domingo, 20 de abril de 2008

Phineas Gage


Phineas Gage era um funcionário dos caminhos-de-ferro americanos que viveu no século XIX. Em 1848, quando tinha 25 anos, teve um acidente que acabou por o tornar famoso: ao colocar explosivos para abrir caminho numa rocha, provocou uma explosão. A barra de ferro usada para empurrar os explosivos atravessa a cabeça, penetra o queixo, arranca-lhe o olho esquerdo e sai pela parte superior do crânio. Assistido num hospital, recupera acabando por viver 12 anos. Para além das crises de epilepsia esporádicas, manteve as suas funções motoras bem como as capacidades intelectuais.
Apesar das suas funções intelectuais se manterem intactas, o acidente provocou alterações na sua personalidade. Aquele que era um homem pacífico trabalhador e educado passou a ser um homem colérico, instável e mal-educado. Desta forma acabou por perder o emprego e tornou-se numa atracção circense. A barra de ferro acompanhou-o por toda a sua vida e foi enterrada com ele. O seu cérebro foi conservado no Museu da Escola Médica de Harvard e posteriormente tornou-se objectivo de estudo por parte de dois investigadores portugueses Hanna e António Damásio.
Como vimos na triste história de Gage o acidente não afectou as suas funções intelectuais mas afectou outro tipo de funções superiores que distinguem dos seres humanos dos outros animais, com a reflexão, a decisão, a consciência, a imaginação, entre outras. Gage era incapaz de tomar decisões, o que à partida nos parece simples para quem é tutor das suas capacidades intelectuais. Damásio nas suas investigações concluiu que as áreas pré-fontais (área afectada no cérebro de Gage) envolvem complexas relações com as emoções. As relações entre o córtex pré-frontal e as emoções dão-se nos dois sentidos: o córtex apoia-se nas informações emocionais para tomar decisões e tem também um papel inibidor das emoções (controla os impulsos). A ruptura entre o centro emocional e o córtex pré-frontal pode levar à indiferença afectiva. No caso de Gage acontece o contrário, como a área afectada foi o córtex pré-frontal não há controlo das emoções o que o levou a ter comportamentos impulsivos e descontrolados.

Razão e Emoção



"Metade dos nossos erros na vida nascem do facto de sentirmos quando devíamos pensar e pensarmos quando devíamos sentir."
J. Collins
E não é mesmo?! Não são as grandes confusões que pairam nas nossas cabeças, quando as decisões a tomar são de grande importância? Não é fácil decidir-mos guiando-nos por uma só, é difícil isolar razão de emoção! Mas quantas vezes dizemos “sê racional” ou então “deixa-te levar pelo coração”, não conseguimos ser imparciais. Que tal a vida baralhar as cartas e jogarmos com as duas vias??
É certo que no decorrer do tempo, se ouvia, se acreditava e até mesmo se defendia que razão e emoção eram independentes, não se misturavam, assim como a água e o azeite. Mas na História também houve quem discordasse e tentasse provar sua teoria, António Damásio fez concluir que a tomada de decisão (vista essencialmente por processos racionais) implicava a emoção. Vejamos, nem sempre o valor lógico, o raciocínio nos possibilita optar devido às inúmeras opções possíveis, assim é necessário recorrer às nossas experiências emocionais que vivemos em situações idênticas.
Possamos então desistir de colocar a emoção de lado para decidirmos acerca de algo? Que a tomada de decisão depende do raciocínio e das emoções, depende! São vias complementares para. Agora decide como quiseres …

“Sem emoção, ficaríamos impossibilitados de fazer as escolhas mais simples”


Bibliografia:
- Manual de Psicologia B 12º ano – Ser Humano 2ª Parte

domingo, 13 de abril de 2008

Os bebés dominam o mundo

Certamente se olhares para esta imagem, não vais conseguir conter a vontade de agarrar o seu protagonista – o bebé. De facto, a aparência dos bebés é extremamente apelativa. Olhos e bochechas grandes, sorrisos ternos, incapacidade de andar e falar, são algumas das características que identificamos em todos eles. A sua vulnerabilidade perante o mundo que os rodeia deixa-nos enternecidos e incapazes de negar os seus pedidos. Sim, pedidos! Apesar de não conseguirem articular nenhuma palavra (pelo menos nenhuma que seja perceptível aos adultos!), estes “homenzinhos” em miniatura são, ao contrário do que durante muito tempo se julgou, sujeitos activos. Dispondo de várias capacidades e competências para comunicar – competências básicas do bebé –, conseguem estimular as pessoas à sua volta a agir de acordo com a suas necessidades. Através do choro, do sorriso, do contacto físico ou outro tipo de expressões faciais, transmitem a sua condição física e emocional como, por exemplo, a fome, o medo, a dor. Há, portanto, uma troca de sinais entre o bebé e os progenitores (que não têm de ser forçosamente os pais biológicos) – é a chamada regulação mútua. Durante este processo os bebés enviam mensagens na expectativa de uma resposta, sendo evidente o seu valor adaptativo para a criança. Assim, é possível uma aprendizagem que permite, inclusive, ler o comportamento dos outros e, deste modo, desenvolver expectativas sobre eles. No entanto, é essencial que essa regulação se processe de modo adequado, dado que é partir dela que o bebé encara de forma positiva ou negativa a realidade à sua volta. Desta forma, se estiver satisfeito, desenvolve um sentimento de segurança e bem-estar, caso contrário, pode ficar frustrado e ansioso, sentimentos que podem vir a repercutir-se negativamente no seu futuro.
Com isto, podemos então concluir que é indispensável a comunicação do bebé com outros seres humanos, logo desde a infância. Além de garantir a sua sobrevivência, possibilita um crescimento e desenvolvimento psíquico harmonioso. Somos, como todos sabem, seres sociais e, por isso, procuramos o conforto e companhia noutros indivíduos. Os bebés não são excepção. Embora pensemos o contrário, eles agem de acordo com os seus interesses e conseguem, grande parte das vezes, o que desejam. Não se deixem enganar pela sua frágil aparência!

Fonte: MONTEIRO, Manuela Matos, FERREIRA, P. T. (2007), Ser Humano, Psicologia B, Porto Editora.

Estereótipo. Preconceito. Discriminação



Como pudemos compreender, o filme “Colisão” (analisado na aula) retrata três importantes conceitos – Estereótipo, Preconceito e Discriminação – bem presentes nas diversas sociedades e culturas de todo o mundo. No desenrolar da acção vão-nos sendo apresentados vários casos e o modo como cada personagem é afectada por eles. Paralelos uns aos outros, os acontecimentos começam a ganhar forma e a sua influência ultrapassa o contexto de vida de cada família; ela invade outras vidas, outras pessoas. É a partir da história dos vários protagonistas que irei então desenvolver uma tese sobre os tópicos acima referidos. Como se formam? Quais as razões que as explicam? Qual a sua importância? São algumas das perguntas às quais tentarei responder de uma forma consistente e esclarecedora.
As situações seguintes são as que, segundo a minha perspectivam, constituem melhores exemplos de conflitos entre grupos ao longo do filme:
Exemplo 1: Ocorre um acidente entre uma mulher branca e uma asiática. No meio da confusão e do nervosismo a segunda mulher culpa a primeira. Esta não admite que a culpem e a discussão instala-se. As duas agridem-se verbalmente, tecendo comentários racistas e xenófobos.
Exemplo 2: Dois amigos negros conversam na rua sobre a discriminação e nesse momento um casal branco aproxima-se. A mulher, ao ver os dois sujeitos, teme pelo que possa acontecer quando se cruzarem, agarrando o braço do marido. Um dos negros repara e as suas convicções tornam-se mais evidentes, dizendo ao seu amigo que a mulher é racista dado que tem medo de passar perto deles. Furiosos decidem assaltar o casal quando estes estavam a entrar no seu carro, ameaçando-os com armas de fogo. Em pânico, o casal não oferece resistência.
Exemplo 3: Um polícia americano manda encostar um veículo que circulava, porque o condutor e a esposa eram negros. Sem qualquer razão ordena-os para saírem do carro, tratando-os como se fossem criminosos. Humilhados vêm-se ainda obrigados a pedir desculpa e só depois regressam a casa.
Exemplo 4: Um dos negros que tinha assaltado o casal branco arrepende-se do que fez, pois começa a compreendê-los. Fugindo da polícia pede boleia durante a noite. Um rapaz branco (que era polícia) pára e pede-lhe que entre. Depois de começarem a conversar, o branco sente-se ofendido pois o negro diz que gosta de música country e de hóquei no gelo, algo que não faz parte da cultura negra. Considera, portanto, que o negro está a ser irónico. A tensão aumenta e o negro continua a rir-se, remexendo no bolso. O rapaz branco pensa que é um revolver e, sem lhe dar tempo, dispara sobre o outro, quando descobre que ele tinha na mão a imagem de um santo.
Antes de começar a relacionar os exemplos com os temas a abordar gostaria de, primeiramente, dar uma pequena noção sobre cada um.
Estereótipo é um conjunto de crenças, de ideias “feitas”, que transmitem uma imagem simplista de um objecto ou pessoas. Generalizam todos os elementos de um grupo a partir do comportamento de alguns deles. Há, portanto, uma categorização, uma classificação positiva ou negativa em relação ao outro, que surge das interacções sociais.
O preconceito é também uma atitude e tem como base o estereótipo. Através da informação do estereótipo faz uma avaliação, um pré-juízo em relação aos outros indivíduos e aos grupos que os constituem.
Por sua vez, a discriminação são os comportamentos que derivam dos estereótipos e dos preconceitos. Geralmente são negativos e podem acentuar-se em situações de crise (política, económica, social...), variando entre o afastamento à violência e agressão.
Através dos exemplos mencionados podemos estabelecer uma relação com estes temas. De facto, nas várias situações descritas o motivo do conflito era a cor da pele, o país, a cultura a que pertenciam. Isto é, aos grupos sociais a que pertenciam. As ideias erradas acerca dos brancos, dos negros, dos árabes, dos chineses (entre outros) estavam tão difundidas, tão enraizadas que se transformavam em verdadeiros estereótipos, em preconceitos, conduzindo, por fim, às discriminações. Em vez de tentarem resolver os seus assuntos civilizadamente, os indivíduos procuravam culpar-se mutuamente porque acreditavam que o outro conservava características negativas, características típicas de criminosos, de ignorantes, de avarentos, de preguiçosos. Assim, o seu comportamento era definido por um conjunto de valores que já estavam predefinidos e estipulados. No filme a mulher asiática culpou a mulher branca de causar o acidente, porque pensava que a branca tinha feito uma condução perigosa, visto que, de acordo com a sua visão os brancos pensam que o mundo é todo deles e não respeitam nada nem ninguém. O polícia matou o negro porque muitos deles são criminosos e violentos e, como tal, o branco pensou tratar-se de mais um. Categorizou-o, generalizou-o por causa de outros negros que contribuíram para a construção desse preconceito.
Com ou sem intenção acabámos por discriminar os outros graças a casos particulares. “Paga o justo pelo pecador”.
Porém, é importante referir que tanto os estereótipos como os preconceitos se podem alterar, fazendo com que o acto discriminatório deixe de existir. Perante acontecimentos extraordinários onde vários elementos ou vários grupos sejam obrigados a conhecerem-se melhor, constatar-se-á que, muito provavelmente, esses indivíduos não possuem as características negativas que se julgavam ter.
Mas porque razão ou razões existem os estereótipos, os preconceitos e as discriminações?
À semelhança do que já foi dito, os estereótipos permitem-nos simplificar a realidade social, definindo-se o que está certo e o que está errado. Deste modo, possibilitam-nos uma maior adaptação ao meio que nos envolve – função sociocognitiva. Além disso, através deles reconhecemo-nos num determinado grupo (endogrupo), distinguindo-o de todos os outros (exogrupo). Somos o que somos porque pertencemos a um conjunto específico de elementos, desenvolvendo-se os sentimentos de “nós” e de “eles”, bem como os sentimentos de protecção em relação aos indivíduos com quem nos identificamos e de hostilidade em relação aos indivíduos diferentes de nós.
Relativamente aos preconceitos existe também uma função socioafectiva que explica a sua existência. Tal como acontece com os estereótipos, estes visam a protecção e a coesão do grupo, em detrimento dos restantes.
Por fim, a discriminação é fruto dos dois factores anteriores. Perante a cultura, a época, e as formas de cada um pensar em particular existem diferentes formas de discriminação e diferentes grupos vítimas de discriminação. Varia consoante os valores considerados mais ou menos importantes para seres humanos diferentes.

