domingo, 25 de maio de 2008

Pensar positivo melhora a qualidade de vida

Há momentos em que passamos por situações negativas, podem ser várias e a verdade é que em tais situações reagimos naturalmente mal a isso.
Existem vários mecanismos que desenvolvemos desde a nossa infância, como sermos ensinados a lutar contra aquilo que achamos incorrecto e por isso criamos afirmações como “não quero ficar sozinha”, “não quero ser gorda”, entre muitas outras. Acreditamos então que podemos evitar o que consideramos incorrecto com simples convicções e expressões que “gravamos” em nós mesmos, infelizmente não é assim, o positivo não vem até nós naturalmente!
Aquilo a que dedicamos a nossa atenção cresce e ganha forma na nossa vida, mantendo-se.
Temos a opção de pensar apenas em coisas que nos façam felizes, em coisas boas, que nos tragam satisfação e nos coloque um sorriso estampado no rosto! Muitas vezes esquecemo-nos desse aspecto e pensamos “como posso pensar unicamente em coisas boas se tudo me corre mal?”, bem, é difícil contornar a situação de modo a vencer este sentimento de derrota, o mais fácil é certamente entregarmo-nos à tristeza. No entanto, esta fórmula de vencer o que é negativo não está disponível em farmácias nem em hospitais, também não se encontra em livros de auto-ajuda ou nas escolas… De facto o que é preciso é existir uma grande força interior e assumirmos o controlo da nossa mente.
Tudo se torna mais fácil e divertido quando sentimos emoções positivas, desta forma, somos levados a agir e a pensar de forma diferente, o nosso pensamento torna-se criativo e nós tornamo-nos pessoas melhores!
Sejamos optimistas, é necessário apreciar e reconhecer o melhor de cada situação ou experiência. Quem sabe este não seja o primeiro passo para tornar este mundo um lugar muito melhor!
Um optimista é então " …uma pessoa que é capaz de se rir das suas desgraças, que encontra sempre alguma coisa de positivo, de engraçado, de divertido, em particular nas experiências menos positivas. É aquele que sonha e que corre o risco de que esse sonho se venha a realizar. É aquele que acredita que tem capacidades para gerir o seu destino, e que a vida não é uma coisa imposta mas algo que se constrói". Helena Marujo, do livro ‘Educar Para o Optimismo' (ed. Presença).

Bibliografia:
http://pt.shvoong.com/books/essays/480451-pensar-positivo-melhora-qualidade-da/

Ideal de beleza feminino



O ideal de beleza feminino é uma construção social que varia de época para época, e que vai sendo incutido durante o processo de socialização. Este ideal de beleza feminina não é imutável no tempo, este constrói-se ao longo do tempo, de acordo com o meio sociocultural em que se esta integrado e com os valores morais e éticos que se partilham com a comunidade a que se pertence. Por exemplo, o ideal de beleza na cultura islâmica passa pela “ocultação” do corpo da mulher, já na sociedade ocidental contemporânea, o ideal de beleza é bastante distinto.
O ideal de beleza feminino funciona como sendo um modelo de identificação para muitos jovens, sendo essencial possui-lo para determinadas actividades profissionais, como por exemplo modelo.
Actualmente, o ideal de beleza feminino está associado à magreza dos corpos das figuras femininas, sendo esta uma condição essencial para entrar no mundo da moda. Podemos verificar, quando vemos desfiles de moda, anúncios que promovem roupas, entre outros, que as figuras femininas utilizadas são extremamente e excessivamente magras.
Este facto foi alvo de muitas críticas, uma vez que o mundo da moda, é cada vez mais desejado por inúmeros jovens, e a imagem que essas figuras femininas passam, vai funcionar como um padrão de beleza a seguir, isto é, os jovens ao associarem a beleza a corpos magros, leva a que estes desenvolvam comportamentos que visam moldar os seus corpos à medida adequada. O domínio nos circuitos da moda de figuras femininas excessivamente magras poderão, assim, funcionar como padrões de beleza para personalidades menos estruturadas e fomentar comportamentos miméticos que resultem em situações como a anorexia e bulimia, assim concluímos que lá se vai a concepção de beleza concebida antigamente, em que a mulher se queria “gordinha”. Por isso, foram proibidos, em alguns países, a divulgação de cartazes com figuras femininas extremamente magras.
O ideal de beleza feminino, deve ter em conta o bem-estar interno e externo das pessoas e não o limitar a certas normas. O ideal de beleza funciona como um modelo a seguir por parte de muitos jovens, por essa razão, deve haver uma preocupação com a imagem que se passa, do que é realmente o ideal de beleza feminino.

Behaviorismo

O Manifesto Behaviorista foi lançado, como sabemos, por Jonh Watson, e veio introduzir um rumo diferente à história da Psicologia e a todos os estudos comportamentais que lhe estão associados. Este movimento teve um grande impacto, não só no comportamento, mas também nas várias teorias que se debruçam sobre a aprendizagem, personalidade e diversas formas de psicoterapia. Como vamos ver mais detalhadamente, Watson procurou então estudar o comportamento a partir das suas teorias, definindo o Behaviorismo como a nova Psicologia. Com esta inovação, ele debateu-se com vários problemas, como a existência (ou não) de instintos no Homem, chegando à conclusão que as respostas são socialmente condicionadas, e, portanto, todo o comportamento é fruto de um processo de aprendizagem.
Para além disto, a teoria Behaviorista estuda o problema do talento, tendência e traços mentais hereditários, que usualmente são considerados comportamentos instintivos, mas que os defensores desta teoria declaram como aprendidos, negando o papel da hereditariedade. Tem ainda uma visão radical acerca das emoções, determinando que são apenas respostas corporais a estímulos específicos.
Com o tempo, esta corrente foi adoptada por outros psicólogos, como Tolman e Hull, que acreditavam que o comportamento é sempre orientado para alcançar um determinado fim. Destaca-se também Skinner, um dos mais famosos nomes da psicologia contemporânea, que igualmente defende que o estudo do comportamento se deve basear na observação. O behaviorismo de Skinner é chamado de “abordagem do organismo vazio”, pois interessava-se pela relação funcional entre o estímulo e a resposta, tal como Watson.
O período seguinte (de 1913 a 1930), é designado por Behaviorismo Clássico, que mais uma vez, não segue os estudos da introspecção, sendo um período polémico. Mais tarde, surge o neo-behaviorismo, com Clark Hull, que transformou o clássico num sistema mais minucioso e experimental, baseado na teoria do comportamento adaptado de Pavlov, no qual também Watson se baseou, dado que estudou as suas teorias aquando do seu doutoramento. Elas foram, sem dúvida, a fonte de inspiração para a criação da corrente que temos vindo a definir até aqui.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Comportamento

http://wapedia.mobi/pt/Behaviorismo

http://www.redepsi.com.br/portal/modules/smartsection/print.php?itemid=318

Como nos tornamos humanos?

O processo de tornar-se humano passa pela caracterização de factores como a cultura que é criada pelos seres humanos mas que, as mesmo tempo, nos torna humanos, é tudo o que resulta da actividade humana.
Segundo Edward B. Tylor, cultura é uma totalidade, um todo. Mais do que uma soma de crenças, artefactos, valores, regras e costumes, a cultura é uma totalidade onde se conjugam estes diversos elementos materiais e simbólicos: as crenças, as teorias, as construções e objectos, os valores, as leis e normas, as artes, os costumes.
A cultura é um elemento inescapável do ambiente de qualquer pessoa, pelo que, ao longo da vida, se traduz em múltiplas e variadas consequências na forma como cada um pensa, sente e se comporta. Para além de produtos da cultura, somos também os seus produtores.
A cultura varia no tempo e no espaço, varia com as épocas e momentos históricos, assim como varia de lugar para lugar, pelo que não há nunca uma única cultura, mas múltiplas culturas.
Outro dos factores é o padrão cultural. Existem diferentes padrões culturais devido à necessidade que os diferentes povos têm de se adaptar ao meio envolvente. A cultura de cada comunidade ou grupo social especifica, portanto, formas particulares e padronizadas de ser e de viver. Ao conjunto de comportamentos, práticas, crenças e valores comuns aos membros de uma determinada cultura dá-se o nome de padrão cultural.
Os padrões culturais desempenham um importante papel no enquadramento da construção de significados em muitos domínios da vida social.
Cada padrão cultural muda permanentemente, não só pela acção criadora, produtora de cultura, de cada um dos seus membros, mas também através do contacto com outras culturas, com elementos culturais até aí estranhos.
Seguidamente, temos a aculturação que diz respeito ao conjunto dos fenómenos resultantes do contacto contínuo entre grupos de indivíduos pertencentes a diferentes culturas, assim como as mudanças nos padrões culturais de ambos os grupos que decorrem desse contacto. É importante sublinhar que a aculturação é um fenómeno que leva a mudanças culturais, quer as culturas sejam maioritárias, quer sejam minoritárias. Tanto umas como outras têm permanentemente que reagir e adaptar-se àquilo que de novo as desafia.
Finalmente, temos a socialização que é o processo através do qual cada um de nós aprende e interioriza os padrões de comportamento, as normas, as práticas e os valores da comunidade em que se insere.
O conceito de socialização está dividido em dois tipos: a primária que é responsável pelas aprendizagens mais básicas da vida comum. Traduz-se na aprendizagem dos comportamentos considerados adequados e reconhecidos como formas de pensar, sentir, fazer e exprimir próprias de um determinado grupo social; e secundária que ocorre sempre que a pessoa tem de se adaptar e integrar em situações sociais específicas novas para o indivíduo. Ao longo de toda a vida das pessoas, diferentes acontecimentos, diferentes contextos, diferentes tipos de relações, implicam intensificações no processo contínuo de socialização, isto é, a adaptação dos novos contextos socioculturais e experiências de vida que neles surgem.


Livro de Psicologia B, 12º ano, Ser Humano, 1ªParte, Porto Editora

Alunos ansiosos

Consideras-te uma pessoa ansiosa? Sentes que os teus resultados escolares não correspondem aos teus conhecimentos? Qual é a razão que contribui para aumentar a tua ansiedade?
Meus amigos, posso-vos dizer que estamos todos no mesmo barco. Depois de um inquérito feito aos estudantes da nossa escola sobre a ansiedade, pudemos concluir que estamos todos sob uma forte onda de pressão. São testes para aqui, apresentações para ali, trabalhos para acolá… tudo o que um estudante adora para poder manter o seu nível de ansiedade em alta. No entanto, para além de o estudante já se sentir ansioso face a tanto trabalho para realizar ainda se vê a braços com algumas situações bastante interessantes. Ora é a mãezinha muito orgulhosa que diz “O meu filho vai ser um excelente médico” ou o paizinho que em frente do resto da família continua a fazer questão de dizer que o seu filhote é o melhor e que não pode de maneira alguma descer a média. Já na escola os alunos são confrontados com os discursos bastante apaziguadores dos professores e das gracinhas dos colegas.
Imaginem só:
Acabámos de entrar para a aula de matemática e o professor já vem com aquele ar insatisfeito e com os testes na mão. “Os testes estão muito maus, são os piores resultados de sempre”. A nossa barriga dá uma volta, as nossas mãos começam a suar, sentimos as nossas faces a arder e a nossa respiração torna-se ofegante. E lá ouvimos o nosso nome seguido do “excelente” resultado que tirámos. Quando o nosso professor, gentilmente, vendo a nossa cara de decepção nos diz: “Esperava muito mais de ti!” ou “Estou sempre à espera que dês o salto, mas não foi desta”, ou ainda “Tens de melhorar para o próximo teste se queres manter a média”, ficámos ainda mais desapontados e começámos logo a pensar no estratagema que iremos arranjar para contar aos nossos pais o fracasso. E ainda estamos a imaginar o ar de decepção dos nossos pais ou a lembrar o último sermão “se não tiras boas notas ficas sem o telemóvel”; “já sabes que é importante manteres ou até subires a tua média para entrares na faculdade, não sabes?”, quando, de repente, eis que surge a pergunta mais temida, o nosso coleguinha da frente, sempre muito intrometido e à espera de mais novidades, pergunta inocentemente: “que nota é que tiraste”. Algo parece atravessar-nos de uma ponta à outra, ao dizermos a nota, parece que vamos admitir o fracasso e mal a dizemos, zaragata total: “que nota é que ele tirou?”, “Eiii, foi mesmo má…”, “Olha eu não estudei e quase consegui a mesma nota, agora imagina se tivesse estudado tanto como ele…”. ..
Então, começámos logo a pensar que precisámos mesmo de tirar boa nota no teste seguinte. Em primeiro lugar, isso será importante para nós, pois irá marcar a diferença para conseguirmos uma boa média e entrarmos assim no curso que desejámos e também para não baixarmos a nossa auto-estima, em segundo para mostrarmos ao nosso professor que conseguimos manter a nossa nota e, por fim, para provarmos aos nossos colegas, que de facto falhámos, mas que “não é por morrer uma andorinha que se acaba a primavera!”.
Só que, ao pensarmos em tudo isto, acabámos por ficar cada vez mais nervosos e ansiosos, pelo que o teste volta a correr mal. A pressão acumulada é muita, a matéria é igualmente muita, só o tempo para a realização do teste é que é pouco. O nosso raciocínio falha, os enunciados não são lidos como deve ser, as respostas ficam sem sentido… enfim o cenário está montado para um resultado de terror.
E todas estas reacções porque nos sentimos pressionados a ter boas notas.

