diferentes níveis: ao nível cognitivo, ao nível fisiológico e ao nível comportamental. Por exemplo quando temos uma preocupação constante (cognição) podemos apresentar dores e tensão muscular (fisiologia) e mexer nervosamente as mãos (comportamento). Recentemente, e tendo em conta o artigo do JN, um estudo mostra que a ansiedade faz com que o sangue tenha tendência a coagular. Ao ler o artigo ficamos a perceber que esta situação constitui um perigo para a saúde mas é necessário não entrar em alertas excessivos. É, sim, necessário ter calma, pois esta é a melhor forma de combater a ansiedade.
São várias as causas que podem levar ao aparecimento da ansiedade e existem alguns factores base delineados por psicólogos e investigadores. Assim em muitas pessoas a ansiedade é o resultado de uma educação de super-protecção em que as crianças desenvolvem uma vinculação ambivalente/resistente com as pessoas que cuidam preferencialmente delas, desta forma, com já estudamos, estas crianças tornam-se adultos com medo de tudo e que não conseguem enfrentar os seus medos e com tal preocupam-se demasiado com situações e acontecimentos normais. A ansiedade pode também resultar de experiências traumáticas que tenhamos tido no passado ou que tenhamos aprendido com a experiência dos outros. Alguns estudos revelam que a ansiedade apresenta uma base genética e que esta ao longo da nossa vida pode ser estimulada ou inibida.
Provavelmente muitos de nós encontraram respostas ao porquê da nossa própria ansiedade, e, na minha opinião saber qual a causa do problema é o primeiro passo a dar na resolução do mesmo.

Bibliografia consultada
http://www.sas.ualg.pt/sasgpap/quem.htm
http://www.medicosdeportugal.iol.pt/action/2/cnt_id/1442/
http://jcsantiago.info/ansiedade.html

Phineas Gage


Phineas Gage era um funcionário dos caminhos-de-ferro americanos que viveu no século XIX. Em 1848, quando tinha 25 anos, teve um acidente que acabou por o tornar famoso: ao colocar explosivos para abrir caminho numa rocha, provocou uma explosão. A barra de ferro usada para empurrar os explosivos atravessa a cabeça, penetra o queixo, arranca-lhe o olho esquerdo e sai pela parte superior do crânio. Assistido num hospital, recupera acabando por viver 12 anos. Para além das crises de epilepsia esporádicas, manteve as suas funções motoras bem como as capacidades intelectuais.
Apesar das suas funções intelectuais se manterem intactas, o acidente provocou alterações na sua personalidade. Aquele que era um homem pacífico trabalhador e educado passou a ser um homem colérico, instável e mal-educado. Desta forma acabou por perder o emprego e tornou-se numa atracção circense. A barra de ferro acompanhou-o por toda a sua vida e foi enterrada com ele. O seu cérebro foi conservado no Museu da Escola Médica de Harvard e posteriormente tornou-se objectivo de estudo por parte de dois investigadores portugueses Hanna e António Damásio.
Como vimos na triste história de Gage o acidente não afectou as suas funções intelectuais mas afectou outro tipo de funções superiores que distinguem dos seres humanos dos outros animais, com a reflexão, a decisão, a consciência, a imaginação, entre outras. Gage era incapaz de tomar decisões, o que à partida nos parece simples para quem é tutor das suas capacidades intelectuais. Damásio nas suas investigações concluiu que as áreas pré-fontais (área afectada no cérebro de Gage) envolvem complexas relações com as emoções. As relações entre o córtex pré-frontal e as emoções dão-se nos dois sentidos: o córtex apoia-se nas informações emocionais para tomar decisões e tem também um papel inibidor das emoções (controla os impulsos). A ruptura entre o centro emocional e o córtex pré-frontal pode levar à indiferença afectiva. No caso de Gage acontece o contrário, como a área afectada foi o córtex pré-frontal não há controlo das emoções o que o levou a ter comportamentos impulsivos e descontrolados.