Fonte: MONTEIRO, Manuela Matos, FERREIRA, P. T. (2007), Ser Humano, Psicologia B, Porto Editora.








Preformismo e Epigénese

Perspectivas Sobre a Acção Genética: Preformismo e Epigénese

Com o desenvolvimento da ciência o ser humano teve oportunidade de alargar os seus conhecimentos e os seus horizontes sobre o mundo que o rodeia, os fenómenos que lhe estão associados e, como é claro, sobre si mesmo.
Uma dessas descobertas recai precisamente sobre o modo como se processa a transmissão da informação genética de pais para filhos e de que forma o genótipo – o conjunto de genes individuais de cada ser vivo – define física e intelectualmente cada um de nós. Assim, desenvolveram-se, em torno desta questão, duas teorias sobre as perspectivas da acção genética: Preformismo e Epigénese.
A teoria do Preformismo (formulada em meados do século XVII), defendia que o ovo continha, no seu interior, um ser em miniatura, completamente formado quer fisicamente, quer a nível das suas capacidades cerebrais – o homúnculo. Deste modo, a sua evolução enquanto ser humano limitava-se ao mero crescimento do seu corpo, a uma ampliação das estruturas preexistentes no ovo, não tendo em conta a influência do meio envolvente no indivíduo. Esta conjectura apoiava, assim, que o ser humano era determinado somente por factores genéticos e que, por isso, estava condicionado por um determinismo hereditário. Este facto explica, então, a razão pela qual muitas vezes se vestiam e abordavam as crianças de maneira semelhante à dos adultos, acreditando-se que eram tão desenvolvidos psicologicamente quanto eles.
Por sua vez, a Epigénese – que se refere a todas características humanas que não são consequência da informação genética – vem defender uma teoria oposta, sendo negada a hipótese de preformismo (por Caspar Wolff durante o século XVIII). Segundo esta concepção, não existe um ser preformado no ovo, mas sim um ser inacabado que se vai desenvolvendo lenta e gradualmente e cujas características físicas e mentais são construídas a partir da informação patente no genótipo e da sua envolvência no meio que o rodeia. À medida que se desenvolve vai adquirindo novas aptidões que resultam das várias experiências que vive. Ou seja, o genótipo é apenas uma instrução das características que podem ou não manifestar-se.
Como podemos concluir, a visão epigenética sobre a evolução dos indivíduos é mais correcta. Isto porque na realidade os seres humanos nascem inacabados (prematuros e neoténicos), com capacidades muito inferiores àquelas que se evidenciarão em adulto. Tomemos como exemplo um recém-nascido que, durante bastante tempo se mostra incapaz de se deslocar sozinho, de falar e até de comer por si próprio.
Ao contrário do que se verifica nos restantes animais, sofremos um grande inacabamento biológico, o que torna o nosso cérebro único e individual. Sendo incompleto, ele vai depender do meio para se moldar e para se desenvolver, transformando-se em algo flexível e plástico. Não nascemos humanos, vamos construindo o nosso próprio “eu” ao longo de toda a vida. Não existem dois cérebros, nem duas pessoas iguais, pois cada um tem experiências de vida diferentes e singulares.

Fonte: MONTEIRO, Manuela Matos, FERREIRA, P. T. (2007), Ser Humano, Psicologia B, Porto Editora.

Colisão


O filme “Colisão” retrata a história de várias pessoas que vivem em Los Angeles, uma das cidades mais multiculturais do mundo, que irão viver diversas situações de confronto entre os vários segmentos étnicos que lá se podem encontrar e pertencentes a diferentes classes sociais. Este é um filme sobre ódio e amor, reflexão e inconsciência, solidão e companheirismo numa cidade onde reina o preconceito, e que em apenas dois dias os personagens irão todos entrar em “colisão” devido aos conflitos em que se envolvem e isso fá-los examinar os seus próprios preconceitos.
Em todas as sociedades existem estereótipos, estes consistem no conjunto de crenças que nos dá uma imagem simplificada sobre as características de um determinado grupo, são aprendidos no decurso do processo de socialização e correspondem a um processo de categorização social, essencial para que nos possamos adaptar ao meio, e assim dar um sentido ao mundo. Como as relações interpessoais são muito complexas, os estereótipos são uma forma de simplificar a realidade, tornando-as possíveis. Por isso estes têm uma função sociocognitiva. E uma função socioafectiva porque dão um sentimento de identidade social ao grupo que os partilha, reforçando o sentimento do “nós” por oposição aos outros.
O conteúdo dos estereótipos são construções sociais que visam “domesticar o que é estranho” como disse Moscovici, porque ao serem tão simplistas, generalistas e baseados em informações falsas expõe-nos ao imprevisível, e são dificílimos de alterar, acabando mesmo por funcionar como um filtro cognitivo. Exemplo disso, no filme, temos um polícia que ao ouvir um negro dizer que gosta de música country ri-se, pois na sua categorização dos negros, estes não gostam deste género de música.
Os estereótipos, devido à sua simplicidade, estão na origem dos preconceitos, que são uma atitude que envolve um pré-juízo, um pré-julgamento, na maior parte das vezes negativo, relativamente a pessoas ou grupos sociais. Nos preconceitos dominam a função socioafectiva, assumindo frequentemente, posições radicais contra grupos sociais, conduzindo a actos de discriminação.
Um bom exemplo de um preconceito patente no filme, é quando uma personagem ao ver que o serralheiro que está a alterar a fechadura de sua casa é mexicano com tatuagens, julga-o logo como sendo alguém potencialmente perigoso, que não é de todo de confiança.
Na base da discriminação está portanto o preconceito, e designa-se por discriminação o comportamento dirigido aos indivíduos que decorre do preconceito. E podemos observar como um comportamento discriminatório, quando dois personagens vão na rua, e a mulher ao avistar dois negros na sua frente, dá o braço ao marido. Pois esta, com base no seu preconceito para com os negros, assume logo um comportamento condicionado. Outro exemplo bem visível no filme é quando o iraniano vê que a sua loja foi assaltada e vai logo atrás do serralheiro mexicano para o tentar matar, porque pensa que este foi o culpado da situação.
Os conceitos estereótipos, preconceito e discriminação estão relacionados, uma vez que o estereótipo é a uma imagem generalizada sobre um grupo, dado que não existe realidade social, nós temos que objectivar, construir representações sociais sobre aquilo que se passa à nossa volta para facilitar a nossa adaptação social, e é a componente cognitiva do preconceito e este por sua vez explica o comportamento discriminatório.
Para terminar, este filme onde aparentemente os personagens parecem não apresentar qualquer ligação, no final toda esta teia de histórias se relaciona de alguma forma. E ao contrário do que estamos habituados a ver neste filme não existem personagens boas ou más, como o típico “polícia corrupto” e o “colega bonzinho”. Pois na verdade ninguém sabe como irá reagir sem estar a viver as situações e tal como disse o polícia Jonh Ryan ao colega: “ You think you know who you are? You have no idea” (Pensas que sabes quem tu és? Não fazes a mínima ideia.) a verdade é mesma assim, e não podemos condenar nenhuma personagem pois se algo dia nos estivermos numa situação semelhante, só no momento é que sabemos como reagir independentemente daquilo que nos digam para fazer. E este filme mostra-nos exactamente isso, que é possível alguém agredir uma pessoa num determinado contexto, e noutro ter a dignidade de a salvar, quando seria bem mais fácil deixá-la morrer.

Fonte:
Livro de Psicologia – “Ser Humano” 12ºano, Porto Editora

Vinculação


O bebé tem necessidade de manter contactos físicos ou de proximidade para se desenvolver adequadamente. O envolvimento físico e emocional que se estabelece na relação mãe-bebé permite que a criança cresça equilibradamente para fazer face às necessidades e dificuldades do dia-a-dia.
As respostas às socializações e a forma como a mãe interpreta o choro (ou outras competências comunicacionais) respondendo ao que o bebé necessita, a maneira como o embala, por exemplo, ultrapassa a resposta imediata. Pois a mãe ao responder disponibiliza prazer e satisfação e influencia muitos aspectos da constituição psicológica da criança.
A um processo de vinculação securizante corresponderá uma melhor regulação emocional, favorece a confiança em si próprio, a capacidade de ultrapassar as dificuldades, em se sentir seguro consigo mesmo e com os outros… Esta desempenha o papel de regulador emocional, designadamente face ao stress, por outro lado, a segurança da relação da criança com os progenitores propicia o desenvolvimento da sua autonomia no sentido da construção da identidade pessoal. Pois é o sentimento de segurança e de confiança em saber que os pais permanecem que motiva a criança a ousar explorar o meio, a afastar-se, a sentir-se livre para estabelecer outras relações, ou seja, para “abrir as asas e voar”. JJ
Estar vinculado é utilizar o que se designa por “base de segurança” a partir da qual o indivíduo explora o mundo, e para a qual regressa se sentir ameaçado ou inseguro. E este sentimento de segurança é essencial para o equilíbrio psicológico.
Na base do processo de individuação está portanto a vinculação. A individuação é uma necessidade primária de o ser humano criar a sua própria identidade, a sua individualidade, de se distinguir daqueles com quem mantém laços de vinculação. E são as figuras de vinculação que favorecerão o processo de individuação, ao desenvolverem relações de segurança e de confiança.
A sensação de estarmos seguros, porque a outro estamos afectivamente ligados,
tem sido amplamente investigada nas últimas décadas, e descrita como o
alicerce para um desenvolvimento saudável.

Fontes:
Livro de Psicologia – “O Ser humano” 12ºano, Porto editora
http://piprem.blogspot.com/2007/11/em-reguengos-dia-5-de-dezembro-de-2007.html


E tu? O que entendes por afectividade?