O luto é um período de tempo que necessitamos de viver

A MORTE é uma realidade que, mais tarde ou mais cedo, nos entra pela casa dentro sem anunciar a sua chegada.
Após um turbilhão de sentimentos que esta etapa acarreta, com a perda de alguém muito querido, torna-se necessário efectuar o luto, pois sentimos uma exigência física e espiritual de percorrer um caminho, ao longo do tempo, onde se processam dois elementos fundamentais: a libertação suave dos laços de vinculação que nos ligavam a quem perdemos e a retoma do espaço de alegria e felicidade da vida.
O modo como sentimos e vivenciamos a dor é influenciado por diversos factores, nomeadamente, o grau de afecto que tínhamos em relação à pessoa perdida; a nossa personalidade, particularmente a maior ou menor capacidade de gestão das emoções; o apoio humano (familiar, de amizade, técnico ou associativo) que dispomos; e o nível de aceitação social à nossa volta para a expressão das manifestações de luto.
Embora o luto seja um processo muito pessoal e dependa de um conjunto de factores intrínsecos e extrínsecos diversos, o seu desenvolvimento decorre seguindo um conjunto de fases padronizadas. Contudo, nem todas as pessoas têm que viver rigorosamente e do mesmo modo as características apontadas em cada fase.
Emocionalmente sentimos ansiedade, medo, tristeza, agressividade e culpa. Por vezes, ocorrem episódios depressivos, como o desalento, a tristeza, a irritabilidade, a introversão, o isolamento e as alterações de apetite, de sono e da libido. Assusta-nos a ideia de que estes comportamentos negativos e o sofrimento nos acompanharão até ao fim dos nossos dias. E como a intensidade é tão forte desesperamos imaginando-nos a enlouquecer.
Porém, com o passar do tempo, a perda é aceite emocionalmente, a dor vai-se extinguindo aos poucos. Passamos a identificar-nos de modo saudável com a pessoa perdida, ou seja, a sua memória deixa de ser obsessiva e de nos provocar desespero.
Esta experiência é vivida de forma diferente, nas diversas etapas do ciclo de vida, nomeadamente, quando se trata de crianças, adolescentes, adultos e idosos. Perante tal constatação é necessário estarmos atentos a um luto mal resolvido, pois pode-se revelar num distúrbio psicopatológico, onde a ajuda de um profissional especializado é fundamental.
Assim, como podemos verificar, apesar de no início deste processo, que por vezes pode ser longo, pensarmos que o mundo vai desabar, esta é uma visão de alguém que está em sofrimento, pois, em situações normais, o luto é uma fase que passa como todas as outras que temos ao longo da nossa vida, que conduzem a uma mudança, a uma transição para um novo período, a um enriquecimento e maturação pessoal.

A Vida e a Morte
O que é a vida e a morte
Aquella infernal enimiga
A vida é o sorriso
E a morte da vida a guarida

A morte tem os desgostos
A vida tem os felises
A cova tem as tristezas
I a vida tem as raizes

A vida e a morte são
O sorriso lisongeiro
E o amor tem o navio
E o navio o marinheiro

Autora Florbela Espanca
Em 11-11-1903
Com 8 anos de Idade
(Florbela Espanca, «Esparsos», in «Poesia Completa»)

Bibliografia:
· Organização Apelo http://www.apelo.web.pt/
· Ariès, P (1977). O Homem perante a morte-II. Publicações Europa-América. Edição nº 106048/4647.
· Carvalho, C. D. R. (2006). Luto e religiosidade. http://www.psicologia.com.pt/artigos/textos/TL0059.pdf
· Nogueira, D. e Pereira L. (2006). Perspectivas da morte de acordo com a religiosidade: estudo comparativo. http://www.psicologia.com.pt/artigos/textos/TL0058.pdf

Teoria Cognitiva

Até à década de 20 a psicologia no que respeita ao desenvolvimento cognitivo, era dominada por duas teorias bastante diferentes entre si.
Uma, nomeadamente o gestaltismo, partia na defesa de que o cérebro continha estruturas inatas, determinando assim o modo como o sujeito interpreta o mundo e as suas aprendizagens. Oposta a esta surgia o behaviorismo que partia do princípio que só é possível o conhecimento através de estímulos alcançados no meio ambiente.
Contudo, surge uma teoria nova e bastante curiosa fundada por Piaget, teoria esta que se iria situar num ponto extremo entre as outras duas já existentes.
Para a construção desta teoria Jean Piaget baseou-se na observação cuidadosa dos seus filhos e também de muitas outras crianças, concluindo que na maioria dos casos as crianças não possuem a mesma forma de pensar dos adultos normais.
É uma teoria que se desenvolve por etapas, que Piaget designa por estádios de desenvolvimento e que pressupõe que os seres humanos passam por uma série de mudanças todas elas ordenadas e previsíveis ao longo da vida.
Segundo o autor, a teoria cognitiva é dividida em quatro etapas, ou estádios de desenvolvimento cognitivo no ser humano, sendo elas, sensoriomotor, pré-operatório, operações concretas e estádio das operações formais.
Primeiramente surge o estádio sensoriomotor, que tem uma duração desde o nascimento até aos dois anos de idade, nesta fase o sujeito não possui raciocínio lógico, usufruindo assim do controlo motor para actuar sobre os objectos que o cercam. É classificada como uma fase onde permanece principalmente a inteligência prática pois o indivíduo não desfruta de qualquer tipo de linguagem nem capacidade de elaborar representações mentais de objectos.
As principais características observáveis podem ser por exemplo, acções que ocorrem antes do pensamento e até a imitação.
Seguidamente a este temos o estádio pré-operatório, que ocorre na fase pré-escolar e pode ir dos 2 aos 6 anos de idade.
A principal conquista que o individuo faz é o aparecimento da função simbólica, ou seja, a sua capacidade de poder representar mentalmente objectos ou acontecimentos que ocorrem fora do presente e as suas principais características observáveis podem ser por exemplo a inteligência simbólica, na medida em que o sujeito pode interpretar uma faca, como sendo um telemóvel ou um avião, e também o pensamento intuitivo, em que o sujeito responde a uma determinada pergunta baseando-se na sua aparência, ou seja funciona como um pensamento apoiado apenas em dados sensoriais.
Na terceira fase, que corresponde ao estádio das operações concretas e que tem uma duração dos 7 aos 11 anos de idade, a criança começa a lidar com conceitos abstractos, desenvolvendo assim um pensamento lógico que o permite solucionar problemas concretos.
Finalmente e para termo de conclusão, deparamo-nos com o último estádio e que consequentemente é o ultimo da teoria.
Esta fase é desenvolvida a partir dos 12 anos de idade e caracteriza-se pelo aparecimento de uma nova forma de pensar, em que a criança adquire um raciocínio lógico e sistemático podendo assim partir para a resolução de problemas sem qualquer tipo de apoio em objectos ou situações concretas. O indivíduo pensa abstractamente, formula e também verifica hipóteses, ou seja, é possuidor do raciocínio hipotético dedutivo.

Bibliografia:
Manual da disciplina de psicologia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_cognitiva#Sens.C3.B3rio-motor
http://www.centrorefeducacional.com.br/piaget.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jean_Piaget#Teoria

domingo, 18 de maio de 2008

Motivação

“A motivação está na raiz do comportamento”. Muitas vezes damos por nós a perguntar porque actuamos desta ou daquela maneira, ou seja, o que nos impulsionou a fazer isto ou aquilo, o que orientou o nosso comportamento neste sentido e não noutro qualquer? A motivação aparece associada à resposta a estas perguntas, esta não desencadeia a necessidade, mas orienta o comportamento em direcção a um objectivo.
A “energia” que se encontra na origem das nossas actividades, dos nossos comportamentos, é a motivação associada às funções cognitivas e às relações entre o sujeito e o mundo. Não é possível falar em motivação sem referir que esta é personalizada em função de cada um de nós, da nossa história pessoal, do modo como pensamos os outros e o mundo, dos nossos projectos de vida. Muitas vezes a motivação pode vir de nós mesmos, ou seja é algo mais interno, mais pessoal, fazemos algo por prazer, porque é importante para nós, por outro lado, a motivação pode vir do exterior, ou seja fazemos algo porque isso vai agradar a alguém e esse alguém é importante para nós. A motivação intrínseca é bastante mais desejável para que o envolvimento numa actividade seja feito com sucesso e dedicação.
A motivação tem por tudo o que já referi um papel muito importante na aprendizagem: o desejo de aprender é um factor decisivo. Motivado, o sujeito tem uma atitude activa no processo de aprendizagem. Se uma pessoa estiver empenhada em atingir um determinado objectivo consegue-o mais depressa e melhor do que se tiver pouco investimento. A motivação pode ser a curto prazo: conseguir melhorar no próximo teste de geografia; ou, a longo prazo: profissionalizar-se em cabeleireiro… pode também falar-se em motivação para iniciar, continuar ou finalizar uma aprendizagem.

Bibliografia

· MONTEIRO, Manuela Matos & FERREIRA, Pedro Tavares, 2007. Ser Humano – 2ª parte Psicologia B 12º ano. Porto Editora, Porto.

A minha cultura é melhor que a tua?



















A minha cultura é a melhor que a tua???

Longe vão os dias em que cada país/grupo tinha a sua própria cultura quase como que uma identidade bastante vincada. Cada um com os seus próprios produtos, as suas próprias formas de divertimento, de estar em sociedade, sendo todas elas muito diferentes entre si.
Actualmente, com a proliferação das novas tecnologias da informação, do turismo e das migrações a troca de informações, conhecimentos, ideais, que é tão rápida, assistimos a uma crescente globalização da sociedade. Ou não são exemplo disso alguns dos produtos comercializados em praticamente todo o mundo, que para alguns são imprescindíveis, como a Coca-Cola, o seu fato de treino da Adidas, ou as sapatilhas da Nike, ou mesmo o nosso tão famoso MacDonalds??? Por outro lado, são ou não cada vez mais frequentes os casamentos entre pessoas que advém de culturas diferentes???
Este fenómeno da globalização é, nada mais, nada menos, que o resultado de uma intensa aculturação, ou seja, o resultado do contacto contínuo entre grupos de indivíduos de culturas diferentes, bem como as alterações que essa socialização traduz nos padrões culturais.
Com todas estas alterações vividas na nossa sociedade contemporânea, será que ainda podemos afirmar que cada cultura tem o seu próprio padrão cultural, sendo este em praticamente nada igual a outros?