Razão e Emoção



"Metade dos nossos erros na vida nascem do facto de sentirmos quando devíamos pensar e pensarmos quando devíamos sentir."
J. Collins
E não é mesmo?! Não são as grandes confusões que pairam nas nossas cabeças, quando as decisões a tomar são de grande importância? Não é fácil decidir-mos guiando-nos por uma só, é difícil isolar razão de emoção! Mas quantas vezes dizemos “sê racional” ou então “deixa-te levar pelo coração”, não conseguimos ser imparciais. Que tal a vida baralhar as cartas e jogarmos com as duas vias??
É certo que no decorrer do tempo, se ouvia, se acreditava e até mesmo se defendia que razão e emoção eram independentes, não se misturavam, assim como a água e o azeite. Mas na História também houve quem discordasse e tentasse provar sua teoria, António Damásio fez concluir que a tomada de decisão (vista essencialmente por processos racionais) implicava a emoção. Vejamos, nem sempre o valor lógico, o raciocínio nos possibilita optar devido às inúmeras opções possíveis, assim é necessário recorrer às nossas experiências emocionais que vivemos em situações idênticas.
Possamos então desistir de colocar a emoção de lado para decidirmos acerca de algo? Que a tomada de decisão depende do raciocínio e das emoções, depende! São vias complementares para. Agora decide como quiseres …

“Sem emoção, ficaríamos impossibilitados de fazer as escolhas mais simples”


Bibliografia:
- Manual de Psicologia B 12º ano – Ser Humano 2ª Parte

domingo, 13 de abril de 2008

Os bebés dominam o mundo

Certamente se olhares para esta imagem, não vais conseguir conter a vontade de agarrar o seu protagonista – o bebé. De facto, a aparência dos bebés é extremamente apelativa. Olhos e bochechas grandes, sorrisos ternos, incapacidade de andar e falar, são algumas das características que identificamos em todos eles. A sua vulnerabilidade perante o mundo que os rodeia deixa-nos enternecidos e incapazes de negar os seus pedidos. Sim, pedidos! Apesar de não conseguirem articular nenhuma palavra (pelo menos nenhuma que seja perceptível aos adultos!), estes “homenzinhos” em miniatura são, ao contrário do que durante muito tempo se julgou, sujeitos activos. Dispondo de várias capacidades e competências para comunicar – competências básicas do bebé –, conseguem estimular as pessoas à sua volta a agir de acordo com a suas necessidades. Através do choro, do sorriso, do contacto físico ou outro tipo de expressões faciais, transmitem a sua condição física e emocional como, por exemplo, a fome, o medo, a dor. Há, portanto, uma troca de sinais entre o bebé e os progenitores (que não têm de ser forçosamente os pais biológicos) – é a chamada regulação mútua. Durante este processo os bebés enviam mensagens na expectativa de uma resposta, sendo evidente o seu valor adaptativo para a criança. Assim, é possível uma aprendizagem que permite, inclusive, ler o comportamento dos outros e, deste modo, desenvolver expectativas sobre eles. No entanto, é essencial que essa regulação se processe de modo adequado, dado que é partir dela que o bebé encara de forma positiva ou negativa a realidade à sua volta. Desta forma, se estiver satisfeito, desenvolve um sentimento de segurança e bem-estar, caso contrário, pode ficar frustrado e ansioso, sentimentos que podem vir a repercutir-se negativamente no seu futuro.
Com isto, podemos então concluir que é indispensável a comunicação do bebé com outros seres humanos, logo desde a infância. Além de garantir a sua sobrevivência, possibilita um crescimento e desenvolvimento psíquico harmonioso. Somos, como todos sabem, seres sociais e, por isso, procuramos o conforto e companhia noutros indivíduos. Os bebés não são excepção. Embora pensemos o contrário, eles agem de acordo com os seus interesses e conseguem, grande parte das vezes, o que desejam. Não se deixem enganar pela sua frágil aparência!

Fonte: MONTEIRO, Manuela Matos, FERREIRA, P. T. (2007), Ser Humano, Psicologia B, Porto Editora.