É muito provável que tenhas descrito afectividade como um comportamento amoroso, atitudes delicadas, bom humor. Ou seja, quando pensamos na palavra afectividade, o que nos ocorre são atitudes e comportamentos que chamamos de positivos. Nunca podemos imaginar como afectividade sentimentos como ódio, raiva, medo. No entanto, a Psicologia informa-nos que a nossa vida afectiva ou a nossa afectividade é o conjunto de todos os nossos sentimentos, emoções, humores, paixões, sejam eles positivos ou negativos.
Assim, a afectividade faz parte de nossa vida psíquica e para estudar o ser humano temos que considerar a importância dos afectos. Muitas vezes programamos uma forma de agir e quando nos deparamos com a situação fazemos tudo completamente diferente. Isto acontece porque os afectos interferem no nosso comportamento. Para algumas teorias, os afectos dão significado aos estímulos do mundo externo. A vida afectiva é composta por dois afectos básicos que são o amor e o ódio e que também estão juntos nas nossas acções e pensamentos. Ao falarmos em afectividade temos que considerar as emoções, que são expressões da vida afectiva e que são acompanhadas de reacções breves do organismo em resposta a um acontecimento inesperado. Quando por exemplo, sentimos medo, a emoção aparece acompanhada de fortes batimentos cardíacos e, por muito tempo, este facto fez com que as pessoas acreditassem que o coração fosse o lugar das emoções. Tremores, risos, choro, lágrimas, expressões faciais, jeito de falar e outras reacções orgânicas também acompanham as emoções. Estas reacções são “descargas” da tensão do organismo emocionado.
Cada cultura tem expressões diferentes para as emoções. Em toda a cultura, além de acontecer uma estimulação para certos tipos de expressão emocional, há a repressão de outras. Em certas culturas os homens por exemplo, são proibidos de chorar, como se o choro fosse um sinal de fraqueza, e as mulheres são mais incentivadas a expressar o que sentem. Estas reacções são aprendidas através do que a cultura selecciona através de normas e regras impostas numa sociedade. Uma mesma reacção pode expressar emoções diferentes e assim, por exemplo, podemos chorar de tristeza ou de alegria. De acordo com as emoções que temos, diante de cada situação, podemos avaliar melhor o que nos acontece. Elas têm uma função adaptativa e também estão ligadas a uma possibilidade de linguagem, na medida em que podemos dizer ao outro o que sentimos, através delas. As emoções podem ser de raiva, medo, vergonha, desprezo, tristeza, alegria, amor, paixão, atracção e outras. Podem ser fortes, fracas, passageiras duradouras e podem mudar com o tempo, fazendo com que uma coisa que nunca nos emocionou passe a nos emocionar. Podemos ou não saber definir que tipo de emoção estamos a sentir em determinadas situações. Perante a nossa história pessoal somos “levados” a sentir determinadas emoções singulares e únicas.
Outra forma de expressão de nossa afectividade são os sentimentos, que são diferentes das emoções por serem mais duradouros, e pelas reacções orgânicas que não são tão intensas. Os sentimentos estão voltados para o nosso interior, são privados, por isso contrariamente as emoções não se podem observar e interpretar. São mais amenos e podem ser a amizade, a ternura e outros. Pode-se dizer por isso que os sentimentos são de cada um, são únicos. Mas como lidar com eles? Como fazer com que uma paixão deixe de incomodar? Como fazer com que a raiva vá embora? Por outras palavras, como será possível dominar os sentimentos? Ou não será possível?
As manifestações da nossa afectividade estão presentes em tudo o que fazemos, pensamos e sentimos. E tu? Olha no teu interior, desvenda os sentimentos que só a ti te pertencem e, emociona-te sempre que o meio assim o desejar, porque no fundo é isso que tu és…

• MONTEIRO, Manuela e FERREIRA, Pedro. Ser Humano. 2ª Ed. Vol. 2. Porto Editora, 2006.
• http://filosofiadaarte.no.sapo.pt/emoc.html
• http://www.lite.fae.unicamp.br/cursos/ep127/emocao.htm
• http://gballone.sites.uol.com.br/afeto.html

Filipa Correia

O que é a memória?



Vamos lá recorrer a nossa memória e tentar perceber o que é isto de memória… Ups, mas que falha de memória, recorrer ao próprio conceito para entender o que significa!! Mas afinal se tentarmos colocar a memória de lado não conseguiremos, certamente, definir seja memória, seja outra palavra. Será assim tão importante a nossa memória? Até que ponto?
Podemos caracterizar memória como um dos processos cognitivos existentes que tem sustento na aquisição bem como na evocação dos conhecimentos, das experiências, das informações, entre outros elementos. Tentando dar uma resposta objectiva às questões levantadas anteriormente, posso afirmar que sim, a memória é condição de sobrevivência. Isto acontece, porque permite que nos adaptemos ao meio envolvente e com isso aprendamos, criando-se assim o “eu”, a identidade pessoal (que todos nós temos necessidade de nos afirmar enquanto Seres Humanos).
A memória é ainda caracterizada por três processos, que se designam por codificação, armazenamento e recuperação da informação. Num conhecimento mais comum, a memória pode ser a curto ou a longo prazo.
Relativamente à memória a curto prazo é possível dizer que a informação é mantida num limitado período de tempo, em que passa ou a ser esquecida ou a longo prazo. Dentro desta ainda conseguimos encontrar a memória imediata (dura apenas por segundos) e a memória de trabalho (dura enquanto nos for útil).
Falando, agora, da memória a longo prazo sabe-se que esta se “serve” dos elementos da memória a curto prazo, a sua capacidade é ilimitada, bem como o tempo que pode durar. Distinguem-se dois tipos desta memória, a declarativa (memória verbalizável) e não declarativa (informações que se apresentam nos comportamentos motores dos quais não temos consciência). Quanto à memória declarativa ainda podemos dividi-la em memória semântica (memória da linguagem) e memória episódica (experiências pessoais).
É certo que a memória não retrata a realidade de uma forma inquestionável, já que as lembranças estão influenciadas pelas emoções e experiências, mas esta faz uma reconstrução da informação recebida no decorrer do tempo, salientando-a, omitindo-a ou até mesmo distorcendo-a. É, assim, um processo inconsciente que implica como que uma idealização do passado. A esta reconstrução do passado podemos associar a identidade grupal/colectiva e a pessoal.
E já que vamos nisto de memorizar passemos ao seu contrário… Esquecer!!
O QUE É O ESQUECIMENTO?

O esquecimento é algo comum e que normalmente odiamos que aconteça…Mas será que é algo tão mau?
Caracterizado pela incapacidade de recuperação dos dados, o esquecimento torna-se então um “aliado” da memória, ou seja, só memorizamos e continuamos a adquirir informações, porque esquecemos. Muitas condições acabam por explicar este processo seja a interferência das aprendizagens, o decorrer do tempo e até mesmo o esquecimento motivado.
O esquecimento tem uma carácter selectivo e até mesmo adaptativo, digo isto com base no facto de este seleccionar o que nos é útil e eliminar aquilo que temos em desuso.
Agora firmemente vos garanto, não há memória sem cognição, ela nos permite representar o mundo bem como concretizar uma projecção do futuro com base na estruturação do presente, esta, ainda, nos actualiza os dados necessários para darmos respostas aos desafios do nosso meio envolvente. Encaro a memória mesmo como preciosa, para além da semântica e muitas outras, saliento a episódica, as lembranças da vida pessoal não são o que de mais puro guardamos? Quantas vezes já soltaste um sorriso sincero a relembrar momentos? Quantas vezes rolaram lágrimas por teu inocente rosto visualizando mentalmente situações vividas?
Agora só questiono: e tu, achas que a tua vida continuaria a ser vivida com a mesma audácia se não houvesse memória?!

Bibliografia:
Manual de Psicologia B 12ºano:
Monteiro, Manuela; Ferreira Pedro ; Ser humano 2ª parte

O lado positivo do conflito



Vivemos em sociedade, integrados em diferentes grupos sociais e é no seio da interacção com os outros que surgem os conflitos.
O conflito é uma tensão que envolve pessoas ou grupos quando existem tendências ou interesses incompatíveis. Na verdade, o antagonismo de interesses é, pois, uma hipótese plausível para a origem dos conflitos, quer sejam de ordem ideológica, cultural, religiosa, económica, cultural ou política. É também suficientemente ampla, abarcando a escassez de recursos, o antagonismo de crenças e as assimetrias de poder. Uma vez instalados, os conflitos podem ser reactivados e alimentados pelos preconceitos e atitudes negativas.
De facto, o conflito enfatiza uma perspectiva negativa, com aspectos perturbadores em elação à organização social e um exemplo de um conflito onde está presente esta “versão” negativa é o desentendimento isrealo-árabe, cujo processo se tem vindo arrastar há mais de 50 anos, sem trazer benefícios para nenhuma das partes.
Porém, esta faceta desagradável dos conflitos não pode esconder o papel favorável da sua dinâmica para a mudança e progressos sociais.
É estranho assimilar a ideia de que os conflitos possuam um lado positivo, mas é verdade que esta ideia se constata quer a nível intrapessoal quer a nível intragrupal.
Os conflitos intrapessoais (o que cada um de nós vive quando está perante motivações que são incompatíveis) são positivos porque depois de ultrapassados somos capazes de responder de forma mais adaptada à situação que vivemos.
Ao nível intragrupal os conflitos também albergam o seu carácter positivo, isto porque o confronto é gerador de mudança que é fundamento de evolução e do desenvolvimento social.
Perdendo a conotação totalmente negativa, os conflitos são encarados como um elemento vital à mudança. Muitos avanços a que se assistiu ao longo da história resultaram de inúmeros conflitos que conseguiram dinamizar grupos humanos. A título de exemplo, pensemos no contributo dos conflitos entre os negros e os brancos para o reconhecimento da igualdade de todos os cidadãos ou então pensemos talvez nas manifestações em Paris lideradas por estudantes em Maio de 1968 que abalaram o sistema político vigente em França tendo como consequência a melhoria do funcionamento de inúmeras instituições sociais.
Os conflitos são uma realidade e podem ser úteis nas diferentes instâncias, isto porque impedem a estagnação e estimulam o surgimento de ideias e estratégias.
Em suma, apesar de os conflitos incrementarem um carácter pernicioso estes também possuam um carácter positivo inerente à vida social do Homem.

“Rir é correr risco de parecer tolo.
Chorar é correr risco de parecer sentimental.
Estender a mão é correr risco de se envolver.
Expor seus sentimentos é correr risco de mostrar seu verdadeiro eu.
Defender seus sonhos e ideias é correr risco de perder pessoas.
Amar é correr risco de não ser compreendido.
Viver é correr risco de estar sempre em conflito, consigo e com os outros.
Contar é correr risco de se decepcionar.
Tentar é correr risco de fracassar.
A pessoa que não corre nenhum risco, não entra em conflito e evita alguns sofrimentos e desilusões, contudo, não sentem, não mudam, não crescem, não amam, não vivem.
O risco e o conflito fazem parte da vida que nos cobra decisões a cada instante.
O importante é decidir e agir sempre com consciência e liberdade, buscando tudo aquilo que nos trará felicidade.”

Bibliografia:
http://www.cutenath.blogger.com.br/riscos%20e%20conflitos.jpg
Monteiro, Manuela Matos e Ferreira, Pedro Tavares – Ser humano, Psicologia B do 12º ano-1ª parte, Porto editora

Freud e o inconsciente

Contributos na história da Psicologia para o estudo do comportamento humano na sua complexidade

Freud e o inconsciente

Freud distinguiu três níveis de consciência, na sua inicial divisão topográfica da mente:

- Consciente - diz respeito à capacidade de ter percepção dos sentimentos, pensamentos, lembranças e fantasias do momento;

- Pré-consciente - relaciona-se com os conteúdos que podem facilmente chegar à consciência;

- Inconsciente - refere-se ao material não disponível à consciência ou ao escrutínio do indivíduo.
No entanto, o ponto nuclear da abordagem psicanalítica de Freud é a convicção da existência do inconsciente como:
a) Um receptáculo de lembranças traumáticas reprimidas;
b) Um reservatório de impulsos que constituem fonte de ansiedade, por serem socialmente ou eticamente inaceitáveis para o indivíduo.