Ilustração 1 – Carolina Soares é uma famosa cantora do Brasil, oriunda de pai negro e mãe branca, demonstra nos seus traços físicos essa mistura de raças, sendo de salientar a sua voz que apresenta um timbre forte, bem como o estilo musical mais voltado para o lado africano.
Carolina é um dos exemplos de que cada vez mais assistimos à globalização do mundo em que a convivência de pessoas com culturas diferentes é muito frequente.

Fontes:
MONTEIRO, Manuela Matos, FERREIRA, Pedro Tavares; “Ser Humano – 1.ª parte”, Psicologia B 12.º ano, Porto Editora
diariodeiguape.com/.../27/reveillon-em-iguape/
http://outrashistorias.files.wordpress.com/2007/05/coca-cola_logo5.jpg
http://medias.ados.fr/people/3/8/3847/Cassie/photos/12894-cassie-adidas.jpg
http://lacesnsoles.com/store2/images/categories/Nike.png
http://www.angloamericano.edu.br/jornaldoanglo/edicao05/imagens/foto-mcdonalds.jpg

Do amor ao ódio, do romance à tragédia

O número de crimes passionais tem aumentado de forma escandalosa e dramática, tornando-se cada vez mais alvo dos focos dos media, que trazem para os meios de divulgação, casos verídicos de uma realidade monstruosa, onde prevalece uma concepção errada do “Amor” e de tudo o que envolve este sentimento.
Os crimes passionais definem-se como sendo aqueles em que um individuo mata a pessoa que ama, resultando frequentemente num suicídio, pois o pensamento deste é que, se ela não é dele ele mata-a, mas também se mata a si próprio porque não suporta viver sem a pessoa amada.
Uma das questões que se coloca é qual a motivação do indivíduo, ou seja, o que o leva a agir de determinada forma. Regra geral, os motivos são os ciúmes, o sentimento de posse e controlo, a vários níveis, que o homem/mulher têm em relação à pessoa que amam.
Mas será isto amor? Quem ama mata?
Quem ama não mata. Se mata é porque tem problemas psíquicos, qualquer patologia, ou então encontra-se num estado depressivo muito grave. Contudo, existe um conjunto de indícios que podem prever comportamentos agressivos e possíveis distúrbios, aos quais devemos estar atentos, nomeadamente o controlo excessivo por parte do indivíduo, bem como a imposição de restrições.
De salientar que a violência doméstica pode também desencadear os crimes passionais. A violência doméstica caracteriza-se por três etapas, funcionando como um, ciclo, inicialmente a tensão começa a subir, de seguida há uma eclosão (ex.: espancamento), e por fim o individuo que maltrata o outro pede perdão e mostra arrependimento pelo sucedido, dizendo que não voltará a acontecer, sendo que este está realmente convicto de que vai mudar e não irá voltar a fazer sofrer a/o companheira/o.
Dá-se então a chamada fase “Lua de Mel”, que tem como características o bem estar e o bom relacionamento entre o casal, que na realidade está comprometido até surgir a próxima discussão, e ser despoletado novamente o ciclo de violência. Após sucessivos ciclos, alguns sujeitos atingem o seu limite e vêem como única solução a morte do cônjuge.
Estatisticamente o que se verifica é que existe uma maior percentagem de homens que matam a mulher e se suicidam de seguida, ao contrário das mulheres que geralmente põem termo única e exclusivamente à sua própria vida.
A sociedade também tem grande influência neste fenómeno, pois é fomentada a ideia que o homem tem um poder muitíssimo grande sobre a mulher, e que esta tem que ser submissa ao homem. Culturalmente, a defesa da honra do homem tem grande relevo, incutindo nestes a ideia de que quando traídos são capazes e podem fazer tudo.
No entanto, tal não se verifica apenas em Portugal, visto que nos vários continentes do mundo, esta é uma realidade crescente e avassaladora. O nosso acesso a esta realidade é feita através dos media, sendo estes uma entidade que não permite que este tipo de fenómenos se silencie.
Paralelamente, existem várias tentativas para colmatar este facto, nomeadamente a igualdade entre homens e mulheres.

Bibliografia:

MONTEIRO Manuela, SANTOS Milice Ribeiro, 1.ª parte, Psicologia A 12.º ano, Porto Editora

MONTEIRO Manuela Matos, FERREIRA Pedro Tavares, 1.ª parte, Psicologia B 12.º ano, Porto Editora

HETZER Hildegard, Psicologia pedagógica

BUHLER Charlotte, A psicologia na vida do nosso tempo

Reportagem da SIC, “Aqui e Agora”, dia 15-05-08

Identidade

A identidade é um conjunto de caracteres próprios e exclusivos de uma determinada pessoa.
Alguns elementos definem aspectos da nossa identidade, daquilo que somos e que nos distingue dos outros: o lugar onde nascemos e onde vivemos e a data do nosso nascimento situam-nos no espaço e no tempo; o nome dos nossos pais define a nossa pertença familiar indicando a nossa ascendência directa. Outros dados reportam-se ao nosso corpo: a nossa cara é única, inconfundível e a impressão digital distingue-nos de outros milhares de milhões de seres humanos.
A identidade depende da diferenciação que fazemos entre o “eu” e o “outro”. Passamos a ser alguém quando descobrimos o outro porque, desta forma, adquirimos termos de comparação que permitem o destaque das características próprias de cada um.
Já ouvimos falar muitas vezes da crise de identidade. Esta, de facto, acontece e, principalmente, na adolescência quando o sentido de identidade está sujeito a uma certa tensão.
Este conceito supera a compreensão do homem enquanto conjunto de valores, de habilidades, atitudes… pois compreende todos estes aspectos integrados e busca captar a singularidade do indivíduo, produzida no confronto com o outro.
A identidade pessoal é, portanto, o conjunto das percepções, sentimentos e representações que uma pessoa tem de si própria, que lhe permitem reconhecer e ser reconhecido socialmente. Este processo constrói-se ao longo do tempo, actualiza-se permanentemente até à morte.

Bibliografia:
http://www.geocities.com/ludivick/psisocial/linkC.html
http://www.coladaweb.com/psicologia/identidade.htm
http://www.infopedia.pt/$identidade-(psicologia)
Monteiro, Manuela Matos e Ferreira, Pedro Tavares – Ser Humano, 12º ano Psicologia B, 2ª parte

A construção da identidade na adolescência



A construção da identidade é um atributo imutável e acontece durante toda, ou grande parte, da vida dos seres humanos. Desde o seu nascimento o individuo inicia uma longa interacção com o meio em que está inserido, a partir do qual constituirá não só a sua identidade, como a sua inteligência, seus medos, sua personalidade, etc. Apesar de alguns traços serem comuns a todas as pessoas, independente do meio e da cultura em que estejamos inseridos, há determinadas características do desenvolvimento que diferem quando há diferentes culturas.
Esta construção pessoal é considerada a tarefa mais importante da adolescência, pois é uma fase em que os indivíduos começam a reafirmar os seus objectivos e ideias.
Cada um de nós constrói o seu “eu” através das interacções relacionais, reais e idealizadas e também através das experiências vividas e dos seus modelos. Se na infância os nossos modelos são os pais, na adolescência vão ser os jovens da mesma idade e os grupos de pares, este que vão influenciar de forma significativa a construção de identidade.
Para além disso, a família e os professores assumem um papel importante nesta construção, tal como os programas televisivos, uma vez que servem de referência para os adolescentes, pois estes seguem os seus, modelos.
No final da adolescência o jovem obtém uma identidade cumprida, isto é, ele será capaz de sentir uma sequência interior e um seguimento do que significa para as outras pessoas.


Bibliografia
http://www.scielo.br/pdf/epsic/v8n1/17240.pdf

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-294X2003000100012&script=sci_arttext

Livro de psicologia 12º ano/ 2ª parte

Sexualidade




Que penso sobre isto? Existe em todos nós uma capacidade que, ao longo da vida, vamos aprendendo a apreciar, a partilhar ou a viver individualmente: é a sexualidade. Cada um vive-a a seu modo, de forma única e irrepetível. Cada corpo, cada sensação, cada emoção, cada sentimento é diferente de pessoa para pessoa. Cada contacto é uma experiencia única e diferente.
Amor, desejo, prazer? Tudo num só nome: Sexualidade. Todo um mundo para descobrir, não há uma idade ou um momento certo para partilhar a nossa sexualidade. Não existem normas ou modelos para exprimir sentimentos. Cada um de nós terá o seu mundo, cada um descobrirá como e com quem o partilhar. Será nossa a decisão porque é nosso o corpo, é nossa a mente, são nossos os sentimentos. Por isso saberemos quando estamos preparados, quando realmente desejamos e queremos. Sem pressa, sem temor, sem falsos pudores, saboreando cada momento, cada descoberta. Sexualidade é um mundo novo a descobrir, um mundo mais intenso, onde o tempo pára, onde descobrimos novos sentimentos, não há idades, não há momentos certos e o nosso corpo dar-nos-á a resposta de quando for o momento certo. Também nos faz crescer, ter maior responsabilidade mas o mais importante é termos consciência do nosso acto.
O amor tem dimensões ínfimas para irmos descobrindo ao longo da vida. É por vezes terno, alegre, mas por vezes egoísta, amargo desencadeador de grande tristeza e sofrimento. Mas apesar disto, o amor preenche-nos, invade-nos, faz-nos sentir ao mesmo tempo plenos e vazios de emoções é feito de sexualidade, ternura, inteligência, generosidade, solidariedade, de tudo o que somos.
Somos donos dos nossos sentimentos, do nosso corpo, do nosso prazer, da nossa vida. É nosso direito é nossa liberdade. É nossa a decisão de respeitar-nos e respeitarmos os outros e sobretudo de sermos felizes.

Bibliografia
Imagem: http://tassobem5.no.sapo.pt/sexualidade.JPG
GONSALVES Graça, Prenda de Amor , 1º edição, editora Gostar

Maio 68

Maio’68: “É PROÍBIDO PROIBIR”

Quatro décadas depois da maior revolta espontânea da Europa, muitos de nós, jovens, nunca ouvimos sequer falar nesta “revolução”, muito menos a associamos à tão falada época do Sexo, Drogas & Rock’N’Roll, por tal motivo decidi escrever um artigo para alguns se inteirarem acerca deste assunto e outros reavivarem a memória, afinal já se passaram quarenta anos.
Maio de 1968 uniu, em França, mais concretamente em Paris e arredores, estudantes e muitos outros que se revoltaram contra a sociedade de consumo, contra o capitalismo, a favor da emancipação feminina, da homossexualidade, da universidade sem classes, entre muitos outros problemas, chegando a ocupar vários teatros e outros edifícios. Conseguiram que o país quase parasse, houve dias em que não havia comboios, autocarros, metro, os bancos e aeroportos fecharam portas.
E as perguntas levantam-se: Como foram aqueles jovens capazes de passar do desejo à acção? De tentarem acabar com o que estava mal? De não quererem mais proibições?
Ora muito bem, o que nos leva a agir é bem mais complexo do que imaginamos, nós só agimos porque existe um conjunto de processos que se passam na nossa mente e nos levam a passar do desejo à acção. Em primeiro lugar, para estes jovens se quererem manifestar teve que haver uma motivação, uma base que orientasse o seu comportamento, seguida de empenho, de vontade de querer ver as suas restrições extintas, acompanhada pela intenção, o propósito da acção que os jovens queriam levar a cabo, a sua finalidade. Por fim, podemos considerar que a maneira como os jovens tendiam a agir influenciou toda aquela acção, visto que era necessário que eles tivessem um carácter audaz, com espírito inovador e confiante.
E, tudo isto conjugado, faz com que tenhamos de nos empenhar, tal como os jovens se empenharam e investiram neles próprios, de uma forma intencional mas ao mesmo tempo dirigida e, deste modo, colocaram naquilo que fizeram também aquilo que eram.