Estereótipo. Preconceito. Discriminação



Como pudemos compreender, o filme “Colisão” (analisado na aula) retrata três importantes conceitos – Estereótipo, Preconceito e Discriminação – bem presentes nas diversas sociedades e culturas de todo o mundo. No desenrolar da acção vão-nos sendo apresentados vários casos e o modo como cada personagem é afectada por eles. Paralelos uns aos outros, os acontecimentos começam a ganhar forma e a sua influência ultrapassa o contexto de vida de cada família; ela invade outras vidas, outras pessoas. É a partir da história dos vários protagonistas que irei então desenvolver uma tese sobre os tópicos acima referidos. Como se formam? Quais as razões que as explicam? Qual a sua importância? São algumas das perguntas às quais tentarei responder de uma forma consistente e esclarecedora.
As situações seguintes são as que, segundo a minha perspectivam, constituem melhores exemplos de conflitos entre grupos ao longo do filme:
Exemplo 1: Ocorre um acidente entre uma mulher branca e uma asiática. No meio da confusão e do nervosismo a segunda mulher culpa a primeira. Esta não admite que a culpem e a discussão instala-se. As duas agridem-se verbalmente, tecendo comentários racistas e xenófobos.
Exemplo 2: Dois amigos negros conversam na rua sobre a discriminação e nesse momento um casal branco aproxima-se. A mulher, ao ver os dois sujeitos, teme pelo que possa acontecer quando se cruzarem, agarrando o braço do marido. Um dos negros repara e as suas convicções tornam-se mais evidentes, dizendo ao seu amigo que a mulher é racista dado que tem medo de passar perto deles. Furiosos decidem assaltar o casal quando estes estavam a entrar no seu carro, ameaçando-os com armas de fogo. Em pânico, o casal não oferece resistência.
Exemplo 3: Um polícia americano manda encostar um veículo que circulava, porque o condutor e a esposa eram negros. Sem qualquer razão ordena-os para saírem do carro, tratando-os como se fossem criminosos. Humilhados vêm-se ainda obrigados a pedir desculpa e só depois regressam a casa.
Exemplo 4: Um dos negros que tinha assaltado o casal branco arrepende-se do que fez, pois começa a compreendê-los. Fugindo da polícia pede boleia durante a noite. Um rapaz branco (que era polícia) pára e pede-lhe que entre. Depois de começarem a conversar, o branco sente-se ofendido pois o negro diz que gosta de música country e de hóquei no gelo, algo que não faz parte da cultura negra. Considera, portanto, que o negro está a ser irónico. A tensão aumenta e o negro continua a rir-se, remexendo no bolso. O rapaz branco pensa que é um revolver e, sem lhe dar tempo, dispara sobre o outro, quando descobre que ele tinha na mão a imagem de um santo.
Antes de começar a relacionar os exemplos com os temas a abordar gostaria de, primeiramente, dar uma pequena noção sobre cada um.
Estereótipo é um conjunto de crenças, de ideias “feitas”, que transmitem uma imagem simplista de um objecto ou pessoas. Generalizam todos os elementos de um grupo a partir do comportamento de alguns deles. Há, portanto, uma categorização, uma classificação positiva ou negativa em relação ao outro, que surge das interacções sociais.
O preconceito é também uma atitude e tem como base o estereótipo. Através da informação do estereótipo faz uma avaliação, um pré-juízo em relação aos outros indivíduos e aos grupos que os constituem.
Por sua vez, a discriminação são os comportamentos que derivam dos estereótipos e dos preconceitos. Geralmente são negativos e podem acentuar-se em situações de crise (política, económica, social...), variando entre o afastamento à violência e agressão.
Através dos exemplos mencionados podemos estabelecer uma relação com estes temas. De facto, nas várias situações descritas o motivo do conflito era a cor da pele, o país, a cultura a que pertenciam. Isto é, aos grupos sociais a que pertenciam. As ideias erradas acerca dos brancos, dos negros, dos árabes, dos chineses (entre outros) estavam tão difundidas, tão enraizadas que se transformavam em verdadeiros estereótipos, em preconceitos, conduzindo, por fim, às discriminações. Em vez de tentarem resolver os seus assuntos civilizadamente, os indivíduos procuravam culpar-se mutuamente porque acreditavam que o outro conservava características negativas, características típicas de criminosos, de ignorantes, de avarentos, de preguiçosos. Assim, o seu comportamento era definido por um conjunto de valores que já estavam predefinidos e estipulados. No filme a mulher asiática culpou a mulher branca de causar o acidente, porque pensava que a branca tinha feito uma condução perigosa, visto que, de acordo com a sua visão os brancos pensam que o mundo é todo deles e não respeitam nada nem ninguém. O polícia matou o negro porque muitos deles são criminosos e violentos e, como tal, o branco pensou tratar-se de mais um. Categorizou-o, generalizou-o por causa de outros negros que contribuíram para a construção desse preconceito.
Com ou sem intenção acabámos por discriminar os outros graças a casos particulares. “Paga o justo pelo pecador”.
Porém, é importante referir que tanto os estereótipos como os preconceitos se podem alterar, fazendo com que o acto discriminatório deixe de existir. Perante acontecimentos extraordinários onde vários elementos ou vários grupos sejam obrigados a conhecerem-se melhor, constatar-se-á que, muito provavelmente, esses indivíduos não possuem as características negativas que se julgavam ter.
Mas porque razão ou razões existem os estereótipos, os preconceitos e as discriminações?
À semelhança do que já foi dito, os estereótipos permitem-nos simplificar a realidade social, definindo-se o que está certo e o que está errado. Deste modo, possibilitam-nos uma maior adaptação ao meio que nos envolve – função sociocognitiva. Além disso, através deles reconhecemo-nos num determinado grupo (endogrupo), distinguindo-o de todos os outros (exogrupo). Somos o que somos porque pertencemos a um conjunto específico de elementos, desenvolvendo-se os sentimentos de “nós” e de “eles”, bem como os sentimentos de protecção em relação aos indivíduos com quem nos identificamos e de hostilidade em relação aos indivíduos diferentes de nós.
Relativamente aos preconceitos existe também uma função socioafectiva que explica a sua existência. Tal como acontece com os estereótipos, estes visam a protecção e a coesão do grupo, em detrimento dos restantes.
Por fim, a discriminação é fruto dos dois factores anteriores. Perante a cultura, a época, e as formas de cada um pensar em particular existem diferentes formas de discriminação e diferentes grupos vítimas de discriminação. Varia consoante os valores considerados mais ou menos importantes para seres humanos diferentes.