A perspectiva psicanalítica de Freud surgiu no início do século XX, dando especial importância às forças inconscientes que motivam o comportamento humano. Freud, baseado na sua experiência clínica, acreditava que a fonte das perturbações emocionais residia nas experiências traumáticas reprimidas nos primeiros anos de vida. Desta forma, assumia que os conteúdos inconscientes, apenas se encontravam disponíveis para a consciência, de forma disfarçada (através de sonhos e lapsos de linguagem, por exemplo). Neste sentido, Freud desenvolveu a psicanálise, uma abordagem terapêutica que tem por objectivo dar a conhecer às pessoas os seus próprios conflitos emocionais inconscientes. Freud acreditava que a personalidade forma-se nos primeiros anos de vida, quando as crianças lidam com os conflitos entre os impulsos biológicos inatos, ligados às pulsões e às exigências da sociedade.
Considerou que estes conflitos ocorrem numa sequência invariante de fases baseadas na maturação do desenvolvimento psicossexual, no qual a gratificação se desloca de uma zona do corpo para outra – da zona oral para a anal e depois para a zona genital. Em cada fase, o comportamento, que é a principal fonte de gratificação, muda – da alimentação para a eliminação e, eventualmente, para a actividade sexual.
Das cinco fases do desenvolvimento da personalidade, Freud considerou as três primeiras - relativas aos primeiros anos de vida – como sendo cruciais. Sugeriu que, o facto das crianças receberem muita ou pouca gratificação em qualquer uma destas fases, pode levar ao risco de fixação – uma paragem no desenvolvimento – e podem precisar de ajuda para ir para além da fase dessa fase. Acreditava ainda que as manifestações de fixações na infância emergiam em adulto.
Segundo Freud, durante a fase fálica, no período pré-escolar, quando a zona de prazer muda para os genitais, ocorre um acontecimento-chave no desenvolvimento psicossexual: os rapazes desenvolvem uma ligação ou vínculo sexual à mãe e as raparigas ao pai e vêem como rival a figura parental do mesmo sexo (denominado de “Complexo de Édipo”); o rapaz aprende que a rapariga não tem pénis, assumindo que aquele foi cortado e teme que o seu pai o possa também castrar. A rapariga, por sua vez, experiencia, o que Freud chamou de inveja do pénis e culpa a sua mãe por não lhe ter dado um pénis. Possivelmente, as crianças resolvem a sua angústia identificando-se com a figura parental do mesmo sexo. Durante o período escolar, fase da latência, as crianças acalmam, socializam-se, desenvolvem competências e aprendem acerca de si própria e da sociedade. A fase genital, a última fase subsiste pela vida adulta. As mudanças físicas da puberdade reactivam a libido, a energia que alimenta as pulsões sexuais.
As pulsões sexuais da fase fálica, reprimidas durante a latência, voltam a emergir para fluir de uma forma socialmente aceite, naquilo que Freud definiu como relações heterossexuais com pessoas forra da família de origem.

Freud propôs ainda três hipotéticas instâncias da personalidade: o id, o ego e o superego.

O id é o reservatório inconsciente das pulsões, as quais estão sempre activas. Regido pelo princípio do prazer, o id exige satisfação imediata desses impulsos, sem levar em conta a possibilidade de consequências indesejáveis.
O ego funciona principalmente a nível consciente e pré-consciente, embora também contenha elementos inconscientes, pois evoluiu do id.
Regido pelo princípio da realidade, o ego cuida dos impulsos do id, logo que encontre a circunstância adequada. Desejos inadequados não são satisfeitos, mas reprimidos. Apenas parcialmente consciente, o superego serve como um censor das funções do ego (contendo os ideais do indivíduo derivados dos valores familiares e sociais), sendo a fonte dos sentimentos de culpa e medo de punição.
Obstáculo ao Crescimento: a Ansiedade
Para Freud, o principal problema da psique é encontrar maneiras de enfrentar a ansiedade. Esta é provocada por um aumento, esperado ou previsto, da tensão ou desprazer, podendo se desenvolver em qualquer situação (real ou imaginada), quando a ameaça a alguma parte do corpo ou da psique é muito grande para ser ignorada, dominada ou descarregada. As situações prototípicas que causam ansiedade incluem as seguintes:
1. Perda de um objecto desejado - Por exemplo, uma criança privada de um dos pais, de um amigo íntimo ou de um animal de estimação.2. Perda de amor - A rejeição ou o fracasso em reconquistar o amor, por exemplo, ou a desaprovação de alguém que lhe importa.3. Perda de identidade - É o caso, por exemplo, daquilo que Freud chama de medo de castração, da perda de prestígio, de ser ridicularizado em público.4. Perda de auto-estima -. Por exemplo a desaprovação do Superego por actos ou traições que resultam em culpa ou ódio em relação a si mesmo.
A ameaça desses ou de outros eventos causa ansiedade e haveria, segundo Freud, dois modos de diminuir a ansiedade. O primeiro modo seria lidando directamente com a situação. Resolvemos problemas, superamos obstáculos, enfrentamos ou fugimos de ameaças, e chegamos a termo de um problema a fim de minimizar seu impacto. Desta forma, lutamos para eliminar dificuldades e diminuir probabilidades de sua repetição, reduzindo, assim, as perspectivas de ansiedade adicional no futuro.
A outra forma de defesa contra a ansiedade deforma ou nega a própria situação. O Ego protege a personalidade contra a ameaça, falsificando a natureza desta. Os modos pelos quais se dão as distorções são denominados Mecanismos de Defesa.

Mecanismos de defesa

Mecanismos de defesa são processos psíquicos inconscientes que aliviam o ego do estado de tensão psíquica entre o id intrusivo, o superego ameaçador e as fortes pressões que emanam da realidade externa.
Devido a esse jogo de forças presente na mente, em que as mesmas se opõem e lutam entre si, surge a ansiedade cuja função é a de assinalar um perigo interno. Esses mecanismos entram em acção para possibilitar que o ego estabeleça soluções de compromisso (para problemas que é incapaz de resolver), ao permitir que alguns componentes dos conteúdos mentais indesejáveis cheguem à consciência de forma disfarçada.
No que toca ao fortalecimento do ego, a eficiência desses mecanismos depende do nível de integração dessas forças mentais conflituosas por parte do ego, pois diferentes modalidades de formação de compromisso poderão (ou não) vir a tornar-se sintomas psiconeuróticos.
Quanto mais o ego estiver bloqueado em seu desenvolvimento, por estar enredado em antigos conflitos (fixações), apegando-se a modos arcaicos de funcionamento, maior é a possibilidade de sucumbir a essas forças.

Os principais mecanismos de defesa são os seguintes:

1. Repressão - retirada de ideia, afectos ou desejos perturbadores da consciência, pressionando-os para o inconsciente.
2. Formação reactiva - fixação de uma ideia, afecto ou desejo na consciência , opostos ao impulso inconsciente temido.
3. Projecção - sentimentos próprios indesejáveis são atribuídos a outras pessoas.
4. Regressão - retorno a formas de gratificação de fases anteriores, devido aos conflitos que surgem em estágios posteriores do desenvolvimento.
5. Racionalização - substituição do verdadeiro, porém assustador, motivo do comportamento por uma explicação razoável e segura.
6. Negação - recusa consciente para perceber fatos perturbadores. Retira do indivíduo não só a percepção necessária para lidar com os desafios externos, mas também a capacidade de valer-se de estratégias de sobrevivência adequadas.
7. Deslocamento - redireccionamento de um impulso para um alvo substituto.
8. Anulação - através de uma acção, busca-se o cancelamento da experiência prévia e desagradável.
9. Interjeição - estreitamente relacionada com a identificação, visa resolver alguma dificuldade emocional do indivíduo, ao tomar para a própria personalidade, certas características de outras pessoas.
10. Sublimação - parte da energia investida nos impulsos sexuais é direccionada à consecução de realizações socialmente aceitáveis (e.g., artísticas ou científicas).

Em suma, a teoria de Freud constituiu uma importante contribuição histórica. Fez-nos tomar consciência dos pensamentos e emoções inconscientes, da ambivalência das relações precoces de pais e filhos, e da presença, desde o nascimento, de pulsões sexuais. O seu método psicanalítico influenciou muito a psicoterapia actual, embora a teoria freudiana se inscreva largamente na história e sociedade da época (na cultura europeia da época Vitoriana).

Bibliografia:
Livro de Psicologia “Mundo da Criança” de Diane E. Papalia, Sally Wendkos Olds e Ruth Duskin Feldman.

Vejo o Mundo como Eu Sou






Imagina-te nesta sala com os teus colegas, com a tua professora de Psicologia, com a janela da sala um bocado aberta… É através da visão que recebes informações que te situam nesse lugar. Para além de ouvires a tua professora, também ouves os teus colegas a falarem para ti, e até mesmo a intervirem no discurso da professora. Se detiveres a tua atenção, apercebeste do ruído que passa fora da sala de aula (se alguém passar pela tua sala e começar aos gritos). Nesse dia, sentes-te bem uma vez que está um dia de sol e estás de t-shirt (não tens frio nem calor), e como puseste o teu perfume preferido, sentes um cheiro agradável. Mas, infelizmente, como estás com fome porque não tomaste o pequeno-almoço, pedes à professora para ir à casa de banho e vais à sala do aluno comprar algo para comeres. ATENÇÃO: isto não se faz =)!
Foi graças aos teus órgãos dos sentidos, que te apercebeste das cores, dos sons, dos aromas, do calor, dos sabores… A percepção é precisamente um processo cognitivo, que pode ser descrita como a forma como vemos o mundo à nossa volta, o modo segundo o qual o indivíduo constrói em si a representação e o conhecimento que possui das coisas, pessoas e situações, ainda que, por vezes, seja induzido em erro. Percepcionar algo ou alguém é captá-lo através dos sentidos e também fixar essa imagem.
As relações entre o indivíduo e o mundo que o rodeia são assim regidas pelo mecanismo perceptivo e todo o conhecimento é necessariamente adquirido através da percepção. Dois indivíduos, da mesma faixa etária, que sejam sujeitos ao mesmo estímulo, nas mesmas condições, captam-no, seleccionam-no, organizam-no e interpretam-no com base num processo perceptivo individual segundo as suas necessidades, valores e expectativas.
O processo perceptivo inicia-se com a captação, através dos órgãos dos sentidos, de um estímulo que, em seguida, é enviado ao cérebro. A percepção pode então ser definida como a recepção, por parte do cérebro, da chegada de um estímulo, ou como o processo através do qual um indivíduo selecciona, organiza e interpreta estímulos. Este processo pode ser decomposto em duas fases distintas: a sensação, mecanismo fisiológico através do qual os órgãos sensoriais registam e transmitem os estímulos externos; e a interpretação que permite organizar e dar um significado aos estímulos recebidos.
A sensação corresponde a uma resposta directa e imediata dos órgãos sensoriais a um estímulo básico como por exemplo a luz, a cor, o som ou o tacto. A sensibilidade ao estímulo varia consoante a qualidade sensorial dos órgãos receptores e a quantidade e a intensidade dos estímulos aos quais estamos expostos. Por exemplo, uma pessoa cega tem a percepção auditiva e táctil mais desenvolvida que a maioria das pessoas e como tal é capaz de ouvir sons que normalmente as pessoas não ouvem conscientemente.
As percepções não são cópias do mundo à nossa volta. A percepção não reproduz o mundo como um espelho, o cérebro não regista o mundo exterior como um fotógrafo: constrói uma representação mental ou imagem da realidade. E é no cérebro que se vão estruturar e organizar as representações do mundo, é no cérebro que se dá sentido ao que vemos e ouvimos. Por isso se diz que é no cérebro que se ouve, se vê, se sente o calor, os cheiros, os sabores. A informação proveniente dos órgãos sensoriais é tratada pelo cérebro. É nesta estrutura que ganha sentido e significado.
“Vejo o mundo como eu sou e não como ele é”…

Alexandra Tolda Pinto nº1 12ºB

sábado, 12 de abril de 2008

O ser humano para além do biológico...