Bibliografia:
Notícias Magazine, 4 de Maio de 2008;
Ser Humano, 2ª parte, Psicologia B

Eu marro, tu marras, ele marra...

Temos que admitir, estudar não é tarefa fácil. Temos que ter vontade, concentração, paciência, esforço, método, tempo… E o tempo é sempre uma grande confusão, principalmente para os estudantes. Saber gerir o tempo é chave para o sucesso. E como muitos dizem há tempos em que estudar é um verdadeiro prazer, mas isto só é possível sem o medo dos exames, a preocupação com as notas, o medo do fracasso, a sensação de culpa, a inquietação…
A ansiedade nestes jovens é tal que acaba por retirar todo o gozo, curiosidade e até o prazer de aprender. É que quando estão a ser avaliados, ou até em simples questões dentro da sala de aula, ficam tão stressados que só desejam que tudo acabe rapidamente sejam quais forem as consequências. Acabam, por isso, por responder sem pensar, sem terem lido correctamente as perguntas.
No entanto, para aqueles cuja arte de estudar se limita ao marranço puro, estudar nunca se pode tornar divertido: de facto, ler um parágrafo, olhar para o ar e tentar repeti-lo, falhar, voltar a lê-lo e voltar a repeti-lo, tantas vezes quantas as necessárias, não é tarefa fácil. Existem, de facto, pessoas com capacidades incríveis para o decoranço e que na maioria das vezes se saem muito bem nos pontos, falhando apenas uma ou outra vírgula. Mas não se deixem enganar por este método. Imaginem na véspera do teste: “após o primeiro minuto, a reacção é: “O queeeeeê? Isto tudo?”, mas, continuamos a folhear e “Eh, não me lembro de termos dado esta matéria!”, meia hora depois estamos a coçar a cabeça e a dizer “Desisto, não percebo nada desta porcaria, mas como temos mesmo que estudar acabámos por começar a empinar. O tempo passa, o dia começa a escurecer e a consciência começa a fazer o seu trabalho “Não vou ter tempo para decorar isto tudo. O melhor é saltar uns capítulos. Ora deixa cá ver… este não me cheira muito que vá sair… fora com ele! Este também não me diz nada! Ahh, já se foram dois à vida”. “
Chegámos ao teste e… “Ó desgraça! Ia tudo a correr tão bem e aparece-me esta pergunta tão difícil. Como é que eu lhe vou pegar? Ai, já gastei tanto tempo, isto parece chinês. Que raio de pergunta!!! Tenho que perceber isto… Dá-me ideia que deve ser…ah, meu deus, não vou lá, vou ter de arriscar…”
O pior é no dia da entrega do teste “Mãe, eu bem te tinha dito que não tinha grande memória!!!E o pior é que a prof pôs uns assuntos que eu não estava à espera…

SILVA, Eurico Marques da.“Eu Marro, Tu Marras, Ele Marra”. Ambar

O quadro que os outros pintam de nós...

Certamente já passaste por alguém e comentaste com o teu amigo/a “aquele/a ali parece que tem a mania! Sempre com o nariz empinado.” Ou então “Que arrogante que ele/a é”…
Quantos de nós passamos uma imagem negativa para o exterior? São muitos aqueles que se deixam impressionar por uma mera primeira impressão ou por um diz que disse. Francamente, penso que já somos todos bastante crescidinhos para conseguir perceber que as pessoas não são realmente aquilo que parecem/aparentam ser. Ou será que uma pessoa por ter um grupo restrito de amigos já é considerado arrogante? Ou alguém que até se gosta de vestir melhor/pior já é considerado demasiado importante/desleixado para a nossa “classe”? Ou até, se por vezes é envergonhado e nem fala ou cumprimenta todas as pessoas, já pensa que é o maior? Oh, por favor, deixem de lado os estereótipos e todas as ideias preconcebidas. Se têm dúvidas quanto à personalidade de alguém façam um favor à humanidade, e antes de começarem a “fazer croché” ou “tertúlia cor-de-rosa”, fundamentem as vossas teorias. Como? Não há nada mais simples, conheçam as pessoas. No entanto, se preferirem ficar pelas dúvidas e manter a vossa teoria da conspiração, sim porque falar mal dos outros, é sempre tão divertido e até temos tema de conversa… pelo menos façam-no sem que as pessoas em questão se apercebam.
Se pensarmos bem neste código que utilizamos para simplificar a nossa convivência em sociedade – estereótipos – acabámos por perceber que realmente tudo o que temos quase a certeza que é, começa a cair em descrédito a partir do momento em que passámos a ter outro tipo de elementos que nos permitam fazer uma avaliação mais profunda e completa acerca deste ou daquele indivíduo.
Assim sendo, deixo-vos um conselho: nunca se deixem levar por uma mera impressão, pois pode ser demasiado enganadora. Por vezes, poderemos mesmo estar a cometer a maior das injustiças e a pessoa em questão ser até totalmente contrária a tudo aquilo que pensávamos dela.

O Inconsciente

Segundo Freud, é o inconsciente que determina o nosso comportamento. Este manifesta-se no dia-a-dia de qualquer ser humano, mas, de que forma? Existem pois, várias formas do inconsciente se manifestar, entre as quais, os lapsos, os esquecimentos, as intuições e os sonhos!
A infância é uma fase da vida que vai condicionar aquilo que dita o inconsciente e até a nossa própria vida, uma vez que enquanto crianças a capacidade de interpretar e dar sentido ao que acontece é mínima. Isto pode ser explicado com base nas crenças, aquilo que nos é dito ainda em crianças pelos pais é aceite por nós como uma verdade absoluta. As crenças têm então uma força excepcional, somos manipulados, de forma natural, a interpretar a realidade de uma certa forma e até sem nos apercebermos de tal coisa, somos condicionados por essas mesmas crenças.
As recordações podem também explicar o porquê de sermos, muitas vezes, condicionados a não fazer algo, ou seja, o nosso inconsciente é um mecanismo protector que visa minimizar o nosso sofrimento e evitar então situações dolorosas. Por exemplo, muitas pessoas sofrem certos traumas, que podem ter origem quer na infância quer na fase adulta, esses traumas explicam o medo que sentem em certas situações (ex. ter medo da água porque caiu na piscina) e que podem manifestar-se através do inconsciente ao longo da vida.
Quem é que já não teve a sensação de já ter visto ou vivido determinada coisa? Este facto pode ser explicado recorrendo ao inconsciente. As situações em que temos este tipo de sensações advêm de memórias de experiências muito idênticas que tivemos no passado e que ficam guardadas na mente. Como essas memórias antigas não foram processadas de forma consciente não nos conseguimos lembrar do que aconteceu, mas a situação continua a parecer-nos bastante familiar.
Quanto aos sonhos as suas interpretações estão ligadas á história pessoal de cada pessoa e podem ou não conter uma mensagem importante do inconsciente.
Como já disse e como puderam ver o inconsciente está presente no nosso quotidiano, existem uma série de processos físicos que são inconscientes, por exemplo, não pensamos para respirar, não controlamos o bater do coração nem o piscar dos olhos, etc.
O inconsciente é mais um mistério da nossa mente…

Bibliografia: Revista Activa, n.º204 (Novembro 2007)

Afinal, quem somos nós?

O ser humano é alguém extremamente complexo, um ser muito inteligente, que pode desfrutar de inúmeras capacidades que o tornam único e inconfundível.
A nossa vida está repleta de coisas boas e más, acontecimentos que nos marcam ou pela positiva, ou pela negativa, situações mais ou menos importantes… enfim, a nossa vivência é marcada por diferentes experiências que vão tendo interpretações distintas por cada um de nós.
Ora, constantemente nos questionamos sobre a forma como funciona a nossa vida, aonde nos encontramos inseridos. Muitas vezes encaramos diversas situações que nos fazem parar para pensar: Porquê que as coisas têm de ser assim? – É o que muitas vezes perguntamos.
Aquilo que somos e o modo como nos comportamos resulta de factores sociais, genéticos, psicológicos, ambientais, psíquicos, físicos, ou seja, resulta da construção do nosso EU ao longo da vida. É desde o nascimento que o nosso processo de socialização se inicia. Vamos desenvolvendo relações precoces com os adultos, que nos fazem sentir presentes e seguros, na medida em que, nos oferecem sobrevivência e muita segurança. A partir daqui, vamos crescendo e adquirindo uma série de características que nos vão tornando mais autónomos, mais capazes de decidir sozinhos. Começamos a ter opiniões mais fundamentadas, a ter gostos, a ter a capacidade de encarar o mundo que nos rodeia com mais racionalidade. Normalmente somos influenciados nas nossas decisões e opiniões e até mesmo na nossa maneira de ser, de vestir e de nos comportarmos. O grupo de pares, grupo de amigos ou até aqueles modelos de referência que nós seleccionamos como sendo perfeitos são para nós entidades capazes de nos influenciar e fazer parte das nossas decisões e daquilo que somos.
A nossa construção pessoal não culmina na adolescência, antes continua pela fase adulta.
Com isto, aquilo que somos, o que sentimos, o modo como nos comportamos e como tomamos as nossas decisões pode ir mudando ao longo da vida. Somos seres humanos capazes de nos adaptar a diferentes situações, a situações imprevistas e adequa-las àquilo que são as nossas crenças e opiniões.

“A perda de referências, o medo do anonimato e da solidão tornaram-se, para muitos de nós, uma camisa-de-forças que nos impede de construir uma identidade para além das aparências. Porém, hoje mais do que nunca, o que pode fazer a diferença não é a fama, o sucesso ou o look, são as nossas qualidades humanas e o que soubermos fazer com elas.”In Público
Ora, cada vez mais, nos vimos envolvidos numa sociedade orientada pelo conformismo, pelo consumismo e, também pelas aparências. Como indivíduos adultos somos detentores de capacidades que nos permitem ser autónomos, racionais e verdadeiros seres humanos, pelo que, muitas vezes não é isto que se verifica. Conformamo-nos com isto ou aquilo, não sendo de capazes de argumentar e criticar, de dar as nossas próprias opiniões, ou seja, não temos opinião e sentido próprio, aceitamos passivamente aquilo que nos é transmitido sem pensar sequer. Sendo assim, aonde está o ser humano verdadeiro, aquele que atribui sentido à sua vida e se vai construindo com base nos seus ideais e na sua racionalidade? É muito importante manifestarmos as nossas crenças, as nossas opiniões e não baixarmos os braços só porque alguém tem uma ideia diferente ou não pensa como nós. Além disto, somos cada vez mais consumistas, mais interessados nas aparências e no nosso lado exterior. Para muitos, aquilo que é verdadeiramente importante é o que vestimos, o que exteriorizamos, os sítios que frequentamos, os locais que visitamos, etc. Na verdade, o essencial é a nossa psicologia, o nosso EU psicológico, as nossas qualidades e até defeitos interiores. Isso sim, é importante para uma completa e verdadeira construção da nossa identidade. A nossa identidade constrói-se, não se descobre. Este é um processo muito difícil e que cabe a nós desvendá-lo.
Nascemos originais e, ao longo do tempo, somos sujeitos a transformarmo-nos em cópias. Talvez não estamos habituados a ver-nos como seres únicos e livres e os objectivos exteriores vão-se sobrepondo aos objectivos interiores. Temos de ser capazes de nos realizar na nossa singularidade, de enfrentar os medos e simples receios, de descobrir o que para nós é verdadeiro e essencial. Só assim nos vamos tornando seres mais conscientes e responsáveis, sentindo que realmente existimos!
A nossa identidade é algo essencial na nossa vida, tornando-nos seres construídos. Saber quem somos e o que andamos a fazer no mundo faz com que nos sintamos bem connosco e com que nos aceitemos verdadeiramente com defeitos e virtudes
Por isso, é importante usufruirmos daquilo que realmente temos de único e insubstituível. Não fiquemos à espera que a situação venha ter connosco, antes vamos nós enfrentá-la, sem medo e mostrando que realmente somos seres humanos muito complexos e singulares. Só assim mostraremos o nosso verdadeiro EU, a nossa identidade!