Fonte: MONTEIRO, Manuela Matos, FERREIRA, P. T. (2007), Ser Humano, Psicologia B, Porto Editora.








Preformismo e Epigénese

Perspectivas Sobre a Acção Genética: Preformismo e Epigénese

Com o desenvolvimento da ciência o ser humano teve oportunidade de alargar os seus conhecimentos e os seus horizontes sobre o mundo que o rodeia, os fenómenos que lhe estão associados e, como é claro, sobre si mesmo.
Uma dessas descobertas recai precisamente sobre o modo como se processa a transmissão da informação genética de pais para filhos e de que forma o genótipo – o conjunto de genes individuais de cada ser vivo – define física e intelectualmente cada um de nós. Assim, desenvolveram-se, em torno desta questão, duas teorias sobre as perspectivas da acção genética: Preformismo e Epigénese.
A teoria do Preformismo (formulada em meados do século XVII), defendia que o ovo continha, no seu interior, um ser em miniatura, completamente formado quer fisicamente, quer a nível das suas capacidades cerebrais – o homúnculo. Deste modo, a sua evolução enquanto ser humano limitava-se ao mero crescimento do seu corpo, a uma ampliação das estruturas preexistentes no ovo, não tendo em conta a influência do meio envolvente no indivíduo. Esta conjectura apoiava, assim, que o ser humano era determinado somente por factores genéticos e que, por isso, estava condicionado por um determinismo hereditário. Este facto explica, então, a razão pela qual muitas vezes se vestiam e abordavam as crianças de maneira semelhante à dos adultos, acreditando-se que eram tão desenvolvidos psicologicamente quanto eles.
Por sua vez, a Epigénese – que se refere a todas características humanas que não são consequência da informação genética – vem defender uma teoria oposta, sendo negada a hipótese de preformismo (por Caspar Wolff durante o século XVIII). Segundo esta concepção, não existe um ser preformado no ovo, mas sim um ser inacabado que se vai desenvolvendo lenta e gradualmente e cujas características físicas e mentais são construídas a partir da informação patente no genótipo e da sua envolvência no meio que o rodeia. À medida que se desenvolve vai adquirindo novas aptidões que resultam das várias experiências que vive. Ou seja, o genótipo é apenas uma instrução das características que podem ou não manifestar-se.
Como podemos concluir, a visão epigenética sobre a evolução dos indivíduos é mais correcta. Isto porque na realidade os seres humanos nascem inacabados (prematuros e neoténicos), com capacidades muito inferiores àquelas que se evidenciarão em adulto. Tomemos como exemplo um recém-nascido que, durante bastante tempo se mostra incapaz de se deslocar sozinho, de falar e até de comer por si próprio.
Ao contrário do que se verifica nos restantes animais, sofremos um grande inacabamento biológico, o que torna o nosso cérebro único e individual. Sendo incompleto, ele vai depender do meio para se moldar e para se desenvolver, transformando-se em algo flexível e plástico. Não nascemos humanos, vamos construindo o nosso próprio “eu” ao longo de toda a vida. Não existem dois cérebros, nem duas pessoas iguais, pois cada um tem experiências de vida diferentes e singulares.