Concordo plenamente contigo, Sofia Oliveira, o Homem é um enigma. “Quem é afinal este ser que se julga tão grandioso e que ao mesmo tempo não consegue dizer quem é?”
Aquilo que nós somos é resultado da nossa memória. A memória retém acontecimentos, informações, ideias, conhecimentos, encontros. É ela que nos torna únicos, assegura-nos a nossa identidade pessoal. Se associamos a memória à manutenção do passado, convém salientar que é graças a esta que podemos estruturar o nosso presente e que é possível pensarmos e projectarmos o futuro. A nossa sobrevivência está dependente da memória pois é esta que nos permite, sempre que necessitarmos, actualizar a informação necessária para responder aos desafios do meio.
Que noção da realidade tem alguém cuja memória dura apenas 30 segundos?
“Memento” de Christopher Nolan trata-se de um “thriller” psicológico construído…ao contrário. O protagonista como não consegue conservar nenhuma memória mais do que alguns minutos, necessita de escrever as suas memórias a cada instante, e fá-lo em grande parte, em tatuagens no seu próprio corpo. No limite, ele é o fantasma andante da sua própria história, quer dizer, a prova carnal de como qualquer tentativa de controlar o fluxo do tempo se aproxima da máxima lucidez ou da máxima loucura.
A personagem tem a mesma noção da realidade objectiva de que qualquer um de nós pois a única realidade objectiva é aquela das coisas percebidas pelos nossos sentidos, no instante. O que o amnésico perde é a noção de identidade e a noção de sentido. É o que nos permite julgar, tomar decisões. Um homem que perde a identidade que motivo poderá ter para continuar a viver? Qual o sentido para a sua existência, para a sua vida? Mas, o sentido não está no real, no mundo, mas sim no ideal, dentro de nós. Não está no que é, mas sim no que deve ser.
Quantas vezes criamos versos e imagens que nunca existiram? Podemos não agir sempre de acordo com as nossas recordações, mas o que fazemos fica sempre escrito pelo tempo, sendo também ele que apaga o que pensamos. Contudo, o ser humano também tem a capacidade de esquecer o que pretende esquecer, é uma forma de mecanismo de defesa através do qual pensamentos, desejos, sentimentos e recordações dolorosas são afastadas da consciência com o objectivo de reduzir a tensão provocada por conflitos internos. Tudo o que é mental pode ser construído, reformulado, manipulando o próprio ser humano.
O que somos, para além do que sabemos ou do que julgamos saber? E o mundo o que é para nós, para além do que julgamos nele ver?
O drama de Lenny, o protagonista, pode ser resumido nas suas próprias palavras “preciso acreditar que, ao fechar os olhos, o mundo continuará a existir”.
O mundo é o que está na mente de cada um de nós.
Penso que um pequeno excerto que li num livro de Nicholas Sparks – “Alquimia do Amor”- apesar de se referir concretamente à doença de Alzheimer, acho que podemos estabelecer uma certa proximidade com Lenny pois o seu “estado clínico” também está relacionado com a memória imediata – “Allie sofrera de Alzheimer, doença que acabei por considerar uma verdadeira invenção do demónio. É um lento desfazer de tudo aquilo que a pessoa já foi. Afinal, o que somos nós sem as nossas memórias, sem os nossos sonhos?”

A importância das relações precoces

Como todos nós sabemos o ser humano pode ser definido como um ser biologicamente social, e é esta vocação social que se manifesta logo após o nascimento do bebé nas relações precoces que estabelece com a mãe e com as pessoas que cuidam dele. A qualidade da relação entre o bebé e a figura parietal depende da capacidade dos cuidadores responderem adequadamente aos estados emocionais do outro e este processo designa-se por regulação mútua, e é aqui que tanto os bebés como os progenitores comunicam estados emocionais e respondem de forma adequada. Podemos então dizer que existem laços de vinculação, sendo esta a necessidade de criar e manter relações de proximidade e afectividade com os outros e assim assegurar protecção e segurança, entre o bebé e a figura parietal.
É por tudo isto que acabei de referir que podemos concluir o quão são importantes as relações que estabelecemos desde idade tenra já que estas nos vão ajudar, ou por outro lado prejudicar, na sua ausência ou quando são relações de má qualidade que perturbam o bebé, nas diferentes etapas da nossa vida já que a existência de uma boa vinculação favorecerão o nosso processo de individuação (a individuação é uma necessidade primária do ser humano que consiste em criar a sua própria identidade). Percebemos então que uma boa vinculação favorece a individuação uma vez que, se as figuras de vinculação desenvolverem relações de confiança com o bebé este vai-se sentir seguro para criar a sua identidade pois tem auto-estima e auto-confiança para enfrentar os desafios que a vida lhe impõe.

A atracção que nos une...

Sendo este um blog que tem como tema geral a psicologia e todas as suas ramificações nada mais interessante a tratar do que aquilo que une tantas pessoas e por vezes também afasta, a atracção. Quantas vezes nos perguntamos a nós próprios repetidamente o porquê de gostarmos tanto daquela pessoa, de nos sentirmos de tal forma atraídos por ela que isso nos leva a querer a sua presença? A resposta a esta pergunta é simples, podemos dizer que “estes sintomas” são consequência da atracção que sentimos por essa determinada pessoa já que a atracção interpessoal se reflecte pela preferência por determinadas pessoas, o que nos leva a querer partilhar a sua presença e isto está intimamente relacionado com as emoções, sentimos e a história pessoal de cada um.
Para responder à pergunta que em cima mencionei posso apenas dizer que o facto de nos sentirmos atraídos por determinadas pessoas deve-se ao facto da existência de factores como por exemplo a proximidade, tendemo-nos a sentir atraídos por pessoas que estão mais próximas de nós; a complementaridade, uma vez que as assimetrias das características dos outros que tornam o outro atraente, na medida em que nos complementam; as semelhanças interpessoais, sentimo-nos atraídos por pessoas que têm comportamentos, atitudes, valores, interesses semelhantes aos nossos; a reciprocidade, as apreciações positivas dos outros têm um efeito muito forte na atracção que os outros exercem sobre nós. Existem ainda inúmeros factores que podem explicar este facto tal como a admiração, respeito, aceitação, gratidão, entre muitos outros.
Espero portanto que, com esta pequena reflexão, os leitores tenham ficado mais esclarecidos sobre “a forte atracção que nos une”.

Bibliografia:
Psicologia B, 12º ano, 1ª Parte, Porto Editora

Pais? Ou simples progenitores?!

É bem conhecida por todos nós a importância que as gerações mais novas dão aos meios de comunicação social, principalmente à televisão. No entanto, é importante que em vez de nos perguntarmos porque é que uma criança não larga a televisão, nos perguntemos porque razão esta sente necessidade de ver televisão?! É que, muitas das vezes, são os próprios adultos (que, curiosamente, são os primeiros a criticar os comportamentos das crianças) que criam este hábito.
Podem existir vários motivos que contribuem para que as crianças se tornem “televiciadas”, entre eles: a existência de televisões em quase todas as divisões da casa, em todos os cafés que os pais frequentam e na casa de todos os amiguinhos; o facto de os próprios pais também verem televisão frequentemente; a realidade de que não têm companhia para brincar e, por isso, ficam a ver televisão; entre outros. Então, era no sentido de anular esta conduta errada que os pais deviam intervir, fazendo com que as crianças adoptassem outros comportamentos, tais como estudar ou fazer pesquisas na Internet para aprenderem coisas novas. Mas, será que os pais se preocupam realmente com isso? Não me parece, já que são eles que, ao promover o acesso constante da criança a televisões, impulsionam o seu desejo de ficar horas e horas a ver desenhos animados por exemplo. Além disso, qual é o papel dos pais na vida das crianças actualmente? Será que estes estão realmente presentes na vida dos seus filhos? A verdade é que a função dos progenitores na educação dos descendentes tem sido cada vez mais desvalorizada. Com o trabalho, as arrumações da casa, os compromissos e os “horários para tudo” os pais são praticamente obrigados a abdicar do seu direito de fazer parte da educação dos próprios filhos…
Resta-lhes, dessa forma, deixar que o seu papel seja desempenhado por outros, tais como os educadores de infância, os professores, os funcionários das escolas, os amiguinhos, etc. São estes que assumem actualmente a função de agentes de socialização (apesar de serem apenas isso, não se criando, na maior parte dos casos, laços de afectividade entre estes e as próprias crianças), já que os pais não conseguem estar minimamente presentes na vida dos seus próprios filhos. Dessa forma, a criança acaba por sentir, mais tarde ou mais cedo, a falta de atenção por parte dos pais, pelo que arranja uma forma de remediar a ausência permanente destes: ver televisão, arranjando algures em programas televisivos modelos que possa adoptar e imitar… É aqui que entram as séries como os “Morangos com açúcar”, que instituem na cabeça de crianças rotinas que não pertencem à sua realidade nem à sua faixa etária.
É caso para dizer que, ou os pais começam a perceber que estão a falhar na educação dos próprios filhos, ou a sociedade futura basear-se-á em valores e costumes totalmente desenquadrados. Mais, cabe-nos também a nós, futuros pais, reflectir sobre este assunto para que mais tarde não sermos capazes de repetir estes erros com os nossos próprios descendentes.

Alzheimer

O que é a doença de Alzheimer?
A doença de Alzheimer, é uma doença que afecta o cérebro (morte das células cerebrais e consequentemente atrofia o cérebro) e que se caracteriza por a perda das faculdades cognitivas superiores, manifestando-se inicialmente por alterações da memoria episódica, acabando assim por determinar a completa ausência de autonomia dos doentes. Esta doença relaciona-se muito com a idade, afectando as pessoas com mais de 50 anos. O início da doença pode dar – se, muitas das vezes, com simples alterações de personalidade.

Qual é a causa da doença de Alzheimer?
A causa desta doença ainda não está definida. A comunidade científica diz-nos que é uma doença geneticamente determinada, embora possa ou não, ser hereditária, ou seja, uma doença que se passa de pais para filhos.
Como se faz o diagnóstico?
Não existe nenhum exame que nos permita identificar a doença, apenas existe um única forma que nos possa indicar, que é examinando o tecido cerebral obtido por uma biopsia ou necrópsia.
Qual o tratamento adequado?
O tratamento visa confortar o paciente e retardar o máximo possível a evolução da doença. A doença de Alzheimer não tem cura e, no seu tratamento, há que atender a duas variáveis:
· Ao tratamento dos aspectos comportamentais. Nesta vertente, além da medicação, convém também contar com orientação de diferentes profissionais de saúde;
· Ao tratamento dos desequilíbrios químicos que ocorrem no cérebro. Há medicação que ajuda a corrigir esses desequilíbrios e que é mais eficaz na fase inicial da doença, mas, infelizmente, tem efeito temporário. Por enquanto, não há ainda medicação que impeça a doença de continuar a progredir.

Webgrafia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Mal_de_Alzheimer

http://www.portaldasaude.pt/portal/conteudos/enciclopedia+da+saude/doencas/doencas+degenerativas/oqueeadoencadealzheimer.htm

http://www.cm-almodovar.pt/redesocial/documentos/SITUA%C3%87%C3%83O%20SOCIAL%20DOENTES%20ALZHEIMER%20-%20um%20estudo%20explorat%C3%B3rio.pdf

Como vai a tua memória?