Bibliografia: MONTEIRO, Manuela Matos & FERREIRA, Pedro Tavares, 2007. Ser Humano – 2ª parte Psicologia B 12º ano. Porto Editora, Porto.

domingo, 11 de maio de 2008

Mais uma vez...a história pessoal

Ultimamente temos vindo a falar bastante sobre a influência da história pessoal nas nossas vidas… Nesse sentido, após uma breve pesquisa, encontrei um artigo interessante on-line, do qual transcrevo uma parte:

“O presidente da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Psicologia da Justiça (SPPPJ), Fernando Almeida, afirmou hoje que a probabilidade de depressão grave ou suicídio é quatro vezes maior em crianças abusadas sexualmente. (…)
O especialista citou diversos estudos do comportamento de ratos, macacos e seres humanos que demonstram que as perturbações anti-sociais da personalidade têm um elevado grau de associação com agressões violentas na infância e com a separação ou falta de afecto da mãe.”

Esta notícia tem uma enorme importância ao nível do peso da história pessoal na “balança” das nossas vidas: acontecimentos que nos marcaram ao longo da nossa existência podem ser determinantes para o nosso sucesso (ou fracasso) a nível pessoal. Estes estudos revelam também a importância da vinculação, como já estudamos: a ausência de figuras de vinculação “provoca” determinadas reacções por parte do sujeito, nomeadamente o desenvolvimento de comportamentos violentos. Mais uma vez somos “obrigados” a concordar com o facto de que somos “condicionados” pela nossa história pessoal…alguns acontecimentos marcam-nos de tal forma que se transformam em dolorosas “cicatrizes neurológicas” que nos afectam para sempre… Já alguma vez se questionaram sobre este assunto? É certo que alguns dos nossos comportamentos são claramente afectados pela nossa história pessoal…mas, será que os comportamentos que temos e muitas vezes não conseguimos compreender não serão também fruto deste conceito tão complexo?

Bibliografia:
http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=24475&op=all

MONTEIRO, Manuela matos e OUTROS, Ser Humano – 12ºano Psicologia B, Porto Editora, 2007.

http://www.psicologia.com.pt/media/ver_livro.php?id=72

Cada um vai construindo a sua identidade

Cada ser vai-se construindo todos os dias. Assim, todos nós vamos construindo a nossa identidade e actualizando-a até à morte.
Reconhecemo-nos assim e, somos igualmente reconhecidos como sendo únicos temos portanto uma identidade pessoal, uma identidade que só a nós pertence e que, é construída através das vivências de cada um.
A nossa identidade pessoal é como que um castelo que vamos construindo onde as areias que o constituem são nada mais nada menos que sentimentos, percepções, representações que temos de nós próprios.
Somos únicos e ao mesmo tempo diversos. A nossa identidade suporta esta dualidade. Somos únicos porque possuímos características que nos distinguem dos outros e diversos na medida em que, pertencemos a um tempo, a uma cultura sendo assim, partilhamos determinados traços de ser, pensar, estar e sentir.
A identidade afirma isso mesmo, por um lado a semelhança e, por outro a diferença temos características que nos distinguem dos outros mas também temos características comuns aos outros.
A identidade vai-se construindo ao longo do tempo, como já referi na relação que se estabelece com os progenitores, grupo de pares…
Nestas interacções a identidade de cada um vai-se formando sendo assim, a identidade é um processo contínuo. Esta constitui-se também, através da integração de todas as experiências que cada ser vai vivendo, daí a sua unicidade.
Somos dotados de uma identidade pessoal mas também de uma identidade social e cultural.
A nossa identidade social é a consciência social que temos de nós próprios, resultante da interacção que mantemos com o meio social onde estamos inseridos já a identidade cultural é o conjunto de valores que, o ser partilha com a comunidade a que pertence e que integra na sua identidade pessoal.
Assim, a identidade de uma pessoa é a junção de todas estas identidades.

O suicídio

O suicídio é uma das principais causas de morte no mundo. Apesar disso, ainda é tratado como um tabu e pouca gente tem coragem de o discutir abertamente.
Segundo estudos recentes, a cada 40 segundos alguém se suicida em algum lugar do mundo. Dados da Organização Mundial de Saúde evidenciam que cerca de 815 mil pessoas se mataram, no ano 2000, em todo o mundo
De facto, estes dados são preocupantes. Questiono: o que faz com que alguém decida acabar com a sua própria vida desta forma?
Ora, esta questão gira em torno de imensos motivos. Existem inúmeras causas possíveis, que podem ser desencadeadoras deste comportamento. A morte de alguém muito querido, um desgosto amoroso, algum tipo de instabilidade ou perturbação a nível fisiológico, psicológico ou até físico, o enveredar para caminhos difíceis de deixar (droga, toxicodependência, alcoolismo, etc.)… são algumas das causas possíveis.
O período pré-suicídio é, geralmente, de grande sofrimento – físico ou emocional – que vai ficando mais intenso à medida que o tempo passa, até que viver se torna algo pesado, insuportável e muito angustiante. As pessoas sentem que ninguém as compreende, que o mundo inteiro está contra elas, para estas a vida perde todo e qualquer sentido. Sentem a necessidade, talvez de, fechar os olhos e viajar para outra vida aonde se sintam mais felizes e realizadas. Será que a morte é o passaporte para essa nova vida? Talvez, na imaginação de algumas pessoas gira a ideia de que a morte nos traz paz, tranquilidade e até, que nos encaminha para outra vida melhor.
O suicídio não tem explicações objectivas. Agride, estarrece e silencia. É, em alguns casos, considerado um tabu, motivo de vergonha ou condenação, sinónimo de loucura.
Este é um tema extremamente complexo e um pouco incógnito. O suicídio é o termo à vida. E matar-nos a nós próprios é, na minha opinião, algo extremamente incongruente. Alguém que tem coragem de se matar a si próprio deve estar num estado extremo de loucura e pânico. Muitas vezes, as pessoas que se suicidam nem sequer têm razão para o fazer, na medida em que, estão de tal forma perturbadas que não encontram outro caminho. Penso que nenhuma razão, qualquer que esta seja, nos pode levar a um acto tão trágico e absurdo.
Nós, seres humanos, somos seres altamente únicos, detentores de algo inexplicável que nos distingue dos outros seres do universo. Somos capazes de imaginar para além daquilo que é o nosso quotidiano, daquilo que é a nossa rotina diária, somos capazes de sonhar e de imaginar mundos diferentes do nosso. Na verdade, somos seres em possibilidade, pois tudo é possível, estar alegres ou tristes. Somos seres afectivos, passionais, temperamentais, sonhadores, cruéis e criativos.
De facto, o suicídio não devia nem sequer entrar no raciocínio do ser humano. Qualquer que seja a razão ou o motivo não nos pode levar a este acto tão cruel e cobarde. Sim, porque a nossa racionalidade deve estar sempre presente na nossa vida. Temos a obrigação de tentar ultrapassar os problemas, colocar um muro em cima deles, esquecê-los, de forma a tornar a nossa vida mais saudável. A vida é demasiado efémera e, por isso, não devemos desperdiçá-la desta forma. Viver é algo precioso. Basta imaginar aqueles que falecem porque estão doentes ou até aqueles inocentes que são mortos por qualquer motivo… Estes não têm qualquer tipo de escolha. Agora pensemos, será que vale a pena acabar assim com a nossa própria vida?
O ser humano tem, ainda, inúmeras dificuldades em conseguir ultrapassar um problema, resolver uma questão, por mais simples que seja. Muitas vezes, optam pela solução mais simples (o suicídio, por exemplo) e nem sequer tentam arranjar uma resolução. Ora, esta característica não faz parte da caracterização geral do ser humano. Um ser humano não foge os problemas. Não projecta a sua vida à toa. Reflecte, raciocina e pondera tendo em conta a decisão mais acertada. Recorda o passado, para agir no presente, tendo em conta o futuro.
Por isso, o suicídio é um tema muito monstruoso. Para dizer a verdade, até sinto medo em falar nisto. É algo que me assusta e que não consigo ainda entender muito bem. Apenas tenho consciência de que viver é algo insubstituível, algo que deve ser usufruído e aproveitado da melhor forma possível. A vida é a maior riqueza que temos. A partir daí basta sonharmos e, ao mesmo tempo, sermos seres humanos verdadeiros e racionais e, claro emocionais!


Bibliografia: Super Interessante – Edição 184 (Janeiro 2003)

Os bebés são capazes de...julgar!


“Investigadores norte-americanos revelam hoje na revista 'Nature' que o ser humano consegue julgar se o carácter dos outros é bom ou mau desde os seis meses de vida, altura em que começa a preferir quem age correctamente. Através da análise do comportamento de bebés com idades entre os seis e os 10 meses perante fantoches, a equipa liderada por Kiley Hamlin, do departamento de psicologia da Universidade de Yale, em New Haven, Connecticut, descobriu que os bebés com meio ano de vida já são capazes de julgar se os outros foram bons ou maus, mesmo que o acontecimento não os afecte directamente.”

Esta “descoberta” parece, no mínimo, estranha… No entanto, demonstra mais uma vez a capacidade que o ser humano tem de se adaptar ao meio, mesmo numa fase inicial da sua vida, que deriva de uma característica bem conhecida por nós, alunos de psicologia: a prematuridade. Além disso esta notícia remete-nos também para a plasticidade do nosso cérebro, para a flexibilidade do pensamento humano, que contribui de forma determinante para uma melhor adaptação dos bebés a este “novo mundo”. A capacidade do homem de julgar os outros começa, então, numa fase prematura da sua existência…então, será esta mais uma estratégia de adaptação do bebé? Como vemos, a adaptação à vida em contexto social do ser humano tem início muito mais cedo do que seria de esperar…

Bibliografia:
http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=60

MONTEIRO, Manuela matos e OUTROS, Ser Humano – 12ºano Psicologia B, Porto Editora, 2007.

Crescer é difícil...