Fonte: MONTEIRO, Manuela Matos, FERREIRA, P. T. (2007), Ser Humano, Psicologia B, Porto Editora.

Colisão


O filme “Colisão” retrata a história de várias pessoas que vivem em Los Angeles, uma das cidades mais multiculturais do mundo, que irão viver diversas situações de confronto entre os vários segmentos étnicos que lá se podem encontrar e pertencentes a diferentes classes sociais. Este é um filme sobre ódio e amor, reflexão e inconsciência, solidão e companheirismo numa cidade onde reina o preconceito, e que em apenas dois dias os personagens irão todos entrar em “colisão” devido aos conflitos em que se envolvem e isso fá-los examinar os seus próprios preconceitos.
Em todas as sociedades existem estereótipos, estes consistem no conjunto de crenças que nos dá uma imagem simplificada sobre as características de um determinado grupo, são aprendidos no decurso do processo de socialização e correspondem a um processo de categorização social, essencial para que nos possamos adaptar ao meio, e assim dar um sentido ao mundo. Como as relações interpessoais são muito complexas, os estereótipos são uma forma de simplificar a realidade, tornando-as possíveis. Por isso estes têm uma função sociocognitiva. E uma função socioafectiva porque dão um sentimento de identidade social ao grupo que os partilha, reforçando o sentimento do “nós” por oposição aos outros.
O conteúdo dos estereótipos são construções sociais que visam “domesticar o que é estranho” como disse Moscovici, porque ao serem tão simplistas, generalistas e baseados em informações falsas expõe-nos ao imprevisível, e são dificílimos de alterar, acabando mesmo por funcionar como um filtro cognitivo. Exemplo disso, no filme, temos um polícia que ao ouvir um negro dizer que gosta de música country ri-se, pois na sua categorização dos negros, estes não gostam deste género de música.
Os estereótipos, devido à sua simplicidade, estão na origem dos preconceitos, que são uma atitude que envolve um pré-juízo, um pré-julgamento, na maior parte das vezes negativo, relativamente a pessoas ou grupos sociais. Nos preconceitos dominam a função socioafectiva, assumindo frequentemente, posições radicais contra grupos sociais, conduzindo a actos de discriminação.
Um bom exemplo de um preconceito patente no filme, é quando uma personagem ao ver que o serralheiro que está a alterar a fechadura de sua casa é mexicano com tatuagens, julga-o logo como sendo alguém potencialmente perigoso, que não é de todo de confiança.
Na base da discriminação está portanto o preconceito, e designa-se por discriminação o comportamento dirigido aos indivíduos que decorre do preconceito. E podemos observar como um comportamento discriminatório, quando dois personagens vão na rua, e a mulher ao avistar dois negros na sua frente, dá o braço ao marido. Pois esta, com base no seu preconceito para com os negros, assume logo um comportamento condicionado. Outro exemplo bem visível no filme é quando o iraniano vê que a sua loja foi assaltada e vai logo atrás do serralheiro mexicano para o tentar matar, porque pensa que este foi o culpado da situação.
Os conceitos estereótipos, preconceito e discriminação estão relacionados, uma vez que o estereótipo é a uma imagem generalizada sobre um grupo, dado que não existe realidade social, nós temos que objectivar, construir representações sociais sobre aquilo que se passa à nossa volta para facilitar a nossa adaptação social, e é a componente cognitiva do preconceito e este por sua vez explica o comportamento discriminatório.
Para terminar, este filme onde aparentemente os personagens parecem não apresentar qualquer ligação, no final toda esta teia de histórias se relaciona de alguma forma. E ao contrário do que estamos habituados a ver neste filme não existem personagens boas ou más, como o típico “polícia corrupto” e o “colega bonzinho”. Pois na verdade ninguém sabe como irá reagir sem estar a viver as situações e tal como disse o polícia Jonh Ryan ao colega: “ You think you know who you are? You have no idea” (Pensas que sabes quem tu és? Não fazes a mínima ideia.) a verdade é mesma assim, e não podemos condenar nenhuma personagem pois se algo dia nos estivermos numa situação semelhante, só no momento é que sabemos como reagir independentemente daquilo que nos digam para fazer. E este filme mostra-nos exactamente isso, que é possível alguém agredir uma pessoa num determinado contexto, e noutro ter a dignidade de a salvar, quando seria bem mais fácil deixá-la morrer.

Fonte:
Livro de Psicologia – “Ser Humano” 12ºano, Porto Editora