Eric Kandel, o Nobel da Medicina, acredita que os segredos da Mente serão revelados no século XXI? Pois é. Este senhor de 77 anos que nasceu em Viena, a 7 de Novembro de 1929 tem como segredo para a sua longevidade (pelo menos da memória!) o facto de exercitar o cérebro.
Começou a estudar as doenças mentais humanas através de um ser vivo bastante simples: Aplysia punctata (molusco marinho). Estudou este tipo de seres vivos, porque o seu cérebro era muito simples (tinha as células nervosas maiores do reino animal, mas um sistema nervoso simples). A conclusão a que chegou depois de o estudar era de que o poderia ensinar, modificar o seu comportamento e analisar os efeitos a nível celular da aprendizagem e da memória. Esta espécie de lesma conseguia mesmo aprender uma série de respostas reflexas.
Mais tarde, este génio quis aventurar-se pelas formas de vida mais complexas. Para isso escolheu o rato, um mamífero, e por isso muito mais próximo dos seres humanos. Para além de ser um mamífero, este ainda possuía outra vantagem: o facto de os princípios que se verificavam na Aplysia permanecerem neles, o que nos humanos também acontece, no entanto nós somos mais complexos, e por isso, mais difíceis de trabalhar.
Deste modo, temos em comum as mudanças funcionais na bioquímica das células nervosas (memória a curto prazo) e o desenvolvimento de novas ligações e alterações anatómicas (memória a longo prazo) constantes para quase todas as formas de aprendizagem. Ou seja, estes animaizinhos muito simples têm memória a longo prazo! Outro facto muito interessante é podermos modelar num rato imensas perturbações psiquiátricas, como por exemplo a esquizofrenia. É evidente que não existem ratos esquizofrénicos, mas podemos perfeitamente alterar genes no animal, acabando por lhe provocar certas perturbações que acontecem nas pessoas ou então colocar-lhe um gene humano da doença. O ratinho iria acabar por apresentar três tipos de sintomas: positivos (loucura, euforia, alucinações); negativos (isolamento social) e cognitivos (desorganização, défice no funcionamento da memória).
E assim, podemos concluir que um defeito nos receptores D2 (ligados ao neurotransmissor dopamina), que é uma falha associada à esquizofrenia, faz ocorrer um défice cognitivo. Estas doenças psiquiátricas são para a vida toda e tornam-se um fardo médico e uma carga financeira para a sociedade, podendo começar na juventude e durar a vida inteira!!!
Se estás interessado, podes ler a entrevista completa in Visão.
PS: Para terminar, (e já estou a ser muito chata!) gostaria de lançar umas últimas questões para pensarem. Como é que se processa o armazenamento da memória? Será que está ligado à doença de Alzheimer? E nós que somos estudantes: será que podemos fazer alguma coisa para melhorar a nossa memória? Será que esta é limitada? E os suplementos para a memória serão realmente eficazes?
Já agora, vale a pena pensar nisto…
O armazenamento da memória…
Hoje em dia, sabemos que a memória é algo muito complicado. Podemos recordar algo que já se passou há mais de 50 anos e simplesmente não nos lembrarmos do que comemos ontem ao almoço. Tudo isto tem uma explicação muito simples, nós prestamos mais atenção e damos mais significado a uns acontecimentos do que a outros. Existem ainda aquelas pessoas que sofrem de Alzheimer , que , para quem não sabe, é a perda de algumas ligações nervosas.
Outro facto muito interessante, é que algumas pessoas têm uma excelente memória e outras têm uma péssima. O que acontece nestes casos é que existem diferenças genéticas e, noutros casos, uns treinam mais a memória do que outros, atrasando mesmo a doença de Alzheimer. Ao trabalharmos a memória, crescem novas ligações sinápticas. Como através da doença se perdem muitas ligações, o que acontece é que, como fomos formando muitas outras, demora algum tempo até que se verifique os efeitos da enfermidade.
Uma grande dúvida que existe em relação à memória, é que pensamos que se perde mais facilmente a memória a curto prazo do que a memória a longo prazo. Mas isto tem uma explicação. As pessoas com o passar dos anos, acabam por não aceitar novas informações e não conseguem colocá-las na memória a longo prazo, ou seja, lembram-se de coisas previamente armazenadas, mas não são capazes de acrescentar novas. Não perdem a memória a curto prazo, simplesmente são incapazes de a transformar numa a longo prazo. – Tal e qual o filme que visualizámos “Memento”. Curiosamente, também podemos inferir daqui que conseguimos praticar o recordar. E o que é recordar? É o simples facto de vermos um evento, associá-lo a um anterior e a experiência inicial aparecer. Por vezes, sem querermos, lembramo-nos de coisas que nem sequer estamos a pensar. Surgem-nos assim na cabeça. Isto significa que o nosso cérebro está a trabalhar nesse mesmo assunto, sem nos darmos conta, inconscientemente.
Já agora, vale a pena pensar nisto…
Estás sempre a lamentar-te que a tua memória é pequena? Passas a vida a sacrificar o teu médico de família para te dar o tão famoso centrum? És capaz de suplicar ao farmacêutico que te dê as vitaminas que tanto precisas? Pois vou desiludir-te (Arre!!! Esta mania da psicologia de só trazer desilusões!!!). Pois é, é que estes suplementos para a memória são puro efeito placebo. Mas então, perguntas tu, o que é que podemos fazer para melhorar a memória? (Para além de a exercitar, é claro!)
Como por agora ainda não podemos mexer nos genes, e como não existe qualquer tipo de medicamento ou chip que nos faça aumentar a memória, temos que nos contentar com a cafeína. Não há nada tão eficaz como uma boa chávena de café para os estudantes ajudarem a sua memória a armazenar. Ao aumentar os níveis de uma molécula muito importante para o armazenamento da memória, a cafeína torna-se assim um dos melhores amigos dos estudantes. Assim, já sabes, quando te sentires com falta de memória, desata a correr para o café mais próximo !!!
Vamos agora reflectir sobre a memória e a inteligência. Qual delas pensas que é mais importante? Qual gostarias de ter? Pessoalmente eu preferia as duas, mas deixo ao critério de cada um a escolha.
Se és daqueles que não tem memória de todo, tem cuidado, pois dificilmente serás muito esperto. No entanto, se fores bastante inteligente, escusas de te preocupar tanto com a tua memória, pois é possível ter-se uma má memória e ser-se inteligente e ao contrário também é verdade. Estás confuso? Não estejas. O que acontece de facto é que as pessoas que têm uma memória perfeita acabam por não ser muito criativas. Como têm a cabeça cheia de lixo, não conseguem ter espaço para a criatividade.
Para terminar, (e já estou a ser muito chata!) gostaria de lançar uma última questão para pensarem podemos dizer que o cérebro, para uma grande maioria das pessoas é ilimitado. O que infelizmente pode acontecer é que muitas pessoas tendem a memorizar absolutamente tudo, e assim, o cérebro pode ficar sobrecarregado, sem espaço para pensar. O espaço para aprender continua lá, certos aspectos da criatividade é que ficam comprometidos.
Se ficaram curiosos sobre estes temas podem consultar a entrevista na íntegra ao senhor Erik in Visão ou então podem sempre ler o texto do argentino Borges, Funes, O Memorioso. Este mostra-nos uma pessoa de memória excelente, mas com uma criatividade nula.

"Memento"

Quem somos? O que é que fazemos? Qual é o sentido das nossas vidas?

Depois de visualizarmos o filme MEMENTO compreendemos que a nossa memória aparentemente tão distante e sem importância se torna uma verdadeira relíquia sem a qual não conseguiríamos viver.
Este filme retrata-nos a vida de um jovem que sofreu um traumatismo craniano e que, a partir desse momento, nunca mais foi o mesmo. Apesar de se lembrar de tudo o que tinha sido, não conseguia reter no pensamento as suas memórias actuais. E assim, dia após dia, tentava vencer a batalha com que se deparava: acordar, recorrer às suas fotos e tatuagens para se recordar do propósito da sua vida e conseguir dar um rumo a um novo dia. Longe de conseguir ganhar a guerra, este indivíduo vai agindo diariamente como um detective, tentando resolver o enigma da morte da sua mulher – que é a última coisa de que se lembra. Entre mal entendidos, pessoas que se aproveitam do seu estado e até alguma confusão e escarnecimento, este jovem vê a sua vida andar para trás a cada momento que passa. E quando não consegue registar os acontecimentos, ou ainda quando queima as fotografias, a sua memória e as suas recordações vão sendo alteradas de tal forma que este indivíduo deixa de ter vida própria, centrando-se exclusivamente em descobrir o aparente assassino da mulher. Quando o encontra, muitas das vezes já não se recorda do que estava a fazer, tendo de voltar a rever as fotos para se lembrar.
E assim, para que a sua vida não deixe de fazer sentido, assassina o suspeito e queima a fotografia desse momento. No dia seguinte, volta tudo a repetir-se: mais uma perseguição, mais uma charada por resolver, mais um conflito que está longe de ter fim.
O mais interessante neste filme, na minha opinião, não é a história em si. Para mim, mais importante do que isso, é o facto do realizador ter tido a inteligência e a perspicácia de avaliar a memória dos espectadores. É que, a cada momento a preto e branco, é necessário voltarmos a construir a história desde o início, o que se torna bastante complicado e, por vezes, até nos faz “perder o fio à meada”, ficando nós mesmos, como o protagonista, perdidos no meio de todas as cenas da vida. O filme é todo “baralhado”, sendo o fim no princípio e o princípio no fim, fazendo com que nós, espectadores, façamos uma ginástica mental tremenda até percebermos tudo. E é este aparente pormenor, que à partida não faz diferença nenhuma, que se torna a questão central do filme: ele faz-nos pensar, ele baralha-nos, ele deixa-nos confusos. – Mas afinal quem é que tem razão? Qual é a história mais verosímil? Quem é que mente menos?
E é aqui que reside toda a mestria deste filme, que nos faz sentir o que o protagonista sente. Nós chegámos a sentir que estamos tão baralhados quanto o indivíduo do filme e isso ninguém conseguiria descrever. Só sentindo mesmo.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Atracção: a química dos opostos

É extremamente curiosa a maneira como as pessoas ficam geralmente atraídas pelos ditos “opostos”. Nós sentimo-nos atraídos pelas pessoas que gostam das mesmas coisas que nós, que partilham as mesmas ideias que nós e que têm uma personalidade idêntica à nossa. Isto verifica-se muito nas relações que estabelecemos, sejam elas com amigos ou com namorados. No entanto, temos uma certa tendência para nos aproximarmos também daquelas pessoas que possuem certas características que nós apreciamos, pois assim sentimo-nos mais completos. É por este motivo que muita gente afirma que “os opostos atraem-se”.
Certamente toda a gente já afirmou que se sentia “atraído” por alguém. Mas, afinal, como podemos definir a atracção? Do ponto de vista psicológico, a atracção é a capacidade de avaliar os outros e procurar a sua companhia.
Provavelmente muitas pessoas confundem a atracção com o amor. No entanto, estes dois conceitos são distintos: o amor implica uma necessidade da presença do outro, enquanto a atracção pode ser apenas algo físico.
Porém, quando falamos em amor temos uma certa dificuldade em dizer o que é o amor e se amamos temos dificuldade em exprimir por palavras aquilo que sentimos…
E para vocês, que amam, como definem este sentimento magnífico mas estranho ao mesmo tempo?

Processos de relação entre os indivíduos e os grupos

Desde que nasce até que morre, o ser humano vive em sociedade integrado em diferentes grupos sociais. Aliás só sobrevive em interacção com os outros num mundo construído, modificado que dá resposta às suas necessidades.
Aos grupos sociais com quem interagimos associamos determinadas crenças que nos dão uma imagem simplificada das suas características e que se generalizam a todos os seus membros. Tais formas práticas de orientação seguidas pelas pessoas recebem o nome de estereótipos: ver os negros como perigosos e ladrões é encara-los sob uma perspectiva estereotipada, isto é, estamos a atribuir-lhes características que a sociedade solidificou para lhes referir.
De igual modo, sempre que nos lembramos de caracteres raciais, étnicos, nacionais ou sexuais que vulgarmente as pessoas atribuem a povos ou a grupos, estamos na presença de estereótipos
Embora possam diferir de uma sociedade para a outra os estereótipos existem em todas elas, concretizando-se em formas convencionais de ver e agir. Na base dos estereótipos está a categorização: processo que permite simplificar a complexidade do mundo social e permite ao homem orientar o seu comportamento nas relações interpessoais. O facto de as pessoas categorizarem a realidade social permite-lhes encarar eficazmente o mundo que os envolve, adoptarem comportamentos e preverem o dos outros. Os estereótipos proliferam em virtude do seu poder cognitivo.
Uma outra função dos estereótipos é a de ordem socioafectiva que se relaciona com o sentimento de identidade social ao grupo que o partilha. Somos capazes de nos distinguir dos membros de outros grupos, desenvolvendo sentimentos de “nós” (endogrupo) por oposição aos “outros” (exogrupo).
Enquanto formas cristalizadas de ver, pensar e actuar, os estereótipos têm fortes relações com os preconceitos porque na base destes está a informação vinculada pelos estereótipos. Os estereótipos fornecem os elementos cognitivos e os preconceitos acrescentam uma componente afectiva, avaliativa.
Os preconceitos são atitudes que envolvem “prejuízos”, um “pré-julgamento”, na maior parte das vezes negativo, pejorativo relativamente a membros de grupos sociais, como por exemplo “os alentejanos são preguiçosos”.
Os preconceitos como os estereótipos são ideias generalistas dos membros de determinado grupo. No entanto, as ideias generalistas são sempre deturpadas pois duas pessoas do mesmo grupo podem ter opinião diferente e agir diferente em determinada situação. Os preconceitos por vezes podem mudar.
O preconceito possui 3 componentes:
1- A componente cognitiva (ex.: opinião sobre um grupo)
2- A componente afectiva (sentimentos que se exprimem face ao objecto do preconceito)
3- A componente comportamental (ex.: comportamentos em relação a um grupo)

Os comportamentos podem reflectir-se numa opinião, por exemplo: “se não fala americano nem me dirija a palavra” ou então reflectir-se em actos de discriminação, por exemplo: “como os pretos não dão gorjeta não os atendo”.
A discriminação designa o comportamento dirigido aos indivíduos visados pelo preconceito, isto é, “todo o tratamento que nega aos indivíduos e aos grupos igualdade de tratamento que eles merecem” designa-se por discriminação.
Na base da discriminação está o preconceito, que sendo uma atitude sem fundamento, injustificada e geralmente desfavorável pode conduzir à discriminação de grupos sociais.
Discriminação e preconceito relacionam-se mas são coisas distintas, enquanto este é uma atitude, a discriminação é o comportamento que decorre do preconceito. A discriminação pode demonstrar-se a diferentes níveis:
1-Verbalização negativa (pessoas que se limitam a expor os seus preconceitos)
2-Evitamento (pessoas que evitam o convívio com outras de diferentes grupos sociais)
3-Discriminação (quando as pessoas excluem os membros dos exogrupos)
4-Ataque físico (comportamentos agressivos perante alguém)
5-Extermínio (liquidação do exogrupo).