“ Têm 14, 15 anos. Já não são crianças, ainda não são adultos. Há neles «um profano desejo de crescer». Libertos da redoma sagrada da infância, reféns de um ciclo lento, esperam. Que o ciclo se cumpra. Que a maioridade chegue, para se verem livres dos constrangimentos da adolescência. Para se verem livres. Mas crescer é para eles (como para os pais, a braços com novos desafios parentais) um processo longo. Um caminho feito de etapas e que se faz caminhando.”
In Notícias magazine, Fev 2008

Crescer é o processo mais difícil que o ser humano tem de passar. Não é apenas o corpo que muda, obriga-nos a constantes adaptações e ajustamentos, como o nosso interior acompanha essas mudanças.
A adolescência é uma das etapas mais temidas pelos pais, sendo esta talvez, a mais difícil de todas as idades. Mas como se poderá definir um adolescente se este já não é criança, mas ainda também não é adulto; se já não faz parte da «programação» dos mais novos, mas ainda não há lugar no mundo dos mais velhos; se já não se admitem atitudes infantis, mas já se pedem responsabilidades de gente crescida?!
Afinal onde se insere o adolescente e como se deve comportar?! A sensação de que não pertence a nenhum lado faz com que esta idade, as inseguranças e as irredutíveis certezas atormentem-no.
“ Ser do contra”, como se costuma dizer, é algo que define o adolescente. É uma forma de se afirmar perante os adultos. Para não fazer o jogo dos adultos, para questioná-los, frequentemente agindo por oposição a eles. Apesar de teoricamente sabermos que os confrontos são inevitáveis, saudáveis e até desejáveis, pois a vivência de conflitos correspondem, geralmente, a processos de desenvolvimento psicológico, tornando-nos mais capazes de responder de forma mais adaptada à situação que vivemos. O confronto é gerador de mudança, que é o fundamento da evolução e do desenvolvimento social. É uma das manifestações das interacções sociais.
Mas sendo a adolescência um período tão “problemático”, em que o sujeito vive um turbilhão de sentimentos contraditórios que acompanha a silenciosa revolução das hormonas, será a melhor altura para este escolher a área profissional que pretende, principalmente na passagem para o ensino secundário? Não será levado em erro, pelo excesso de emoções e sonhos, não sendo realista e optar pela decisão menos favorável para este? Não será demasiada responsabilidade para um adolescente, que dizem não ser adulto para certas coisas, mas depois exigem deste responsabilidade, consciência e bom-senso para escolher já o seu futuro?
Mas enfim, a adolescência também tem o seu lado positivo. A adolescência é também a maravilhosa idade de todas as experiências e de todas as paixões. Por isso, a devemos aproveitar ao máximo, porque apesar de ser difícil e complicada, é uma das melhores fases se soubermos lidar com as mudanças, e encará-la de forma positiva. É preciso compreende-la.

Fontes:
- in Noticias magazine, Fev. 2008
- in Noticias magazine, Abril 2008
- Monteiro, Manuela Matos e Ferreira, Pedro Tavares – Ser Humano, 12º ano 1ª parte

O mundo é de quem não sente?


“O mundo é de quem não sente. A condição essencial para se ser um homem prático é a ausência de sensibilidade. A qualidade principal na prática da vida é aquela qualidade que conduz à acção, isto é, a vontade. Ora há duas coisas que estorvam a acção - a sensibilidade e o pensamento analítico, que não é, afinal, mais que o pensamento com sensibilidade. Toda a acção é, por sua natureza, a projecção da personalidade sobre o mundo externo, e como o mundo externo é em grande e principal parte composto por entes humanos, segue que essa projecção da personalidade é essencialmente o atravessarmo-nos no caminho alheio, o estorvar, ferir e esmagar os outros, conforme o nosso modo de agir.”
Fernando Pessoa, in 'O Livro do Desassossego'

Será que o Mundo é de Quem não sente? Será que sentir e razão são coisas diferentes? Será que sim? Será que não?
Na minha opinião, mais concretamente, na opinião de Damásio as emoções e os sentimentos não são um obstáculo ao funcionamento da razão: estão envolvidos nos processos de decisão. A razão e a emoção são incapazes de trabalharem, funcionarem por si só, ou seja, a razão sem a emoção leva-nos para um campo de hipóteses inerentes à situação e consequentemente perder-nos-íamos nos cálculos das vantagens e desvantagens, pois estaríamos submetidos a uma análise rigorosa. Contudo se utilizarmos somente a emoção iríamos ser levados a fazer opções erradas já que estaríamos perturbados por emoções fortes. Assim sendo, é necessário, para agirmos correctamente, gerirmos as nossas emoções associando à nossa razão, com explicita Damásio, a emoção bem dirigida parece ser o sistema de apoio sem o qual o edifício da razão não pode funcionar eficazmente.
Por tudo isto, penso gerindo as minhas emoções. Não podemos dizer que para agirmos temos que nos guiar apenas pela razão, sem sentimentos, sem emoções, sem o campo do sentir, ao contrário, para tomarmos decisões, escolher caminhos, agir numa determinada direcção temos que utilizar estes dois mundos diferentes (RAZÃO-SENTIR) que no fundo se complementam.


O que é uma fobia?

Todas as pessoas conhecem alguém que tenha uma fobia, ou pelo menos, já leram ou ouviram em algum lugar. O medo é uma emoção que é muito normal no ser humano, é espontânea, de curta duração, modifica a nossa expressão corporal; é portanto uma emoção como tantas outras que possui o ser humano. Mas quando associada a fobias o medo toma proporções enormes, tornando-se descontrolado. As pessoas quando têm uma fobia e se deparam com o objecto em questão, começam a sentir um medo excessivo, ansiedade, angústia, e só desaparece quando esse objecto se afasta. Este medo parece ligado a aquilo que lhe causa a fobia, sentindo sempre medo quando aparece esse objecto.
Há vários tipos de fobias: fobias simples (ter medo excessivo de aranhas, cobras, cães, etc.); a fobia social (medo de falar perante uma grande plateia) e a agorafobia (ter medo e evitar locais de grandes dimensões). A mais perigosa para o ser humano é sem dúvida a agorafobia, pois começasse a evitar locais de grandes dimensões como hipermercados, progressivamente locais como transportes públicos, e por fim a pessoa não consegue sair mais de casa. As pessoas com fobias devem ir ao psicólogo para não agravar a sua situação, pois podem ser tratadas.
Estudos confirmam que a maior parte das fobias adquiridas foram por aprendizagem, isto é, as crianças observam, imitam e integram as acções dos adultos, dos seus modelos. Se os seus modelos tiverem algum tipo de fobia e a exprimirem com frequência, a criança tenderá para adquirir também uma fobia. Verificou-se que em famílias em que os modelos possuíam algum tipo de fobia, desenvolveram-se nas gerações seguintes fobias. Mas em famílias em que os modelos eram saudáveis, a aquisição de fobias era mais difícil. Por isso, constatou-se que há uma maior importância na hereditariedade por aprendizagem e não pela genética. A história pessoal tem uma grande importância quando se fala em fobias. Cada ser humano tem uma história pessoal única. Modelos de aprendizagem, episódios marcantes, representações sóciais, tudo isto é diferente em todas as pessoas, cada um tem um mundo criado por isso dentro da sua mente.
Existe muitas fobias, a tema de curiosidade descobri algumas fobias muito peculiares, como as que vou citar algumas: a fobia de tomar banho, de olhar para cima, a crianças, de palhaços, da cultura inglesa, de opiniões, de pessoas. Estão aqui algumas das muitas fobias que existem…será que conheces mais algumas? Ou conheces alguém com uma fobia?


Bibliografia:
· http://cimcs.com.pt/fobia.html;
· http://www.serafimcarvalho.net/sm03.asp?idp=4;
· http://www.medicoassistente.com/modules/smartsection/item.php?itemid=177;
· MONTEIRO, Manuela Matos e FEREIRRA, Pedro Tavares, Ser Humano, 2ªParte - Psicologia B 12ºAno, Porto Editora.

Saber o que somos para existir de verdade

Como disse o Padre António Vieira “O saber é uma riqueza que nunca se esgota” e isto porque nunca aprendemos tudo o que há para aprender, existe sempre algo que desconhecemos, algo que não vimos, que não apreciamos, que não tivemos o prazer de desfrutar. A aprendizagem é uma condição inerente à capacidade humana já que todo o Homem aprende no decurso da sua vida, contudo fá-lo de diferentes maneiras e isto porque, como é perceptível, todos somos diferentes, temos vidas diferentes, experiências diferentes, histórias pessoais diferentes e, consequentemente, aprendizagens diferentes.
Para mim, em primeiro lugar, é necessário que cada um seja capaz de se auto-conhecer para assim poder aprender a conhecer o mundo mas sempre com o seu ponto de vista, dando-lhe a interpretação que acha mais apropriada para que possam existir diferentes opiniões e logo discussão e crítica que nos levam a saber aceitar e respeitar tudo o que é diferente de nós ou do que pensamos.
Por tudo isto é que acho que aprender sempre mais e mais faz de nós pessoas não só mais cultas mas também mais humanas, o conhecimento faz com que cada um ganhe uma dimensão maior, um interesse maior sobre o mundo e é por tal que se torna numa riqueza inesgotável que nos trará frutos, por vezes muito mais benéficos do que imaginamos. E fica também aqui uma pequena homenagem ao Padre António Vieira, um visionário que já no século XVIII conseguiu ser capaz de perceber a dimensão e a importância que a aprendizagem tem no ser humano.

Bibliografia:
Livro de pensamentos, António Marinho Teixeira de Mesquita

Eu sou eu...

A identidade "é um conceito do qual faz parte a ideia de distinção, de uma marca de diferença entre as pessoas, a começar pelo nome, seguido de todas as características físicas, do modo de agir e de pensar e da história pessoal".
Assim podemos definir identidade como sendo um conjunto de características próprias e exclusivas de uma determinada pessoa. Este conceito, está ligado às actividades da pessoa, à sua história de vida, ao seu futuro, sonhos, fantasias… características da personalidade relativas ao indivíduo. Ela permite que o indivíduo se apreenda como um sujeito único, tomando posse da sua realidade individual e, portanto, consciência de si mesmo.
Identificar os próprios gostos e preferências, conhecer habilidades e limites, reconhecer-se como um indivíduo único, no meio de tantos outros igualmente únicos. Esse processo de auto conhecimento, que tem início quando nascemos e só termina no final da vida, é influenciado pela cultura, pelas pessoas com as quais convivemos... A escola, tem assim, um papel fundamental na construção da identidade e da autonomia de cada aluno. Na creche é importante passar por todas estas etapas de construção de um ser individual e original. Todos os adultos que trabalham numa creche exercem um papel marcante nesse processo, pois eles desempenham um papel estimulador e facilitador nessa longa caminhada.
Praticamente todas as descobertas e brincadeiras feitas nos três primeiros anos de vida estão relacionadas com a construção da identidade e da autonomia. Os bebés querem saber o que é cada coisa e para isso usam todos os sentidos. O brincar é sempre um momento de descoberta. "Nessa fase do desenvolvimento, todos os objectos manipulados são, para a criança, uma extensão de si mesma." Nesta interacção, as crianças procuram entender o mundo que as rodeia.
Assim, identidade não é só o que a pessoa aparenta, ela agrupa várias concepções como a noção de permanência, de pontos que não mudam com o tempo. Algumas destas características inalteráveis são o nome da pessoa, parentescos, nacionalidade, impressão digital e outras coisas que permitem a distinção de uma unidade, um ser único. A identidade depende da diferenciação que fazemos entre o eu e o outro. Passamos a ser alguém quando descobrimos o outro porque, desta forma, adquirimos maneiras de comparação que permitem o destaque das características próprias de cada um.
Um ponto importante a ser considerado é que fazemos parte de diversas organizações e, portanto, a nossa acção é subdividida de acordo com as nossas interacções em sociedade com os outros. Somos o que fazemos naquele momento, em cada papel que desempenhamos, o de aluno, filho, amigo, irmão, e uma coisa não inclui necessariamente a outra. Cada actividade toma então, uma forma a partir de um personagem, que temos nas diversas situações das nossas vidas.
Quando te olhas ao espelho vês uma forma, um ser que objectivamente é diferente (diferente no sentido da configuração que temos, rosto, corpo…) de todos os outros devido ao património genético. Porém, embora reconhecível (fisicamente), não é conhecido na sua totalidade, pois só nós próprios nos podemos identificar no sentido subjectivo, “eu sou eu, diferente de todos os outros”.
Cada um é então o seu interior, é uma viagem de memórias criadas, e em processamento ao longo de cada dia, é um círculo de emoções e de sentimentos, é um ser que não sendo tudo é aquilo que faz, pensa, sente, sonha...
Cada um com a sua história de vida cheia de significados e mistérios… No fundo somos todos iguais, mas tão diferentes… A identidade é um guia no conhecimento de nós, é uma marca, uma pegada no caminho de quem tentar desvendar o que realmente cada um é, foi e será… E tu?! Já analisa-te com certeza o teu B.I mas nada te significa apenas que é um cartão, um alicerce que te identifica… No fundo… quem és tu?!

Bibliografia:

• MONTEIRO, Manuela e FERREIRA, Pedro. Ser Humano. 2ª Ed. Vol. 2. Porto Editora, 2006.
http://www.apagina.pt/arquivo/Artigo.asp?ID=589
• MONTEIRO, Manuela; SANTOS, Milice Ribeiro, Psicologia 12º ano, Porto
Editora, 2001

domingo, 4 de maio de 2008

Razão e emoção

António Damásio diz-nos que as emoções ajudam-nos a tomar as nossas decisões, o que à partida parece um pouco estranho! Mas Damásio explica esse facto dizendo que as emoções vêm ajudar a acelerar o processo de decisão, ou seja, se tivéssemos de analisar os prós e contras de todas as decisões, ser-nos-ia impossível, tomar decisões a curto prazo.
Assim emoção e razão estão na base das nossas decisões e essas mesmas decisões são viabilizadas rapidamente, pois por mais simples que seja a decisão que queiramos tomar, existe sempre uma emoção associada.
Para explicar melhor esta sua teoria Damásio remete-nos para a existência de um marcador somático, mecanismo que suporta as nossas decisões a partir de experiências emocionais anteriores. Estas experiências anteriores ficam gravadas nas áreas pré-frontais, responsáveis por funções como a memória, entre outras capacidades consideradas de nível superior devido à sua complexidade.
Perante a necessidade de tomar decisões, o córtex cerebral apoia-se nas emoções para decidir. De acordo com Damásio, sem emoção, ficaríamos impossibilitados de fazer as escolhas mais simples, tal como aconteceu com Gage. Os marcadores somáticos informam o córtex sobre as decisões a tomar.
Portanto numa situação em que é necessário decidir existe uma ligação entre o tipo de situação e o estado do corpo (estado somático). As manifestações corporais são associadas à situação vivida e orientam assim as nossas escolhas.

Bibliografia
MONTEIRO, Manuela Matos & FERREIRA, Pedro Tavares, 2007. Ser Humano – 2ª parte Psicologia B 12º ano. Porto Editora, Porto.

O poder do medo


“Uma das questões fulcrais da nossa vida é não ter medo do medo. Porque a existência é tão efémera e, sendo nós os únicos animais do mundo que têm a noção da finitude e do efémero, há que usufruir do percurso que vamos fazendo ao longo da nossa vida”
Luísa Gonçalves, In Público 2005

Na realidade, o medo é uma estratégia de sobrevivência, uma reacção totalmente normal fruto do nosso milenar processo de adaptação ao meio, que emerge quando nos confrontamos com situações desconhecidas ou face a objectos, pessoas e coisas que significam uma ameaça.
Provavelmente, o medo é uma das emoções menos desejadas pelo ser humano, no entanto, este faz parte de nós e sente-se no corpo, ao invés, não sobrevivíamos.
De facto, como refere Luísa Gonçalves, a vida é efémera e devemos usufruir dela ao máximo. E o medo acompanha-nos nesta curta existência, na tal efemeridade da vida. Ter medo do medo é, na opinião de Luísa Gonçalves uma das questões fulcrais da nossa existência. O medo é, muitas vezes, o muro que nos impede de fazer uma série de coisas. Claro que, pode ser positivo, na medida em que ajuda ao equilíbrio, no entanto, pode também ser negativo, porque nos faz mal.
Todos os seres humanos têm medo do medo que sentem. Na verdade, o pavor a algum bicho, a alguma animal, ou até a alguma situação da nossa vida provoca em nós uma sensação estranha e esquisita, o medo! Devemos aceitar que esta misteriosa emoção nos persegue ao longo da nossa vida, não podemos ter medo que ela surja! Porque o medo é algo que nos ajuda a viver com mais segurança, a sobreviver… Se, por exemplo, não tivéssemos medo de um cão perigoso que começa a correr atrás de nós ou até de alguma situação estranha que ocorresse na nossa vida, esta, de facto, não teria sentido. O medo faz parte da lógica da vida… Ajuda-nos a agir correctamente ou não em determinadas situações.
O medo é algo capaz de colocar as pessoas em estado de angústia total e gera uma grande tensão em nós. O nosso ritmo cardíaco acelera-se, aumenta a transpiração, os músculos contraem-se… Há, por isso, uma alteração do nosso estado normal.
Esta emoção é, na minha opinião, algo ainda difícil de definir. O medo é obscuro, é estranho, ao mesmo tempo que pertence à vida. Vivemos com ele diariamente e isto faz como que estejamos familiarizados com ele, embora muitas vezes ainda temos receio daquilo que daqui advém.
De facto, a vida é feita de coisas boas e outras menos boas, obstáculos que temos de ultrapassar, caminhos que devemos traçar e atravessar com sucesso e o medo está sempre presente! O medo impede-nos, muitas vezes, de ir em frente, de aceitar de imediato, de agir irracionalmente, etc. Torna-nos até pessoas mais ponderadas e racionais.
Por isso, não podemos pensar que ter medo é sermos “medricas” ou até menos corajosos. O medo está presente na nossa vida, ajuda-nos a vivê-la e a desfrutá-la com segurança. Porém, o medo excessivo pode ter consequências negativas, na medida em que nos impede de usufruir ao máximo das oportunidades que a vida nos proporciona.

Bibliografia: Super Interessante – Edição 49 (Maio 2002)

Percepção

A percepção é um processo cognitivo que nos ajuda a perceber o que acontece quando percebemos alguma coisa (vemos, tocamos, ouvimos) e que nos faz levantar a questão “Percebemos directamente com os nossos sentidos ou percebemos as representações dos mesmos?”. É a esta pergunta que vou tentar responder!
Através da percepção o ser humano contacta com o mundo, ou seja, é graças à percepção que desde pequenos nos é possível saber as cores, as formas, as texturas, os aromas, saber distinguir o frio do calor.
Percebi que a percepção é baseada na interpretação que as pessoas fazem da realidade e não na realidade em si, por este motivo a percepção do mundo é diferente para cada um de nós. A percepção não se limita ao registo de uma informação sensorial, é muito mais que isso, pois implica a atribuição de sentido, sentido esse que vai de encontro com a experiência de cada um.
À medida que vamos adquirindo novas informações, a nossa percepção altera-se e é no cérebro que tudo se processo, pois a informação que chega dos órgãos sensoriais é por ele tratada. Podemos por isso afirmar que a percepção é um processo cognitivo complexo em que para além de estarem presentes na sua construção as estruturas fisiológicas, como é o caso dos órgãos sensoriais e também das estruturas nervosas, a estas estruturas estão aliadas as nossas experiências pessoais, que dão sentido e significado ao que percepcionamos.
Para terminar, apenas acrescento que “…cada pessoa aprende o mundo que o rodeia de uma forma única e especial – de facto, isto permite-nos dar um contributo próprio e especial ao mundo”. O que seria do mundo se os nossos olhos estivessem fechados?

Bibliografia

· MONTEIRO, Manuela Matos & FERREIRA, Pedro Tavares, 2007. Ser Humano – 2ª parte Psicologia B 12º ano. Porto Editora, Porto.

Emoção – uma forma de inteligência?


Um dia destes, enquanto folheava o livro de psicologia apercebi-me da existência de um conceito estranho: inteligência emocional (página 99). É estranho que, quando falamos em inteligência, estejamos ao mesmo tempo a falar em emoções, já que esta é normalmente associada aos conhecimentos – razão. Nesse sentido a dimensão da minha curiosidade aumentou ainda mais, pelo que descobri que a inteligência emocional é “um conjunto específico de aptidões utilizadas no processamento e conhecimento das informações relacionadas à emoção”. Mais do que isso, este tipo de inteligência é, ainda, considerado uma etapa na evolução do pensamento humano! Pode parecer estranho, mas a capacidade de percepcionar as emoções, usá-las, compreende-las, e controlá-las constitui uma forma de inteligência, já que nos permite lidar com as emoções… Uma pessoa com elevada inteligência emocional será, então, capaz de resolver facilmente vários problemas relacionados com as mais diversas componentes emocionais. Resta saber se surgirão testes (como os testes de Q.I.), que avaliem esta forma de inteligência tão “estranha”…
Bibliografia:
MONTEIRO, Manuela matos e OUTROS, Ser Humano – 12ºano Psicologia B, Porto Editora, 2007.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Intelig%C3%AAncia_emocional

Sonhos


Sonhar é um fenómeno tão natural da nossa mente que já estamos inteiramente familiarizados com ele. Quando adormecemos somos transportados para um mundo íntimo, só nosso, onde, por vezes, temos dificuldade em distingui-lo da realidade. O nosso cérebro consegue aceder a informações e imagens que julgávamos já estarem esquecidas, ou, ainda, criar situações novas reveladoras de uma imaginação que nós mesmos desconhecíamos. Já tem acontecido, por exemplo, ficarmos surpresos, durante algum tempo (e depois de despertos), com o que conseguimos criar durante o sono e a forma como esses sonhos fazem sentido na nossa vida.
Em Interpretação dos Sonhos, o austríaco Sigmund Freud tenta explicar esta temática, defendendo que, ao contrário do que aquilo que se pensou, os sonhos não são fenómenos bíblicos, mas algo que deriva do nosso interior. “Sonhar é uma linguagem simbólica, pela qual se manifesta o nosso inconsciente, é quase que um porão da mente onde habitam fantasmas psíquicos, como conflitos não resolvidos e desejos reprimidos, que acabam por influenciar os nossos comportamentos.”, afirma Eduardo Szklarz. É através dos sonhos que “digerimos”, em parte, os acontecimentos vividos durante o dia, constituindo uma espécie de feedback das nossas experiências.
O facto da capacidade de sonhar e o modo como ela se processa ser tão intrigante, tem suscitado o aparecimento de estudos, teses e experiências vindas de diversos ramos da ciência, da psicologia e da neurologia, comprovando-se, realmente, a teoria do “pai da psicanálise”, Freud. Em 1989, na Universidade de Rockfeller, pôde-se concluir, através da observação dos cérebros dos ratos, que os neurónios activados durante o dia, continuavam em funcionamento durante a noite, sendo explicada, então, por que razão temos tendência para sonhar com o que nos é mais significativo ou marcante e com aquilo em que pensamos mais frequentemente. É claro que, enquanto sonhamos, a nossa mente vai mais além e acaba por distorcer os factos, associando-os a outros cujos contextos são completamente opostos. Crê-se, portanto, que os sonhos são “a chave para o auto conhecimento humano”, permitindo-nos manter o equilíbrio psicológico e, de certa maneira, tomar consciência das nossas verdadeiras necessidades e ambições.
O acto de sonhar não é tão banal como pensamos, por isso é tão importante reflectir sobre ele e sobre as nossas acções, sobre o que nos faz sentir realizados e sobre o que nos atormenta. A mente é, sem dúvida, algo poderoso e extraordinário que o ser humano tem o privilégio de conseguir moldar. Usem-na em benefício de um bem comum!