Os preconceitos são uma arma, uma forma perigosa de atacar os outros, geralmente minorias. No fundo, agir preconceituosamente em relação a outrem é estabelecer barreiras defensivas relativamente ao grupo social que se tem preconceitos e estereótipos negativos.
Estereótipos, preconceitos, discriminação e intolerância foram os temas abordados ao longo deste texto e são o tema que vagueiam no filme Colisão. Este filme aborda as diversas vicissitudes das relações humanas, visando aquilo que nos aproxima e separa dos outros.
O visionamento deste filme contribui bastante para a assimilação destes conceitos e conduz nos para um reflexão pessoal profunda, isto porque nele retratam-se realidades que nos abraçam e nós não damos conta, situações a que assistimos e em relação às quais ficamos indiferentes, aquém de qualquer tipo de reacção.
Colisão é um forte olhar sobre os diversos conflitos que flutuam na sociedade. Usando alguns estereótipos o filme mostra-nos a discriminação a todos os níveis. Umas vezes de forma mais leve outras não, expõe os preconceitos que nos rodeiam e que às vezes não aceitamos que existem. Mas mais, mostra que nem tudo é preto ou branco, uma pessoa pode cometer um acto atroz num momento e noutro cometer outro totalmente altruísta.

Sónia Raquel 12º B

AMNÉSIA ANTERÓGRADA


Há várias causas que podem provocar amnésia, como por exemplo: infecções que atingem o tecido cerebral do cérebro, ferimentos ou pancadas na cabeça, um derrame cerebral, alcoolismo, etc. Se há várias causas que provocam amnésia, consequentemente há também vários tipos de amnésia, neste texto vou-me centrar, na amnésia anterógrada.
Normalmente a amnésia anterógrada é cauda por um traumatismo forte. Esta forma de amnésia é posterior ao trauma cerebral, o indivíduo só se consegue lembrar de eventos decorridos antes do trauma e tem a incapacidade ou dificuldade de se recordar de eventos recentes.
Esta amnésia está muito bem explícita nos filmes: “Memento” e “A Minha Namorada Tem Amnésia” (Fifty First Dates). Apesar de serem categoricamente diferentes pois o primeiro é um policial e a personagem principal só ter memória imediata durante uns minutos, e o segundo, uma comédia, e a personagem ter memória imediata de 24h, ambos mostram como perdemos a nossa identidade quando a nossa memória imediata se perde. As duas personagens têm em comum a necessidade de um bloco de notas para não se sentirem tão perdidos, ou seja, no caso de Lenny (no filme Memento) tatua o seu corpo criando uma linha cronológica, criando assim um caminho para atingir o seu objectivo; Já no caso de Lucy (em “A minha namorada tem amnésia”) é o próprio namorado que grava todos os momentos recentes da vida dela, assim consegue reter as memórias mais recentes e prosseguir com a sua vida. Se estes dois personagens não tivessem este bloco de notas improvisado, sentir-se-iam muito perdidos na sua vida futura, pois deixariam de ter a sua identidade.
Tudo que é mental pode ser manipulado, logo a nossa mente pode ser modificada de tal modo que a nossa realidade mental seja completamente o oposto da verdadeira realidade. Lenny (do filme “Memento”), manipulou a seu futuro de forma a que, o seu objectivo (matar quem matou a sua mulher) nunca se pudesse realizar, criando assim uma realidade inexistente, inventada. Já no caso de “A minha namorada tem amnésia” , o namorado podia manipular Lucy pois era ele que gravava a realidade de ambos, apesar de a gravação ser a copia mais verdadeira da realidade, podia mesmo assim manipulá-la negativamente.
Por isso persisto na ideia que as nossas memória recentes condicionam muito o nosso futuro, pois são elas que um dia mais tarde se tornarão em memórias antigas e serão a nossa identidade. Sem memória não temos identidade, pois a memória, é o conjunto das nossas representações sociais, e consequentemente as nossas representações são as percepções do meio onde estamos inseridos. Se modificarmos as nossas representações, a nossa percepção do mundo vai ser completamente diferentes da realidade, criando, assim, uma realidade imaginária, inexistente.
Para perceber o drama das pessoas com amnésia aconselhava a ver estes dois filmes, pois mostram perfeitamente os sentimentos de perda de identidade destes indivíduos.


Bibliografia:
· http://pt.wikipedia.org/wiki/Amn%C3%A9sia;
· http://www.manualmerck.net/?url=/artigos/%3Fid%3D101%26cn%3D928;
· MONTEIRO, Manuela Matos e FEREIRRA, Pedro Tavares, Ser Humano, 2ªParte - Psicologia B 12ºAno, Porto Editora;

A Ordem e o Controlo Social

Nas últimas décadas, assistiu-se a mudanças marcantes nos padrões culturais. Por exemplo, através da conceptualização do que é saudável, da etiquetagem de situações e comportamentos, promove-se uma visão particular da realidade que constrange as pessoas a verem o mundo de uma forma específica.
A regulamentação de comportamentos estende a sua influência a inúmeros aspectos da vida diária: exercício físico, tempo de sono, relações interpessoais, tempos livres, tipo de corpo, etc. enfim, grande parte dos nossos actos é subtilmente regulada.
Amin Malouf, as identidades Assassinas, Algés, Difel, 1998
(adaptado)


Primeiramente devemos definir ordem social e controlo social.
A ordem social consiste na tentativa de que todos os indivíduos de uma sociedade ajam em conformidade com os valores, normas, regras, e padrões culturais previamente estabelecidos. Caso tal não aconteça entra em acção o controlo social, que como o próprio nome indica, pretende controlar os comportamentos anómicos da sociedade, que podem ser desviantes, ou seja, comportamentos extremamente graves, que não se podem controlar, e os não conformistas que não são graves e se podem controlar, e ainda os comportamentos nómicos ou conformistas que actuam em conformidade com as normas, regras, valores e padrões sociais.
Para tal, temos sanções positivas ou negativas, sendo que as primeiras actuam sobre os comportamentos nómicos pois consistem em recompensas, e as últimas actuam sobre os comportamentos anómicos visto estas serem de carácter negativo, ou seja, castigos. Estes últimos podem sofrer sanções numa vasta escala que poderá ir de um simples concelho até à pena de morte.
De focar ainda que o controlo social está dividido em: controlo legal e judicial, controlo psicológico e controlo físico.
Como tal, podemos concluir que a ordem social e o controlo social interagem de forma a controlarem as mudanças existentes na sociedade, como podemos verificar nas seguintes frases do texto “ A regulamentação de comportamentos… é subtilmente regulada.”

Não sou esperto nem sou bruto ...

“Não sou esperto nem sou bruto
Nem bem nem mal educado
Sou simplesmente o produto
Do meio onde fui criado.”
António Aleixo


A quadra anteriormente transcrita do autor António Aleixo, remete-nos para o processo de socialização, que consiste na adaptação e integração, que o indivíduo efectua, das normas, padrões, regras e valores da cultura em questão.
Este processo de socialização tem como agentes a família, a escola, os mass media e os grupos de pares.
A família é o primeiro agente ao qual a criança tem contacto, sendo por isso o de maior importância, pois é este que transmite os primeiros valores, normas, regras, padrões. Este tem a função de prepara o indivíduo para a reprodução sexual, marcar os comportamentos das raparigas e a aceitação dos estatutos presentes na sociedade. Contudo, a família tem também uma vertente emocional e afectiva que permite a integração fácil e voluntária da cultura.
Após a família, temos o agente escola que tem como função preparar o indivíduo para a vida activa na sociedade, fazendo-o aceitar os papéis e os estatutos vigentes, garantindo assim a reprodução do capital e da força do trabalho.
Os mass media são um importante agente de socialização, principalmente nas sociedades mais industrializadas, nomeadamente a rádio, a televisão, os jornais, entre outros. Estes exercem um grande poder sobre os indivíduos pelo facto de serem de fácil acesso, transmitindo as normas, os valores, as regras e padrões sociais.
Quanto ao grupo de amigos, podemos dizer que são também muito importantes pois pela proximidade e afectividade integram os elementos culturais mais facilmente.
De focar que no processo de socialização se podem distinguir dois tipos, a socialização primária e a socialização secundária. No que concerne à socialização primária, esta consiste no primeiro contacto com valores, regras, comportamentos, padrões, sendo estes transmitidos pela família; relativamente à socialização secundária, esta consiste na integração e adaptação a elementos mais complexos, e ocorre ao longo de toda a vida.
Assim sendo, como podemos constatar nos seguintes versos, “ sou simplesmente o produto/ do meio onde fui criado”, o indivíduo está perante um processo de socialização, processo esse que é contínuo, ou seja, ocorre desde que o ser nasce ate à sua morte, visto que à nascença somos seres, sociologicamente, em branco.