Fonte:

http://super.abril.com.br/superarquivo/2001/conteudo_119579.shtml
http://super.abril.com.br/revista/240a/materia_especial_261563.shtml?pagina=1
http://www.pxpoa.blogger.com.br/sonho.jpg




Personalidade

Já ouvi muitas vezes pessoas a dizerem "...fulano tem personalidade... este não tem!..." Mas a definição de personalidade em si nunca parei para pensar, a não ser nestes instantes...
Pois é, existem coisas que, por vezes, nos põem a pensar…e a personalidade é uma delas, principalmente na fase da adolescência, que é uma etapa muito conturbada e cheia de dúvidas.
A personalidade é aquilo que o individuo realmente é, ou seja, é a sua singularidade que o distingue de qualquer outra pessoa. Já reparamos que não existe nenhum individuo com uma personalidade igual à nossa, mesmo quando dizemos que aquela pessoa é a nossa alma gémea, que somos iguais… As semelhanças entre os comportamentos dos indivíduos de uma sociedade não desmentem o facto de o individuo ser uma unidade distinta de todos os outros.
De facto, a conduta de um indivíduo deixa sempre transparecer um cunho pessoal que nos permite inferir que estamos na presença de um ser original e único. Por isso, podemos afirmar que uma personalidade é uma individualidade.
Apropriando-me de uma frase de Fernando Pessoa que dizia mais ou menos isto: “não acredito em nenhuma religião, todas elas são a verdade” e buscar um meio termo, cada personalidade pode ser adquirida através da hereditariedade, o próprio meio, pois é através do processo de socialização que o comportamento individual é moldado segundo padrões de cultura de uma dada sociedade, também através de experiências pessoais, pois o modo como as pessoas vivem as suas experiências, pode marcar positiva ou negativamente a personalidade. As experiências vividas na infância e na adolescência são particularmente marcantes, sendo a personalidade uma construção dinâmica e interactiva, onde o sujeito é o elemento activo da sua própria historia e projecto de vida.


http://pt.wikipedia.org/wiki/Personalidade
http://super.abril.uol.com.br/revista/248/materia_revista_270042.shtml?pagina=1
http://www.depression-guide.com/lang/pt/personality.htm

A nossa vida…as nossas decisões!

Quando acordamos, podemos levantar-nos ou ficar na cama. Porém, se decidirmos que o melhor é nos levantarmos, temos que decidir se vamos ficar em casa ou vamos sair. Caso se escolha a segunda opção, existe também a necessidade de escolher o que vamos vestir. De seguida temos que pensar um pouco para decidir o sítio que preferimos visitar; mais tarde teremos de seleccionar o local onde iremos almoçar. De seguida, decidiremos se queremos voltar para casa ou visitar outro lugar, etc.
Como vemos, a nossa vida está repleta de decisões. Decisões que tomamos, por vezes, até instantaneamente! Tão rápido que nem nos lembramos da complexidade do processo que envolve a resolução de um problema.
Escolher o que queremos vestir, por exemplo, é uma decisão que tomamos de uma forma descontraída, sem nos preocuparmos em demasia com o assunto. Mas quando nos aparecem problemas sérios, que podem mudar a nossa vida por completo, mudamos instantaneamente de postura: queremos pensar bem antes de decidir. É o caso, por exemplo, de uma nova proposta de emprego, da possibilidade de mudar de escola, do curso que queremos frequentar na Universidade, etc.
Esta última questão interessa particularmente aos alunos que se encontram no 12ºano, como é o nosso caso. Mas porque é que esta decisão é tão difícil para nós? A verdade é que uma pequena escolha que faremos num futuro próximo terá uma enorme repercussão no nosso futuro. Seria extremamente frustrante trabalhar toda a vida em algo que não nos suscita qualquer interesse.
Uma decisão como esta exige, então, um processo de pensamento exaustivo, no qual interligamos conceitos – construindo um raciocínio lógico – para que sejamos capazes de identificar o problema, analisar as hipóteses de resolução possíveis e, por fim, optar pela que nos parece mais adequada. Estas três etapas fazem parte de qualquer resolução de problemas, no entanto podem não aparecer assim de forma tão distinta, havendo a possibilidade de serem confundidas.
Quando tomamos uma decisão temos que ter em conta os nossos conhecimentos prévios, os nossos gostos, a nossa história pessoal, entre outros. É daí que surge a necessidade emergente de fazermos as nossas próprias escolhas, como afirma Bandura:

“Nenhuma decisão é tomada sem emoção, e ninguém é motivado exclusivamente pelo desejo de maximizar os seus interesses. As pessoas não escolhem o que lhes é mais útil. Dado terem de viver consigo próprias, têm tendência a escolher acções que lhes ofereçam uma satisfação pessoal e o sentido do seu próprio valor, e recusam as que as desvalorizam.”
BANDURA, A., Sciencies Humaines, n.º148, 2004, pp. 112-113.

Bibliografia
MONTEIRO, Manuela matos e OUTROS, Ser Humano – 12ºano Psicologia B, Porto Editora, 2007.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Tomada_de_decis%C3%B5es

Crianças e Imaginação

A partir dos dois, três anos, a curiosidade das crianças aumenta mais, assim como a sua imaginação que se torna inquieta. Nesta idade, elas analisam tudo o que vêem de diferente e relacionam com elas próprias. É este o primeiro processo de identificação da realidade e é muito importante para o seu desenvolvimento intelectual.
No entanto, a sua percepção da realidade, é contudo, muito aproximada, não sabe ainda onde termina a realidade e onde começa a irrealidade. Por isso mesmo, gostam muito de todas as histórias de fantasia que lhes são contadas.
As crianças possuem um mundo particular, geralmente belo e cheio de coisas e personagens maravilhosas, no qual existe a possibilidade de viver aventuras sempre fascinantes. Estas, vivem nesse mundo fantástico que elas próprias criaram, através da sua imaginação, e sobrepõem à realidade, descrevendo com absoluta sinceridade.
Depois de criadas as suas próprias realidades, estas são muito complicadas de lhe “retirar”, pois para as crianças o que elas imaginaram é que esta correcto.
As invenções, a fantasia e a imaginação, são muito importantes para elas, já que representam apenas um intermediário entre elas e o mundo real.

Bibliografia
educacao.aaldeia.net/imaginacaodascriancas.htm
pt.shvoong.com/.../education/elementary-childhood-education/1751359-desenvolvimento-infantil-imaginação/ - 52k
pt.articledevise.com/article/about/MDI4/Como-A-Cultivar-Imaginacao/ - 9k -

Depressão

Numa das manhãs de Domingo dei por mim a ler um artigo sobre depressões e antidepressivos na revista “notícias magazine”, artigo esse que me interessou bastante, ao ponto de mencioná-lo e explorá-lo aqui no blog. Como todos nós sabemos não há doença que esteja mais em voga do que a depressão, ao par do stress, e isto devido ao facto desta ser a maior causa de doença no mundo. Nesta entrevista, com o psiquiatra Luiz Gamito, a questão que mais sobressaía era a eficácia dos antidepressivos, quando e como devem ser administrados. Ora bem, isto assemelha-se muito com tudo o que leccionamos em Psicologia já que depressão e mente estão intimamente ligadas, contudo é importante referir que uma pessoa com depressão tem algumas das suas funções vitais afectadas como dormir o tempo necessário, alimentar-se correctamente, etc., não é apenas a sua saúde mental que é afectada mas também outras instâncias do ser.
Na minha opinião a ideia que o psiquiatra Luiz Gamito deixa é que apesar dos antidepressivos serem importantes na resolução de alguns problemas do foro psicológico existem outros mecanismos igualmente importantes e, não me refiro apenas à psicoterapia mas também à força de vontade de cada um, à maneira como encaramos e tentamos solucionar os problemas. Por isso é que se pode afirmar que a depressão trata-se com muita coisa, é uma doença bem mais complexa do que se possa imaginar.


Bibliografia:
20 de Abril de 2008, Notícias Magazine

Interacções com o Mundo


A cognição social é um conjunto de processos que estão na base da maneira como encaramos os outros e a nós próprios. Procura conhecer os factores que influenciam e afectam a forma como interagimos com os outros.Estes processos permitem-nos ter uma capacidade limitada da informação relativa ao mundo social, recorremos a esquemas que representam o nosso conhecimento sobre nós, sobre os outros e sobre os nossos papéis no mundo social. É a partir desses esquemas, dessa forma específica de conhecimento que processamos a informação sobre o mundo social e que formamos opiniões sobre nós e sobre os outros.Os processos de cognição são as impressões, as expectativas, as atitudes e as representações sociais.
As impressões são um termo que usamos com muita frequência após conhecermos uma pessoa. No primeiro contacto que temos com alguém que não conhecemos, construímos uma imagem, uma ideia sobre essa pessoa a partir de algumas características, de alguns indícios que apreendemos no primeiro encontro. Seleccionamos alguns aspectos que consideramos mais significativos, naquele momento e naquela situação, o que nos leva a avaliar a pessoa. Procedemos a um processo de categorização, ou seja, reagrupamos os objectos, as pessoas, as situações em diferentes classes a partir do que consideramos serem as suas diferenças e semelhanças. É a partir dos indícios físicos, verbais, não-verbais e comportamentais, que formamos uma impressão global de uma pessoa, a quem atribuímos uma categoria socioeconómica e cultural, um determinado estatuto.
As expectativas são modos de categorizar as pessoas através dos indícios e de informações, prevendo o seu comportamento e as suas atitudes. As expectativas afectam o modo como os outros interagem connosco, influenciando, por sua vez, a nossa auto imagem e o nosso comportamento. Comportamo-nos em função das expectativas, tendo em conta o que os outros esperam de nós.
As atitudes são, portanto, tendências relativamente estáveis para uma pessoa se comportar de determinado modo face a uma situação, objecto, grupo ou pessoa. Elas não nascem connosco. Formam-se e aprendem-se no processo de socialização. É através das observações, identificação e imitação de modelos (pais, professores, figuras dos meios de comunicação social, etc.) que se aprendem, que se formam as atitudes. Esta aprendizagem ocorre ao longo da vida, mas tem particular predomínio na infância e adolescência. Tal não significa que depois destas idades as atitudes não possam mudar, certas experiências vividas ou acontecimentos extraordinários podem conduzir à alteração das atitudes.
As representações sociais são um conjunto de crenças e ideias que são aceites por uma dada sociedade ou grupos sociais. É um saber partilhado, produto das interacções sociais, e que funciona como um regulador do comportamento. São características de uma determinada época, sociedade e cultura. Fazem parte do processo de interacção social, permitindo aos membros de um grupo social comunicarem e compreenderem-se. As novas representações que apreendemos juntam-se às anteriores, que o sujeito já possui, formando um todo que orienta o comportamento.
E são estes processos que interligados nos permitem interagir, ser e estar em sociedade, vivendo com o outro, aprendendo a perceber e a ser compreendido.
Assim, podemos dizer que um factor favorável à nossa felicidade é sem dúvida a relação que estabelecemos com os outros! O nosso bem-estar interior está dependente das relações interpessoais. Nós não vivemos isolados. Vivemos em sociedade! Os processos que descrevi primeiramente explicam a forma como somos afectados envolvendo a maneira de nos relacionarmos com o Mundo à nossa volta. Mas…o que sabemos realmente de relações humanas? Quando falamos com o outro, conseguimos efectivamente entender e compreender o outro? A maneira como reagimos ao que os outros nos fazem ou dizem não vai condicionar o que pensamos e o que sentimos? De facto, depende de nós permitirmos que os outros controlem a nossa mente e a nossa própria vida. Assim, é necessário um trabalho contínuo e diário sobre o que " recebemos" e o que "enviamos" para os outros!


Bibliografia:

• MONTEIRO, Manuela e FERREIRA, Pedro. Ser Humano. 2ª Ed. Vol. 2. Porto Editora, 2006.