Freud e a Psicanálise

“A psicanálise é usualmente creditada pela importância que a partir dela se passou a atribuir às motivações inconscientes (…), às experiências infantis e seus reflexos no adulto, ou ainda pelo relevo que atribui ao conflito.
(…) Com a teoria psicanalítica, acede-se, pela primeira vez, à tentativa de dar significado ao projecto de vida do sujeito individual na sua totalidade.”
Correia Jesuíno

Segundo Freud, a personalidade é determinada, na sua maioria, pelos impulsos sexuais e está centrada no desenvolvimento psicossexual.
De focar que a vida psíquica é regida pelo principio do prazer, isto é, a realização imediata dos desejos que entra em conflito com o ego, e pelo princípio da realidade, sendo este o que domina a vida consciente e corresponde à necessidade de adaptação ao real social, procurando um comportamento moderado e controlado. Através do princípio da realidade, o ego, em função das exigências do superego, avalia se as pulsões do id provenientes do princípio do prazer, são concretizáveis ou não.
Freud agrupa as pulsões em: pulsões de vida e pulsões de morte, sendo que as primeiras consistem em pulsões de auto-conservação que visam a manutenção do individuo e as pulsões sexuais; e as pulsões de morte ou destrutivas explicam as tendências agressivas ou de ausência total de tensões.
A estrutura da personalidade está dividida em id, ego e superego. O id é o inconsciente de onde brotam as pulsões, o ego é o consciente que a partir do superego, que é uma estância moral, determina se as pulsões podem ser satisfeitas ou não.
Freud atribui também grande importância aos estádios de desenvolvimento da personalidade. Estes encontram-se divididos em cinco estádios, sendo que o primeiro é o oral, o segundo anal, o terceiro fálico, o quarto latência e o quinto genital.
O estádio oral vai desde o nascimento aos 12/18 meses de idade e as fontes de prazer são os lábios, a boca e a língua. Estas manifestam-se ao mamar, comer e morder. Contudo, neste estádio é gerado um conflito na altura do desmame, sendo que as características da personalidade, dependendo da resolução do mesmo, poderão ser: optimismo, quando a criança ultrapassa o conflito, ou o pessimismo, quando esta deixa de mamar muito cedo; a impaciência; a inveja; e a agressividade.
Quanto ao estádio anal, podemos dizer que este vai dos 12/18 meses aos 3 anos de idade. As fontes de prazer são o ânus, no que diz respeito a reter ou expulsar, a controlar e constata-se no asseio. Neste estádio o conflito pode ser no treino e consequentemente provoca na personalidade a avareza, a obstinação, a ordem compulsiva e a meticulosidade, isto no caso do retentivo anal, visto que, se se verificar expulsivo-anal, constata-se a crueldade, a destruição, a desordem e a desarrumação.
No que diz respeito ao estádio fálico, que vai dos 3 aos 5/6 anos de idade, podemos referir que é muito importante, sendo que é neste estádio que se forma o superego. As suas fontes de prazer são os órgãos genitais, sendo que a criança explora o próprio corpo e o dos outros, tocando-os. O conflito estará presente no Complexo de Édipo, no caso masculino, e no Complexo de Electra, no caso feminino. Estes complexos são muito importantes na formação da personalidade, visto que, da resolução dos mesmos, que se baseia na independência por parte dos rapazes e das raparigas em relação aos pais; poderão advir o orgulho ou a humildade, a sedução ou a timidez, a castidade ou a promiscuidade. Tal é definido através do superego que se forma, pela primeira vez, neste estádio.
Relativamente ao estádio de latência, que vais dos 5/6 anos aos 12/13 anos de idade, podemos dizer que as pulsões estão adormecidas, visto que se verifica a ausência de interesses sexuais, presentes no estádio anterior, passando a verificarem-se a curiosidade intelectual e o relacionamento social da criança. Neste estádio, as características da personalidade consistem na aprendizagem social e no desenvolvimento da consciência moral.
Finalmente, em relação ao estádio genital, que se verifica depois da puberdade, podemos referir que começam a existir contactos sexuais com outras pessoas, não existindo conflito, como também acontece no estádio anterior.
Contudo, ao longo do desenvolvimento, se obtivermos excessivas satisfações, ou a não satisfação de algumas pulsões, estamos perante fixações, sendo que a criança cobra ao primeiro estádio a satisfação da pulsão, mesmo estando num estádio avançado.
De realçar ainda que as características da personalidade de cada individuo resultariam, maioritariamente das características inatas, das relações de objecto que estabelece, das identificações, das formas de resolução de conflitos intrapsíquicos e dos mecanismos de defesa que o ego utilizou.

Modelo Computacional da Mente


A ideia de que a mente se constrói fundamentalmente com dados (informações) que provêm do meio ambiente, conduziu ao modelo computacional da mente: comparou-se o funcionamento da mente, com o funcionamento de um computador.
Comparou-se vários procedimentos mentais aos procedimentos computacionais: recolha da informação, armazenamento, processamento, tratamento, estratégias de resolução de problemas. Realmente os procedimentos parecem ser semelhantes, contudo estamos perante uma perspectiva simplista e não adequada porque não se pode comparar a mente humana com uma máquina de processamento de informação.
Embora a informação esteja na base das representações, esta não é uma cópia da realidade, da informação, mas sim uma interpretação. A informação em si não tem qualquer significado, e para que as representações possam ser úteis, para se poder compreender o mundo interior e o exterior, as representações têm de ter significado para a mente. A mente mais do que tratar informação, vai criando significados (como já expliquei quando falei sobre “A mente é um sistema dinâmico de relação entre um ser humano e o seu mundo”). E aqui reside uma grande diferença com o modelo computacional, enquanto o computador se limita a executar regras abstractas, a mente humana funda-se em significados, projectos, intenções.
Pois, colocar o significado numa posição central valorizou o lado activo do homem e da mente. Nós, enquanto sujeitos activos, não nos limitamos a reproduzir mentalmente o mundo, cada um de nós mais do que recolher informação sobre a realidade, interpreta a cada momento essas informações de modo a terem significado. O sujeito apropria-se desses mesmos significados de modo a fazerem sentido no contexto da experiência social e no modo como compreende o mundo e nele age.
Outra diferença é que o funcionamento mental e a acção no mundo dos seres humanos são intencionais porque são orientados por propósitos: o que pensamos, o que agimos, ou desejamos, faz sentido. Ao apropriarmos expectativas, regras, normas, valores, construímos vontades, aspirações. Esta dimensão de desejo está presente em todas as nossas acções e comportamentos.
Percebeste agora que a mente e o computador são duas realidades distintas e insusceptíveis de comparação?


Bibliografia:
Manual de Psicologia do 12ºano
http://www.belaspoesias.kit.net/imagens/mente.jpg
http://penta2.ufrgs.br/edutools/mapasconceituais/computador.gif


Alexandra Tolda Pinto 12ºB nº1

domingo, 6 de abril de 2008

“A nossa memória é a nossa coerência, a nossa razão, o nosso sentir, até as nossas acções. Sem memória não somos nada…”


A memória é um processo cognitivo que consiste na capacidade de reter e recuperar informação. A informação, quando recuperada, não é reproduzida do mesmo modo como foi armazenada. Por isso se afirma que a memória é um processo activo, dado que os seus materiais sofrem alterações: muita informação se perde, outra se transforma com o decorrer do tempo e com as experiências vividas. Não reproduzimos fielmente o que adquirimos, o que retivemos: seleccionamos, excluímos, alteramos. Assim, a memória envolve um conjunto complexo de processos que prevê:
- Codificar : consiste em transformar a informação que nos chega através dos sentidos em representações mentais;
- Armazenar: consiste na conservação da informação durante um certo tempo, variável em função da necessidade que se tem dessa informação;
- Recuperar e utilizar a informação armazenada no processo de interpretação e acção sobre o meio.
É uma capacidade fundamental que permite a adaptação do ser humano ao meio, “cabe ao cérebro seleccionar o que é relevante para assegurar a própria sobrevivência do indivíduo e da espécie”. É graças à memória que é possível reter o que se aprendeu. A aprendizagem corresponde a processos de adaptação: ler, falar, ter determinado comportamento social... É a memória que assegura o reconhecimento das nossas experiências pessoais passadas, o nosso património individual que dá significado ao que vivemos no presente. É também graças à memória que nos reconhecemos como pessoas com uma história de vida única, uma identidade pessoal e singular.
A memória tem diversos graus de retenção temporal da informação. É universalmente aceite a existência de dois níveis de memória: memória a curto prazo e memória a longo prazo. Assim:
- Memória a curto prazo: armazena temporariamente a informação percepcionada, podendo ser esquecida ou passar para a memória a longo prazo. Neste tipo de memória distinguem-se duas componentes:
- Memória imediata: o material recebido fica retido durante uma fracção de tempo – cerca de 30 segundos.
- Memória de trabalho: mantemos a informação enquanto ela nos é útil. Por exemplo, um número de telefone que não tivemos oportunidade de registrar por escrito.
A memória imediata e a memória de trabalho são complementares, formando a memoria a curto prazo.

- Memória a longo prazo: retêm os materiais durante horas, meses ou toda a vida. Este tipo de memória é alimentada pelos materiais da memória a curto prazo que são codificados em símbolos. É possível distinguir então dois tipos de memória a longo prazo:
- Memória não declarativa: armazena conhecimento referente ao “modo de fazer”, não estando relacionada com a evocação consciente de informação. Este tipo de memória é frequentemente de difícil verbalização. Como por exemplo, andar de bicicleta, o exercício, o hábito, a repetição, tornam esta actividade automática, reflexa. Só se acede a este tipo de memória agindo! Pois, é-nos muito difícil explicar a alguém por palavras como andar de bicicleta.
- Memória declarativa: Armazena informação do tipo declarativo: factos e acontecimentos. O nome provém de se poder explicitamente “solicitar” ao nosso cérebro para que estabeleça uma relação entre um par de estímulos. Exemplo: Qual a capital de Portugal? Lisboa. Distinguem-se neste tipo de memória dois subsistemas:
- Memória episódica: associada a informação referente a um contexto particular, como uma “relação íntima entre quem recorda e o que se recorda”. É utilizada na memorização de vivências pessoais, como sensações, emoções e associações pessoais (recordações), relativas a um lugar particular ou momento. Por exemplo, sabemos “relembrar” alguns episódios da nossa infância, os rostos dos nossos amigos, as músicas que nos são preferidas...
- Memória semântica: refere-se ao conhecimento geral sobre o Mundo, como, por exemplo, as leis da gramática, fórmulas matemáticas. Neste tipo de memória não há localização no tempo, não estando ligado a nenhum conhecimento específico. Assim, sabes que açúcar se escreve com um ç. Este conhecimento faz parte da memória semântica. Se, entretanto, associares que quem te ajudou a aprender a escrever a palavra açúcar foi a tua avó, este dado já faz parte da tua memória episódica.
Quando evocamos um objecto, um facto ou acontecimento, a sua representação na memória não é uma reprodução fiel. Quando, por exemplo, confrontamos a nossa representação acerca de um local com os nossos amigos, verificamos, divergências em relação às características que lhe são dadas. A representação que temos está associada a experiências positivas ou negativas que obtivemos naquele local, o que afecta o modo como a reproduzimos. Assim, ao veres sorrir alguém a quem disseste, por exemplo, Lisboa, poderá ter ocorrido nesse local um acontecimento afectivo e importante e daí o seu sorriso.
Se guardarmos um trabalho de psicologia no nosso computador, esperamos, recupera-lo mesmo, passados alguns anos, do mesmo modo que o guardamos. O mesmo não se passa na nossa memória, pois, cada um de nós enquadra a informação de acordo com a sua história pessoal, com a sua individualidade e experiências únicas. Contrariamente a um computador a memória não reproduz exactamente o registo, ela reconstrói os dados que recebe do meio, utilizando uns e omitindo outros. Por isso, se diz que a memória tem um carácter adaptativo uma vez que armazena apenas o que e útil para a nossa sobrevivência.
O esquecimento é um processo inerente à memória. Se retivéssemos tudo, seria impossível receber novas informações. Tem uma função selectiva, dado que afasta materiais que não são úteis ou necessários, e ocorre nos diferentes níveis de memória. O esquecimento é então incapacidade de reter, recordar ou reconhecer uma informação. Existem factores que explicam o esquecimento, sendo eles:
- Esquecimento regressivo: uma hipótese para explicar o esquecimento reside no desaparecimento do traço fisiológico registado no cérebro (engrama) devido à passagem do tempo (fase idosa). O esquecimento teria origem na perda de retenção provocada pela não utilização dos materiais armazenados. O traço desapareceria devido à falta de repetição do exercício. No entanto à aprendizagens que nunca esquecemos, como andar de bicicleta. Para muitos o esquecimento teria então origem na deformação dos conteúdos retidos.
- Esquecimento motivado: Freud apresenta uma explicação para o esquecimento, o “recalcamento”. O sujeito esqueceria acontecimentos traumatizantes que teriam ocorrido, para evitar a angústia e a ansiedade. As recordações dolorosas eram inibidas, mantendo-se “recalcadas”, esquecidas no inconsciente.
- Interferências de aprendizagens: um dos factores que explica o esquecimento reside na interferência de aprendizagens na retenção de novas experiencias, novas aprendizagens que alteram algumas das memórias mais antigas. Assim, as memórias retidas são moldadas, reformuladas de acordo com a experiência.
As representações que temos acerca do Mundo implicam uma selecção da informação, a sua codificação, a associação a experiências anteriores ou a acontecimentos relevantes. Marcadas pela experiência, pelas emoções, pelos afectos, as representações são guardadas pela memória, sendo activadas sempre que necessário.

Filipa Correia